Historicamente, podemos dizer que esse processo se repete de formas distintas: Hitler na Alemanha, Pinochet no Chile e Stalin na União Soviética exploraram crises, medo social, violência e passividade institucional para centralizar poder.
Há exatamente 101 anos, em 3 de janeiro de 1925, Benito Mussolini subiu à tribuna da Câmara dos Deputados italiana e fez um discurso que mudaria para sempre o destino da Itália. Sem declarar formalmente uma ditadura, Mussolini assumiu toda a responsabilidade política pelo clima de violência no país, sobretudo após o assassinato do deputado socialista Giacomo Matteotti. A partir dali, deixou claro que governaria sem limites institucionais reais, inaugurando o regime fascista que duraria mais de duas décadas.
O caminho de Mussolini até esse momento foi gradual e estratégico: explorou a crise econômica e social, usou milícias violentas para intimidar opositores, manipulou o sistema legal (como a Lei Acerbo de 1923) e aproveitou a omissão das elites e do rei, que preferiram a estabilidade à defesa plena da democracia. Nos meses seguintes, leis autoritárias consolidaram sua ditadura, extinguindo partidos, censurando a imprensa e eliminando o parlamento como instância de controle.
Comparações históricas
O processo de Mussolini não é isolado. Em outros momentos da história, líderes autoritários exploraram crises e medos sociais para concentrar poder:
Hitler na Alemanha: utilizou o medo do comunismo, violência paramilitar e manipulação legal, culminando na Lei de Plenos Poderes de 1933.
Pinochet no Chile: derrubou um governo eleito em 1973 com apoio militar, explorando polarização e crise econômica.
Stalin na União Soviética: concentrou poder dentro do partido após crises internas, usando propaganda e repressão sistemática.
O padrão é claro: crise social, medo, uso da violência, manipulação legal e passividade institucional abrem caminho para regimes autoritários.
Paralelos contemporâneos
Nos dias de hoje, mesmo democracias consolidadas não estão imunes a riscos de erosão gradual:
Estados Unidos: sob Trump, questionamentos sistemáticos sobre eleições, ataques à imprensa e incentivo a protestos radicais geraram preocupação entre analistas sobre erosão da confiança nas instituições, embora o sistema institucional tenha resistido.
Brasil: durante o governo Bolsonaro, discursos que questionaram a integridade das urnas eletrônicas e apoio a atos de pressão sobre o Congresso e o Judiciário mostraram tendências autoritárias, mas sem romper formalmente a democracia.
Em ambos os casos, as instituições funcionaram como barreiras, prevenindo a consolidação de um regime autoritário. A diferença crucial em relação a Mussolini é que, naquele momento histórico, a democracia italiana era frágil e dependia do consenso das elites, enquanto hoje Trump e Bolsonaro enfrentaram freios institucionais consolidados e independentes.
Defesa da democracia
O aniversário de 3 de janeiro de 1925 é um lembrete histórico de que democracias não se preservam sozinhas. O caso Mussolini mostra que o autoritarismo raramente chega de forma abrupta: ele se constrói passo a passo, explorando crises, medo e omissões institucionais.
O paralelo contemporâneo é claro: questionamentos a processos eleitorais, deslegitimação de instituições e ataques à imprensa podem ser sinais de alerta, mesmo em democracias fortes. Por isso, é fundamental defender instituições, respeitar regras e fortalecer mecanismos de controle. A vigilância cidadã e a responsabilidade dos líderes políticos são essenciais para garantir que crises e polarizações não se transformem em rupturas autoritárias.
Conclusão
Celebrar 101 anos desde 3 de janeiro de 1925 não é apenas um exercício de memória histórica. É um chamado à consciência cívica: democracias se preservam com instituições fortes, liberdade de imprensa e respeito às regras, e cada cidadão tem papel central na manutenção da liberdade.

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