Páginas

segunda-feira, 31 de março de 2014

"A mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade?"

 


Na postagem anterior, após comentar brevemente sobre a recente pesquisa do Ipea, senti que poderia aprofundar num importante tema acerca da sexualidade humana e dos direitos da mulher. Algo que tem a ver com a maneira de pensar de muita gente e que envolve valores morais, culturais bem como questões religiosas também. Então pensei, por que não analisar a situação buscando uma orientação bíblica?

Como consequência do quadrimilenar patriarcalismo, convencionou-se durante dezenas de séculos que a mulher tem o dever de copular com o marido satisfazendo o seu desejo sexual e cumprindo com a função relacionada à procriação. Não faz tanto tempo assim, eis que, até o começo do século XX, era o pai da moça quem escolha o esposo para a filha. Esta praticamente não possuía o seu direito de decisão. Se fosse da vontade do genitor, a jovem seria obrigada a se consorciar com um homem bem mais velho do que ela ou até mesmo mofar o resto da vida num convento de freiras. Não raramente, a Bíblia chegava a ser manipulada afim de respaldar as absurdidades paternas a exemplo do que se lê na epístola paulina de 1ª Coríntios, capítulo 7, versos de 36 a 38, que até hoje seria uma passagem muito mal compreendida.

Mas se buscarmos uma orientação principiológica das Escrituras, tal como fez Jesus quando confrontado acerca do divórcio (Mt 19:3-9), veremos que, na base de toda a Bíblia, encontramos lá no Pentateuco uma relação inicial em pé de igualdade entre o homem e a mulher, em que esta lhe foi apresentada como uma auxiliadora idônea a ponto de Adão afirmar: "Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne" (Gn 2:23). E, através do casamento consumado, podemos dizer que duas almas se unem numa só carne, o que transmite a ideia de cooperação e nunca de subordinação.

Mais adiante, devido à queda, foi que teria surgido um relacionamento de sujeição e de direcionamento do desejo feminino (Gn 3:16). Porém, não foi dessa maneira que Abraão agiu quando enviou o seu servo à terra de sua parentela afim de arrumar uma boa noiva para o filho Isaque. Observa-se que o patriarca soube respeitar o desejo da mulher em aceitar ou recusar a proposta matrimonial (Gn 24:8). E, conforme o desenrolar da narrativa, Rebeca recebeu de livre vontade o presente de casamento (Gn 24:22) tendo depois confirmado o seu querer perante toda a família reunida (Gn 24:57-58).

Assim, pode-se compreender que o relacionamento a dois entre o homem e sua mulher deve se estabelecer por um encontro de vontades. Isto é o que acompanha a poesia do Cântico dos Cânticos reunindo versos tanto do esposo quanto da esposa em que esta chega a expressar claramente o desejo ardente erótico pelo marido:

"De noite, no meu leito,
busquei o amado de minha alma,
busquei-o e não o achei.
Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade,
pelas ruas e pelas praças;
buscarei o amado da minha alma.
Busquei-o e não o achei.
Encontraram-me os guardas,
que rondavam pela cidade.
Então lhes perguntei:
vistes o amado da minha alma?
Mal os deixei, encontrei logo o amado da minha alma;
agarrei-me a ele e não o deixei ir embora,
até que o fiz entrar em casa de minha mãe
e na recâmara daquela que me concebeu.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas e cervas do campo,
que não acordeis, nem desperteis o amor,
até que este o queira."
(Ct 3:1-5; ARA)

Fico imaginando como que esse texto do Cântico dos Cânticos não deve ter mexido com inúmeras gerações de leitores da Bíblia ao expor o desejo da fêmea pelo macho?! E, se pararmos para refletir, a sexualidade feminina é algo que precisa ser cultivado. Logo, cabe ao marido pacientemente colaborar com sua esposa nessa maravilhosa descoberta de maneira que forçar o coito desrespeitando a vontade da companheira pode acabar causando nela um sufocamento afetivo-emocional. Ou seja, ao invés da mulher se despertar, ela se reprime.

Pode haver momentos excepcionais em que um dos cônjuges considere justificável transar estando com a sua libido em baixa afim satisfazer o companheiro ou a companheira. Trata-se, neste caso, de uma conduta que precisa ser conversada dentro do casamento, mas é preciso cautela para o comportamento não virar uma massacrante rotina capaz de adoecer a relação, como também ocorre quando o sexo deixa de ser frequente entre os dois. Em toda situação, o diálogo é fundamental.


OBS: A ilustração acima trata-se de uma obra atribuída a Jeff Belmonte de Cuiabá, conforme consta no acervo virtual da Wikipédia em http://en.wikipedia.org/wiki/File:Wedding_rings.jpg

domingo, 30 de março de 2014

Ainda vai demorar para que os direitos das mulheres sejam respeitados!




Na semana passada, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou dados surpreendentes de uma pesquisa que trata das questões da violência contra a mulher e também dos direitos dos homossexuais. Achei chocante saber que a maioria dos entrevistados, dentre os quais 66,5% são mulheres, concordaram total ou parcialmente com a seguinte frase, pois dá a ideia de que a vítima seria responsável pelo delito: "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros" (ler a matéria do G1).

Felizmente, a maioria dos entrevistados posicionou-se contrariamente à violência doméstica contra a mulher, o que podemos considerar algum avanço. Porém, dá para perceber que a mentalidade do brasileiro ainda é bem machista e também preconceituosa contra os homossexuais. Senão vejamos o que mostrou o levantamento:

"Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia"
78,1% concordam totalmente
13,3% concordam parcialmente
5% discordam totalmente
2% discordam parcialmente
1,6% se dizem neutros em relação à afirmação

"Dá para entender que um homem que cresceu em uma família violenta agrida sua mulher"
18,1% concordam totalmente
15,8% concordam parcialmente
54,4% discordam totalmente
9,3% discordam parcialmente
2,4% se dizem neutros em relação à afirmação

"A questão da violência contra as mulheres recebe mais importância do que merece"
10,5% concordam totalmente
11,9% concordam parcialmente
56,9% discordam totalmente
16,2% discordam parcialmente
4,5% se dizem neutros em relação à afirmação

"Casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família"
33,3% concordam totalmente
29,7% concordam parcialmente
25,2% discordam totalmente
9,3% discordam parcialmente
2,5% se dizem neutros em relação à afirmação

"Quando há violência, os casais devem se separar"
61,7% concordam totalmente
23,3% concordam parcialmente
8,8% discordam totalmente
3,8% discordam parcialmente
2,4% se dizem neutros em relação à afirmação

"A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos"
7% concordam totalmente
8,5% concordam parcialmente
69,8% discordam totalmente
12,3% discordam parcialmente
2,4% se dizem neutros em relação à afirmação.

"Um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher"
3,9% concordam totalmente
4,9% concordam parcialmente
76,4% discordam totalmente
12,8% discordam parcialmente
2% se dizem neutros em relação à afirmação

"A mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade"
14% concordam totalmente
13,2% concordam parcialmente
54% discordam totalmente
11,3% discordam parcialmente
7% se dizem neutros em relação à afirmação

"Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama"
34,6% concordam totalmente
20,3% concordam parcialmente
26,4% discordam totalmente
8,9% discordam parcialmente
9,5% se dizem neutros em relação à afirmação

Além destas formulações, constam também outra frases feitas pelo Ipea para averiguar a opinião dos entrevistados em relação à homossexualidade. Veja a seguir:

"Casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais"
31,6% concordam totalmente
18,5% concordam parcialmente
32,6% discordam totalmente
7,9% discordam parcialmente
9,4% se dizem neutros em relação à afirmação

"Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido"
38,8% concordam totalmente
12,9% concordam parcialmente
32,1% discordam totalmente
9% discordam parcialmente
7,2% se dizem neutros em relação à afirmação

"Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público"
44,9% concordam totalmente
14,3% concordam parcialmente
28,2% discordam totalmente
6,9% discordam parcialmente
5,7 se dizem neutros em relação à afirmação

No entanto, não vou ser hipócrita em dizer que sou totalmente "moderninho" em todas essas questões. Eu não nego que me incomodaria em ver pessoas do mesmo sexo se beijando e trocando carícias afetivas em público. Principalmente se tivesse filhos e eles presenciassem alguma cena dessas. Mas acho que casais de gays e de lésbicas devem ter direitos iguais e que o matrimônio civil entre eles precisa ser reconhecido assim como a união estável. Já em relação à ideia de que a mulher casada deva satisfazer o marido na cama, mesmo se não estiver com vontade, penso que isso necessita ser sempre conversado pelo casal. O marido não pode obrigar a esposa a transar com ele, mas não acho errado que uma pessoa aceite copular mesmo se a sua libido estiver em baixa. Afinal, na vida a dois, nem sempre o cônjuge deve pensar somente no seu prazer. Isso vale para ambos os sexos.


OBS: A ilustração acima refere-se ao logotipo do Ipea.

sexta-feira, 28 de março de 2014

"Sejam alvas as tuas vestes"



"Vai, pois, come com alegra o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma." (Eclesiastes 9:7-10; ARA)

A Bíblia nos oferece uma maravilhosa receita para conduzirmos a nossa existência equilibradamente e de um modo agradável a Deus. No capítulo 9º de Eclesiastes, o autor sagrado recomenda aos seus leitores que aproveitem de maneira saudável os prazeres terrenos, gozando a vida com constante senso de favor divino, e inclui uma importante orientação no verso oitavo como destaquei em negrito na citação acima.

Qual o significado de vestir e manter as vestes "alvas"? Sem dúvida que o texto está falando da nossa integridade de caráter. Pois em todas as ações praticadas, quer sejam no trabalho ou nos relacionamentos com as pessoas (inclusive no casamento e na família), é preciso agir sempre com justiça, sem lesarmos a ninguém. Porque de nada adianta nos banquetearmos na abundância dos bens materiais tendo causado prejuízos a outros. Isto seria uma perda de sentido.

A metáfora sobre não faltar óleo sobre a cabeça é um ótimo convite à meditação. Pois sendo uma substância que não se mistura com os outros líquidos e que vem sempre à tona, a ideia exposta pelo escritor bíblico faz com que lembremos de algo fundamental - a nossa santidade. Tal versículo lembra-nos sobre vivemos neste mundo sem assimilar os nocivos comportamentos corruptíveis infelizmente presentes na sociedade cujos valores encontram-se motivados pelo individualismo e pela ausência de princípios.

Assim, em todos os momentos, o que deve vir à tona em nós são os bons valores éticos cultivados. Ao aproveitarmos sabiamente os prazeres terrenos concedidos pela vida, que sejamos como o óleo sobre a água, isto é, permitindo que os bons ensinamentos norteiem cada passada e nos guiem pelas veredas justas.

Um ótimo final de semana a todos!


OBS: A ilustração acima refere-se ao quadro Symphony in White No. 1 - The White Girl, do artista norte-americano James Abbott McNeill Whistler (1834-1903). Extraí a imagem do acervo virtual da Wikipédia em http://en.wikipedia.org/wiki/File:Whistler_James_Symphony_in_White_no_1_(The_White_Girl)_1862.jpg

quarta-feira, 26 de março de 2014

Curta a vida como um valioso presente!




Há momentos em que devemos colocar toda a tristeza de lado e nos alegrar celebrando a existência. Não importa qual a nossa condição, isto é, se estamos com dinheiro, com saúde, se conquistamos determinados alvos/metas pessoais, se tivemos sorte no amor, se o passado foi trágico e dramático, ou se a economia e a política do país têm sido favoráveis. Lembre-se de que há algo de muito especial para ser comemorado - a VIDA.

Assim, jamais permita que as injustiças ainda presentes no mundo roubem o riso do seu rosto. Se você é um ativista social, luta incansavelmente pelos direitos, combate as desigualdades entre ricos e pobres, denuncia a corrupção dos governantes, não consegue que a sua voz seja ouvida nas praças e nos gabinetes das autoridades, fica muitas vezes estarrecido com a escalada da violência urbana, bem como se frustra com as contínuas agressões sofridas pelo meio ambiente, aprenda a tirar um momento de folga das suas preocupações. Pare um pouquinho para contemplar as infinitas belezas do Universo! Caso o mundo não se endireite, aprenda a curti-lo mesmo estando torto ainda e faça uma alegre festa no dia do seu aniversário chamando os amigos.

"Então, exaltei eu a alegria, porquanto para o homem nenhuma coisa há melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; pois isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe dá debaixo do sol." (Eclesiastes 8:15)

Não compreendemos todos os mistérios da existência e nem sempre obteremos explicações suficientemente satisfatórias para as indagações do nosso íntimo. Tão pouco conseguimos controlar o tempo que, como a areia, escorre entre os dedos das nossas mãos. Porém, diante do que é insondável pela mente humana, resta a opção de nos regozijarmos diante da vida, considerando-a como um gracioso presente que nos foi dado, e oportunizando a descoberta da felicidade seja em qual situação for. Trata-se de uma experiência que, apesar de todos os prazeres e sofrimentos, vale a pena passar por ela ao som de uma linda valsa ou, brasileiramente falando, com um sambinha arrumado.

Alegre-se, meu amigo. Alegre-se! Faça tudo com sabedoria, consciência e bom senso porque essa é a sua porção na imensidão do Universo de todas as eras. É o que realmente tem agora em seu poder para usufruir.

Um ótimo dia a todos!


OBS: A ilustração acima refere-se ao quadro Hip, hip, hurra! (1888) do artista dinamarquês Peder Severin Krøyer (1851 – 1909), o qual encontra-se no Museu de Arte de Gotemburgo, Suécia. Extraí a imagem do acervo virtual da Wikipédia, conforme consta em http://en.wikipedia.org/wiki/File:Hipp_hipp_hurra!_Konstn%C3%A4rsfest_p%C3%A5_Skagen_-_Peder_Severin_Kr%C3%B8yer.jpg

segunda-feira, 24 de março de 2014

O poder de uma pregação louca



"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus." (1ªCo 1:18; ARA)

Em sua primeira carta à igreja em Corinto, o apóstolo Paulo considerou a mensagem da cruz como "loucura", do ponto de vista dos homens impenitentes, levando em conta as opiniões dos que eram tidos como sábios em seu tempo. Principalmente entre os gregos que, notadamente, foram os grandes filósofos e conhecedores da ciência na Antiguidade.

Nós que nascemos num país de cultura cristã e vivemos cerca de dois milênios após Paulo ter viajado pelas províncias orientais do Império Romano, durante as corajosas missões evangelísticas que empreendeu, já nem fazemos ideia de quanto a mensagem do apóstolo poderia parecer estúpida ou absurda aos ouvidos de um grego culto naquela época. Pois, sendo eles pensadores racionalistas, não conseguiam aceitar facilmente a ideia de que Deus tivesse enviado o seu Cristo a esse mundo a fim de morrer pregado numa cruz trazendo-nos salvação. Daí o autor sagrado assim escrever conforme lemos na mesma versão e tradução da Bíblia acima citada:

"mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tando judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus." (1ªCo 1:23-24)

Volto a perguntar. Por que o Messias crucificado seria "escândalo" para judeus e "loucura" para os gentios?

Para os judeus contemporâneos do apóstolo a vergonhosa morte sacrificial de quem foi apresentado como o Ungido virou um tropeço, uma casca de banana que desviou inúmeros israelitas da liderança de Jesus, obscurecendo o entendimento de muitas pessoas sobre as coisas que Deus fez naqueles últimos anos da era do Segundo Templo. Pois, em seu desejo triunfalista, aquela geração talvez aguardasse o envio de alguém capaz de restaurar a soberania de Israel e libertar a nação do domínio estrangeiro dos romanos. A interpretação que muitos mestres do primeiro século faziam das Escrituras não admitiria um Cristo aparentemente fracassado e morrendo como se fosse um "amaldiçoado" ou "desamparado" por Deus. Para os tais, Jesus só seria aceito como um líder caso alcançasse êxito segundo os padrões que tinham estabelecido quanto à manifestação do Mashiach.

Em relação aos gregos, porém, estes ignoravam as Escrituras hebraicas e, consequentemente, as promessas reveladas pelos profetas de Israel ao povo judeu. Nenhum dos livros daquilo que a Igreja ainda chama erroneamente de "Antigo Testamento" fazia sentido para os gentios até eles ouvirem a pregação do Evangelho. Pois tinham construído uma visão de mundo oriunda do politeísmo e que se desenvolveu através da reflexão racional em busca do conhecimento. Para os gregos cultos era como se o poder estivesse no saber. Acreditavam que pela cognição do intelecto homem encontraria salvação, tornando-se então pleno, satisfeito, perfeito, harmonizado e saudável.

Sendo assim, o livro de Atos mostra-nos uma situação ocorrida quando Paulo esteve só entre os antigos atenienses e foi convidado para discursar no Areópago que era um local de reuniões públicas comunitárias situado numa colina da cidade. Ali o apóstolo precisou primeiramente expor a sua concepção sobre a Divindade afim de lhes explicar o propósito da vinda de Jesus mencionado na pregação apenas como "um varão" destinado por Deus (At 17:31). E, ao falar da ressurreição de Cristo, o público passou a ridicularizá-lo com irreverência. Certamente porque, estando ensoberbecidos, não aceitavam a ideia de que alguém, após ter sido morto, pudesse se tornar instrumento de justiça divina no mundo.

Quantos escárnios Paulo e outros pregadores não devem ter enfrentado quando ousaram anunciar o Evangelho na Grécia dos primeiros séculos?! Fico a imaginar o que se passava pela cabeça dos arrogantes ouvintes, os quais mostraram-se por isso incapazes de se esforçar um pouco para compreenderem o sentido do novo que lhes era anunciado. Pois creio que intimamente pensassem mais ou menos desse jeito acerca de Paulo:

"Como esse maluco acha que nos convencerá a crer nesse Jesus que ele diz ser um escolhido? A argumentação do sujeito é desprovida de lógica! Pois se alguém foi morto, tal pessoa não tem poder para fazer mais nada neste mundo. Mortos, como sabemos, não resolvem coisa alguma, não falam mais, nem podem tomar decisões e menos ainda tornam a viver. O tal do Jesus simplesmente já era! Nossos ouvidos já escutaram o bastante. Chega! Vamos mandar esse cara estúpido plantar batatas..."

É provável que essa foi a grande dificuldade enfrentada por Paulo entre os gregos. Principalmente quando ele se encontrava diante de um público mais culto cuja expectativa insaciável restringia-se a receber mais conhecimento intelectual. Daí o cristianismo dos primeiros séculos ter se tornado a religião dos pobres, dos analfabetos, das mulheres (estas ainda não tinham o mesmo acesso ao saber que os homens da sociedade), dos escravos e dos demais grupos de pessoas desprezadas ou esquecidas. Senão vejamos o que consta na epístola paulina em comento:

"Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus" (1ªCo 1:26-29)

Ora, seriam tais palavras pura demagogia do escritor bíblico afim de justificar por que as pessoas instruídas e tidas como inteligentes não costumavam aceitar a fé cristã naqueles tempos? Ou a arrogância do indivíduo não teria o condão de obscurecer a reflexão dos "inteligentes" a ponto destes desprezarem a existência de outros aspectos do saber que se encontrem além das áreas do raciocínio natural do homem?

Pois bem. No capítulo 2 da epístola conseguimos entender melhor o motivo pelo qual a "mensagem da cruz" nem sempre é aceita pelos ouvintes uma vez que seria algo a ser descoberto espiritualmente. Trata-se de um conhecimento inacessível pelos métodos científicos do saber humano. Por isso Paulo afirma que o "homem natural" (gr. psichikos) não entende as coisas de Deus tomando-as como "loucura" ao contrário do que faz o "homem espiritual" (pneumatikos).

O que nos parece isso, irmãos? Não estaria aí a ideia de que todos estamos na dependência de uma revelação espiritual vinda de Deus? Pois é o que percebo ao meditar sobre o texto bíblico.

Confesso que, após ter estudado Direito na faculdade, tornei-me um amante da Teologia a ponto de haver nas 700 postagens do meu blogue mais textos falando sobre a Bíblia do que a respeito das leis, política ou qualquer outro assunto. Porém, nenhuma ciência e tão pouco o conhecimento teológico adquirido foram capazes de acrescentar alguma medida de fé ao meu coração. Muito pelo contrário! Pois, sem querer desconsiderar a utilidade da Teologia para fins de cognição textual das Escrituras Sagradas, compartilho que cheguei até a me afastar de Deus em alguns momentos nas vezes quando direcionei as expectativas pessoais de espiritualidade para esse campo de estudo acadêmico. Todo o acréscimo obtido com a Teologia foi puramente intelectual!

Será que, na atualidade, muitos estudiosos da Teologia não estão correndo os mesmos riscos de obscurecimento que tiveram aqueles célebres e ilustres ouvintes de Paulo na Grécia, os quais se achavam bem endurecidos para a cruz de Cristo?!

Meus amados, não vejo outra maneira de cada um buscar entender o sentido da cruz do Senhor senão através de uma revelação pessoal dada pelo Espírito de Deus. E para mim essa cruz não seria uma ideia tosca. Ela significa a vitória de todos sobre o pecado, a recuperação da própria vida, a redenção da humanidade, a manifestação do profundo amor divino incorporado por Jesus, o desapego total das coisas perecíveis deste mundo, o mais alto nível de santidade que um homem pode alcançar, um exemplo emblemático de humildade, a nossa aceitação gratuita e incondicional pelo Criador, meu alvo de vida, a luz que ilumina as minhas trevas existenciais guiando-me em meio às dificuldades do cotidiano, a proclamação de uma nova terra e de novos céus mostrando ser possível construirmos um outro futuro alternativo a esse presente de violência, de tiranias e de desprezo pela pessoa humana.

É claro que para um crítico bitolado do cristianismo a cruz sempre assumirá significados negativos. Só que essas opiniões não me importam mais hoje em dia. Se fosse do meu querer, eu saberia como elaborar um ferrenho discurso de apologética capaz de produzir morte ao invés de vida, bem como alienação espiritual. Acabaria cometendo os mesmos erros dos que se apegam a uma visão restrita da realidade e se fecham dentro dos próprios conceitos intelectuais tornando-se soberbos a ponto de se acharem donos da verdade ou proprietários de Deus. E os tais "soldados da fé" acabam aprisionando o pensar deles mesmos e daqueles que os seguem dentro das gaiolas nas quais se congregam consideradas como sendo "igrejas".

Por isso, caros leitores, não me interessa fazer da mensagem da cruz uma doutrinação a ponto de inibir a experiência subjetiva das pessoas. Deus me livre de racionalizar a fé para não cair nos mesmos enganos dos que não querem crer no Evangelho! Pois, como tenho observado, até os crentes correm o risco de se apegar aos conceitos por eles criados e deixarem de ouvir as coisas que Deus nos tem falado.

"mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam." (1ªCo 2:9)

Para finalizar, compartilho dizendo que desta advertência acima nem o próprio escritor bíblico poderia escapar, caso se tornasse insensível à revelação de Deus. E assim deve-se reforçar a necessidade de que andemos todos sempre atentos, vigilantes, conservando a humildade interior, o desejo de aprendizado espiritual e a devida reverência pelo Criador. Porque o Eterno não cessa de fazer coisas novas e dando os seus recados à humanidade por meio dos profetas que continua levantando hoje e sempre. Seu Espírito sopra aonde quer e pouco compreendemos. Logo, cabe ao homem tornar-se sensível o suficiente para conseguir ouvir aquela Voz suave falando ao seu coração sem recorrer a respostas explicativas ou a sinais prodigiosos.


OBS: A ilustração usada neste artigo refere-se à obra do artista da Renascença Rafael Sanzio (1483-1520), o qual pintou o apóstolo Paulo pregando na cidade grega de Atenas. Extraí a imagem do acervo virtual da Wikipédia em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:V%26A_-_Raphael,_St_Paul_Preaching_in_Athens_(1515).jpg

domingo, 23 de março de 2014

Romário contra o "revenge porn"




Em 2010, quando encontrei o Baixinho fazendo sua campanha política pelas ruas, ainda não levava fé no trabalho que ele iria desenvolver em Brasília. Por sugestão de um conhecido meu do PSB de Nova Friburgo, ligado ao deputado Glauber Braga, fui apertar as mãos do candidato que fazia o seu corpo a corpo com os eleitores entre a Avenida Alberto Braune e a Praça Demerval Barbosa Moreira no citado município serrano do interior fluminense. E dei por garantida a sua vitória nas urnas já que aquele foi o ano do anti-voto e do surgimento de figuras como o palhaço Tiririca, as mulheres melão, pêra, melancia, etc. Glauber e outros socialistas do Rio chegariam finalmente ao Parlamento pelo ingresso na política do ex-jogador.

No caso de Romário, ele veio mostrar que não entende só de bola e tem me surpreendido bastante. Independente de estar bem assessorado, não posso deixar de reconhecer a sua atuação para além das questões esportiva. O herói do tetracampeonato da seleção fez um gol de placa quando apresentou o Projeto de Lei n.º 6.630/13, o qual altera o Código Penal ao tipificar como crime "a conduta de divulgar fotos ou vídeos com cena de nudez ou ato sexual sem  autorização da vítima".

A proposição do Baixinho, que tramita apensada ao anterior PL n.º 5.555/13, de autoria do deputado João Arruda (PMDB/PR), trata igualmente de um tema bem atual e busca proteger valores constitucionalmente reconhecidos como a intimidade, a privacidade, a honra e a imagem das pessoas, levando em conta os impactos sobre a sociedade com as novas tecnologias de comunicação. Isto porque, com a popularização dos celulares com câmeras digitais, junto com o fácil acesso à internet, multiplicaram-se os casos de pessoas que tiveram suas relações sexuais indevidamente divulgadas através de vídeos em sites pornográficos e nas redes sociais. Algo que muitas das vezes é praticado por um ex-namorado inconformado com o fim da paixão, conduta esta que ficou conhecida como revenge porn, ou "pornografia de revanche", mas que tem feito das mulheres as maiores vítimas. Principalmente por razões culturais e machistas. Senão vejamos o que disse o deputado em sua corajosa entrevista à edição n.º 535 do periódico Tribuna do Advogado que é publicado mensalmente pela OAB/RJ:

" Houve grande avanço tecnológico nos últimos dez anos e as pessoas mudaram a forma de se relacionar e de se comunicar, com a popularização de smartphones, redes sociais, aplicativos de celular. Novos tipos de crime surgiram e ouvíamos delegados dizendo em entrevistas como era difícil tipificá-los. Como legislador, me senti no dever de apresentar o projeto com penas mais duras para estas condutas criminosas (...) A postura da sociedade, principalmente dos homens, é muito cruel. As mulheres que têm sua vida íntima exposta começam a ser abordadas de forma vulgar, recebem até convite para prostituição. É necessária uma mudança de mentalidade, inclusive na hora de reagir ao problema. As vítimas não devem se abater e sim virar o jogo, porque o criminoso cresce na medida em que a vítima se oprime. Elas devem ter a consciência de que foram alvos de um crime e acusar publicamente quem divulgou as fotos" (págs. 30 e 32 da edição de março/2014, matéria Intimidade que fere, de Vitor Fraga)

Conforme noticiaram os jornais, houve casos no país que ganharam grande repercussão quando duas adolescentes cometeram suicídio ao terem suas imagens maldosamente expostas na internet. Júlia, de 17 anos e moradora de Parnaíba, litoral piauiense, chegou a se enforcar logo depois de receber no celular uma mensagem mostrando ela fazendo sexo com uma amiga e um rapaz, todos menores de idade. E, quatro dias depois, em Veranópolis (RS), a estudante Giana também resolveu tirar a própria vida após ser avisada por uma colega da escola de que circulava na internet uma foto em que a mesma aparecia nua.

Embora eu seja contra o excesso de criminalização de condutas, penso que, diante de situações abusivas e extremas como essas, as quais têm se repetido impunemente cada vez mais, torna-se necessário tipificar o ilícito dando-lhe um tratamento mais severo. Seja para desestimular tais violações da intimidade e da imagem das mulheres, como também para ajudar as vítimas a reagirem positivamente. Isto porque, a partir do momento em que a legislação passa a reconhecer algo como penalmente reprovável, o indivíduo lesionado ganha uma força extra afim de enfrentar o seu agressor e dar a volta por cima.

Deste modo, pode-se dizer que o projeto de Romário seria bem revolucionário para uma sociedade ainda machista e preconceituosa como a nossa onde os atos masculinos são aplaudidas nas mesas de boteco e as mulheres quase apedrejadas quando suas preferências ou práticas sexuais não se enquadram no padrão moral estabelecido. Por exemplo, se um rapaz aparecer num vídeo transando com uma garota ou se masturbando, ele é estimado como um "garanhão", mas se for uma moça fazendo sexo, corre o risco de ser ofendida como "prostituta", "vadia", "galinha", dentre outros termos de baixo calão que não convêm serem reescritos. Logo, independentemente de aprovar o que as pessoas fazem entre as quatro paredes e achar ingenuidade alguém deixar ser fotografado, concordo com a proposta do parlamentar desejando que o PL seja aprovado ainda na atual legislatura.


OBS: Foto acima extraída da Agência Brasil com atribuição de autoria a José Cruz conforme consta em http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/galeria/2012-12-04/camara-dos-deputados

sexta-feira, 21 de março de 2014

A disputa entre São Paulo e Rio pelas águas do Paraíba do Sul




Nesta semana, a seca atípica que atinge o Sudeste brasileiro esta época do ano deu um dimensionamento maior a uma antiga questão que envolve os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro gerando conflitos políticos. Trata-se do uso das águas da bacia do Paraíba do Sul para fins de suprimento suplementar do sistema Cantareira na maior região metropolitana do país devido à escassez de chuvas.

A proposta paulista consiste em interligar a represa de Jaguari, na bacia do Paraíba do Sul com a de Atibainha, construindo estação de bombeamento e um túnel num trecho de serra sendo a extensão total de quase 15 quilômetros ao custo de cerca de meio bilhão de reais. De acordo com o governador Geraldo Alckmin, quando o sistema da Cantareira estiver com menos de 35% da capacidade, a água seria bombeada para lá. E para tornar convincente a sua ideia, argumenta ele que, quando o problema for na represa do Paraíba do Sul, esta também poderá ser abastecida pelo Cantareira.

Há tempos que São Paulo tem aumentado indefinidamente a sua demanda por água potável precisando captar esse limitado recurso da natureza em lugares cada vez mais distantes. Inclusive através de projetos que sairão bem caros para o meio ambiente e para os bolsos dos contribuintes a exemplo das obras de grande porte do sistema São Lourenço, orçadas em mais de 2 bilhões de reais e previstas para serem concluídas até 2018. O objetivo, neste caso, é a Sabesp buscar água na represa Cachoeira do França, em Ibiúna, e transportá-la por 80 km de tubulações. Sem dúvida, cuida-se de um consumo que chega a ser elevadíssimo e, inegavelmente, agravado tanto pelo desperdício quanto pela vergonhosa poluição dos mananciais.

A meu ver, é preciso cautela diante da proposta do governador paulista sobre transpor as águas do Paraíba do Sul para abastecer a gigante cidade de São Paulo porque poderá haver sérios prejuízos tanto para o consumo dos cariocas quanto em relação ao meio ambiente. Pois, como se sabe, o abastecimento da região metropolitana do Rio de Janeiro é feito basicamente através da captação das águas do Paraíba que, uma vez transpostas para o rio Guandu, são distribuídas para os bairros pela Cedae. E assim tem ocorrido há muitas décadas sendo inegável o dano ecológico na foz do rio em São João da Barra onde o oceano tem avançado sobre seu leito por causa da perda de vazão cada vez maior.

É certo que o uso da água, nas situações de escassez, deve ser prioritariamente para o consumo humano e a dessedentação dos animais, conforme previsto no inciso III do artigo 1º da Lei Federal n.º 9.433/97. Porém, é preciso haver ao mesmo tempo uma certa dose de bom senso afim de não ficar comprometida a vazão mínima de um rio e nem outras atividades como a irrigação de lavouras, a pesca, a geração de energia, o turismo e as captações feitas pela indústria. Por isso torna-se indispensável promover uma cultura de uso racional esgotando inicialmente todos os meios de se economizar e de reaproveitar água para então ser avaliado se justificará ou não fazer a transposição de uma bacia hidrográfica para outra.

Em qualquer caso, a sociedade civil precisa ser sempre ouvida por intermédio dos seus comitês de bacia hidrográfica que, no caso do Paraíba do Sul, é representado através do CEIVAP. Segundo o posicionamento da coordenadora da Rede de Águas da organização não-governamental SOS Mata Atlântica, Sra. Malu Ribeiro, em entrevista dada à TV Globo dia 19/03, o assunto "não deve ser discutido no gabinete da presidente, mas sim com os integrantes das bacias hidrográficas". Acrescentou ela também que:

"Isso não pode ser tratado com normalidade, porque o Paraíba do Sul também tem nível baixo por conta das atividades que acontecem lá, como extração de areia e plantações de eucalipto. É como uma colcha que, se puxarmos, ficará pequena para todo mundo (...) Essa disputa entre Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Minas Gerais faz com que cada gota da água seja preciosa (...) O ideal é que a decisão seja tomada pelos comitês de bacias e pela sociedade em geral"

Evidente que essa questão está se refletindo na esfera político-eleitoral e pode influenciar os resultados da disputa presidencial deste ano ao criar um tipo de bairrismo entre cidadãos paulistas e fluminenses. Dilma, candidata à reeleição, deve estar atenta aos riscos de perda de popularidade caso ela se posicione de um lado ou de outro, de modo que a decisão da Agência Nacional de Águas (ANA) talvez venha a demonstrar uma falsa independência de sua chefe. E, por sua vez, suponho que os oposicionistas tucanos farão de tudo para que o problema vire um tropeço para o PT.

A essas alturas, creio que muita gente no Palácio do Planalto deve estar fazendo a dança da chuva para os reservatórios do Sudeste voltarem à normalidade. Este tem sido um ano bem amargo para a agricultura brasileira pois já passou o verão que é a estação com os maiores índices de pluviosidade e a tendência natural é que o tempo fique cada vez mais seco pelos próximos meses na citada região do país. Isso deve dar mais força ainda ao conflito entre os dois entes da federação fazendo com que o cidadão de São Paulo, insatisfeito com o racionamento de água, cobre dos governos uma solução quase imediata para resolver o incômodo problema.

Concluo dizendo que a transposição de águas para o sistema Cantareira ameniza mas não resolve o problema de São Paulo. E, por se tratar de medida extrema, deve-se buscar em primeiro lugar outras alternativas menos agressivas para o meio ambiente, combater o desperdício e reaproveitar a água já utilizada. Fora isso, nunca podemos esquecer que a causa da escassez de chuvas está no aquecimento global, o que tem provocado secas e enchentes que a cada década tornam-se mais intensas.


OBS: A foto acima foi extraída do blogue Diário do Sistema Cantareira, sendo a notícia e as imagens oriundas do Portal Governo de São Paulo, conforme consta em http://sistemacantareira.com.br/sao-paulo-vai-integrar-sistema-cantareira-e-bacia-do-paraiba-do-sul/