Páginas

sábado, 30 de maio de 2015

Como acabaremos com o DNA cultural da corrupção brasileira?




Não gosto quando ouço alguém me dizer que o Brasil é "um país corrupto" devido ao fato de "Portugal ter enviado para cá ladrões, assassinos e outros tipos de criminosos" durante o processo de colonização. Afirmações assim, além de serem flagrantemente preconceituosas (pois significaria termos herdado o caráter pela genética), configuram um tremendo erro em relação à História. Isto porque, embora a terra oficialmente "descoberta" por Pedro Álvares Cabral tenha recebido pessoas degredadas, jamais chegamos a ser, em essência, uma colônia penal, a exemplo do que foi Austrália em relação ao Império Britânico, hoje uma nação desenvolvida e considerada de primeiro mundo.

Entretanto, há que se levar em conta a mentalidade cultural motivadora da ocupação do território brasileiro em seus principais casos até 1808, ano da chegada da família real. De fato, enquanto os Estados Unidos foram uma colônia de povoamento para aliviar as tensões religiosas na Inglaterra, o Brasil caracterizou-se mais por ser um infeliz lugar de exploração econômica. Assim foi desde o início da extração da quase extinta Caesalpinia echinata, passando pela monocultura da cana-de-açúcar, depois pelo ciclo do ouro, até chegar no comecinho do plantio do café, quando D. Pedro I proclamou a Independência em 1822.

Sem dúvidas não podemos negar que, na nossa colonização, quando o estrangeiro aportava aqui, o seu objetivo costumava ser o de enriquecimento rápido com alguma atividade para então retornar à Europa. Mesmo os que adquiriam terras e outros bens no Brasil (da mesma maneira que seus descendentes nascidos aqui) sentiam-se mais portugueses do que brasileiros desejando desfrutar de uma futura vida luxuosa na metrópole de origem. Aliás, eram todos súditos do rei e muitos pretendiam obter favores e promoções junto à Corôa portuguesa, como muito bem explicou a historiadora Denise Moura numa matéria publicada pela BBC Brasil de 04/11/2012:

"Quando Portugal começou a colonização, a coroa não queria abrir mão do Brasil, mas também não estava disposta a viver aqui. Então, delegou a outras pessoas a função de ocupar a terra e de organizar as instituições aqui (...) Só que como convencer um fidalgo português a vir para cá sem lhe oferecer vantagens? A coroa então era permissiva, deixava que trabalhassem aqui sem vigilância. Se não, ninguém viria"

Apesar dos quase dois séculos de emancipação política brasileira, verifica-se até hoje que o pensamento de exploração não se modificou entre os ladrões do dinheiro público. A grande maioria desses corruptos sonha em comprar uma mansão em Miami, abrir conta na Suíça, dirigir carro importado de última linha e ostentar lá fora o que se apropriou ilicitamente aqui. Inclusive, o próprio D.  João VI teria deixado o seu belo exemplo quando depenou o Banco do Brasil, instituição que ele mesmo fundara, e se mandou com os nossos recursos para Portugal.

Ora, essa é a mentalidade cancerosa que precisa mudar no Brasil e aí lamento o fato da Igreja não ter conseguido implantar uma cultura de base bíblica que valorizasse a integridade do indivíduo e o seu amor pela terra. Pois como se percebe da leitura das Escrituras Sagradas, principalmente dos livros do Antigo Testamento, os israelitas do passado foram muito bem ensinados pelos profetas a amarem o massacrado país deles, tantas vezes devastado por sangrentas guerras. São diversas as passagens que, metaforicamente, chamam Israel de "vinha" ou "figueira" e valorizam os símbolos nacionais judaicos como o Monte Sião (lugar onde ficava o Templo de Jerusalém), o sacerdócio religioso, as festas típicas do calendário deles e o primeiro diploma ético-jurídico que tiveram - a Lei de Moisés. O desejo de retorno à Terra Prometida, gerado com as invasões assírias e mais ainda com o exílio babilônico (século VI a.C.), certamente serviu de fonte inspiradora nos 2000 anos da diáspora judaica imposta pelos romanos a ponto de terem construído, já desde o século XIX, uma sólida base ideológica do vitorioso movimento sionista até 14 de maio de 1948, data da criação do Estado de Israel.

Um povo que não possui identidade e nem preserva o respeito em relação à sua terra corre o sério risco de ser assimilado/dominado por outras culturas estrangeiras. Por isso, mais do que nunca precisamos aprender a amar o Brasil e a cultivar valores corretos. Através das escolas, dos ambientes religiosos saudáveis, das instituições sociais sérias e da boa convivência familiar, devemos manter a esperança de formar uma nova geração com princípios éticos mais elevados, o que, por sua vez, poderá se refletir na condução da política, na aplicação da justiça, na elaboração e no cumprimento das leis, bem como na gestão da coisa pública.

Lutemos por um país assim, meus amigos! E viva o Brasil!


OBS: A ilustração usada acima refere-se à cerimônia do beija-mão na corte carioca de D. João VI, em que os súditos faziam os seus pedidos ao rei, um típico costume da monarquia portuguesa que entrou para o nosso folclore.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Por um futebol mais limpo...




Um dos assuntos desta semana foram as assinaturas obtidas pelo senador Romário (PSB-RJ) para instaurar uma CPI com a finalidade de investigar as denúncias de corrupção na CBF de olho na Copa de 2014. Foi o que escreveu o ex-jogador da seleção brasileira em sua conta no Twitter:

"Vamos investigar os contratos irregulares para a realização de partidas da seleção brasileira e outros campeonatos. Não podemos mais esperar para instalar a CPI. Este é o momento e temos chances de ter colaboração de outros países."

Sem dúvida que as recentes prisões dos altos dirigentes do futebol, feitas com a decisiva participação do FBI, estão gerando um aquecimento na opinião pública do país, o que favorece a propositura de uma CPI no Congresso. Porém, penso que as investigações sobre a Copa precisam ir mais além. Por exemplo, fico a indagar sobre os gastos exorbitantes que tivemos com a construção desses estádios caríssimos em que haveria inúmeras suspeitas de ineficiência e de superfaturamento nas obras.

Porém, ao mesmo tempo em que o senador Romário deseja combater a corrupção no futebol (uma atitude mais do que plausível), muitos torcedores deveriam se auto-questionar a respeito do papel de trouxa que faz quando gasta tempo e dinheiro indo aos estádios. As pessoas soltam fogos e comemoram o gol marcado por seu time no campeonato, mas ignoram a safadeza existente nos clubes e entre os poderosos dirigentes esportivos.

Outrossim, penso que o futebol em si não merece ser penalizado e aí umas das coisas que o Congresso poderia ficar atento seria quanto à moralização das competições e do esporte. Os clubes, embora sejam entidades privadas, são também instituições tradicionais da sociedade que continuam despertando amor e paixão nos brasileiros. Logo, há que se exigir uma conduta cada vez mais ética e exemplar dos mesmos de modo a justificar leis prevendo também o afastamento temporário das equipes nos jogos por estarem seus clubes envolvidos em corrupção.

Cada vez mais o futebol está sendo visto por um novo ângulo. Do mesmo modo como um time hoje pode ser eliminado por atos de violência ou racismo praticados pelos torcedores, a corrupção dos dirigentes de clubes também não pode ficar esquecida. E, quanto a essa luta, estou com o Baixinho, desejando que Romário consiga marcar mais esse belíssimo gol através da política.


OBS: A foto acima acima foi extraída de uma notícia da Agência Brasil sendo os créditos autorais atribuídos a Marcelo Camargo, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2015-05/romario-comemora-prisao-de-jose-maria-marin

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Estou trabalhando na Câmara...




Neste mês de maio, comecei a trabalhar na Câmara Municipal de Mangaratiba! Recebendo um convite do vereador José Maria de Pinho (PSB), fui nomeado assessor de seu gabinete, tendo ele me pedido que o ajudasse na elaboração de proposições legislativas e também contribuísse dando-lhe um apoio jurídico.

Sem criar nenhuma resistência, aceitei o cargo, enxergando uma oportunidade de trabalhar por Mangaratiba. Afinal, eu havia elaborado mais de 100 sugestões para a minha cidade, as quais encontram-se publicadas no Propostas para uma Mangaratiba melhor, outro blogue que administro. Logo, pensei na grande chance de começar a apresentar essas ideias por meio de quem possui um legítimo mandato popular.

Confesso que estou gostando muito desse meu novo trabalho pois tem a ver com as coisas que me dão prazer, as quais já fazia voluntariamente antes: discutir assuntos de política, criar projetos, defender opiniões, bem como estar junto dos principais acontecimentos do município onde vivo. E, se posso realizar tudo isso sendo remunerado para ter tempo de me dedicar melhor e com maior disponibilidade de pesquisa, por que não?

Quando me formei em Direito (final de 2004), pensava mais em advogar. Morando ainda na Região Serrana do Rio de Janeiro, atuei nas áreas de defesa do consumidor e de responsabilidade civil tão logo peguei minha carteira da OAB em abril de 2005. Simultaneamente, não deixei de ser um militante da política, coisa que já fazia desde o movimento estudantil secundarista em Minas Gerais (1993). Já estive filiado em partidos e colaborei com dois vereadores de Nova Friburgo, mesmo sem ter sido nomeado assessor deles (como advogava contra o Município, a legislação proíbe o profissional de atuar contra a Fazenda que o remunera). Mas, na sobra de um tempinho livre, sugeria algum projeto de lei municipal, ou uma emenda ao orçamento da Prefeitura, mandando o texto via e-mail.

Em 2011 (ano da enchente), deixei a Região Serrana e vim parar no Rio de Janeiro, mudando-me uns oito meses depois, em agosto de 2012, para a localidade litorânea de Muriqui, 4º Distrito de Mangaratiba. Aqui não cheguei a advogar em larga escala, trabalhando mais como microempreendedor. As poucas vezes em que entrei no Fórum da Comarca foi em causa própria, para ajudar minha esposa e numa demanda da irmã dela contra a Telemar em Juizado Especial. Também propus uma ação popular pretendendo evitar que o ex-prefeito construísse um cais no meio da nossa praia, muito embora a obra ainda não tivesse sido licenciada pelo INEA.

Em maio de 2013, mesmo morando aqui há menos de doze meses, foi quando comecei a apresentar minhas propostas no referido blogue. Também continuei encaminhei algumas representações para o Ministério Público via internet e, neste ano, participei de movimentos sociais contra a corrupção, os quais culminaram com a prisão do ex-mandatário Evandro Capixaba (ler artigo Vitória do povo: prefeito de Mangaratiba é preso!).

Ainda no mês de abril, antes mesmo do Zé Maria me chamar para conversar, senti que os ventos estavam me empurrando para dentro da política. Não sei bem explicar, mas sinto que essa minha passagem pela Câmara de Mangaratiba talvez seja parte de alguma missão que tenho pela frente de modo que não vejo o trabalho atual como um "emprego" e menos ainda uma "renda extra". É algo que, além disso, está me realizando.

Sei que nem tudo são flores e que, como ocorre em praticamente toda tarefa, existem obstáculos para serem contornados ou superados. A realidade de uma Câmara Municipal não é a mesma do cotidiano forense e nem da iniciativa privada. Muitas vezes as coisas não se desenrolam como desejamos e as pautas obrigam um assessor a agir com paciência diante das circunstâncias. Nessas horas, há que se buscar sabedoria e prudência no trato com outros colegas bem como com demais funcionários da Casa. Entretanto, peço a Deus que me auxilie afim de que eu caminhe sempre com fé, determinação, integridade e não me falte criatividade para continuar sugerindo novos projetos para o município.

Como assessor do vereador José Maria, aproveito para colocar-me à disposição do público com a finalidade de ouvir as necessidades da população de Mangaratiba fazendo, sempre que possível, uma ponte do eleitor com o gabinete dele. Por isso, enquanto estiver na Câmara, quero prontificar-me para receber sugestões e conhecer as opiniões das pessoas. Qualquer participação construtiva será muito bem vinda!




OBS: A primeira imagem refere-se ao prédio da Câmara Municipal de Mangaratiba enquanto a segunda foto foi tirada nesta última terça-feira (26/05) junto com o vereador Zé Maria na sala de espera do seu gabinete.

sábado, 23 de maio de 2015

Coragem!



"Depois da morte de Moisés, servo do Senhor, disse o Senhor a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés: 'Meu servo Moisés está morto. Agora, pois, você e todo este povo, preparem-se para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas. Como prometi a Moisés, todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês. Seu território se estenderá do deserto ao Líbano, e do grande rio, o Eufrates, toda a terra dos hititas, até o mar Grande, no oeste. Ninguém conseguirá resistir a você, todos os dias da sua vida. Assim como estive com Moisés, estarei com você; nunca o deixarei, nunca o abandonarei. Seja forte e corajoso, porque você conduzirá esse povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados. Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem sucedido por onde quer que andar. Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido. Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar.'" (Js 1:1-9; NVI)

Umas das passagens bíblicas que considero bem motivadora seria esse comecinho do Livro de Josué quando Deus anima o novo líder do povo de Israel que havia ficado no lugar de Moisés. Segundo o texto acima traduzido da Nova Versão Internacional, seria preciso "coragem" afim de que os israelitas conquistassem a Terra da Promessa.

No entanto, como podemos perceber claramente da leitura acima, caberia a Josué ser corajoso não apenas para enfrentar as batalhas militares contra as cidades fortificadas dos cananeus, mas também trilhar o caminho correto de Moisés em todas as suas ações. Deveria ele agir com constância, firmeza e determinação.

Refletindo sobre o assunto, vejo que muitas vezes a coragem seria o elemento que costuma faltar na vida de muita gente, inclusive na minha. Por causa de nossa inércia, deixamos de ser bem sucedidos em diversas áreas, quer seja no campo profissional, nas relações familiares, no cuidado com a saúde e também no tocante à espiritualidade. Apensas exemplificando, um candidato ao vestibular viciado em internet, mesmo sabendo que precisa estudar com afinco para a prova, nunca ousa desconectar-se do Facebook para começar a resolver os problemas de Química. Igualmente, uma paciente obesa está sempre adiando o início de sua dieta comendo mais um pedaço de torta hoje, uma pizza inteira amanhã...

Em seu livro Coragem para Evoluir, o qual comecei a ler neste mês de maio, Luciano Vicenzi aborda a questão central das escolhas chegando a citar o grande pensador da humanidade Aristóteles. Para o autor, que é administrador de empresas e também professor de Conscienciologia, a coragem entra como o sustentáculo de nossas decisões:

"O filósofo grego Aristóteles (384 - 322 AC.) ressalva sua importância colocando-a como a virtude que permite o desenvolvimento das outras, estabelecendo uma correlação direta com a vontade. Efetivamente, não podemos falar de coragem sem nos referir à força de vontade propulsora de qualquer ação humana em direção a estágios evolutivos mais avançados. Alcançar novos patamares não requer apenas mudança na forma de pensar e sentir sobre algo, mas também uma reflexão profunda sobre a qualidade de determinação aplicada na direção dos objetivos prioritários que estabelecemos. É essencial verificar com clareza onde exatamente se quer chegar e o quanto se quer. Cada conquista exige sua cota de esforço e suor. A vida, em qualquer dimensão, é um constante sistema de escolhas. Optar por alguma coisa sempre implica na renúncia de outra. A condição em que nos encontramos atualmente é resultado das escolhas do passado, assim como o futuro depende de nossas atitudes no presente. A coragem é a vontade que sustenta a decisão tomada, exigindo um novo posicionamento mental diante dos antigos referenciais de comportamento." (1ª edição. Rio de Janeiro: Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia, 2001, págs. 24-25)

Verdade é que estamos a falar de algo que depende exclusivamente de nossas ações! Não me refiro ao resultado alcançado, mas, sim, à atitude corajosa que precisamos ter diante das circunstâncias que se apresentam no cotidiano. Pois mesmo fazendo constantes orações a Deus e ainda tomando conhecimento das coisas corretas a serem postas em prática, existem aqueles difíceis momentos de enfrentamento quanto ao desânimo, ao medo, às opiniões alheias contrárias ao que escolhemos, ao comodismo, à preguiça mental, aos equivocados sentimentos de culpa e ao sofrimento relativo às perdas.

Creio que junto com a atitude corajosa vem a fé. Ter a consciência de que não caminhamos por aí sozinhos, podendo contar com o amparo divino em todo o tempo pelos lugares onde andamos, contribui consideravelmente para que nos posicionemos com firmeza afim de superarmos os obstáculos. Por isso sempre que ficamos acovardados diante das situações, indo por atalhos anti-éticos, torna-se sugestivo reavaliar a nossa fé.

Inegavelmente o exercício da coragem pode depender de um processo educativo de disciplina experimentado por cada pessoa até que ela se torne capaz de vencer os seus altos e baixos. Contudo, um dos resultados das condutas corajosas seria o desfrute de nossa liberdade. Pois foi o que aconteceu com os antigos israelitas ao conquistarem a Terra Prometida, os quais já não precisavam mais se sujeitar à escravidão de outros povos porque passaram a dispor de um território onde poderiam plantar, colher, criar seus animais, edificar casas e cidades.

Da mesma maneira, amigos, acredito que, se formos corajosos, poderemos alcançar grandes coisas em nossa existência, quer seja no plano individual ou coletivo. Assim sendo, vale a pena nos esforçarmos e jamais desistirmos. Se caímos, vamos nos levantar dando a volta por cima. E, na hipótese do nosso próximo ficar prostrado ou abatido, que possamos vir rapidamente ao seu encontro e reanimá-lo como fez Deus com o novo líder de Israel, após a impactante morte de Moisés.

Um ótimo domingo a todos e que sejamos corajosos como Josué!


OBS: Ilustração acima extraída de http://trilhasdesaopaulo.sp.gov.br/trilhas/rafting-no-rio-paraibuna-no-pesm-na-nucleo-santa-virginia/attachment/media-rafting-no-rio-paraibuna-03/

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Dia das mães com atraso, mas em porção multiplicada...




Embora tenha passado o 2º domingo do mês em Mangaratiba, curti este último final de semana em dose mais do que triplicada na capital federal.

Tendo minha mãe se mudado para Brasília no mês de fevereiro do corrente ano, dessa vez tive que viajar mais de 1.000 quilômetros para vê-la. Porém, não há distância capaz de separar as pessoas quando elas se dispõem a estarem juntas e, principalmente, cultivarem os laços que as unem. Então, apesar de todas as dificuldades e compromissos, saí com Núbia de Mangaratiba ainda na semana passada e voamos para o DF fazendo uma conexão em Campinas pela companhia Azul.

Em duas vezes anteriores eu havia passado por Brasília. A primeira delas foi numa manifestação política, em 1993, aos 17 anos, quando viajei escondido da família junto com o pessoal da União Juizforana de Estudantes Secundaristas (UJES), entidade da qual era diretor de imprensa. Já a segunda ocasião coincidiu com o passeio que eu e Núbia fizemos à Amazônia no ano 2000. Partindo do Rio de Janeiro, fomos diretamente para Palmas e de lá seguimos pra Marabá e depois Altamira, no Centro do Pará. Só que em nenhum daqueles momentos cheguei a dormir na capital do nosso país e menos ainda percorrido seus pontos turísticos.

Confesso que Brasília surpreendeu-me positivamente por sua organização e sua enorme diversidade de locais destinados para o lazer. A cidade pode não ter praia, mas tem o Lago Paranoá. E ambientes culturais é o que não falta pois o que existe lá de shows, exposições, barzinhos e outros eventos não está no gibi.

Entretanto, não ficamos apenas em Brasília. No sábado, o companheiro de minha mãe, Toninho (o mesmo pianista da postagem anterior Um piano em minha noite), levou-nos de carro para conhecer o Palácio da Alvorada (residência oficial da Dilma) e a histórica Pirenópolis já no Estado de Goiás. Lá almoçamos uma comida típica no restaurante Dona Cida e visitamos a matriz da cidade. Esta havia sido devastada por um terrível incêndio em 2002 e foi extraordinariamente reconstruída.


Quanto ao domingo, aí sim eu visitei melhor Brasília, tendo nós conhecido a Ermida de Dom Bosco, a Ponte JK, a Praça dos Três Poderes e a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida. Onde mais nos demoramos foi no Congresso Nacional em que tivemos um passeio guiado por dentro das duas casas do nosso Legislativo: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Minha mãe e Toninho ficaram do lado de fora nos aguardando enquanto a guia Cláudia (também funcionária de lá) explicava sobre os principais ambientes e suas obras de arte. Quando saímos do prédio, fomos direto almoçar pois já eram duas da tarde e, devido ao cansaço das duas mulheres, voltamos para casa mais cedo.

Na Catedral de Brasília, chamou-me a atenção uma réplica que encontrei da Pietà de Michelangelo. Achei também o ambiente alegre devido ao colorido de seus vitrais tratando-se indubitavelmente de um belo presente que o saudoso Niemeyer deixou para a nação. Aliás, foi o primeiro monumento que a cidade recebeu, algo digno de ser visitado pela nossa gente brasileira e também do mundo inteiro.


Como sou um cara ecologista, não quis terminar minha visita sem ir ao Parque Nacional de Brasília. Aproveitando o sossego da manhã desta segunda-feira, consegui que minha mãe e Toninho nos levassem rapidamente até lá. Pena que não deu pra andar em nenhuma das trilhas, mas fomos até o centro de educação ambiental da unidade e vimos uns macacos pregos no caminho perto da piscina de água natural.

Recomeçando minhas atividades esta semana, sei que levarei ótimas lembranças desse passeio e espero retornar outras vezes para rever minha mãe. Núbia ficou muito feliz e, na medida do possível, tem aproveitado. Particularmente, sinto-me feliz em proporcionar a ela esses momentos ainda que me privando de coisas mais intensas, sendo certo que a verdadeira aventura da vida não reside necessariamente nos experimentos radicais.

Assim, termino esse texto com meus agradecimentos a minha mãe, Toninho e, principalmente, a Deus por todos esses dias, desejando que bênçãos sejam derramas na vida de todos que hoje são instrumentos do Altíssimo em favor de mim e de Núbia.



OBS: A primeira ilustração refere-se à foto que tirei com minha mãe no Parque Nacional de Brasília enquanto que as demais referem-se a mim e Núbia respectivamente em: na cidade de Pirenópolis, na Catedral Metropolitana de Brasília e em frente ao Congresso Nacional.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Um piano em minha noite...




Nesta minha passagem pela capital federal, tive a oportunidade de acompanhar ao vivo o programa Um Piano ao Cair da Noite, transmitido pela Brasília-Super Rádio FM, o qual vai ao ar de segunda à sexta-feira, sempre às 18 horas, com a apresentação de Lúcia Garofalo. Hospedado na residência de Toninho, que toca lá às quinta-feiras, fomos ao palco da emissora situado no Conjunto Nacional de Brasília, o mais antigo shopping da cidade.

A programação foi bem interessante e variada sendo que hoje houve a participação especial de Márcio Valle, cantor lírico do coro do Teatro Municipal de São Paulo. Ele atuou nas músicas Nel Blù Dipinto di Blù (Domenico Modugno e Franco Migliacci), Granada (Augustin Lara) e Fascinação (Fermo Dante Marchetti). Já as demais, What the Worl Needs Now Is Love (Burt Bacharach e Hal David), Como uma Onda (Lulu Santos e Nelson Motta), Night and Day (Cole Porter), Vida de Viajante (Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil), How Deep Is Your Love (Barry, Robin e Maurice Gibb), O Que É, o Que É? (Gonzaguinha), Serenata (Franz Schubert) e Et si Tu N'Existais Pas (Toto Cutugno, Pasquale Losito e Vito Pallavicini) foram tocadas somente por Toninho.

Através desta oportunidade, pude acrescentar uma significativa experiência à minha limitada cultura musical já que minhas atenções geralmente estão mais voltadas para política, filosofia, ecologia, assuntos teológicos e os desagradáveis problemas do cotidiano. Aliás, pode-se considerar saudável alguém terminar o dia ouvindo algo de qualidade e se desligando das situações estressantes enfrentadas nas horas anteriores, sendo este um hábito que eu precisava de alguma maneira introduzir em minha vida no pequeno município praiano onde moro.

Com a cultura tão em baixa ultimamente, em que inúmeros funks proibidões e sertanejos fazendo apologia ao álcool multiplicam-se por aí, inegavelmente que escutar o toque do piano entre a Ave Maria e A Voz do Brasil acaba sendo uma heroica resistência. Porém, é graças a essas iniciativas como a da Brasília Super-Rádio FM que um grupo remanescente de pessoas ainda pode desfrutar de uma programação de qualidade. Os clientes do Conjunto Nacional quando passam em frente ao palco da rádio rumo ao banheiro do shopping, ao "cair da noite", podem apreciar algo de belo e instrutivo.

Faz 21 anos que Toninho se apresenta no programa Um Piano ao Cair da Noite. Este há cerca de três décadas anima a noite dos brasilienses, podendo ser sintonizado na frequência 89,9 MHz ou na internet pelo site http://www.superfm.com.br/, algo que vale a pena os leitores da blogosfera e os moradores de minha cidade conhecerem.





OBS: As fotos acimas foram tiradas no palco da Brasília Super Rádio FM. Na primeira imagem temos da esquerda para a direita: o cantor lírico Márcio Valle, eu, a apresentadora Lúcia Garofalo e o pianista Toninho. Já na segunda estão Toninho e eu junto ao cartaz do programa.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Abolindo até o fim as consequências da escravidão




"A batalha da abolição, como perceberam alguns abolicionistas, era uma batalha nacional. Esta batalha continua hoje e é tarefa da nação. A luta dos negros, as vítimas mais diretas da escravidão, pela plenitude da cidadania, deve ser vista como parte desta luta maior. Hoje, como no século XIX, não há possibilidade de fugir para fora do sistema. Não há quilombo possível, nem mesmo cultural. A luta é de todos e é dentro do monstro." (José Murilo de Carvalho) 

Hoje celebramos no país mais um ano da abolição da escravatura desde que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Esta é uma data que não pode ser jamais esquecida para que possamos construir um futuro diferente daquilo que foi o nosso passado de dores.

Incrível como que o Brasil foi o último país a proibir o comércio de escravos no Atlântico! O mundo já tinha conquistado significativos avanços tecnológicos no século XIX como o navio a vapor, o telégrafo, o telefone e a fotografia, porém as nossas lavouras continuavam utilizando a mão-de-obra cativa na produção do café. A bebida que europeus e norte-americanos apreciavam em suas mesas era tingida do sangue de milhões de afrodescendentes que viviam aqui em péssimas condições de existência.

Mais do que a contribuição dada pela princesa Isabel, devemos reconhecer o papel heroico dos abolicionistas que atuaram decisivamente por décadas até que a escravidão viesse a ter um fim definitivo. Tratou-se de uma luta árdua e que nem sempre era compreendida pela sociedade, ou por seus representantes no Parlamento, muitos dos quais foram ricos fazendeiros escravocratas. E teria sido graças a homens guerreiros, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, fundadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, no Rio de Janeiro, que a maneira de pensar das pessoas começou a mudar decisivamente. O jornal O Abolicionista, de Nabuco, e a Revista Ilustrada, de Ângelo Agostini, serviram de inspiradores modelos a outras publicações antiescravistas que surgiram na época de modo que advogados, artistas, intelectuais, jornalistas e outros políticos engajam-se no movimento.

Apesar de formalmente libertos, muitos afrodescendentes permaneceram socialmente excluídos por quase toda a República. O racismo ainda sobreviveu à abolição e as consequências desse apartheid perdurou devido aos condicionantes econômicos que até hoje dificultam a ascensão dos cidadãos mais humildes. Faltaram políticas públicas nas áreas de educação, geração de trabalho e renda, informação, participação comunitária, direitos humanos, resgate cultural, etc. Os ricos continuaram cada vez tendo mais recursos enquanto os pobres menos no processo de crescimento econômico da nação. E aí a cor da pele coincidiu com essa realidade desigual sendo que a discriminação racial por muito tempo também coexistiu com a gritante falta de oportunidades.

Inegavelmente que a Constituição de 1988 trouxe mais dignidade para todos. Um novo Brasil passou a ser construído e, em anos mais mais recentes, tivemos aqui a política de quotas nas universidades e agora no serviço público. Dentro da própria sociedade surgiram movimentos que passaram a valorizar a negritude, incluindo a beleza do afrodescendente que até então não aparecia nas propagandas de jornais e revistas.

Penso que ainda há muita coisa para ser concretizada afim de que possamos superar definitivamente as consequências ruins dos quase quatro séculos de escravidão no Brasil. Aos poucos vamos reescrevendo a nossa história e tornando a sociedade menos desigual de maneira que o estudo da escravidão negra (e indígena) servirá de importante lição para as futuras gerações. Aplicando-se o Estatuto da Igualdade Racial, por meio de políticas públicas inclusivas capazes de ir além das ações afirmativas, temos hoje uma eficaz ferramenta para que o futuro seja diferente da realidade dos séculos anteriores. Cuida-se de algo que não deve sofrer retrocessos, precisando ser ampliado também nos estados e nos municípios, além da esfera federal, até que, finalmente, sejamos um país de todos.


OBS: A imagem acima refere-se a uma missa campal de Ação de Graças que foi celebrada no Rio de Janeiro, em 17/05/1888, a qual reuniu cerca de vinte mil pessoas para comemorar a Lei Áurea junto com a Princesa Isabel. Extraí a foto do acervo virtual da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Abolicionismo_no_Brasil#/media/File:Missa_17_maio_1888.jpg