"A terra deu o seu fruto,
e Deus, o nosso Deus, nos abençoa."
(Sl 67.6)
Na atualidade, como tem sido difícil as pessoas agradecerem ao Eterno pelas boas dádivas que desfrutamos?! Vivemos dias em que a humanidade falha por não reconhecer a participação de Deus na concretização dos seus projetos, ignorando até a existência do seu Criador.
Contudo, o salmo 67, notável pelo seu escopo universal, inicia com uma súplica a Deus e que faz lembrar a bênção sacerdotal (Bircat Kohanim), conforme se lê também em Números 6.25:
"Seja Deus gracioso para conosco,
e nos abençoe,
e faça resplandecer sobre nós o rosto"
(verso 1)
Ora, o que significa "resplandecer o rosto"?
Uma ideia que logo se relaciona com esta imagem seria o favor divino que produz a bem-aventurança. Assim como as plantas necessitam da luz solar para crescerem e darem frutos, nós também precisamos ser interiormente iluminados pela Presença do nosso Criador, alcançando a sabedoria espiritual inspiradora das Escrituras, o que só pode ser obtido através da graça e da bondade de Deus.
Certamente que, no decorrer do poema bíblico, o louvor de gratidão do salmista não se resume às colheitas agrícolas, em cujas festividades os israelitas recitavam, e daí a importância do selah, isto é, da pausa meditativa sugerida pelo redator. Pois, quando paramos para refletir no que existe além dessas simples palavras, compreenderemos que o poeta estava apresentando um plano de Deus para toda a humanidade.
Sem dúvida que Deus é o soberano de todas as nações e não apenas de um só país. Através da Bíblia sabemos que o povo de Israel buscou um relacionamento com Deus. Porém, o Eterno quer ser conhecido pela humanidade inteira e dar a todos graciosamente a sua salvação.
No verso dois do poema (numeração da tradução revista de João Ferreira de Almeida), o salmista fala do conhecimento do "caminho" de Deus, o que está relacionado intimamente com a salvação. E aqui cabe fazer uma indagação sobre do que precisamos ser salvos?
Sinceramente, não acredito nessas fantasias escatológicas que muitos propagam nos dias atuais, instigando o medo e promovendo um desprezo pela continuidade da vida no planeta como se tudo aqui tivesse que ser destruído e somente os crentes em Jesus habitarão uma nova Terra revestidos por um corpo celestial. Aliás, estas ideias apocalípticas nem ao menos se passavam pela cabeça do salmista quando ele compôs o poema, visto que para ele a salvação estava intimamente relacionada com a compreensão dos caminhos de Deus.
Sem dúvida que a palavra caminho entra no texto como uma metáfora para a instrução divina (Torá). Logo, para que o homem possa experimentar a salvação (em sua vida terrena), ele deve fazer o seu ouvido atento à orientação que Deus lhe dá a desta maneira aprender a viver, lidando harmonicamente com os seus sentimentos e desejos.
Observa-se implícito no texto bíblico o papel messiânico de Israel. Pois, tendo a nação alcançado uma experiência no conhecimento de Deus, caberia aos judeus convidar todos os povos para a adoração do Eterno. E esta convocação trata-se de um compartilhar considerando que o outro também tem a sua forma de relacionamento com a Divindade, algo que é bem diferente dos "evangelismos" de inúmeras igrejas por aí.
Por sua vez, o universalismo do Salmo 67 respeita a diversidade cultural das nações. Cada povo permanece independente em relação ao outro. Eles não perdem seus territórios, mas apenas são julgados Deus de toda a Terra. Não se trata da imposição da fé num deus judeu, mas sim no reconhecimento da Inteligência que antecedeu o Universo e nos guia a um propósito elevado. Portanto, no versículo sete, o poema atinge o seu objetivo final que é a essência da salvação de Deus: "e todos os confins da terra o temerão".
Certamente que o "temor de Deus" não significa medo, mas sim reverência. E, quando a humanidade passar a ter respeito pela Inteligência Superior, começar a amar a Vida e a refletir sobre si mesma, ela terá alcançado a tão desejada "salvação". E, com esta compreensão, passamos a entender que o importante é sermos salvos no aqui e agora e não a ideia de que seremos salvos após a morte ou quando chegar a fim do mundo. Pois, se permitirmos que o Santíssimo graciosamente nos oriente, mostrando-nos o seu caminho, tão logo notaremos a percepção da sua doce Presença e a sua salvação.
Junto com todo esse entendimento opera o louvor. Através da celebração feita com gratidão e alegria, podemos viver no presente momento o reinado do Eterno sobre as nossas vidas. Não precisamos esperar este ou aquele acontecimento para ficarmos de bem com a vida. Para Deus não importa o valor do nosso patrimônio econômico ou moral. Tão pouco Ele está interessado em ficar anotando os nossos erros para depois nos pedir conta das condutas praticadas como se desejasse sair distribuindo punições. Deus simplesmente nos convida para o seu banquete, afim de que possamos festejar a vida ao lado do nosso irmão.
Assim, para concluir meus comentários sobre o Salmo 67, compartilho a seguir este magnífico louvor cantado por Asaph Borba em Israel denominado Selah e que foi disponibilizado no Youtube pela própria gravadora Adorarnet.
OBS: A imagem ilustrativa deste artigo foi extraída do ficheiro da Wikipédia e mostra um homem trabalhando no cultivo de arroz, tendo sido um produzida pela United States Agency for International Development, o que torna o material de domínio público - http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Rice_Field.jpg
Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
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