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quinta-feira, 11 de junho de 2026

A perda de um amigo



Foi tudo muito repentino.

Eu estava na sala de casa quando ouvi um miado. A princípio, imaginei que fosse apenas uma briga de gatos. Meus gatos sempre viveram protegidos no quintal, e nada parecia indicar que algo grave estivesse acontecendo.

Pouco depois, porém, escutei latidos de cachorro. Estranhei o barulho e fui até o quintal para verificar.

Então me deparei com uma cena horrível.

Três cães de médio porte atacavam o Frajola.

Assim que me aproximei, eles se afastaram e fugiram passando apertadamente pelas grades do portão. Até hoje não consigo entender como conseguiram passar por um espaço tão pequeno. Nunca imaginei que animais daquele porte atravessassem uma abertura de pouco mais de uma palma da mão.

Frajola ainda conseguiu caminhar alguns metros na direção oposta. Mancava bastante. Logo depois tombou sobre a terra.

Estava gravemente ferido, principalmente na parte inferior da barriga. Curiosamente, havia pouco sangue, mas era evidente que seu estado era muito grave.

Naquele momento, ficamos sem saber exatamente como socorrê-lo. Eram quase nove da noite, já estava escuro. Núbia pegou uma toalha enquanto eu ligava para o veterinário e projetava a lanterna do celular.

Frajola ainda tentava reagir. Aos poucos, porém, foi perdendo as forças.

Liguei para o doutor Jorge, que pediu que eu o levasse imediatamente. Colocamos seu corpo em uma bolsa e segui para a casa do veterinário.

Infelizmente, quando chegamos, já não havia mais nada a fazer.

Talvez nem mesmo uma chegada dez ou vinte minutos antes tivesse sido suficiente para salvá-lo.

Depois soube que os três cães provavelmente pertencem a um mesmo dono e que teriam o hábito de circular soltos pelas ruas durante a noite. Também ouvi relatos de que outros gatos e um cachorrinho pequeno já teriam sido vítimas de ataques semelhantes.

Tudo isso me deixou profundamente abalado.

Frajola estava conosco desde janeiro de 2015.

Nasceu numa casa do outro lado da rua, mas foi ele quem nos escolheu. Ainda filhote, passou a frequentar nosso quintal e acabou se tornando parte da família.

Naquela época já viviam conosco o Tigrão e a Sofia, ambos mais velhos, vindos de lugares diferentes: Niterói e Nova Friburgo.

Por muitos anos, Frajola adorou passar horas sobre os telhados. Dentro de casa, gostava de se acomodar sobre móveis altos, como a estante e o armário. Tinha também o hábito curioso de se deitar sobre nossos sapatos ou entrar no armário para dormir sobre nossas roupas.

Era um gato tranquilo, amável e de convivência fácil.

Às vezes demonstrava algum ciúme dos outros gatos, mas foram justamente os mais novos — Chumbinho e Pitt — que costumavam implicar mais com ele do que o contrário.

O que mais me dói é lembrar que, apenas um dia antes, enquanto eu descansava na cama, Frajola se deitou ao meu lado como tantas outras vezes fez ao longo desses anos.

Jamais imaginei que aquela seria uma das últimas lembranças que guardaríamos dele.

Perdê-lo de forma tão trágica, dentro do nosso próprio quintal, torna tudo ainda mais difícil.

Quando acolhemos um animal, sabemos que provavelmente teremos de nos despedir dele um dia. A vida deles costuma ser mais curta que a nossa. Faz parte da ordem natural das coisas.

Mas ninguém se prepara para uma despedida tão abrupta e dolorosa.

Hoje seguimos com Chumbinho e Pitt, ambos ainda jovens e criados por nós desde filhotes.

A casa continua tendo a companhia deles.

Mas ficará para sempre a lembrança de um gato que atravessou a rua ainda pequeno, escolheu viver conosco e, durante mais de onze anos, foi um amigo fiel.





Descanse em paz, Frajola. 

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