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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Encontro com os membros da Confraria dos Pensadores Fora da Gaiola




No último domingo (13/11), fui conhecer pessoalmente os meus amigos da Confraria dos Pensadores Fora da Gaiola (C.P.F.G.), a qual surgiu há sete anos atrás através de um blogue

Acredito que, se não fosse por causa desse espaço virtual, surgido ainda em fins de 2009, talvez nunca tivéssemos formado um grupo de amigos da C.P.F.G. que passasse a se encontrar presencialmente no mundo real.

Se, durante um tempo, o tal blogue quase morreu devido à atração do vicioso Facebook, em que pelo menos uma parte dos fundadores e antigos colaboradores da página foi mantendo contato pelas redes sociais, eis que, em 2016, a C.P.F.G. ressuscitou. Após a criação no tal sítio de relacionamentos de um grupo de debates, depois uma página, finalmente entramos num canal de WhatsApp por iniciativa de um confrade de Sampa, o Edson Moura. 

É certo que, no decorrer desses anos, novos amigos e participantes foram surgindo enquanto outros se afastaram. Houve quem preferiu não aderir às conversas via celular no WhatsApp de modo que tal grupo acabou se diferenciando em muito da turma original aqui do blogue. Até mesmo porque nós também mudamos com o avançar dos anos, não é mesmo?

Eu, embora não esteja entre os fundadores da C.P.F.G, conheci o grupo no final de 2010, ao comentar alguns artigos aqui, tendo começado a postar textos como colaborador somente a partir do ano seguinte, quando morava ainda em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro. Mudei-me para o Grajaú, Zona Norte da Cidade Maravilhosa, onde fiquei somente por uns meses, e depois fixei residência em Muriqui, 4º Distrito de Mangaratiba, litoral sul-fluminense. Entretanto, jamais havia estado num encontro pessoal da turma.

Após a era WhatsApp da C.P.F.G., houve um primeiro reencontro do qual não cheguei a participar. Daquela vez estava complicado por causa do meu envolvimento com a campanha política. Mas no último domingo (13/11), apesar da chuva forte que caía, saí de casa com determinação até chegar na residência do amigo Edson Viana Pinto no bairro carioca de Realengo. Como a temperatura estava um pouco abaixo da média, vesti minha camisa de manga comprida quadriculada e parti para um churrasco, coisa que há tempos não fazia fora de restaurantes. Até porque evito o excesso de carnes.



Para ir de Muriqui até Realengo, foi preciso tomar três conduções. Peguei um ônibus até o município vizinho de Itaguaí, outro até Santa Cruz (bairro da Zona Oeste do Rio) e de lá fui de trem. Ao descer na estação de Magalhães Bastos, no viaduto, o Edinho Viana me buscou de carona e fomos para a sua casa. Lá já estavam sua mulher Cristiane, o amigo Eduardo Medeiros de Jesus com a esposa Adeildes, a irmã Shirlene, o cunhado dele Márcio, a Aline Cleo Vieira e sua amiga Isabela. Após minha chegada, juntaram-se a nós as amigas Elaine Rodrigues e Mariani Lima.

Não nego que acabei comendo muita carne e o almoço estava show de bola. Aliás, o Edinho preparou um churrasco nota dez. O cupim então, sem comentários... Sendo que também teve outras carnes de boi, asa de frango, linguiça, pão assado na brasa e espetinho de queijo. Porém, contentei-me apenas com os pedacinhos de galinha e de boizinho com um pouco de arroz para acompanhar no início. E nem tinha tomado café de manhã, exceto comido umas bananas antes de sair de casa. Até porque levantei tarde da cama.


O tempo passou rápido. Entre os deliciosos pedaços de carne e os goles de mate, feitos pelo nosso churrasqueiro número 1, conversamos sobre diversos assuntos (política, Bíblia, reencarnação, Direito, etc), tendo sido necessário que eu e o Edu contássemos resumidamente sobre como surgiu a C.P.F.G., sendo ele o mais antigo de todos ali. Havia também crianças no local, todas bem comportadas e brincando na sala ao lado.


Por volta das cinco da tarde, o grupo foi se despedindo. Peguei uma carona com Eduardo até sua casa em Campo Grande, outro bairro carioca, onde aproveitei para conhecer a sua biblioteca cheia de livros, a qual ele vem tentando reduzir há tempos. Fiquei lá mais ou menos uma hora conversando e ainda tiramos fotos. No final, fui presenteado com três obras que o amigo não se interessava mais.


Já de noite, saí de Campo Grande e voltei pra Muriqui passando por Itaguaí. Por ser meio de um feriadão, o trânsito estava fluindo bem tal como na ida pro churrasco, exceto pela demora do trem cujos horários são reduzidos aos domingos. As ruas também estavam vazias tanto lá quanto em Itaguaí, sendo que a chuva dificilmente dava alguma trégua.

Enfim, valeu a pena ter conhecido pessoalmente essa turma do bem e espero que nos encontremos mais vezes nessa estrada da vida. Inclusive aqui em Mangaratiba, seja na minha residência e/ou na casa de praia do Edinho que fica na localidade de Apara. 

Ótimo feriado a todos e um brinde à convivência!


OBS: Imagens acima recebidas em meu celular via WhatsApp

sábado, 12 de novembro de 2016

Tem deputado querendo restringir as transmissões da TV Justiça! De olho neles!




Na última quarta-feira (09/11), a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal aprovou a proposta que proíbe a TV Justiça de transmitir as sessões do Supremo Tribunal Federal (STF) e dos demais tribunais superiores que envolvam julgamento de processos penais e cíveis, quer se tratem de transmissões ao vivo ou gravadas, com ou sem edição. E, caso haja acolhimento pelo Plenário, essas mesmas proibições poderão valer também para a Rádio Justiça.

O texto que passou esta semana na comissão refere-se ao substitutivo do relator, deputado Silas Câmara (PRB-AM), ao Projeto de Lei Federal de n.º 7.004/13, de autoria do deputado Vicente Candido (PT-SP). A proposta original proíbe a transmissão ao vivo das sessões do STF e de outros tribunais, acrescentando que as imagens e sonoras das sessões também não poderão ser editadas. Porém, o relator restringiu a proibição de transmitir apenas os julgamentos de processos penais e cíveis. Segundo o parlamentar,

"Não interessa à sociedade, nem guarda qualquer compatibilidade com a natureza técnica que se requer dos julgados, a midialização de julgamentos em que se expõe a vida, a família, a história e o futuro de pessoas que sequer foram consideradas culpadas".

Além disso, o relator ainda acrescentou ao texto permissão para que que as geradoras locais de TV, eventualmente, restrinjam a transmissão da TV Justiça, mediante notificação judicial, desde que haja razões fundamentadas. Pelo texto, o "justificado motivo" abrange situações em que pessoas se sintam prejudicadas pela transmissão de fato, ato, acontecimento, insinuação, denúncia ou decisão de qualquer natureza capaz de envolver o seu nome e a sua reputação. A proposta insere dispositivos na Lei  Federal de n.º 12.485/11, a qual trata do serviço de TV por assinatura e hoje determina apenas que as prestadoras do serviço reservem um canal para o STF fazer a divulgação dos atos do Poder Judiciário e dos serviços essenciais à Justiça.

Sinceramente, fico indagando a quem deve de fato interessar essas proibições ou restrições quanto aos julgamentos transmitidos pela TV Justiça e pela Rádio Justiça?

Será que os parlamentares réus na Operação Lava Jato não irão se beneficiar quando os seus processos forem apreciados pelo STF e o público não puder acompanhar cada decisão dos ministros?!

Onde fica a transparência e a acessibilidade do cidadão comum quanto aos atos judiciais praticados na distante capital  federal?!

E o que dizer a respeito do aprendizado dos nossos estudantes e profissionais do Direito que, na hipótese da aprovação dessas restrições quanto à programação da TV Justiça, não puderem mais atualizar de imediato os seus conhecimentos jurídicos?

Espero que a sociedade brasileira se mobilize desde já contra essa nova censura que estão planejando. Pois devemos reconhecer que a TV Justiça tem permitido que uma parcela interessada da população acompanhe de perto os processos de maior relevância, inclusive as ações criminais envolvendo atos de corrupção dos políticos, de modo que tais telespectadores influenciam com força na formação da opinião pública.

A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e espero que, quando for ao Plenário, haja uma pressão vinda das ruas e das redes sociais de internet para que os parlamentares sintam-se constrangidos a rejeitar esse absurdo.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Agraciado no 185º aniversário de Mangaratiba!




Na manhã desta data de 11/11/2016, ocasião em que a cidade onde escolhi morar comemora os seus 185 anos de emancipação político-administrativa, recebi do vereador tucano Alan Campos da Costa (Alan Bombeiro) o título honorífico de "cidadão mangaratibense". Isto foi durante uma sessão solene da Câmara Municipal a qual ocorreu excepcionalmente na Reserva do Sahy, situada numa área de interesse histórico, com antigas ruínas da época da escravidão. E a escolha do local do evento foi uma inovação porque a cerimônia anual vinha sendo realizada no Centro Cultural Cary Cavalcanti, no Centro.

Confesso não ser muito fã dessas honrarias e formalidades, mas estaria mentindo se afirmasse que nada daquilo me importava. Pois, sem dúvida, tratou-se de um reconhecimento pelo mencionado edil quanto aos trabalhos em benefício do Município que venho realizando ao seu lado, colaborando com o seu mandato para vivermos numa Mangaratiba melhor.

Esse título de cidadão mangaratibense que a Câmara outorgou é direcionado às pessoas que, embora não tenham nascido no Município, prestaram serviços relevantes para a coletividade local. No final do ano, os vereadores indicam os nomes de sua preferência que, se forem aprovados pelo colegiado, podem ser agraciados com a mais alta honraria da cidade.

Admito que me senti surpreso com a iniciativa do Alan. Apesar de ter vínculos com Mangaratiba desde a infância, a qual frequentava a fim de descansar por alguns dias na casa da avó Darcília, em Muriqui, só passei a residir no Município a partir de agosto de 2012. Foi quando, após partir de Nova Friburgo no finalzinho de 2011 e ficado alguns meses na Cidade Maravilhosa, resolvi experimentar a vida na bela região da Costa Verde, litoral sul-fluminense (ler o artigo Sete meses depois, estou novamente deixando o Rio, publicado em 14/07/12).

Dizer que a mudança pra cá foi coisa fácil seria mentir para quem me lê. Cheguei ao Município com a esposa doente e internada numa clínica conveniada com a Unimed na Zona Norte do Rio, com minhas finanças destruídas, sofrendo incompreensões familiares, sem trabalho e nenhum reconhecimento profissional num lugar onde me faltavam referências. Apesar de ser formado em Direito e ter a cobiçada carteirinha da OAB desde 2005, não consegui exercer a minha profissão nos primeiros anos e, necessitando de dinheiro imediato, acabei vendendo picolé na praia como ambulante informal, fugindo dos fiscais, até conseguir autorização em 2013 (ver artigo Um ano morando em Muriqui, de 31/08/13).

Entretanto, fui aos poucos me envolvendo mais e mais com as questões de interesse coletivo. Não me meti nas eleições municipais de 2012, mas, em maio de 2013, resolvi criar o blogue Propostas para uma Mangaratiba melhor através do qual fui compartilhando minhas sugestões para a cidade. Ao invés de fazer ataques sistemáticos aos políticos, optei por uma atuação de caráter essencialmente propositivo, sem perder o espírito crítico. Só na época que antecedeu a prisão do prefeito anterior é que aderi a um movimento surgido pelo seu impeachment em 2015.

Também foi no ano passado que pessoas dentro da política começaram a me procurar. No mês em que o ex-prefeito caiu, o vereador José Maria de Pinho (Zé Maria), na época filiado ao PSB, veio me chamar para trabalhar com ele. Ele já acompanhava a minha atuação nas redes sociais e precisava de um apoio técnico-jurídico para agregar algum valor ao seu mandato. Fui então nomeado para trabalhar em seu gabinete onde permaneci cinco meses e não escondi tal vínculo para os meus leitores como se vê no texto Estou trabalhando na Câmara..., de 27/05/15.

Por aquele tempo, fui fazendo amizade com o vereador da sala em frente, o Alan, que já havia anunciado sua pré-candidatura á Prefeitura ao invés de tentar reeleição. Interessei-me pelo seu projeto e, desejoso de contribuir desde então, executando uma minuta do futuro plano de governo, informei ao Zé Maria o que pretendia fazer. Como os dois edis não se encontravam alinhados, pois o Zé estava aproximando-se do atual alcaide, dr. Ruy Tavares Quintanilha, pedi que me exonerasse do cargo. 

Só no segundo semestre deste ano é que retornei formalmente à Câmara, porém trabalhando com o Alan. Estivemos juntos na campanha e também o assessorei na elaboração de diversos projetos de lei. Destes, muitos foram vetados pelo prefeito, outros continuam em tramitação na Casa e alguns poucos viraram leis, dentre as quais destaco: a 1021/16 (estabelece tempo máximo de fila nos cartórios), a 1001/16 (cria programa de biodigestores no campo), a 998/16 (autoriza a colocação da câmeras de vídeo nos logradouros públicos) e a 997/16 (obriga as empresas de telefonia, internet e distribuição de energia a retirarem dos postes fios excedentes). Fora as normas jurídicas, pude contar com a sensibilidade do Alan para apresentar diversas indicações e um requerimento que, apesar de não terem sido satisfatoriamente atendidos, expressaram demandas reais da nossa sociedade.




Com o Zé Maria, também tive uma boa experiência no desenvolvimento de alguns trabalhos, tanto na apresentação de projetos legislativos quanto de indicações. Também a maioria das leis aprovadas na Câmara, cujos respectivos projetos contribuí, receberam veto do prefeito, mas algumas chegaram a ser sancionadas. Destas posso citar as seguintes: a 1004/16 (sobre a alimentação dos estudantes nas cantinas escolares), a 999/16 (disciplinando a circulação de veículos de carga na cidade), a 981/15 (autorizando o estabelecimento de estradas-parques), a 980/15 (a instituição do dia do casamento comunitário), a 975/15 (direito do deficiente visual a ingressar com cão-guia no transporte público), a 974/15 (sobre o transporte de animais domésticos no transporte público) e a 973/15 (autorização para o Município fazer o monitoramento e a sinalização náutica para proteger os banhistas da aproximação de jet-ski).

Ao receber do Alan o título, senti um certo peso moral junto com a força da gravidade incidente sobre a moldura de vidro. Por não me achar ainda merecedor de tão elevada honra, aquilo foi para mim uma espécie de chamado à responsabilidade para trabalhar diligentemente por este Município. Porém, não recusei e, tão logo cheguei em casa, pendurei o documento na parede.

Por não ter concorrido à eleição para vereador, mas, sim, tentado ganhar a Prefeitura, Alan não estará mais na Câmara durante a próxima legislatura. Pretendemos continuar participando da política e colabor com os novos vereadores eleitos pelo PSDB, Hélder Rangel e Prof. Renato Fifiu, mas é certo que a sua passagem pela Casa deixará saudades em muitos corações. E, até o seu último dia de mandato, estarei caminhando com ele lado a lado, lutando por uma Mangaratiba melhor.

Um ótimo final de semana a todos!




OBS: Créditos autorais da imagem intermediária atribuídos a Fábio Rodrigues.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A trágica eleição de Donald Trump




Muitos ainda estão se sentindo surpresos com a notícia de eleição de Donald Trump para a Casa Branca. Eu mesmo não esperava esse resultado e apostava na vitória da democrata Hillary Clinton, a qual esperava que fosse a primeira mulher a ocupar a Presidência dos EUA.

É certo que assisti a tudo bem distante aqui do Brasil, sem acompanhar a política interna de cada estado norte-americano. Ainda mais no interior do país cuja realidade conhecemos menos do que nas regiões costeiras. Aliás, acreditava que, com o aumento das populações negra e latina por lá, o republicano iria perder como foi a goleada da seleção brasileira nos 7 a 1 pra Alamanha da última Copa. Grande engano! 

Não podemos formar as nossas convicções pelo simples ouvir dizer como fiz contentando-me com o fato de que, nos três debates ocorridos na campanha, as pesquisas e os analistas indicavam Hilary como vitoriosa. Mas acho que não fui o único a errar. Ao comentar a respeito das eleições presidenciais nos Estados Unidos, o cientista político e ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia escreveu o seguinte no seu informativo de hoje:

"Todos os Institutos de Pesquisa associados à grande imprensa –Jornais e TVs- nos EUA erraram. NYT, WP, WSJ, CNN, CBS, NBC, ABC... O New York Times no dia da eleição informou que a probabilidade da vitória de Hillary era de 85%. Pesquisa hoje informa que 66% das mulheres brancas votaram em Trump, ao contrário do que diziam as pesquisas e do sentimento popular. Trump dizia que as pesquisas estavam erradas, pois existia o voto "escondido", pessoas que não admitiam que votariam nele. A cobertura da grande imprensa brasileira -Jornais e TVs- cravou Hillary entusiasticamente. Até meia noite –daqui –sites e TVs continuaram apostando na vitória de Hillary. A proporção de delegados-eleitores de Trump foi praticamente a mesma dos deputados republicanos eleitos: 56%. No terço do Senado que se renovava, os republicanos também ganharam. Barba, cabelo e bigode (...)" - extraído do artigo "CURIOSIDADES DA VITÓRIA DE TRUMP", da edição de 09/11 do Ex-blog do César Maia

Teriam os democratas confiado em excesso no apoio que esperariam ter no Centro-Oeste do país, considerando que se tratavam de redutos do partido há décadas onde poderiam contar com os eleitores negros e da classe trabalhadora branca? Só que, como tem mostrado as notícias, os trabalhadores brancos, especialmente aqueles sem formação universitária, parecem ter abandonado a campanha de Hillary. Sem esquecermos que os eleitores rurais teriam comparecido às urnas em peso a favor de Trump, fazendo grande diferença.

Outrossim, Trump seria o primeiro presidente eleito dos EUA que César Maia classificou em seu texto como um candidato outsider, apresentando-se como um "não político". E há com aposte que a tendência do momento será a eleição de empresários bem sucedidos como houve este ano em São Paulo com a vitória também surpreendente do João Dória Jr. (PSDB).

Há ainda quem veja em Trump o reflexo de uma nova onda nacionalista que invade o planeta, a qual pode provocar a ruína de diversos blocos econômicos, a exemplo da retirada do Reino Unido da UE, assim como menos tolerância com a imigração, pouca atenção com as guerras e as violações de direitos humanos, o esvaziamento do poder da ONU e um retrocesso político de décadas para o mundo. Aliás, não foi por menos que Vladimir Putin está comemorando esse resultado visto que agora quem irá impedir o crescimento de sua ambição fascista e imperialista? Pois, se a Rússia resolver anexar a Ucrânia, Trump nem deverá se importar.

De qualquer modo, a eleição de Trump e as novas tendências nacionalistas/conservadoras que vão surgindo mostram que houve um exaurimento dos modelos liberal e social-democrata de uma grande parte dos países. Talvez tenha ocorrido um distanciamento das principais demandas da maioria da sociedade, cuja preocupação maior ainda é com a preservação do trabalho, sendo que todas as políticas desenvolvidas para os grupos minoritários e carentes foram ganhando ares de hipocrisia diante dos frequentes casos sobre corrupção.

Cá no Brasil, temo que essa onda possa se manifestar por meio de políticos da extrema direita como o deputado Jair Bolsonaro, pretenso candidato à Presidência em 2018. Ele, embora seja militar e não um rico empresário, pegaria uma carona nesse estilo outsider de Trump, aliando-se ao discuso conservador contra o aborto, direitos das minorias LGBT, liberação da maconha, etc. Sua eleição por aqui seria catastrófica. 

Sinceramente, torço que Trump não cumpra o que prometeu e mantenha até o fim o brando discurso conciliador que fez na vitória, sendo apenas mais um presidente dos EUA. Gostaria de acreditar que todo o seu radicalismo dele ficou só nas aparências para conseguir ganhar o pleito e que, dentro de quatro anos, os norte-americanos percebam a burrada que fizeram votando num democrata de linha ainda mais progressista que o Obama. Este deixa a Casa Branca com a popularidade em alta (55% de aprovação) e, provavelmente, deverá ainda ser bem lembrado pelo eleitor arrependido.


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Shawn Thew / EPA / Lusa, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2016-11/donald-trump-e-eleito-presidente-dos-estados-unidos

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Manifestantes ocupam a Assembleia Legislativa contra o "pacote de maldades"




Aplaudo de pé os manifestantes que, na tarde de hoje (08/11), ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em protestos contra o pacote de austeridade imposto pelo governador Fernando Pezão. A maioria ali presente era de representantes de policiais, bombeiros e agentes penitenciários, os quais discursaram contra as medidas de corte de gastos.

Como se sabe,  no dia 04/11 o governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou um conjunto de medidas com a justificativa de equilibrar as contas públicas. Dentre elas estão o aumento do desconto previdenciário de 11% para 14%, a majoração da tarifa do Bilhete Único de R$ 6,50 para R$ 7,50 em 2017, a suspensão de reajustes salariais já concedidos e o desconto de 30% dos vencimentos de inativos para reforçar o caixa da Previdência estadual. Além disso, o corte de gratificações pagas a comissionados, o fim de programas sociais, a extinção de órgãos públicos e as incertezas quanto ao recebimento do décimo terceiro salário também foram considerados pelos participantes do movimento. Senão vejamos o que afirmou o presidente da Coligação dos Policiais Civis do Rio de Janeiro, Fabio Meira, conforme noticiado pelo portal G1:

"Por causa do 'pacote das maldades', as lideranças da Polícia Civil, a coligação, os sindicatos de agentes e delegados, os peritos papiloscopistas, estão trazendo uma carta de repúdio à Comissão de Segurança Pública e assuntos de polícia (...) Nós queremos que os deputados sejam sensíveis e que barrem essas medidas que tanto impactam na vida na vida do funcionário público, principalmente na Segurança Pública"

Entretanto, o presidente da Assembleia, deputado Jorge Picciani (PMDB), afirmou numa nota que a "a invasão do plenário da Alerj é um crime e uma afronta ao Estado Democrático de Direito sem precedentes na história política brasileira e deve ser repudiado. Esse é um caso de polícia e de Justiça e não vai impedir o funcionamento do parlamento". E num tom reacionário ameaçou que os prejuízos ao patrimônio público serão "registrados e encaminhados à polícia para a responsabilização dos culpados".

Apesar dessa crítica reacionária, a qual ignora ser o Parlamento a casa do povo, podemos considerar que o movimento desta terça foi predominantemente pacífico. Depois de quase três horas ocupando o plenário da Alerj, os manifestantes contrários às medidas impopulares do governo saíram do local. Por volta das 17 horas, eles já estavam deixando o prédio principal de mãos dadas e cantando o Hino Nacional.

Espero que haja sensibilidade por parte do governo regional nessas negociações com as categorias de servidores. Do contrário, o caos no Estado do Rio de Janeiro tende a se tornar cada vez pior, sendo que não considero justo o senhor Pezão querer impor aos trabalhadores e aposentados que paguem pelos erros de gestão que o seu PMDB vem cometendo desde os tempos  de Sergio Cabral. Este, aliás, bem que já poderia estar preso e com os seus bens apreendidos, inclusive aquela luxuosa residência que possui aqui em Mangaratiba, litoral sul fluminense.

Que se faça justiça nesse Rio de Janeiro!


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Vladimir Platonow/Agência Brasil

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Eu e a leitura




Gosto de literatura, mas confesso não conseguir devorar muitos livros em pouco tempo porque sou lento na minha cognição. Leio alguns e preciso do fator motivação para prosseguir. Se achar monótona a obra e faltar interesse pelo conteúdo, acabo deixando tudo de lado.

Curioso que, se eu ficar sem um livro para acompanhar, mesmo que numa velocidade a 20 km/h (o último com pouco mais de 500 páginas do primeiro volume Lira Neto sobre Getúlio Vargas levei de abril a outubro), sofro de uma espécie de crise de abstinência. Ou seja, como teria dito Moisés de que "nem só de pão vive o homem", sinto falta de um alimento para mente

Dentre os meus ancestrais, tenho notícias de que papai também gostava de ler, mas não me recordo do seu gosto porque faleceu cedo. Dizem que, tal como eu, interessava-se por História. Também sei que o seu livro de cabeceira era O Capital de Karl Marx, numa versão em espanhol adquirida secretamente num sebo porque o regime militar proibia edições "subversivas" no país. Porém, nem sei onde aquele velho exemplar mais antigo do que eu foi parar. E, se achasse, certaria não me animaria com a obra.

O livro que mais li até hoje foi a Bíblia. Nesta data mesma concluí a leitura do Pentateuco de Moisés que corresponde à Torá para os judeus. Trata-se de algo que executo em pequenas porções matutinas junto com minha esposa, mas que, às vezes, fazemos à tarde ou de noite, sendo que nem sempre Núbia se acha disposta para ouvir.

Além dos livros, recordo que li muitos gibis na época de criança, mais precisamente quando estava no 2º ano do primário e estudava no Colégio Stella Matutina, na cidade Juiz de Fora (MG). Vindo de outra escola menos exigente, não sabia ainda como elaborar uma composição na sala de aula em conjunto com outros colegas. Porém, quando a "tia" Emérita me ensinou como fazer, a jovem professora despertou em mim um lado criativo que até então desconhecia de modo que, em pouco tempo, passei a redigir minhas próprias historinhas em casa e também os meus quadrinhos, chegando a inventar uma cidade de macacos com quatro personagens principais inspirada na "Patópolis" do Walt Disney.

Quanto aos meus preferidos gibis, além das historinhas do Mickey e do Pato Donald, lia as do Maurício de Souza: Mônica, Cebolinha, Cascão, Magaly e Chico Bento. Assim que o vovô Sylvio me dava a pequena mesada, gastava todos os cruzados na banca do seu Pascoal. Ficava duro na mesma semana mas fazia a festa. Rapidamente engolia aquelas revistinhas e o vô logo me chamava a atenção para não ficar lendo tão de perto. Com isso, a família notou a necessidade de me levar ao oftalmologista e, já aos nove anos, passei a usar óculos permanentemente para corrigir a miopia.

No ano seguinte, quando fui estudar catecismo para fazer a primeira comunhão, a madre mandou que comprássemos os quatro evangelhos de Jesus. Seria apenas para consultar nas aulas de religião e fazer uns trabalhinhos em casa, porém passei a devorar em meu quarto todos os textos e não demorou muito estava já conhecendo outras narrativas bíblicas como o livro de Atos dos Apóstolos, Gênesis, uma parte de Êxodo, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, Rute, Jonas, Ester e Daniel, além de Tobias. Só não tinha paciência naquela época era com os Salmos, a maioria dos profetas, as leis e as descrições do Pentateuco, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos e as epístolas. Mas, por incrível que pareça, tinha fixação no Apocalipse e nas doutrinas escatológicas, sendo que não demorei muito para virar um evangélico fanático aos catorze anos.

Na atualidade, percebo que as crianças andam lendo menos que no meu tempo. Apesar de muitas naquela época já passarem horas assistindo desenho animado no Xou da Xuxa, bem como jogando games no Atari, ainda não havia uma internet tão desenvolvida e acessível. Eu mesmo só conheci a rede mundial de computadores no ano de 1995 quando, aos dezenove anos, passei a usar as listas de e-mail da Unicamp e o MOO de algumas universidades públicas (uma realidade virtual muito usada pelos estudantes antes de inventarem a  navegação na web). Ainda assim, não desisti da literatura convencional...

Devo ter hoje uns cem livros aqui em casa e, se fosse indicar três autores, citaria os nomes de Augusto Cury para auto-ajuda, Philip Yancey para os interessados em assuntos cristãos, e Laurentino Gomes para quem curte aprender mais sobre a História do Brasil. Aliás, apaixonei-me pelas três obras dele que tratam, respectivamente, da vinda da família real para o país, da Independência e da Proclamação da República: 1808, 1822 e 1889.

A meu ver, os pais precisam habituar seus filhos à leitura. Não pela imposição, mas conquistando o coração da criança e apresentando-a a um mundo que, certamente, nem a internet e tão pouco os joguinhos eletrônicos conseguirão substituir. E aí, começar pelos gibis não deixa de ser um caminho para instigar a mente infanto-juvenil.

Viva a leitura!

Os municípios costeiros e a necessidade de adaptação às mudanças climáticas




No dia 29/10, escrevi no blogue Propostas para uma Mangaratiba melhor o artigo Precisamos de uma política pública de adaptação às mudanças climáticas, no qual comentei sobre a inundação de partes do Município onde moro. Citei o caso da região da Praia do Saco, a qual, no passado, já possuiu dunas enormes abrigando um lindo manguezal, mas que acabou sendo indevidamente ocupada por causa da gananciosa especulação imobiliária sendo que, na atualidade, a comunidade local sofre com frequentes enchentes por causa da maré e/ou chuvas fortes. Em meu texto, esclareci que, independente do cidadão lesado poder pleitear na Justiça o seu direito a indenização individual pela reparação material e/ou moral em face do Município, há que se pensar coletivamente nas políticas públicas para a solução do problema, incluindo aí as medidas de adaptação às mudanças climáticas.

Certamente que a gravidade dos impactos dependerá de quanto o mar vier a subir nas regiões litorâneas, mas sabe-se que os efeitos serão de grande amplitude e de escala global a partir da extrapolação dos fenômenos que têm sido observados. As inundações costeiras já são maiores e mais frequentes do que eram no início do século XX, sendo que outras consequências do aquecimento global contribuirão também (as tempestades e tufões provocam nas costas enormes estragos e perdas de muitas vidas). Logo, a elevação do mar deve causar uma intensificação nas chuvas que caem no litoral, piorando os estragos em que a altura média das ondas tende da mesma maneira a aumentar, tanto pelo efeito de tempestades quando por mudanças no padrão dos ventos e das correntes marinhas.

Ainda que ocorra uma esperada redução nas emissões de CO², a subida do mar deve ser vista como um processo inevitável e que afetará várias gerações à frente. Nada pode ser feito para mitigá-lo diretamente e o combate às suas causas primárias apenas impediria uma subida de dimensões catastróficas dos oceanos num futuro mais distante. Por isso, só nos resta implementar as medidas de adaptação através da elaboração de planos que visam barrar o avanço das águas, através de muralhas, aterros, reflorestamento costeiro, fixação de dunas e outros meios. 

Considerando que iremos enfrentar uma profunda alteração do clima num futuro relativamente próximo, os municípios brasileiros precisam começar a se planejar ainda nesta década. E, sendo assim, as ações a serem tomadas não devem focar apenas nos problemas imediatos gastando o dinheiro público em paliativos ou obras eleitoreiras, mas, sim, preparar as cidades do litoral para os grandes desafios que se apresentarão no decorrer deste século XXI cheio de incertezas.

É evidente que Mangaratiba, assim como a grande maioria das cidades brasileiras, não poderá enfrentar tudo isso sozinha pois dependerá de uma política nacional para integrar diversas ações de municípios e estados, como vem defendendo o climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo. Por isso, cabe às prefeituras se capacitarem e investirem em estrutura dentro da respectiva esfera de alcance, ao mesmo tempo em que, desde já, pode ser feita uma articulação com outras cidades costeiras, do Rio Grande do Sul ao Amapá, a fim de exigirmos juntos uma atenção especial da Presidência da República para o litoral.

Diante desse quadro assustador, o prefeito que souber ir além do mapeamento das áreas de risco e for capaz de mobilizar o país para o enfrentamento dos problemas climáticos certamente estará entrando para a História, Ou melhor, fazendo a História pois é urgente que tenhamos já no Brasil políticas públicas eficientes a esse respeito.

Que haja mais consciência ambiental nas cidades brasileiras!


OBS: Foto acima recebida via WhatsApp  sobre a inundação da Praia do Saco, bairro do 1º Distrito de Mangaratiba, com atribuição de créditos da imagem à profª. Elizabeth Antunes.