Sou um crítico da religião. Isto não nego. Mas eu não diria que o trabalho das igrejas, em sua totalidade, seja um "placebo", pois vejo grande utilidade em diversas atividades que os cristãos fazem. Penso que, se não fosse a formação religiosa de muita gente, teríamos talvez um número maior de jovens viciados em crack no nosso país.
E não é só isto!
Você já parou para pensar em quantos matrimônios não foram recuperados pelo excelente ministério Casados para sempre? Pois, mesmo com suas limitações, vejo bastante coisa positiva sendo feita.
Ora, mas que as igrejas são passíveis de críticas, não tenho dúvidas. Se o discurso dos padres e pastores já está ficando obsoleto, também concordo. Tanto é que minhas posições têm sido não apenas para que haja uma reforma na igreja, mas sim a construção de um novo modelo de ação que, ressignificando tradições, trabalhe os valores da cosmoética, promova a educação de adultos, leve esclarecimentos em várias áreas, etc.
Ontem mesmo eu estava conversando com uma de minhas tias (a irmã da mamãe), a qual contou-me ter deixado a Igreja Bethesda para congregar-se numa Presbiteriana tradicional lá em Copacabana por não concordar com o fato de estarem "mudando a doutrina", tipo trazendo gente de outras religiões para pregar lá e "aceitando homossexuais. "Até espíritas e muçulmanos teriam ido dar mensagens lá", comentou ela.
Resolvi, então, confrontá-la dizendo mais ou menos assim:
"Tia, o importante de tudo é o amor. Não é o fato de uma igreja ser mais tradicional ou outra moderninha que ela se tornará a congregação ideal já que todos os ministérios são falhos. Conheço quase nada do trabalho da Betesda para dizer algo bom ou ruim sobre eles. Porém, entendo que a missão cristã é justamente a de acolher pessoas de tudo quanto for tipo, com seus defeitos e problemas, e dialogar com as outras religiões na construção do Reino de Deus, o que não significa necessariamente aderir a um completo ecumenismo."
Prossegui defendendo que a atuação de uma igreja precisa ser multifocal. Pois não é só adoração e estudo da Bíblia que satisfaz! As pessoas precisam falar de cidadania, saúde física e mental, problemas da comunidade, promover ações sociais em áreas carentes e cuidarem dos pobres que fazem parte da própria congregação através de uma assistência verdadeira. E estas coisas, no meu ponto de vista, são tão importantes e necessárias quanto ler a Bíblia e orar.
Enfim, se o placebo eclesiástico tá fraco, que venhamos com o remédio ou com o tratamento certo, para que seja despertada a consciência das pessoas. E, antes de pensarmos que a religião vai impedir mudanças, acredito ser mais sábio dialogar primeiro do que sairmos atacando todas elas.
Atualmente, assim como Ricardo Gondim, Caio Fábio e outros pensadores, não me identifico mais com o movimento que se diz evangélico e nem sou católico. Porém, mesmo assim continuo disposto a dialogar com todos os grupos dos quais fiz parte e com as demais religiões, afim de convocar a todos para que participem da construção do Reino de Deus.
Abraços e tenham todos uma excelente semana.
OBS: A foto acima refere-se à igreja Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, situada na Praça Edmundo Rego, Grajaú, Zona Norte do Rio de Janeiro. Ou seja, trata-se do logradouro onde eu moro.
Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
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