Há uma diferença entre o cristianismo e aquilo que podemos chamar de cultura cristã.
Ao comissionar seus discípulos, o Senhor Jesus determinou que o seu Evangelho fosse pregado a todos indistintamente, o que significa levar as boas novas da salvação a todos os homens e mulheres que vivem nas inúmeras nações existentes no planeta.
Nesta direção, após o acontecimento do Pentecostes, formou-se na cidade de Jerusalém uma comunidade judaico-messiânica que passou a experimentar o judaísmo de um modo diferente dos demais israelitas. Eram judeus de origem, obedeciam a Torah, recitavam os Salmos, seguiam os costumes judaicos da época e se identificavam com os demais compatriotas como membros de uma mesma nação. Praticavam a caridade e estavam implodindo o sistema religioso-cultural judaico. Não que estivessem almejando destruir o judaísmo, mas sim reformá-lo, até porque nunca se auto-denominaram cristãos como se estivessem criando uma nova religião.
Contudo, lendo o livro de Atos, pode-se verificar que, no começo, os discípulos (homens de origem israelita) parecem não ter entendido que a mensagem evangélica deveria ser pregada também aos não judeus. O próprio apóstolo Pedro, por exemplo, precisou de esclarecimentos posteriores aos ensinamentos recebidos de Jesus para saber que deveria anunciar o Evangelho na casa de um centurião romano (ler Atos capítulo 10) e depois ainda teve que se explicar diante dos irmãos quando voltou para Jerusalém (cap. 11). Tempos depois, após Paulo ter evangelizado determinadas regiões da Ásia Menor (partes da atual Turquia), houve uma tentativa de se judaizar os novos convertidos de origem gentílica.
Pois bem. Passada a época apostólica, os cristãos foram tomando outros rumos. Converteram-se muito mais gregos do que judeus e os valores do helenismo, infelizmente, foram invadindo a Igreja. Teólogos do século II (os apologistas) começaram a ensinar sobre a compatibilidade da filosofia grega com o cristianismo, conforme defendia Justino, o Mártir. E, de acordo com a história, na segunda metade daquele século, pode-se afirmar que a comunidade judaico-messiânica existente em Jerusalém, fundada pelos apóstolos, já não estava mais lá.
No século IV, o cristianismo foi decretado como a religião oficial do Império Romano, passando a influenciar os costumes das pessoas que viviam naquela vasta região dominada por Roma. E, deste modo, estava sendo formada uma cultura cristã de origem helênico-judaica que se manteve na Europa por longos séculos, mesmo após a queda do Império Romano do Ocidente (século V).
Dentro de uma cultura cristã, passaram a viver muitos reinos bárbaros que conquistaram Roma. Também foi debaixo desta cultura que as Américas foram colonizadas pelos europeus. E até mesmo o mundo muçulmano recebeu uma forte influência da cultura cristã.
Pode-se ainda dizer que os direitos humanos também foram criados com base nos valores dessa cultura cristã. Os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade, mesmo contrariando o clero da época, formaram a base ideológica da Revolução Francesa e que, depois, influenciaram a ONU no século XX.
O Brasil, dando aqui mais um exemplo, é um Estado que, embora seja laico, possui valores na sua Constituição, como a dignidade da pessoa humana, que, em última análise, inspiraram-se no cristianismo.
Atualmente, busca-se no mundo criar uma cultura pós cristã como um substituto da cultura cristã, negando o cristianismo e proibindo que qualquer religião seja mencionada nos diversos meios sociais, o que considero uma usurpação sem sombras de dúvidas.
Contudo, é preciso reconhecer que a cultura cristã não é, nunca foi e jamais será o cristianismo!
Em Atos dos Apóstolos, a Bíblia diz que, na cidade de Antioquia, na Síria, "foram os discípulos, pela primeira vez, chamados de cristãos" (At 11.26b), o que, de acordo com o contexto, depreende-se que tratou de uma denominação dos gregos que habitavam aquela região, uma vez que o Evangelho lhes foi anunciado pelos irmãos que tinham fugido da perseguição ´perpetrada contra a Igreja em Jerusalém (At 11.19-21).
Ora, fossem os discípulos cristãos ou judeus messiânicos, não estavam ali pregando uma nova cultura, mas sim o Evangelho de Jesus Cristo. Embora aqueles corajosos pregadores fossem, conforme o texto, judeus convertidos "de Chipre e de Cirene", eles só estavam interessados em ganhar almas para o reino de Deus afim de que todos os homens viessem a conhecer Jesus como Senhor e Salvador.
Paulo que, tempos depois, iria se congregar entre os irmãos de Antioquia, mostrou ao mundo o que deveria ser feito para que o Evangelho fosse pregado a todos a ponto do apóstolo ter-se comportado como judeu para ganhar judeus e como grego para ganhar gregos. Aquele tradicional israelita da tribo de Benjamim, que levava o nome do primeiro rei de seu povo (Saulo vem de Saul), optou por fazer parte de um único povo - o povo de Deus, o que, em outras palavras, significa ganhar todos os povos para Deus. O seu discurso, proferido no areópago ateniense (At 17.16-34), em momento algum fez apologia da cultura judaica, mas ensinou aos gregos sobre o Deus que eles desconheciam e sobre um homem que este Deus "destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos", ou seja, Jesus.
Sendo assim, Paulo e os verdadeiros evangelistas do século I não estavam interessados em levar para os povos pagãos a cultura judaica, mas tão somente as boas novas do Evangelho, afim de que as comunidades dos novos convertidos descobrissem a vida abundante que receberam em Cristo.
Sem dúvida que isto não é o que acontece sempre nos trabalhos missionários. No Brasil colonial, os índios, ao serem catequizados pelos jesuítas, foram privados de muitos dos seus costumes. No século XX, muitas missões evangélicas estavam exportando uma cultura cristã norte-americana, provocando muitas vezes uma perda de identidade nos novos convertidos como se fosse necessário aceitar a cultura de um país estrangeiro para que o crente também pudesse aceitar a Cristo.
Confesso que, desde a minha adolescência, questiono por que o cristianismo não cresce em determinados países do Oriente e sobretudo entre os povos muçulmanos. Embora seja este um longo debate no qual não pretendo me aprofundar neste artigo, não se pode negar a falta de tato das missões nos séculos anteriores que não souberam lidar com a cultura dos povos muçulmanos.
Será que os ensinamentos do islamismo não podem de alguma maneira ser utilizados para se iniciar uma pregação de fé? Por acaso Maomé também não falou sobre Jesus? E os costumes dos povos muçulmanos são piores do que os do ocidente? Ou será que não teríamos muito a aprender com eles em termos de cultura?
Outrossim, vejo a sociedade ocidental como refém da cultura cristã que nós e os nossos antepassados criaram. Infelizmente, nos tornamos presas de tradições que têm impedido muitos de conhecerem a Jesus verdadeiramente. Somos hoje vários povos que habitam as Américas, a Europa, parte da África, a Oceania e alguns lugars da Ásia, mas que, presunçosamente, pensamos conhecer Jesus apenas porque ouvimos falar de sua história desde a nossa infância, frequentamos alguma igreja, fomos batizados ou fizemos alguma confissão pública de fé.
É triste ter que admitir, mas a cultura cristã tem é levado muita gente para o inferno. E para que ninguém pense que estou sendo radical, basta olharmos para o inferno de vida que muita gente tem vivido nesta terra mesmo debaixo da cultura cristã, sem conhecerem a Cristo de verdade. E posso falar de peito aberto porque eu mesmo não escapei disto uma vez que nasci num país que se considera cristão e só comecei a conhecer Deus verdadeiramente na minha adolescência.
Venho de uma família de cultura cristã. Meu falecido pai era dizia-se ateu e minha mãe talvez se considerasse uma católica não praticante. Então, para manter os costumes, batizaram-me quando eu ainda era bebê e nem sabia o que estava acontecendo. Quando raramente me levavam à missa, eu ficava entediado e preferia mil vezes brincar com outras crianças.
Recordo-me que certa vez, durante a minha infância, alguém levou-me para passear na igreja de Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, no bairro Grajaú, Rio de Janeiro. Ali, mostraram-me algumas pinturas sobre Jesus e Maria, apresentando-me o "Papai do Céu". Porém, a figura do papai Noel ainda tinha mais significado do que Deus em minha cabeça infantil.
Anos depois, quando eu ainda estava na alfabetização e ansiava por comer ovos de chocolate, minha mãe contou-me que a figura mitológica do coelhinho da Páscoa não existia, de modo que, de imediato, minha mente de sete anos de idade concluiu que o Papai Noel, igualmente, não fazia parte do mundo real, o que foi confirmado por ela. Então, se a memória não me falha, acho que lhe perguntei se o Papai do Céu também não existiria, o que, desta vez, foi negado por minha mãe.
O tempo passou e, aos meus 14 anos (1990), comecei a assistir programas cristãos na rádio e na TV sem que ninguém de minha família soubesse e, às escondidas, fui frequentando a igreja de minha avó materna. Meu coração adolescente estava com uma grande fome e sede de Deus, do Deus vivo.
Foi nesta época de minha vida quando redescobri Deus, o que foi algo demasiadamente maravilhoso pra mim. O “Papai do Céu” agora tinha se tornado um personagem real na minha vida! Jesus já não era apenas um homem muito bondoso que morreu torturado na cruz, ressuscitou e foi para os céus. Agora eu podia então falar com Ele, orar por curas, interceder pela minha família e, principalmente, ter a esperança que, na eternidade, poderia morar para sempre na Nova Jerusalém.
A partir daí, começou todo um processo de conhecimento desse Deus, o que até hoje não terminou. A cada dia tenho conhecido um pouco mais sobre Ele. Quando menos espero, tenho significativas experiências que tocam no meu caráter e sustentam minha fé.
Não vou negar que as diversas denominações religiosas também produzem uma espécie de cultura cristã própria de cada comunidade. Percebo que a cultura institucional pode nos levar a cometer sérios enganos, pois podemos ser tentados a substituir o cristianismo verdadeiro por um hábito de apenas ir à igreja, cometendo os mesmos erros dos fariseus na época de Jesus.
Por mais que seja positivo o cristianismo influenciar a cultura de uma sociedade, precisamos ficar atentos para que não nos enganemos a este respeito e devemos ter o nosso foco voltado para vivermos de fato o Evangelho.
Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Reflexões sobre a advocacia
Constantemente ouço meus colegas de profissão reclamando de suas insatisfações com a advocacia pelos corredores do Fórum. Muitos culpam o Poder Judiciário pelos baixos valores das indenizações ou dos honorários de sucumbência, bem como pela morosidade na tramitação dos processos. Outros reclamam da avareza dos clientes, justificada, por sua vez, pelo excesso de profissionais existentes hoje no mercado regional uma vez que instituições de ensino superior a cada ano despejam milhares de novos formandos no país. E até os advogados mais antigos, que no passado já ganharam muito dinheiro, hoje apresentam suas respeitáveis queixas.
Dentre a maioria dos colegas que se formaram comigo no final de 2004, somente alguns estão exercendo a advocacia, apesar de um número bem maior ter se habilitado perante a OAB juntamente comigo no exame de janeiro de 2005. Vários deles já fizeram (ou ainda estão tentando) os seus concursos públicos. Um deles ingressou recentemente nos quadros da magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e outro, após ter trabalhado por um período na Justiça Federal como analista, agora é defensor público estadual. Muitos deles, contudo, estão de olho nos cargos de técnico e de analista judiciário, os quais, embora sejam menos prestigiados pela visão míope da sociedade que nãos abe valorizar o conjunto, ao menos pagam vencimentos relativamente dignos para o atual padrão brasileiro, permitindo ao jovem formado conquistar sua independência dos pais numa época em que muita gente só consegue sair de casa depois dos 40.
Mas ainda há aqueles que não tiveram nenhum acréscimo profissional com o diploma, de modo que continuam desempregados, submetendo-se ao baixo salário do comércio ou buscando qualquer outra solução dentro da iniciativa privada que independa do bacharelado em ciências jurídicas. E, não faz muito tempo, soube que um advogado tentou até concurso pra honrosa profissão de lixeiro no Rio de Janeiro.
Diante deste quadro angustiante, tenho feito minhas reflexões pessoais, as quais têm me lavado a concluir que estamos encarando a advocacia de maneira errada uma vez que temos judicializado quase todas as causas que chegam até nós. Aliás, não só temos cometido equívocos quanto à profissão, mas também em relação à própria vida, considerando os caminhos que optamos por percorrer.
A verdade é que sempre que alguém propõe uma ação perante a Justiça, esta pessoa está abrindo mão de sua autonomia em resolver uma controvérsia pela via da auto-composição. Ao optar pelo ajuizamento da demanda, a parte, juntamente com o seu advogado, estão atestando o fracasso que tiveram na solução de um problema e, desta forma, estão transferindo poderes a um Tribunal para que funcionários do Estado (os Magistrados) decidam sobre suas vidas.
Atualmente as pessoas procuram a Justiça diariamente para resolverem inúmeras questões, sendo não só as causas de natureza penal ou tributária como também as comerciais e cíveis que compreendem a esfera privada do cidadão. E, dentre estas, incluem-se problemas nas relações de consumo (ex.: aparelhos com defeito de fábrica, cobranças indevidas, bloqueio incorreto de cartões de crédito), pedidos de indenização por danos morais e/ou materiais, pensões alimentícias, guarda de menores, revisão de cláusula de visitação de menor, cobrança de dívidas, despejo de inquilinos inadimplentes, disputas medíocres entre vizinhos, entre outras. E tem também as reclamações trabalhistas que, em última análise, também não deixariam de ser questões cíveis ainda que sejam processadas e julgadas pelo que denominamos de Justiça especializada.
Curiosamente, a Bíblia também fala sobre isto. No capítulo 6 da primeira epístola do apóstolo Paulo à Igreja em Corinto, o autor criticou duramente o fato dos irmãos daquela comunidade cristã ficarem litigando entre si. E a missiva orienta aos seus destinatários que busquem um árbitro dotado de sabedoria dentro da própria Igreja, ou então que sofressem o dano, o que significaria entregar o problema nas mãos de Deus:
“Entretanto, vós, quando tendes a julgar negócios terrenos, constituís um tribunal daqueles que não têm nenhuma aceitação na igreja. Para vergonha vo-lo digo. Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos! O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos próprios irmãos!” (1Co 6.4-8)
Tal ensinamento é atualíssimo uma vez que poucos hoje em dia procuram aconselhamento espiritual e tomam a vergonhosa conduta de expor diante da Justiça suas questões mais íntimas como se a Igreja fosse algo totalmente ausente em suas vidas.
Infelizmente, vivemos numa sociedade que, embora tenha se formado debaixo de uma cultura cristã, conhece muito pouco sobre os fundamentos do cristianismo. Trata-se de uma sociedade em que quase todos dizem acreditar em Jesus Cristo, mas poucos o conhecem de verdade, de modo que para elas a Igreja não passa de uma velha instituição humana sem valor.
Como consequência disto, tenho visto membros de uma mesma família brigando entre si. Cônjuges que não se contentam apenas com o processo de separação ficam criando eternas demandas judiciais improdutivas, envolvendo não só os bens que faziam parte do patrimônio do casal, como atingem o bem estar psicológico dos próprios filhos.
Ora, será que os problemas comuns do cotidiano não poderiam ser resolvidos com mais discrição dentro dos próprios grupos de convivência social? Não poderiam duas pessoas que antes tinham uma relação em comum escolher um terceiro de confiança para arbitrar o conflito ao invés de exporem o problema diante de um juiz desconhecido sem nenhuma relação com as partes? E por que o advogado não poderia desempenhar este papel já que ele, em tese, deveria ser um homem de confiança da família ou da comunidade?
Mas a verdade é que as ações hoje ajuizadas, na grande maioria, tratam-se de demandas de pequena expressão econômica, ainda que o valor atribuído à causa conste como sendo uma quantia alta. Mesmo nas relações de consumo, tenho visto meus colegas advogados entrando com processos que, se forem julgados procedentes, poderão lhes render honorários muito baixos, ainda mais se forem movidos perante o Juizado Especial Cível onde não há sucumbência em primeira instância (somente se a parte vencida recorrer e perder sem estar sob o manto da gratuidade) e a alçada fica limitada a quarenta salários mínimos. E há quem se sujeite a trabalhar até de graça para receber seus honorários proporcionais apenas em caso de êxito do cliente, assumindo com isto não só o risco do insucesso mas uma séria responsabilidade de acompanhar o andamento daquela ação até o final, conforme as obrigações decorrentes do contrato e da própria procuração outorgada: ir às audiências marcadas, despachar com os juízes, fazer cópias dos autos, recolher devidamente as custas, ler as publicações que saem no Diário Oficial, recorrer e tomar todas as providências cabíveis quando forem necessárias.
Particularmente entendo que os advogados deveriam valorizar mais a profissão que exercem. Deveriam evitar ao máximo o ajuizamento de demandas e procurar solucionar o conflito entrando em contato previamente com a outra parte ou com o advogado desta. Mesmo nas relações de consumo, deveria ser cultivado no Brasil um saudável hábito em que os advogados fariam um contato inicial com o departamento jurídico das empresas reclamadas e estas, com total transparência, prestariam um atendimento adequado e abririam um processo interno afim de fornecerem uma resposta no prazo mais rápido possível ao procurador do reclamante.
Por sua vez, as consultas também deveriam voltar a ser valorizadas pelos advogados!
Um grave erro que tenho visto na atualidade tem sido o fato de alguns colegas isentarem o cliente da consulta, caso ele resolva dar a causa para o escritório procurado. No entanto, poucos têm a noção de que grandes problemas podem ser solucionados numa breve consulta com um profissional experiente que, teoricamente falando, está habilitado para dar o seu parecer sobre assuntos envolvendo leis.
Recordo-me que um latifundiário relatou-me sobre a proveitosa experiência que teve quando pagou quase dois salários mínimo numa consulta de 15 minutos com um advogado especializado em Direito Ambiental no Rio de Janeiro há uma década atrás. O escritório que ele procurou ocupava um andar inteiro no edifício e só a manutenção daquele espaço deveria ser uma fortuna. Enquanto ele aguardava na sala de espera, algumas perguntas certamente deveriam martelar sua cabeça: quanto é que eu vou ter que pagar para me defenderem no processo que tenho lá no IEF? Ou será que vale a pena pagar tão caro por esta consulta?
Pois bem. Aquele senhor estava tendo seus sérios problemas com os órgãos ambientais, os quais estavam limitando suas atividades econômicas e atraindo multas bem mais altas do que o valor da consulta. Porém, as poucas informações que foram passadas naquele breve encontro com o advogado tiveram um grande valor para evitar conflitos futuros na sua propriedade rural de modo que a consulta tornou-se uma pechincha.
Em outra ocasião, soube que um advogado foi contrastado para cuidar de um contrato envolvendo comércio exterior, tendo recebido uns R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pelo trabalho que fez, sem precisar entrar com nenhuma ação no Fórum. O cliente estava celebrando um negócio em torno de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), se não foi em dólar, e ficou muito satisfeito com o excelente serviço prestado porque bastaria um erro jurídico para que aquela compra e venda fosse mal sucedida. E, por sua vez, o advogado recebeu de uma vez só o suficiente para comprar um bom apartamento na zona sul carioca.
Ora, tais exemplos que deveriam servir de incentivo para muitos colegas advogados, nem sempre são compreendidos. Pois, particularmente, vejo que, por trás de profissionais bem sucedidos, há o desenvolvimento de uma mentalidade vencedora. Isto porque tratam-se de homens que não se sujeitaram à mediocridade do cotidiano, de modo que criaram alvos bem determinados para as suas vidas e se emprenharam por alcançá-los. Homens que conheceram a própria vocação, não se acovardaram diante das primeiras dificuldades e fizeram da luta um passatempo.
Certamente alguém poderia dizer-me que o dinheiro não é o seu alvo, o que concordo plenamente uma vez que o sucesso de uma profissão não pode estar baseado apenas no enriquecimento patrimonial ou no aumento de renda. E, neste sentido, faço menção dos heróis da fé cujas biografias encontram-se registradas na Bíblia. Homens que deram suas vidas por causas espirituais, contrariando todos os preceitos dos livros de auto-ajuda. Logo, da mesma maneira como criamos alvos financeiros, podemos decidir ser pessoas bem sucedidas em nossos relacionamentos, fazer amizades, auxiliar quem esteja em dificuldade e dar um significado melhor à vida das pessoas e, com isto, também a nós mesmos.
Bem, estou terminando de escrever a sexta página deste artigo no meu editor de texto BrOffice.org Writer e não consegui concluir ainda meus pensamentos satisfatoriamente. Mas alerto aos meus leitores que não tenho nenhuma solução para a advocacia no Brasil. Apenas achei por bem escrever esta mensagem afim de compartilhar aquilo que tenho refletido.
Exerço a advocacia há quase cinco anos e, como todo ser humano, já cometi erros pelos quais estou pagando até hoje. Um deles foi ter pego tudo quanto era problema dos meus clientes e transformado em ações judiciais. Não tive o retorno financeiro que desejava, muitas ações foram julgadas improcedentes, gastei meu precioso tempo, perdi horas de sono, contribuí numa pequena proporção para abarrotar o Poder Judiciário de processos e, resumindo, colhi muito aborrecimento.
Atualmente, estou tentando exercer minha profissão de outra maneira, na expectativa de novos campos fora do contencioso. De 2008 pra cá, devo ter entrado com no máximo umas dez ações (abatendo aquelas que foram consequência de intermináveis processos anteriores e a aloprada atuação na campanha eleitoral passada), das quais a maioria foi julgada e processada, tornando-se oportunidades ocasionais relativamente satisfatórias para a minha atual situação. Porém, a maioria das causas que vieram até a mim, limitei-as a breves orientações jurídicas. A muitos preveni que entrassem na Justiça, abrindo-lhes os olhos para aquilo que podemos chamar de problema do problema.
Para terminar sem concluir, desejo a todos que nas suas experiências pessoais sejam bem sucedidos em todos os aspectos. A troca dessas reflexões pode muito ajudar-nos a encarar nossas vidas de uma outra forma e espero estar ajudando alguém com esta mensagem correspondente a sete páginas que acabo de escrever e publicar.
Dentre a maioria dos colegas que se formaram comigo no final de 2004, somente alguns estão exercendo a advocacia, apesar de um número bem maior ter se habilitado perante a OAB juntamente comigo no exame de janeiro de 2005. Vários deles já fizeram (ou ainda estão tentando) os seus concursos públicos. Um deles ingressou recentemente nos quadros da magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e outro, após ter trabalhado por um período na Justiça Federal como analista, agora é defensor público estadual. Muitos deles, contudo, estão de olho nos cargos de técnico e de analista judiciário, os quais, embora sejam menos prestigiados pela visão míope da sociedade que nãos abe valorizar o conjunto, ao menos pagam vencimentos relativamente dignos para o atual padrão brasileiro, permitindo ao jovem formado conquistar sua independência dos pais numa época em que muita gente só consegue sair de casa depois dos 40.
Mas ainda há aqueles que não tiveram nenhum acréscimo profissional com o diploma, de modo que continuam desempregados, submetendo-se ao baixo salário do comércio ou buscando qualquer outra solução dentro da iniciativa privada que independa do bacharelado em ciências jurídicas. E, não faz muito tempo, soube que um advogado tentou até concurso pra honrosa profissão de lixeiro no Rio de Janeiro.
Diante deste quadro angustiante, tenho feito minhas reflexões pessoais, as quais têm me lavado a concluir que estamos encarando a advocacia de maneira errada uma vez que temos judicializado quase todas as causas que chegam até nós. Aliás, não só temos cometido equívocos quanto à profissão, mas também em relação à própria vida, considerando os caminhos que optamos por percorrer.
A verdade é que sempre que alguém propõe uma ação perante a Justiça, esta pessoa está abrindo mão de sua autonomia em resolver uma controvérsia pela via da auto-composição. Ao optar pelo ajuizamento da demanda, a parte, juntamente com o seu advogado, estão atestando o fracasso que tiveram na solução de um problema e, desta forma, estão transferindo poderes a um Tribunal para que funcionários do Estado (os Magistrados) decidam sobre suas vidas.
Atualmente as pessoas procuram a Justiça diariamente para resolverem inúmeras questões, sendo não só as causas de natureza penal ou tributária como também as comerciais e cíveis que compreendem a esfera privada do cidadão. E, dentre estas, incluem-se problemas nas relações de consumo (ex.: aparelhos com defeito de fábrica, cobranças indevidas, bloqueio incorreto de cartões de crédito), pedidos de indenização por danos morais e/ou materiais, pensões alimentícias, guarda de menores, revisão de cláusula de visitação de menor, cobrança de dívidas, despejo de inquilinos inadimplentes, disputas medíocres entre vizinhos, entre outras. E tem também as reclamações trabalhistas que, em última análise, também não deixariam de ser questões cíveis ainda que sejam processadas e julgadas pelo que denominamos de Justiça especializada.
Curiosamente, a Bíblia também fala sobre isto. No capítulo 6 da primeira epístola do apóstolo Paulo à Igreja em Corinto, o autor criticou duramente o fato dos irmãos daquela comunidade cristã ficarem litigando entre si. E a missiva orienta aos seus destinatários que busquem um árbitro dotado de sabedoria dentro da própria Igreja, ou então que sofressem o dano, o que significaria entregar o problema nas mãos de Deus:
“Entretanto, vós, quando tendes a julgar negócios terrenos, constituís um tribunal daqueles que não têm nenhuma aceitação na igreja. Para vergonha vo-lo digo. Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos! O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos próprios irmãos!” (1Co 6.4-8)
Tal ensinamento é atualíssimo uma vez que poucos hoje em dia procuram aconselhamento espiritual e tomam a vergonhosa conduta de expor diante da Justiça suas questões mais íntimas como se a Igreja fosse algo totalmente ausente em suas vidas.
Infelizmente, vivemos numa sociedade que, embora tenha se formado debaixo de uma cultura cristã, conhece muito pouco sobre os fundamentos do cristianismo. Trata-se de uma sociedade em que quase todos dizem acreditar em Jesus Cristo, mas poucos o conhecem de verdade, de modo que para elas a Igreja não passa de uma velha instituição humana sem valor.
Como consequência disto, tenho visto membros de uma mesma família brigando entre si. Cônjuges que não se contentam apenas com o processo de separação ficam criando eternas demandas judiciais improdutivas, envolvendo não só os bens que faziam parte do patrimônio do casal, como atingem o bem estar psicológico dos próprios filhos.
Ora, será que os problemas comuns do cotidiano não poderiam ser resolvidos com mais discrição dentro dos próprios grupos de convivência social? Não poderiam duas pessoas que antes tinham uma relação em comum escolher um terceiro de confiança para arbitrar o conflito ao invés de exporem o problema diante de um juiz desconhecido sem nenhuma relação com as partes? E por que o advogado não poderia desempenhar este papel já que ele, em tese, deveria ser um homem de confiança da família ou da comunidade?
Mas a verdade é que as ações hoje ajuizadas, na grande maioria, tratam-se de demandas de pequena expressão econômica, ainda que o valor atribuído à causa conste como sendo uma quantia alta. Mesmo nas relações de consumo, tenho visto meus colegas advogados entrando com processos que, se forem julgados procedentes, poderão lhes render honorários muito baixos, ainda mais se forem movidos perante o Juizado Especial Cível onde não há sucumbência em primeira instância (somente se a parte vencida recorrer e perder sem estar sob o manto da gratuidade) e a alçada fica limitada a quarenta salários mínimos. E há quem se sujeite a trabalhar até de graça para receber seus honorários proporcionais apenas em caso de êxito do cliente, assumindo com isto não só o risco do insucesso mas uma séria responsabilidade de acompanhar o andamento daquela ação até o final, conforme as obrigações decorrentes do contrato e da própria procuração outorgada: ir às audiências marcadas, despachar com os juízes, fazer cópias dos autos, recolher devidamente as custas, ler as publicações que saem no Diário Oficial, recorrer e tomar todas as providências cabíveis quando forem necessárias.
Particularmente entendo que os advogados deveriam valorizar mais a profissão que exercem. Deveriam evitar ao máximo o ajuizamento de demandas e procurar solucionar o conflito entrando em contato previamente com a outra parte ou com o advogado desta. Mesmo nas relações de consumo, deveria ser cultivado no Brasil um saudável hábito em que os advogados fariam um contato inicial com o departamento jurídico das empresas reclamadas e estas, com total transparência, prestariam um atendimento adequado e abririam um processo interno afim de fornecerem uma resposta no prazo mais rápido possível ao procurador do reclamante.
Por sua vez, as consultas também deveriam voltar a ser valorizadas pelos advogados!
Um grave erro que tenho visto na atualidade tem sido o fato de alguns colegas isentarem o cliente da consulta, caso ele resolva dar a causa para o escritório procurado. No entanto, poucos têm a noção de que grandes problemas podem ser solucionados numa breve consulta com um profissional experiente que, teoricamente falando, está habilitado para dar o seu parecer sobre assuntos envolvendo leis.
Recordo-me que um latifundiário relatou-me sobre a proveitosa experiência que teve quando pagou quase dois salários mínimo numa consulta de 15 minutos com um advogado especializado em Direito Ambiental no Rio de Janeiro há uma década atrás. O escritório que ele procurou ocupava um andar inteiro no edifício e só a manutenção daquele espaço deveria ser uma fortuna. Enquanto ele aguardava na sala de espera, algumas perguntas certamente deveriam martelar sua cabeça: quanto é que eu vou ter que pagar para me defenderem no processo que tenho lá no IEF? Ou será que vale a pena pagar tão caro por esta consulta?
Pois bem. Aquele senhor estava tendo seus sérios problemas com os órgãos ambientais, os quais estavam limitando suas atividades econômicas e atraindo multas bem mais altas do que o valor da consulta. Porém, as poucas informações que foram passadas naquele breve encontro com o advogado tiveram um grande valor para evitar conflitos futuros na sua propriedade rural de modo que a consulta tornou-se uma pechincha.
Em outra ocasião, soube que um advogado foi contrastado para cuidar de um contrato envolvendo comércio exterior, tendo recebido uns R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pelo trabalho que fez, sem precisar entrar com nenhuma ação no Fórum. O cliente estava celebrando um negócio em torno de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), se não foi em dólar, e ficou muito satisfeito com o excelente serviço prestado porque bastaria um erro jurídico para que aquela compra e venda fosse mal sucedida. E, por sua vez, o advogado recebeu de uma vez só o suficiente para comprar um bom apartamento na zona sul carioca.
Ora, tais exemplos que deveriam servir de incentivo para muitos colegas advogados, nem sempre são compreendidos. Pois, particularmente, vejo que, por trás de profissionais bem sucedidos, há o desenvolvimento de uma mentalidade vencedora. Isto porque tratam-se de homens que não se sujeitaram à mediocridade do cotidiano, de modo que criaram alvos bem determinados para as suas vidas e se emprenharam por alcançá-los. Homens que conheceram a própria vocação, não se acovardaram diante das primeiras dificuldades e fizeram da luta um passatempo.
Certamente alguém poderia dizer-me que o dinheiro não é o seu alvo, o que concordo plenamente uma vez que o sucesso de uma profissão não pode estar baseado apenas no enriquecimento patrimonial ou no aumento de renda. E, neste sentido, faço menção dos heróis da fé cujas biografias encontram-se registradas na Bíblia. Homens que deram suas vidas por causas espirituais, contrariando todos os preceitos dos livros de auto-ajuda. Logo, da mesma maneira como criamos alvos financeiros, podemos decidir ser pessoas bem sucedidas em nossos relacionamentos, fazer amizades, auxiliar quem esteja em dificuldade e dar um significado melhor à vida das pessoas e, com isto, também a nós mesmos.
Bem, estou terminando de escrever a sexta página deste artigo no meu editor de texto BrOffice.org Writer e não consegui concluir ainda meus pensamentos satisfatoriamente. Mas alerto aos meus leitores que não tenho nenhuma solução para a advocacia no Brasil. Apenas achei por bem escrever esta mensagem afim de compartilhar aquilo que tenho refletido.
Exerço a advocacia há quase cinco anos e, como todo ser humano, já cometi erros pelos quais estou pagando até hoje. Um deles foi ter pego tudo quanto era problema dos meus clientes e transformado em ações judiciais. Não tive o retorno financeiro que desejava, muitas ações foram julgadas improcedentes, gastei meu precioso tempo, perdi horas de sono, contribuí numa pequena proporção para abarrotar o Poder Judiciário de processos e, resumindo, colhi muito aborrecimento.
Atualmente, estou tentando exercer minha profissão de outra maneira, na expectativa de novos campos fora do contencioso. De 2008 pra cá, devo ter entrado com no máximo umas dez ações (abatendo aquelas que foram consequência de intermináveis processos anteriores e a aloprada atuação na campanha eleitoral passada), das quais a maioria foi julgada e processada, tornando-se oportunidades ocasionais relativamente satisfatórias para a minha atual situação. Porém, a maioria das causas que vieram até a mim, limitei-as a breves orientações jurídicas. A muitos preveni que entrassem na Justiça, abrindo-lhes os olhos para aquilo que podemos chamar de problema do problema.
Para terminar sem concluir, desejo a todos que nas suas experiências pessoais sejam bem sucedidos em todos os aspectos. A troca dessas reflexões pode muito ajudar-nos a encarar nossas vidas de uma outra forma e espero estar ajudando alguém com esta mensagem correspondente a sete páginas que acabo de escrever e publicar.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Momentos de Fé
“A fé requer incerteza, confusão” (Philip Yancey)
Hoje acordei bem cedo, às seis horas e vinte minutos, a fim de levar minha esposa ao ortopedista. Desde sexta-feira da semana passada, ela vem se tratando de uma dor no joelho esquerdo numa clínica da cidade, sendo que eu tenho lhe acompanhado nestas consultas.
Desta vez, não cheguei a acordar um pouco antes para fazer minha leitura matinal da Bíblia como de costume, pois fui dormir bem tarde e não nego que tenho passado por um certo desgaste. Há quase um ano que tenho buscado assisti-la com mais atenção nos seus diversos tratamentos médicos, entrando, inclusive, na fila do SUS apenas para tentar marcar consultas médicas, as quais geralmente ocorrem dias ou semanas após. E, depois de ter começado o ano de 2010, ainda não a levei na nutricionista e nem no dermatologista. Sua cirurgia da vesícula ainda está indefinida porque estamos buscando um hospital que faça através de laparoscopia para evitarmos os risco de uma operação aberta.
No entanto, enquanto aguardava o atendimento médico na manhã de hoje, fui tomado por um forte sentimento de frustração. Por volta das sete horas da manhã, quando chegamos na clínica (particular), esta nem ao menos havia sido aberta e os pacientes já formavam fila em pé no lado de fora. Depois, ainda ficamos esperando o médico chegar, os idosos serem atendidos e finalmente chamarem-na por volta das nove e meia.
Além de vê-la com dor, eu não podia esconder o meu desconforto não só por estar envolvido naquela situação. Sentia o cansaço de uma noite mal dormida, as preocupações em dar andamento às minhas atividades (trabalhar, pagar contas, atender pessoas), bem como sentia o mal estar intestinal, recusando-me a utilizar o banheiro coletivo apesar de ser relativamente limpo. Enfim, não desejava estar ali e gostaria muito que minha esposa não passasse por tantos problemas de saúde.
Enquanto ainda esperávamos pelo médico, resolvi refrescar a cabeça e fui até a padaria tomar um café, deixando minha esposa aguardando no desconfortável banco de madeira da clínica. Ao retornar, o médico ainda não estava e a frustração não me deixava.
Contudo, naquele angustiante momento, algo surpreendente aconteceu comigo!
De repente, olhei para todas aquelas pessoas que estavam ali e fui tomado por um forte sentimento de compaixão. Pensei no sofrimento de todas elas, bem como na funcionária que chegou atrasada para abrir a clínica e no médico que todos os dias encara aquela rotina de atender dezenas de pacientes, o que, no final das contas, deve ser cansativo por mais que ele ganhe relativamente bem com aquela atividade. Então fechei meus olhos por alguns instantes e orei em pensamento por todas aquelas pessoas que ali estavam.
Tal atitude mudou radicalmente o que eu vinha sentindo. As cólicas intestinais não passaram e nem o meu cansaço. Também nem o médico chegou imediatamente após. Porém, mudou dentro de mim a maneira de encarar aquela situação. Eu já não me sentia mais vítima de um problema e já não estava mais sendo governado pela situação fática. Comecei a reconhecer a presença de Deus na minha vida e agradecê-Lo por me ajudar em tantas outras coisas. Passei a ver aquela experiência como algo gratificante, uma oportunidade para poder glorificar a Deus. Então comecei a confortar minha esposa e lhe dizer palavras de encorajamento.
Situações reanimadoras como esta da manhã de hoje passaram a ocorrer com mais frequência nos últimos meses em outras ocasiões que experimentei na minha vida.
Houve uma época em que eu me abandonava diante dos problemas. Começava a me sentir só e perdia a consciência da presença de Deus.
Certa vez, quando estava começando a enfrentar meu dia, precisei lutar contra a insegurança e as expectativas das coisas que ainda me aconteceriam. Foi quando então eu me recordei das últimas palavras de Jesus registradas no Evangelho de Mateus: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (28.20b).
Na época de minha infância e começo da pré-adolescência, eu sentia uma nostalgia quando estava terminando de ler os Evangelhos e me deparava com a ascensão de Jesus. Ficava até mais triste com a sua subida aos céus do que com a sua morte porque agora já não temos mais a sua presença física no nosso meio. Ficava imaginando como seria bom se Jesus tivesse permanecido até hoje nesta terra encontrando-se conosco.
Contudo, o Senhor não nos abandonou! E a ascensão aos céus significa que Jesus continua presente em nossas vidas ainda que não o estejamos vendo. Ao lado do Pai e em nós pelo Espírito, Ele continua conosco de uma forma ainda mais especial, conduzindo-nos a experiências fascinantes a cada momento. E, no meu caso, isto vem ocorrendo quando, mesmo em meio às situações do cotidiano, lembro de sua Palavra e decido vivê-la.
De uma outra vez, estava eu indo para o Fórum sentindo o dissabor dos problemas e das lutas que enfrento. Minha mente estava atribulada e mergulhada nas situações cotidianas. Então, lembrei-me que o Senhor não nos prometeu um mar de rosas, mas sim aflições. Na noite da Ceia, horas antes de ser preso, Jesus disse aos seus discípulos: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16:33)
Prossegui então minha caminhada para o Fórum meditando na parte final deste versículo, trocando a ordem da frase com minhas palavras: No mundo já vencido por Jesus devo ter bom ânimo, mas passarei por aflições. Assim, refletindo na Palavra, fui recuperando meus ânimos e entregando toda a minha ansiedade a Deus naquele momento.
Deste modo, meus caros leitores, tenho percebido que a nossa fé é gerada nesses momentos de dúvida e de dificuldade, quando as coisas neste mundo só nos transmitem incertezas e falta de clareza. É quando nada de sobrenatural no mundo físico acontece, mas decidimos servir a Deus mesmo sem respostas que satisfaçam todas as nossas indagações. Quando tudo nos leva a duvidar e, apesar da ausência de provas, resolvemos crer (confiar) por mais que nossa a mente não queira acreditar.
Lembrar da Palavra de Deus sem dúvida é algo que considero fundamental nessas horas difíceis. Porém, é preciso que, em tais situações, a gente seja capaz de decidir crer, o que independe de meramente acharmos que a Bíblia seja verdadeira ou que Deus de fato existe. Então, quando decidimos crer, obedecemos e agimos conforme a Palavra manda. É aí que a fé se revela e mostra que ela é viva.
O autor anônimo da Epístola aos Hebreus, ao comentar sobre os heróis da fé do Antigo Testamento, diz que eles “da fraqueza tiraram força”, conforme consta no verso 34 do capítulo 11, o que, a meu ver, caracteriza muito bem o que é ter fé.
Que Deus abençoe sua vida e que você possa manifestar fé em todos os momentos de sua caminhada!
OBS: A ilustração acima refere-se à escultura Alegoria da Fé do artista espanhol Luis Salvador Camona (1708 - 1767), sendo os créditos autorais da foto atribuídos a Luis García, conforme consta no acervo virtual da Wikipédia em https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9#/media/File:La_Fe_(L.S._Carmona,_MRABASF_E-108)_01.jpg
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Os exemplos de Miriã, Corá e Sansão
A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que praticaram a rebeldia e a desobediência contra a autoridade de Deus. Não somente encontramos os nomes dos heróis espirituais, como é o caso da lista de homens e mulheres de fé citados no capítulo 11 da Epístola aos Hebreus, como também são relatadas as histórias daqueles que fracassaram porque recusaram submeter-se a Deus.
Sem dúvida, podemos aprender com os exemplos ruins deixados por tais personagens da história bíblica, os quais foram tão seres humanos quanto aqueles que alcançaram o sucesso de Deus. Foram tão humanos quanto nós, de modo que não devemos nos sentir superiores e nem inferiores a qualquer homem ou mulher citado pelas Escrituras.
Neste texto elaborado para a Escola de Missões da Igreja Evangélica Maranata, estarei me baseando nos episódios que compõem a vida de três personagens: Miriã, Corá e Sansão. As mensagens bíblicas que se referem aos dois primeiros encontram-se nos capítulos 12 e 16 do livro de Números, enquanto a história de Sansão pode ser lida nos capítulos 13 a 16 de Juízes.
Comecemos, por por Miriã. Quem foi esta mulher e o que ela fez de tão errado a ponto de ter provocado a ira de Deus a ponto de ficar leprosa por sete dias e detida fora do arraial de Israel durante este período?
A história de Miriã, irmã mais velha de Moisés, começa logo no capítulo 2 de Êxodo. Ela desempenhou uma papel fundamental no plano de Deus quando Moisés ainda era um bebê de três meses e a família não podia mais esconder a criança dos egípcios por causa de um decreto do rei do Egito que determinava a morte dos filhos dos hebreus do sexo masculino. Quando Moisés foi colocado num cesto de junco e largado nas águas do rio Nilo, Miriã protegeu a vida de seu irmão acompanhando-o até que ele fosse encontrado pela filha do faraó. Através dela, o menino pôde ser assistido por sua mãe durante o período de aleitamento materno e permanecido em companhia da família de origem até que fosse grande e então tornar-se filho da princesa egípcia.
Oitenta anos depois, quando os israelitas finalmente deixam o Egito sob a autoridade de Deus através de Moisés e atravessam o Mar Vermelho, Miriã liderou as mulheres com tamborim e danças, louvando a Deus pelo livramento dado ao seu povo (Êx 15.20-21). Em tal passagem, o texto bíblico refere-se a Miriã como sendo uma profetiza, sendo que o livro de Miqueias menciona seu nome e de Arão juntamente com o de Moisés ao falar na saída dos israelitas do Egito (Mq 6.4).
Contudo, nos difíceis dias da travessia pelo deserto, depois que os israelitas deixaram o Sinai, um episódio infeliz ocorre na trajetória da vida de Miriã, conforme encontra-se registrado no capítulo 12 de Números. De acordo com esta passagem, após Moisés ter se unido com uma mulher cuxita (etíope), Miriã e Arão, o sumo sacerdote da nação israelita, criticaram o irmão caçula, mas que também era o homem escolhido por Deus para liderar o povo até Canaã.
Atentando não apenas contra a autoridade de Moisés, mas contrariando também ao próprio Deus, os irmãos Miriã e Arão assim disseram insolentemente: “Porventura, tem falado o SENHOR somente por Moisés? Não tem falado também por Nós?” (Nm 12.2)
A atitude dos irmãos de Moisés não é compreendida como um simples protesto contra o fato de Moisés ter tomado para si uma mulher estrangeira. Tal questão parece ter sido levantada apenas como um pretexto para que Miriã e Arão manifestassem a cobiça que tinham pela posição de Moisés.
Mansamente, Moisés não tomou nenhuma atitude contra os seus irmãos. O texto diz que Deus ouviu as palavras de Miriã e Arão, dando a seguinte resposta que se encontra nos versos de 5 a 8 do capítulo 12 de Números:
“Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, ei, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do SENHOR; como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?”
Como se vê, o próprio Deus defendeu a honra de seu servo e, por castigo, Miriã ficou leprosa por sete dias, apesar da intercessão de Moisés para que ela fosse curada daquela praga, com o objetivo de que ela fosse envergonhada por sua conduta. Tal castigo Deus comparou a uma cusparada que uma filha recebe de seu pai, algo considerado como abominável no contexto daquela época.
Tempos depois, Moisés enfrentou mais uma sedição, desta vez vindo de Corá, um dos levitas do ramo dos coatitas.
Juntamente com Datã e Abirão, homens da tribo de Rúben, mais 250 líderes dos israelitas, Corá afrontou Moisés e Arão, dizendo as seguintes palavras que se encontram no verso 3 do capítulo 16 de Números: “Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do SENHOR?”
Estas palavras de rebeldia, a exemplo do que também ocorreu no episódio anterior envolvendo Miriã e Arão, significavam uma cobiça por posições, uma inveja deliberada.
Nos capítulos 3 e 4 de Números, Deus havia dividido so levitas em três ramos com funções distintas. Os descendentes de Coate, isto é, os coatitas, tinham a nobre função de carregarem os utensílios sagrados do Tabernáculo todas as vezes quando o arraial de Israel partisse. Ou seja, depois que Arão e seus filhos cobrissem a Arca do Testemunho e os demais móveis do santuário, cabia aos coatitas transportarem aquela mobília santa sem tocarem nela para que não morressem. Aliás, não poderiam sequer ver aquelas coisas santas, conforme o próprio Deus havia ordenado (Nm 4.15-20).
Deste modo, Deus havia estabelecido limites para os ministérios dos levitas, determinando que o sacerdócio em Israel apenas poderia ser exercido por Arão e seus descendentes, os únicos que poderiam entrar no Lugar Santo, oferecer os sacrifícios, comer os pães da proposição, queimar o incenso aromático, dentre outros deveres específicos que se acham detalhadamente expostos no livro de Levítico. Contudo, Corá cobiçava a posição de sacerdote.
Sabiamente, Moisés deixou que a solução daquele conflito ficasse nas mãos de Deus. Em sua resposta, Moisés propôs que, no dia seguinte, Corá apresentasse incenso perante o SENHOR e o próprio Deus faria a sua escolha entre ambos.
Contudo, enquanto Moisés demonstrou sua confiança no comando de Deus, Corá havia se aliado com Datã e Abirão, dois homens profanos da tribo de Ruben que, ao serem chamados por Moisés, chegaram a se referir ao Egito como uma terra “que mana leite e mel” (Nm 16.13), acusando Moisés de ter trazido o povo de Israel para morrer no deserto.
Assim, no dia seguinte, Corá e seus 250 seguidores apresentaram-se portando cada um o seu incensário e vieram até a tenda da congregação, tendo se ajuntado todos os israelitas no local. Deus, porém, ao manifestar-se no meio do povo, fez com que a terra se abrisse e tragasse vivos a Corá, juntamente com seus bens. E, quanto aos 250 homens que portavam indevidamente o incensário diante da tenda da congregação, Deus mandou fogo dos céus e os consumiu, confirmando diante de toda a nação de Israel a quem o povo deveria prestar obediência.
Como se pode ver, atitude de rebeldia teve uma consequência drástica para Corá, um dos levitas que prestavam um serviço especial no Tabernáculo e que chegou a ser mencionado como um dos chefes de Israel em Êxodo capítulo 6. Sua cobiça desmedida pelas funções que Moisés e Arão exerciam acabou lhe custando não só a sua posição como a própria vida, tornando-se um exemplo de rebeldia que, na Epístola de Judas, é comparado aos falsos mestres juntamente com os exemplos de Caim e de Balaão (v. 11).
No entanto, a Bíblia não relata como exemplos de rebeldia apenas aqueles que cobiçaram funções alheias. O autor de Juízes conta-nos sobre a história de uma liderança em Israel que recusou-se a cumprir o papel que o Anjo do SENHOR havia lhe dado, rebelando-se diretamente contra Deus. Trata-se de Sansão.
A história de Sansão de passa alguns séculos depois de Moisés, quando os israelitas já se encontravam na posse da terra de Canaã. Por causa do pecado do povo, Deus havia entregue os israelitas de baixo da opressão dos filisteus durante um período de quarenta anos até que o Anjo do SENHOR visitou um casal cuja esposa era estéril, prometendo-lhes um filho que começaria a livrar Israel das mãos do adversário.
Para que Sansão pudesse cumprir a sua missão, Deus lhe dotou de uma grande força física e várias proezas foram por intermédio dele realizadas durante os vinte anos em que liderou Israel. Porém, ele deveria cumprir com o voto nazireu, o qual, segundo a Lei de Moisés, impunha que a pessoa consagrada a Deus não cortasse o cabelo, nem tocasse num cadáver ou tomasse qualquer tipo de bebida alcoólica, conforme o Anjo havia determinado à sua mãe:
“porque eis que tu conceberás e darás à luz um filho cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar Israel do poder dos filisteus”. (Jz 13.5)
Sansão, todavia, não foi obediente a Deus e desperdiçou a sua vida. Ao invés de concluir a sua obra e derrotar de vez com os filisteus, Sansão violou seus votos e as leis de Deus em muitas ocasiões, deixando-se conduzir por seu apetite sexual. Seus dons e habilidades foram utilizados sem prudência.
Na época de seu casamento com uma filisteia, Sansão quebrou dois de seus votos que deveria guarar como nazireu. Ou seja, bebeu vinho e havia retirado um favo de mel que havia se formado no cadáver de um leão que matara dias atrás.
A pior tragédia de Sansão, entretanto, ocorre quando ele apaixona-se perdidamente por Dalila (provavelmente uma filisteia), a qual, com muita insistência, induziu-o a contar onde estaria o segredo de sua força. O texto bíblico diz que Dalila o importunava todos os dias até que, finalmente, Sansão confessou que se sua cabeça fosse raspada, sua força o deixaria de modo que ele se tornaria como qualquer outro homem (Jz 16.17).
Dalila, após receber dinheiro dos filisteus, traiçoeiramente rapou as tranças de Sansão e o entregou aos seus adversários. E, no momento em que foi avisado por Dalila sobre um novo ataque dos filisteus contra ele, Sansão ainda pensava que iria se livrar daquela situação como nas vezes anteriores, mas o próprio texto diz que “o SENHOR já tinha se retirado dele” (Jz 16.20).
Depois de capturarem Sansão e cegarem seus olhos, os filisteus levaram-no para Gaza. Ali, no país dos filisteus, Sansão passou a executar o trabalho braçal de moer grãos dentro da prisão. Contudo, os seus cabelos tornaram a crescer novamente.
Houve um dia em que os filisteus resolveram festejar a captura de Sansão oferecendo um sacrifício a Dagom, o deus deles. Para tanto, trouxeram Sansão do cárcere e começaram a se divertir com aquele episódio.
Contudo, diferente do fim que teve Corá, o qual em momento algum arrependeu-se, Sansão voltou-se para Deus e, nos últimos momentos de sua vida, experimentou o que é depender do SENHOR e não de si mesmo, fazendo esta oração:
“SENHOR Deus, peço-te que te lembres de mim, e dá-me força só desta vez, ó Deus, para que me vingue dos filisteus, ao menos por um dos meus olhos.” (Jz 16.28)
Naquele momento difícil, Sansão ainda encontrou graça diante de Deus. Pois, mesmo depois de ter quebrado todos os votos do nazireado, ele foi novamente usado por Deus para matar mais filisteus do que em todas as vezes anteriores. Diz a Bíblia que Sansão derrubou as duas colunas que sustentavam o templo de Dagom, de modo que a casa desabou sobre todos os príncipes dos filisteus e sobre o povo que ali estava, apesar de tê-lo matado também.
Assim, apesar de todos os erros de rebeldia que cometeu no passado, Sansão morreu justificado, tendo cumprido aquilo que o Anjo do SENHOR disse a seu respeito, no sentido de que iria começar a livrar Israel das mãos dos filisteus, sendo que seu nome é citado no Novo Testamento. Na epístola aos Hebreus, São aparece na lista dos homens que
“por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros” (Hb 11.33-34)
Sem dúvida que, no seu pior momento, Sansão tirou força da fraqueza como diz o texto do Novo Testamento. E, embora a sua vida pudesse ter sido muito melhor, foi com o sofrimento decorrente de sua desobediência que Sansão aprendeu a depender de Deus e não do dom que havia recebido.
CONCLUSÃO
As três histórias bíblicas servem para nós como exemplos de que a obediência a Deus é o melhor caminho a ser seguido.
A rebeldia tem sua raiz no pecado e se encontra motivada por sentimentos de inveja destrutiva. Reflete a falta de confiança em Deus, na sua soberania e justiça, de modo que o rebelde por si mesmo toma atitudes impróprias, agindo por seu próprio desejo.
Geralmente o rebelde não tem por objetivo servir as pessoas e sim controlá-las. E, da mesma maneira que Corá, o rebelde cobiça as qualidades e os dons que Deus deu às outras pessoas, desejando destruí-las de alguma maneira.
Ao se revoltarem contra Moisés, Corá e seus companheiros não estavam apenas levantando-se apenas contra homens, mas opondo-se ao próprio Deus. Pois, embora Arão e Moisés não fossem melhores do que os outros israelitas e todos na nação fossem escolhidos pelo SENHOR, Israel devia obediência tanto a Moisés quanto à Arão.
Digno de maior glória do que Moisés, Cristo é o cabeça da Igreja, da qual nós pertencemos. Como seguidores de Jesus, devemos confiar nele de modo que a nossa conduta precisa estar firmada na sua direção e nos seu poder, sendo ele o único sumo sacerdote ao qual devemos prestar contas.
No capítulo 12 da primeira epístola aos coríntios, o apóstolo Paulo nos ensina que somos do corpo de Cristo, no qual fomos batizados. Porém, exercemos funções diferentes na Igreja, as quais devem estar em harmonia para o perfeito funcionamento do corpo.
Justamente por isto, a Palavra de Deus nos diz claramente que devemos nos sujeitar “uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21), tendo em vista que a vida do cristão é de prestar serviços a Deus e aos outros.
Com este objetivo, a Palavra de Deus nos fala que devemos obedecer aos nossos guias em submissão pois são pessoas que velam pela nossa alma (Hb 13.17). E, na primeira epístola de Paulo aos tessalonicenses, diz que devemos ter tais pessoas em grande estima e consideração (5.12-13).
A base de tal apoio, certamente não se fundamenta na personalidade de quem exerce um ministério na Igreja, mas sim no exercício da função designada por Deus, com o objetivo de realizar a sua obra na terra.
Devemos permanecer atentos e vigilantes a respeito do comportamento que desenvolvemos na Igreja em relação aos irmãos e à obra de Deus. É importante que a todo momento nos examinemos quanto às nossas motivações internas afim de que não sejamos tomados pela inveja e pela cobiça. Precisamos nos questionar se estamos querendo satisfazer a Deus ou aos nossos interesses, tendo em vista que o cristão não tem por finalidade alcançar o poder ou ocupar cargos, mas sim ser um instrumento do Senhor Jesus na execução de sua obra na terra.
Sem dúvida, podemos aprender com os exemplos ruins deixados por tais personagens da história bíblica, os quais foram tão seres humanos quanto aqueles que alcançaram o sucesso de Deus. Foram tão humanos quanto nós, de modo que não devemos nos sentir superiores e nem inferiores a qualquer homem ou mulher citado pelas Escrituras.
Neste texto elaborado para a Escola de Missões da Igreja Evangélica Maranata, estarei me baseando nos episódios que compõem a vida de três personagens: Miriã, Corá e Sansão. As mensagens bíblicas que se referem aos dois primeiros encontram-se nos capítulos 12 e 16 do livro de Números, enquanto a história de Sansão pode ser lida nos capítulos 13 a 16 de Juízes.
Comecemos, por por Miriã. Quem foi esta mulher e o que ela fez de tão errado a ponto de ter provocado a ira de Deus a ponto de ficar leprosa por sete dias e detida fora do arraial de Israel durante este período?
A história de Miriã, irmã mais velha de Moisés, começa logo no capítulo 2 de Êxodo. Ela desempenhou uma papel fundamental no plano de Deus quando Moisés ainda era um bebê de três meses e a família não podia mais esconder a criança dos egípcios por causa de um decreto do rei do Egito que determinava a morte dos filhos dos hebreus do sexo masculino. Quando Moisés foi colocado num cesto de junco e largado nas águas do rio Nilo, Miriã protegeu a vida de seu irmão acompanhando-o até que ele fosse encontrado pela filha do faraó. Através dela, o menino pôde ser assistido por sua mãe durante o período de aleitamento materno e permanecido em companhia da família de origem até que fosse grande e então tornar-se filho da princesa egípcia.
Oitenta anos depois, quando os israelitas finalmente deixam o Egito sob a autoridade de Deus através de Moisés e atravessam o Mar Vermelho, Miriã liderou as mulheres com tamborim e danças, louvando a Deus pelo livramento dado ao seu povo (Êx 15.20-21). Em tal passagem, o texto bíblico refere-se a Miriã como sendo uma profetiza, sendo que o livro de Miqueias menciona seu nome e de Arão juntamente com o de Moisés ao falar na saída dos israelitas do Egito (Mq 6.4).
Contudo, nos difíceis dias da travessia pelo deserto, depois que os israelitas deixaram o Sinai, um episódio infeliz ocorre na trajetória da vida de Miriã, conforme encontra-se registrado no capítulo 12 de Números. De acordo com esta passagem, após Moisés ter se unido com uma mulher cuxita (etíope), Miriã e Arão, o sumo sacerdote da nação israelita, criticaram o irmão caçula, mas que também era o homem escolhido por Deus para liderar o povo até Canaã.
Atentando não apenas contra a autoridade de Moisés, mas contrariando também ao próprio Deus, os irmãos Miriã e Arão assim disseram insolentemente: “Porventura, tem falado o SENHOR somente por Moisés? Não tem falado também por Nós?” (Nm 12.2)
A atitude dos irmãos de Moisés não é compreendida como um simples protesto contra o fato de Moisés ter tomado para si uma mulher estrangeira. Tal questão parece ter sido levantada apenas como um pretexto para que Miriã e Arão manifestassem a cobiça que tinham pela posição de Moisés.
Mansamente, Moisés não tomou nenhuma atitude contra os seus irmãos. O texto diz que Deus ouviu as palavras de Miriã e Arão, dando a seguinte resposta que se encontra nos versos de 5 a 8 do capítulo 12 de Números:
“Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, ei, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do SENHOR; como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?”
Como se vê, o próprio Deus defendeu a honra de seu servo e, por castigo, Miriã ficou leprosa por sete dias, apesar da intercessão de Moisés para que ela fosse curada daquela praga, com o objetivo de que ela fosse envergonhada por sua conduta. Tal castigo Deus comparou a uma cusparada que uma filha recebe de seu pai, algo considerado como abominável no contexto daquela época.
Tempos depois, Moisés enfrentou mais uma sedição, desta vez vindo de Corá, um dos levitas do ramo dos coatitas.
Juntamente com Datã e Abirão, homens da tribo de Rúben, mais 250 líderes dos israelitas, Corá afrontou Moisés e Arão, dizendo as seguintes palavras que se encontram no verso 3 do capítulo 16 de Números: “Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do SENHOR?”
Estas palavras de rebeldia, a exemplo do que também ocorreu no episódio anterior envolvendo Miriã e Arão, significavam uma cobiça por posições, uma inveja deliberada.
Nos capítulos 3 e 4 de Números, Deus havia dividido so levitas em três ramos com funções distintas. Os descendentes de Coate, isto é, os coatitas, tinham a nobre função de carregarem os utensílios sagrados do Tabernáculo todas as vezes quando o arraial de Israel partisse. Ou seja, depois que Arão e seus filhos cobrissem a Arca do Testemunho e os demais móveis do santuário, cabia aos coatitas transportarem aquela mobília santa sem tocarem nela para que não morressem. Aliás, não poderiam sequer ver aquelas coisas santas, conforme o próprio Deus havia ordenado (Nm 4.15-20).
Deste modo, Deus havia estabelecido limites para os ministérios dos levitas, determinando que o sacerdócio em Israel apenas poderia ser exercido por Arão e seus descendentes, os únicos que poderiam entrar no Lugar Santo, oferecer os sacrifícios, comer os pães da proposição, queimar o incenso aromático, dentre outros deveres específicos que se acham detalhadamente expostos no livro de Levítico. Contudo, Corá cobiçava a posição de sacerdote.
Sabiamente, Moisés deixou que a solução daquele conflito ficasse nas mãos de Deus. Em sua resposta, Moisés propôs que, no dia seguinte, Corá apresentasse incenso perante o SENHOR e o próprio Deus faria a sua escolha entre ambos.
Contudo, enquanto Moisés demonstrou sua confiança no comando de Deus, Corá havia se aliado com Datã e Abirão, dois homens profanos da tribo de Ruben que, ao serem chamados por Moisés, chegaram a se referir ao Egito como uma terra “que mana leite e mel” (Nm 16.13), acusando Moisés de ter trazido o povo de Israel para morrer no deserto.
Assim, no dia seguinte, Corá e seus 250 seguidores apresentaram-se portando cada um o seu incensário e vieram até a tenda da congregação, tendo se ajuntado todos os israelitas no local. Deus, porém, ao manifestar-se no meio do povo, fez com que a terra se abrisse e tragasse vivos a Corá, juntamente com seus bens. E, quanto aos 250 homens que portavam indevidamente o incensário diante da tenda da congregação, Deus mandou fogo dos céus e os consumiu, confirmando diante de toda a nação de Israel a quem o povo deveria prestar obediência.
Como se pode ver, atitude de rebeldia teve uma consequência drástica para Corá, um dos levitas que prestavam um serviço especial no Tabernáculo e que chegou a ser mencionado como um dos chefes de Israel em Êxodo capítulo 6. Sua cobiça desmedida pelas funções que Moisés e Arão exerciam acabou lhe custando não só a sua posição como a própria vida, tornando-se um exemplo de rebeldia que, na Epístola de Judas, é comparado aos falsos mestres juntamente com os exemplos de Caim e de Balaão (v. 11).
No entanto, a Bíblia não relata como exemplos de rebeldia apenas aqueles que cobiçaram funções alheias. O autor de Juízes conta-nos sobre a história de uma liderança em Israel que recusou-se a cumprir o papel que o Anjo do SENHOR havia lhe dado, rebelando-se diretamente contra Deus. Trata-se de Sansão.
A história de Sansão de passa alguns séculos depois de Moisés, quando os israelitas já se encontravam na posse da terra de Canaã. Por causa do pecado do povo, Deus havia entregue os israelitas de baixo da opressão dos filisteus durante um período de quarenta anos até que o Anjo do SENHOR visitou um casal cuja esposa era estéril, prometendo-lhes um filho que começaria a livrar Israel das mãos do adversário.
Para que Sansão pudesse cumprir a sua missão, Deus lhe dotou de uma grande força física e várias proezas foram por intermédio dele realizadas durante os vinte anos em que liderou Israel. Porém, ele deveria cumprir com o voto nazireu, o qual, segundo a Lei de Moisés, impunha que a pessoa consagrada a Deus não cortasse o cabelo, nem tocasse num cadáver ou tomasse qualquer tipo de bebida alcoólica, conforme o Anjo havia determinado à sua mãe:
“porque eis que tu conceberás e darás à luz um filho cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar Israel do poder dos filisteus”. (Jz 13.5)
Sansão, todavia, não foi obediente a Deus e desperdiçou a sua vida. Ao invés de concluir a sua obra e derrotar de vez com os filisteus, Sansão violou seus votos e as leis de Deus em muitas ocasiões, deixando-se conduzir por seu apetite sexual. Seus dons e habilidades foram utilizados sem prudência.
Na época de seu casamento com uma filisteia, Sansão quebrou dois de seus votos que deveria guarar como nazireu. Ou seja, bebeu vinho e havia retirado um favo de mel que havia se formado no cadáver de um leão que matara dias atrás.
A pior tragédia de Sansão, entretanto, ocorre quando ele apaixona-se perdidamente por Dalila (provavelmente uma filisteia), a qual, com muita insistência, induziu-o a contar onde estaria o segredo de sua força. O texto bíblico diz que Dalila o importunava todos os dias até que, finalmente, Sansão confessou que se sua cabeça fosse raspada, sua força o deixaria de modo que ele se tornaria como qualquer outro homem (Jz 16.17).
Dalila, após receber dinheiro dos filisteus, traiçoeiramente rapou as tranças de Sansão e o entregou aos seus adversários. E, no momento em que foi avisado por Dalila sobre um novo ataque dos filisteus contra ele, Sansão ainda pensava que iria se livrar daquela situação como nas vezes anteriores, mas o próprio texto diz que “o SENHOR já tinha se retirado dele” (Jz 16.20).
Depois de capturarem Sansão e cegarem seus olhos, os filisteus levaram-no para Gaza. Ali, no país dos filisteus, Sansão passou a executar o trabalho braçal de moer grãos dentro da prisão. Contudo, os seus cabelos tornaram a crescer novamente.
Houve um dia em que os filisteus resolveram festejar a captura de Sansão oferecendo um sacrifício a Dagom, o deus deles. Para tanto, trouxeram Sansão do cárcere e começaram a se divertir com aquele episódio.
Contudo, diferente do fim que teve Corá, o qual em momento algum arrependeu-se, Sansão voltou-se para Deus e, nos últimos momentos de sua vida, experimentou o que é depender do SENHOR e não de si mesmo, fazendo esta oração:
“SENHOR Deus, peço-te que te lembres de mim, e dá-me força só desta vez, ó Deus, para que me vingue dos filisteus, ao menos por um dos meus olhos.” (Jz 16.28)
Naquele momento difícil, Sansão ainda encontrou graça diante de Deus. Pois, mesmo depois de ter quebrado todos os votos do nazireado, ele foi novamente usado por Deus para matar mais filisteus do que em todas as vezes anteriores. Diz a Bíblia que Sansão derrubou as duas colunas que sustentavam o templo de Dagom, de modo que a casa desabou sobre todos os príncipes dos filisteus e sobre o povo que ali estava, apesar de tê-lo matado também.
Assim, apesar de todos os erros de rebeldia que cometeu no passado, Sansão morreu justificado, tendo cumprido aquilo que o Anjo do SENHOR disse a seu respeito, no sentido de que iria começar a livrar Israel das mãos dos filisteus, sendo que seu nome é citado no Novo Testamento. Na epístola aos Hebreus, São aparece na lista dos homens que
“por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros” (Hb 11.33-34)
Sem dúvida que, no seu pior momento, Sansão tirou força da fraqueza como diz o texto do Novo Testamento. E, embora a sua vida pudesse ter sido muito melhor, foi com o sofrimento decorrente de sua desobediência que Sansão aprendeu a depender de Deus e não do dom que havia recebido.
CONCLUSÃO
As três histórias bíblicas servem para nós como exemplos de que a obediência a Deus é o melhor caminho a ser seguido.
A rebeldia tem sua raiz no pecado e se encontra motivada por sentimentos de inveja destrutiva. Reflete a falta de confiança em Deus, na sua soberania e justiça, de modo que o rebelde por si mesmo toma atitudes impróprias, agindo por seu próprio desejo.
Geralmente o rebelde não tem por objetivo servir as pessoas e sim controlá-las. E, da mesma maneira que Corá, o rebelde cobiça as qualidades e os dons que Deus deu às outras pessoas, desejando destruí-las de alguma maneira.
Ao se revoltarem contra Moisés, Corá e seus companheiros não estavam apenas levantando-se apenas contra homens, mas opondo-se ao próprio Deus. Pois, embora Arão e Moisés não fossem melhores do que os outros israelitas e todos na nação fossem escolhidos pelo SENHOR, Israel devia obediência tanto a Moisés quanto à Arão.
Digno de maior glória do que Moisés, Cristo é o cabeça da Igreja, da qual nós pertencemos. Como seguidores de Jesus, devemos confiar nele de modo que a nossa conduta precisa estar firmada na sua direção e nos seu poder, sendo ele o único sumo sacerdote ao qual devemos prestar contas.
No capítulo 12 da primeira epístola aos coríntios, o apóstolo Paulo nos ensina que somos do corpo de Cristo, no qual fomos batizados. Porém, exercemos funções diferentes na Igreja, as quais devem estar em harmonia para o perfeito funcionamento do corpo.
Justamente por isto, a Palavra de Deus nos diz claramente que devemos nos sujeitar “uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21), tendo em vista que a vida do cristão é de prestar serviços a Deus e aos outros.
Com este objetivo, a Palavra de Deus nos fala que devemos obedecer aos nossos guias em submissão pois são pessoas que velam pela nossa alma (Hb 13.17). E, na primeira epístola de Paulo aos tessalonicenses, diz que devemos ter tais pessoas em grande estima e consideração (5.12-13).
A base de tal apoio, certamente não se fundamenta na personalidade de quem exerce um ministério na Igreja, mas sim no exercício da função designada por Deus, com o objetivo de realizar a sua obra na terra.
Devemos permanecer atentos e vigilantes a respeito do comportamento que desenvolvemos na Igreja em relação aos irmãos e à obra de Deus. É importante que a todo momento nos examinemos quanto às nossas motivações internas afim de que não sejamos tomados pela inveja e pela cobiça. Precisamos nos questionar se estamos querendo satisfazer a Deus ou aos nossos interesses, tendo em vista que o cristão não tem por finalidade alcançar o poder ou ocupar cargos, mas sim ser um instrumento do Senhor Jesus na execução de sua obra na terra.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O PT não pode mais continuar no governo do país!
Embora nós eleitores friburguenses muitas das vezes nos alianamos da política nacional, vejo que as questões de Brasília têm um forte peso sobre a vida de todos nós e de pessoas em outras cidades.
Em 2002, quando Lula elegeu-se Presidente da República, eu imaginava que poderíamos ter uma social-democracia mais ousada do que na era FHC e que avançaríamos nas conquistas de muitos direitos sociais.
Entretanto, o que tenho visto, além da corrupção, é o uso do poder com finalidades erradas e um ambicioso projeto totalitário pretendido pelo PT.
O recente episódio em que o governo brasileiro resolveu conceder uma grana de 1 bilhão e meio para Cuba é uma afronta não só ao nosso apertado orçamento como também re presenta o financiamento do mais cruel regime político da América Latina que já matou muito mais gente do que todas as ditaduras militares da América do Sul juntas.
Enquanto o Irã ameaça Israel com seus mísseis e usinas de enriquecimento de urânio, Lula continua desfilando com os piores ditadores do planeta, apoiando os goernos de Venezuela, Bolívia, Equador e ainda se meteu na questão de Honduras.
Sei que a economia parece boa, mas não acho que o momento de relativa prosperidade (pequena até para o potencial do país e incapaz de por fim ao desemprego) seja motivo para o povo votar em Dilma.
Muito pelo contrário! Vejo que já passou da hora de serem cortadas as asas do PT, antes que comecem a golpear a nossa democracia tão duramente reconquistada.
Sinceramente, temo que mais um governo petista acabe servindo de justificativa para uma intervenção política das Forças Armadas ou que venhamos a sofrer consequências nocivas na nossa economia.
Sei que o colégio eleitoral de nossa cidade é incapaz de eleger um Presidente da República, mas acho fundamental termos a nossa responsabilidade com a democracia e com a Constituição do país neste importante ano eleitoral, pois é pela nossa liberdade e dos nosso filhos que devemos nos posicionar.
Em 2002, quando Lula elegeu-se Presidente da República, eu imaginava que poderíamos ter uma social-democracia mais ousada do que na era FHC e que avançaríamos nas conquistas de muitos direitos sociais.
Entretanto, o que tenho visto, além da corrupção, é o uso do poder com finalidades erradas e um ambicioso projeto totalitário pretendido pelo PT.
O recente episódio em que o governo brasileiro resolveu conceder uma grana de 1 bilhão e meio para Cuba é uma afronta não só ao nosso apertado orçamento como também re presenta o financiamento do mais cruel regime político da América Latina que já matou muito mais gente do que todas as ditaduras militares da América do Sul juntas.
Enquanto o Irã ameaça Israel com seus mísseis e usinas de enriquecimento de urânio, Lula continua desfilando com os piores ditadores do planeta, apoiando os goernos de Venezuela, Bolívia, Equador e ainda se meteu na questão de Honduras.
Sei que a economia parece boa, mas não acho que o momento de relativa prosperidade (pequena até para o potencial do país e incapaz de por fim ao desemprego) seja motivo para o povo votar em Dilma.
Muito pelo contrário! Vejo que já passou da hora de serem cortadas as asas do PT, antes que comecem a golpear a nossa democracia tão duramente reconquistada.
Sinceramente, temo que mais um governo petista acabe servindo de justificativa para uma intervenção política das Forças Armadas ou que venhamos a sofrer consequências nocivas na nossa economia.
Sei que o colégio eleitoral de nossa cidade é incapaz de eleger um Presidente da República, mas acho fundamental termos a nossa responsabilidade com a democracia e com a Constituição do país neste importante ano eleitoral, pois é pela nossa liberdade e dos nosso filhos que devemos nos posicionar.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
O que significa ter Jesus como nosso Senhor?
Embora o termo “senhor” tenha se tornado em nossa sociedade uma forma respeitosa e formal de tratamento, dispensado principalmente às pessoas mais velhas, temos nos esquecido de seu significado original.
É muito comum entre os cristãos de hoje Jesus ser chamado como senhor. E, numa época não muito distante de nós, o marido ainda referia-se com mais frequência à esposa como sua senhora. Porém, quando utilizamos hoje a palavra senhor em relação à pessoa de Jesus, nem sempre damos o significado original do termo ao que dizemos com a boca.
No Novo Testamento que foi escrito no grego comum dos séculos I e II, a termo Senhor (Қύριοζ – Kurios) significa dono, aquele que tem o domínio sobre seus servos, conforme consta em várias passagens bíblicas, as quais nos servem de exemplo ilustrativo. Contudo, neste texto, vou me deter apenas na experiência da conversão do carcereiro de Filipos, registrada no capítulo 16 de Atos dos Apóstolos.
Lucas, autor do livro de Atos, conta que, na segunda expedição evangelística, Paulo, uma visão noturna, viu um homem da Macedônia pedindo a ele que viesse para lá e ajudasse o seu povo (At 16:9). Entendendo o sentido da visão, o apóstolo e seu companheiro Silas, imediatamente, obedecem a direção dada pelo Espírito Santo e partem para o novo destino sem saber o que enfrentariam, chegando a uma cidade chamada Filipos, onde passaram a pregar o Evangelho entre as mulheres do local (At 16:13).
Dentre aquelas mulheres que frequentavam as reuniões de Paulo estava a corajosa Lídia, a primeira a se converter naquela cidade e que vem a ser batizada juntamente com sua família, passando a oferecer sua hospitalidade ao apóstolo e também sua casa para ser o quartel general do Evangelho em Filipos. Porém, como sabemos, a obra de Deus tem momentos de adversidades para os cristãos. E foi o que aconteceu com Paulo e Silas quando o apóstolo expulsou um demônio do corpo de uma jovem adivinhadora.
Na época, era comum os homens terem escravos e essa jovem atormentada por um espírito demoníaco vinha sendo usada por seus senhores com uma finalidade lucrativa. Mas com a sua libertação espiritual, cessaram as adivinhações dessa moça, o que enfureceu os seus senhores que, sem nenhum respaldo nas leis da época, conduziram Paulo e Silas às autoridades romanas daquela cidade.
Abusando do poder que tinham, as autoridades de Filipos mandaram dar uma surra em Paulo e em Silas, trancando-os num cárcere sem que existisse qualquer justificativa na lei romana para prendê-los.
No entanto, Paulo e Silas sofreram mansamente aquele castigo injusto e, por volta da meia noite, Lucas conta que esses valorosos evangelistas oravam e ainda tinham ânimo para louvarem a Deus (At 16:25).
Repentinamente ocorreu então um tremor de terra e todas as cadeias foram abertas de modo que aqueles que estavam presos foram soltos.
Interessante que, apesar do terremoto, o carcereiro da prisão estava dormindo e, ao ver que as portas das cadeias tinham sido abertas, deve ter imaginado que, pela sua própria negligência, os presos escaparam.
Na certa, aquele homem deve ter imaginado que, em razão de uma suposta fuga dos presos, sua vida agora estivesse arruinada e, por isso, resolveu que iria tirar a própria vida.
Paulo, ao ver aquela tentativa de suicídio, gritou então para que o carcereiro não se matasse e lhe diz que todos os presos estavam ali a fim de que o homem ficasse despreocupado.
Importante para a compreensão do texto e da breve pregação de Paulo que busquemos contextualizar aquele momento difícil vivido pelo carcereiro.
Paulo e Silas deveriam estar na cidade há algum tempo e, embora não pudessem pregar abertamente dentro de Filipos, as reuniões com as mulheres junto à margem do rio estavam repercutindo entre os moradores da cidade. Num lugar onde talvez existissem poucos judeus e a maioria dos habitantes fossem pagãos, a obra de Deus feita por intermédio de Paulo alcançava o coração de muita gente a começar pelas esposas, filhas e mães daqueles cidadãos.
É possível que o carcereiro também tivesse escutado uma parte das orações e dos louvores cantados por Paulo e Silas, quando nossos irmãos ainda estavam presos. Porém, até então não havia ainda esperança para a vida daquele homem, o qual sentiu-se arruinado quando acordou do seu sono e viu que as portas das prisões estavam abertas.
A atitude de Paulo em se apresentar ao carcereiro depois daquele acontecimento e ainda preocupar-se com a sua vida deve ter lhe causado um forte impacto no seu coração. Supondo que horas antes aquele homem talvez tivesse castigado a Paulo com açoites, ou presenciado o castigo injusto e talvez nem se importado com a agressão praticada contra o apóstolo de Cristo a mando das autoridades locais, seria um tanto incompreensível o amor demonstrado quando nosso irmão lhe diz para não cometer o suicídio: “Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!” (At 16:28)
Ouvindo tais palavras, o carcereiro toma uma atitude que realmente vai mudar toda a trajetória de sua vida. Ao invés de se matar, ele resolve procurar a ajuda espiritual que a sua alma tanto necessitava para que vivesse eternamente e vai então direto ao encontro de Paulo e de Silas. Lucas como um bom médico observador entra em detalhes relatando que o carcereiro encontrava-se “trêmulo” e se humilhou diante de Paulo e de Silas. E, depois disto, leva-os para o lado de fora da prisão, perguntando-lhes o que seria necessário fazer para ser salvo (At 16:31).
Prestem a atenção que quando o carcereiro fez esta ousada pergunta, confiando no poder sobrenatural que estava sobre a vida de Paulo e de Silas, ele queria saber qual a direção para a sua vida a fim de que não caísse em desgraça. Isto porque as autoridades da cidade, provavelmente, iriam tomar alguma posição em relação à fuga de Paulo e Silas, sendo que o carcereiro, além de sobreviver daquele trabalho, precisava zelar pela sua vida e por sua família.
Nesta altura, ao que me parece, o carcereiro já deveria estar compreendendo que havia alguém mais poderoso do que as autoridades de Filipos e, ao fazer sua pergunta para Paulo e Silas, ele estava demonstrando uma verdadeira confiança em quem seria poderoso para salvá-lo.
Mas quem poderia salvar a vida daquele carcereiro? Por acaso seriam Paulo e Silas?
Sem desejarem nenhuma glória para si mesmos, Paulo e Silas respondem ao carcereiro que aceitando o senhorio de Jesus em sua vida ele seria salvo bem como a sua casa (família): “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. (At 16:31)
Observem que Paulo e Silas anunciaram Jesus como um Senhor, termo este que também teria um significado bem maior do que os meros pronomes de tratamento usados hoje em dia.
Paulo e Silas estavam se colocando como servos de alguém chamado Jesus, expondo desta maneira a quem pertence aquele poder que estava sobre a vida deles a ponto de livrá-los das prisões dos homens.
Na cabeça do carcereiro deve ter se passado uma outra pergunta sobre quem seria esse tal de Jesus que seria o Senhor de Paulo e de Silas. Não sabemos ao certo se aquele carcereiro já tinha ouvido algum comentário sobre Jesus. Penso eu que sim, pois o ministério de Paulo e de Silas talvez já estivesse há algum tempo atuando na cidade de Filipos. Porém, certamente, até então o carcereiro ainda não conhecia Jesus realmente.
Sem dúvida que aquela deve ter sido a noite mais feliz desse homem, o qual, juntamente com as pessoas de sua casa, ouviu a pregação da Palavra de Deus, converteu-se e foi batizado. Sua atitude passou a ser de gratidão e de grande mudança, pois ele e sua família passaram a cuidar dos ferimentos de Paulo e de Silas, dando-lhes o que comer em sua própria casa.
Podemos até dizer que aquela ceia tornou-se uma inesperada festa para a família desse carcereiro que, conforme o relato registrado por Lucas, todos estavam transbordando de alegria por terem crido em Deus (At 16:34).
A partir daquele momento, o carcereiro e a sua família estavam libertos de um cotidiano vazio e sem esperança. Estavam livres da ignorância em que viviam. Pois aceitando a Jesus como Senhor significou que agora não estavam mais debaixo da escravidão do pecado e da morte. Ou seja, tinham finalmente encontrado o Caminho da salvação de suas almas. Algo que jamais perderiam, mesmo se fossem mortos pelas mãos dos homens.
Igualmente para todos nós está disponível a mesma oportunidade de salvação e de vida eterna. É algo simples, mas que produz um grande efeito no universo a ponto de provocar uma grande festa nos céus. Basta que cada homem seja capaz de arrepender-se de seus pecados e aceitar o senhorio de Jesus sobre sua vida. Reconhecer que a partir de agora é Jesus quem deve governar a sua vida através da obediência e não mais os seus próprios desejos. A partir de então, uma maravilhosa caminhada se inicia em direção aos céus e a salvação começa a ser vivenciada cotidianamente, sendo experimentada aqui mesmo na Terra.
Penso também que não precisamos ficar perturbando as mentes das pessoas enchendo-as de doutrinas ou insistindo em levá-las para uma congregação religiosa afim de que sejam salvas, pois não é desta maneira que a salvação de Deus opera. Na passagem bíblica mencionada, Paulo fez uma das mais breves pregações (crê no senhor Jesus e serás salvo), mas que foi poderosa e decisiva para mudar as pessoas. Com sua conduta mansa e humilde, Paulo despertou naquele carcereiro o desejo de receber a salvação, sendo que é esta a postura que o Senhor Jesus que de todos aqueles que são seus discípulos.
É muito comum entre os cristãos de hoje Jesus ser chamado como senhor. E, numa época não muito distante de nós, o marido ainda referia-se com mais frequência à esposa como sua senhora. Porém, quando utilizamos hoje a palavra senhor em relação à pessoa de Jesus, nem sempre damos o significado original do termo ao que dizemos com a boca.
No Novo Testamento que foi escrito no grego comum dos séculos I e II, a termo Senhor (Қύριοζ – Kurios) significa dono, aquele que tem o domínio sobre seus servos, conforme consta em várias passagens bíblicas, as quais nos servem de exemplo ilustrativo. Contudo, neste texto, vou me deter apenas na experiência da conversão do carcereiro de Filipos, registrada no capítulo 16 de Atos dos Apóstolos.
Lucas, autor do livro de Atos, conta que, na segunda expedição evangelística, Paulo, uma visão noturna, viu um homem da Macedônia pedindo a ele que viesse para lá e ajudasse o seu povo (At 16:9). Entendendo o sentido da visão, o apóstolo e seu companheiro Silas, imediatamente, obedecem a direção dada pelo Espírito Santo e partem para o novo destino sem saber o que enfrentariam, chegando a uma cidade chamada Filipos, onde passaram a pregar o Evangelho entre as mulheres do local (At 16:13).
Dentre aquelas mulheres que frequentavam as reuniões de Paulo estava a corajosa Lídia, a primeira a se converter naquela cidade e que vem a ser batizada juntamente com sua família, passando a oferecer sua hospitalidade ao apóstolo e também sua casa para ser o quartel general do Evangelho em Filipos. Porém, como sabemos, a obra de Deus tem momentos de adversidades para os cristãos. E foi o que aconteceu com Paulo e Silas quando o apóstolo expulsou um demônio do corpo de uma jovem adivinhadora.
Na época, era comum os homens terem escravos e essa jovem atormentada por um espírito demoníaco vinha sendo usada por seus senhores com uma finalidade lucrativa. Mas com a sua libertação espiritual, cessaram as adivinhações dessa moça, o que enfureceu os seus senhores que, sem nenhum respaldo nas leis da época, conduziram Paulo e Silas às autoridades romanas daquela cidade.
Abusando do poder que tinham, as autoridades de Filipos mandaram dar uma surra em Paulo e em Silas, trancando-os num cárcere sem que existisse qualquer justificativa na lei romana para prendê-los.
No entanto, Paulo e Silas sofreram mansamente aquele castigo injusto e, por volta da meia noite, Lucas conta que esses valorosos evangelistas oravam e ainda tinham ânimo para louvarem a Deus (At 16:25).
Repentinamente ocorreu então um tremor de terra e todas as cadeias foram abertas de modo que aqueles que estavam presos foram soltos.
Interessante que, apesar do terremoto, o carcereiro da prisão estava dormindo e, ao ver que as portas das cadeias tinham sido abertas, deve ter imaginado que, pela sua própria negligência, os presos escaparam.
Na certa, aquele homem deve ter imaginado que, em razão de uma suposta fuga dos presos, sua vida agora estivesse arruinada e, por isso, resolveu que iria tirar a própria vida.
Paulo, ao ver aquela tentativa de suicídio, gritou então para que o carcereiro não se matasse e lhe diz que todos os presos estavam ali a fim de que o homem ficasse despreocupado.
Importante para a compreensão do texto e da breve pregação de Paulo que busquemos contextualizar aquele momento difícil vivido pelo carcereiro.
Paulo e Silas deveriam estar na cidade há algum tempo e, embora não pudessem pregar abertamente dentro de Filipos, as reuniões com as mulheres junto à margem do rio estavam repercutindo entre os moradores da cidade. Num lugar onde talvez existissem poucos judeus e a maioria dos habitantes fossem pagãos, a obra de Deus feita por intermédio de Paulo alcançava o coração de muita gente a começar pelas esposas, filhas e mães daqueles cidadãos.
É possível que o carcereiro também tivesse escutado uma parte das orações e dos louvores cantados por Paulo e Silas, quando nossos irmãos ainda estavam presos. Porém, até então não havia ainda esperança para a vida daquele homem, o qual sentiu-se arruinado quando acordou do seu sono e viu que as portas das prisões estavam abertas.
A atitude de Paulo em se apresentar ao carcereiro depois daquele acontecimento e ainda preocupar-se com a sua vida deve ter lhe causado um forte impacto no seu coração. Supondo que horas antes aquele homem talvez tivesse castigado a Paulo com açoites, ou presenciado o castigo injusto e talvez nem se importado com a agressão praticada contra o apóstolo de Cristo a mando das autoridades locais, seria um tanto incompreensível o amor demonstrado quando nosso irmão lhe diz para não cometer o suicídio: “Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!” (At 16:28)
Ouvindo tais palavras, o carcereiro toma uma atitude que realmente vai mudar toda a trajetória de sua vida. Ao invés de se matar, ele resolve procurar a ajuda espiritual que a sua alma tanto necessitava para que vivesse eternamente e vai então direto ao encontro de Paulo e de Silas. Lucas como um bom médico observador entra em detalhes relatando que o carcereiro encontrava-se “trêmulo” e se humilhou diante de Paulo e de Silas. E, depois disto, leva-os para o lado de fora da prisão, perguntando-lhes o que seria necessário fazer para ser salvo (At 16:31).
Prestem a atenção que quando o carcereiro fez esta ousada pergunta, confiando no poder sobrenatural que estava sobre a vida de Paulo e de Silas, ele queria saber qual a direção para a sua vida a fim de que não caísse em desgraça. Isto porque as autoridades da cidade, provavelmente, iriam tomar alguma posição em relação à fuga de Paulo e Silas, sendo que o carcereiro, além de sobreviver daquele trabalho, precisava zelar pela sua vida e por sua família.
Nesta altura, ao que me parece, o carcereiro já deveria estar compreendendo que havia alguém mais poderoso do que as autoridades de Filipos e, ao fazer sua pergunta para Paulo e Silas, ele estava demonstrando uma verdadeira confiança em quem seria poderoso para salvá-lo.
Mas quem poderia salvar a vida daquele carcereiro? Por acaso seriam Paulo e Silas?
Sem desejarem nenhuma glória para si mesmos, Paulo e Silas respondem ao carcereiro que aceitando o senhorio de Jesus em sua vida ele seria salvo bem como a sua casa (família): “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. (At 16:31)
Observem que Paulo e Silas anunciaram Jesus como um Senhor, termo este que também teria um significado bem maior do que os meros pronomes de tratamento usados hoje em dia.
Paulo e Silas estavam se colocando como servos de alguém chamado Jesus, expondo desta maneira a quem pertence aquele poder que estava sobre a vida deles a ponto de livrá-los das prisões dos homens.
Na cabeça do carcereiro deve ter se passado uma outra pergunta sobre quem seria esse tal de Jesus que seria o Senhor de Paulo e de Silas. Não sabemos ao certo se aquele carcereiro já tinha ouvido algum comentário sobre Jesus. Penso eu que sim, pois o ministério de Paulo e de Silas talvez já estivesse há algum tempo atuando na cidade de Filipos. Porém, certamente, até então o carcereiro ainda não conhecia Jesus realmente.
Sem dúvida que aquela deve ter sido a noite mais feliz desse homem, o qual, juntamente com as pessoas de sua casa, ouviu a pregação da Palavra de Deus, converteu-se e foi batizado. Sua atitude passou a ser de gratidão e de grande mudança, pois ele e sua família passaram a cuidar dos ferimentos de Paulo e de Silas, dando-lhes o que comer em sua própria casa.
Podemos até dizer que aquela ceia tornou-se uma inesperada festa para a família desse carcereiro que, conforme o relato registrado por Lucas, todos estavam transbordando de alegria por terem crido em Deus (At 16:34).
A partir daquele momento, o carcereiro e a sua família estavam libertos de um cotidiano vazio e sem esperança. Estavam livres da ignorância em que viviam. Pois aceitando a Jesus como Senhor significou que agora não estavam mais debaixo da escravidão do pecado e da morte. Ou seja, tinham finalmente encontrado o Caminho da salvação de suas almas. Algo que jamais perderiam, mesmo se fossem mortos pelas mãos dos homens.
Igualmente para todos nós está disponível a mesma oportunidade de salvação e de vida eterna. É algo simples, mas que produz um grande efeito no universo a ponto de provocar uma grande festa nos céus. Basta que cada homem seja capaz de arrepender-se de seus pecados e aceitar o senhorio de Jesus sobre sua vida. Reconhecer que a partir de agora é Jesus quem deve governar a sua vida através da obediência e não mais os seus próprios desejos. A partir de então, uma maravilhosa caminhada se inicia em direção aos céus e a salvação começa a ser vivenciada cotidianamente, sendo experimentada aqui mesmo na Terra.
Penso também que não precisamos ficar perturbando as mentes das pessoas enchendo-as de doutrinas ou insistindo em levá-las para uma congregação religiosa afim de que sejam salvas, pois não é desta maneira que a salvação de Deus opera. Na passagem bíblica mencionada, Paulo fez uma das mais breves pregações (crê no senhor Jesus e serás salvo), mas que foi poderosa e decisiva para mudar as pessoas. Com sua conduta mansa e humilde, Paulo despertou naquele carcereiro o desejo de receber a salvação, sendo que é esta a postura que o Senhor Jesus que de todos aqueles que são seus discípulos.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Uso de roupa social nos Tribunais: uma medida injustificável

Li uma notícia no site da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro informando que o Conselho Nacional de Justiça ratificou a decisão da OAB em liberar o uso profissional dos ternos durante o verão.
A princípio, a medida me pareceu uma grande conquista dos advogados fluminenses. Porém, não posso esconder que, ao tomar conhecimento da medida, senti-me de certa maneira tolido em minha liberdade individual por saber que, desde 09/02/2010, o meu modo de vestir estaria sendo controlado por uma norma da Presidência da OAB do Rio de Janeiro.
Ao editar o o Ato nº 39/2010, o presidente da OAB/RJ, Dr. Wadih Damous, determinou que até o dia 21/03/2010, os advogados que optarem por não utilizar paletó e gravata no exercício profissional “deverão se apresentar com calça e camisa sociais”, sendo que o parágrafo único do artigo 1º da norma considera como exercício da profissão “a prática de atos processuais em cartórios; despachos com magistrados; audiências e sustentações orais e outros afins”.
É certo que neste verão seco e quente que tem feito no Rio de Janeiro e em outras cidades do estado, as temperaturas têm ultrapassado os 40 graus durante o dia (até na região serrana tem feito um calor acima do normal), causando desconfortos e até males à saúde dos advogados. Daí surgiu a iniciativa da OAB em não somente adotar a nova decisão por prazo determinado como também provocar o CNJ para que se manifestasse ratificando ou não a medida. Tanto é que no seu requerimento a OAB assim fundamentou:
“Os prejuízos à saúde, especialmente dos profissionais de idades mais elevadas, é notório: caminhar sob o sol, com os termômetros marcando mais de 40º C (com sensação térmica chegando a 50º), com vestimentas mais adequadas ao inverno europeu, pode causar diversas enfermidades: desde desidratação, passando pela insolação, até chegar a variações extremas da pressão arterial, que podem inclusive ocasionar morte.”
Entretanto, antes da decisão da OAB, quase sempre pude exercer a profissão de advogado com trajes melhor climatizados e a meu gosto. Exceto nas audiências, em que não conhecia o juiz, ou sabia da implicância do magistrado quanto ao uso do terno, quase sempre fui a Fórum vestindo qualquer tipo de caça ou camisa. Nos cartórios, os funcionários jamais deixaram de me atender caso eu estivesse utilizando tênis, calça jeans e camiseta de maga curta, sendo que da mesma maneira como me apresentava nas serventias judiciais consegui ser recebido dentro do meu estilo por determinados juízes de cabeça aberta. Apenas nunca trabalhei de bermuda e chinelos no Fórum porque as próprias normas do Tribunal de Justiça impedem a entrada de qualquer pessoa nas dependências dos órgãos do Poder Judiciário Estadual.
Agora, porém, a situação mudou. O advogado do sexo masculino só poderá andar de terno ou de calça e camisa sociais, visto que este padrão passou a ser norma da OAB amparada por lei e decisão do CNJ (pelo menos até o final do verão). Pois, se não fosse pelo tal parágrafo único do artigo 1º do ato do presidente da OAB, os advogados poderiam continuar sendo atendidos pelos serventuários dos cartórios sem nenhum problema. Contudo, se algum colega de profissão não observar a nova norma poderá, além de não receber o atendimento, sofrer até mesmo uma representação perante a OAB por qualquer um (funcionário ou não do Poder Judiciário) que o flagrar exercendo a profissão fora dos trajes obrigatórios.
Verdade é que as normas não tornam o cidadão livre. Quanto mais normatizamos a vida em sociedade, mais nos tornamos reféns dos preceitos escritos, o que gera um sentimento desagradável de privação.
Todo este recente episódio me fez lembrar da figura de Jânio Quadros, o qual, durante seu mandato presidencial, apesar de ter proibido o desfile das modelos de biquíni, desejou implantar o uso do slack indiano no país afim de que o uso do terno viesse a ser pudesse abolido. Atentando para a tropicalidade do clima, Jânio propôs no começo dos anos 60 que, em ocasiões de protocolo menos rígido, fosse usada uma vestimenta oficial que se assemelharia a um uniforme estilo safári, a qual seria mais adequada à tropicalidade brasileira.
Creio que Jânio Quadros poderia ter tido mais sucesso em sua proposta se o uniforme por ele idealizado fosse algo mais original e, ao menos, já fosse socialmente aceito naquela época. Faltou, evidentemente, um pouco de seriedade do nosso ex-presidente quanto à sua proposta, visto que a polêmica por ele suscitada pode não ter passado de mais um de seus truques de comunicação para manter-se na “ribalda”, tal como fez proibindo as rinhas de galo, o lança-perfume nos bailes de carnaval e o biquíni nos concursos de miss.
Outra lembrança que veio à minha memória diz respeito à proibição do uso da burca nas escolas francesas. Embora considere o cúmulo do mau gosto de terminadas seitas muçulmanas radicais imporem este traje absurdo às suas seguidoras, questiono se de fato o Estado democrático pode obrigar alguém a se vestir desta ou daquela maneira. Logo, tal proibição trata-se de mais uma intromissão estatal na esfera da vida privada, o que é injustificável por mais ridículo que pareça ser o uso das burcas.
Felizmente como a norma da Presidência da OAB terá fim no dia 21/03/2010, aguardo ansiosamente o começo do outono para poder novamente usando jeans, camiseta e tênis até meados de abril, esperando que, desta vez, o debate a respeito dos trajes dos advogados não fique esquecido nos meses seguintes. Desejo ainda que o nosso honrado e batalhador presidente da OAB/RJ, Dr. Wadih Damous, inicie uma consulta pública em todas as subseções afim de que o terno e a gravata fiquem definitivamente abolidos nos Tribunais no Rio de Janeiro e não haja mais nenhuma determinação específica da OAB sobre como deve ser o traje do advogado.
Aguardando deferimento,
Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz
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