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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

POPULARIDADE E TEMPO DE GOVERNO NA AMÉRICA LATINA



Este ranking de imagem dos presidentes latino-americanos, divulgado pela CB Global Data, traz números interessantes. Mas há um aspecto que merece atenção para que a comparação não fique apenas na ordem das posições: há presidentes em momentos muito diferentes de seus mandatos.


Peru e Colômbia acabam de passar por eleições e seus novos governos estão praticamente começando. Chile também iniciou um novo governo neste ano, enquanto Rodrigo Paz assumiu a Presidência da Bolívia no final de 2025. Presidentes recém-eleitos normalmente ainda carregam parte da expectativa e do capital político produzidos pela própria eleição.


Por isso, considero particularmente relevantes os números de Claudia Sheinbaum, no México, e Lula, no Brasil, justamente por governarem dois dos maiores países da América Latina e já terem ultrapassado a fase inicial de seus governos.


Sheinbaum aparece com impressionantes 66,5% de imagem positiva, mesmo depois de quase dois anos na Presidência mexicana. Lula, por sua vez, alcança 51,9% de imagem positiva e 46,1% negativa, depois de mais de três anos e meio de mandato.


No caso brasileiro, chama atenção também a trajetória recente registrada pelo próprio levantamento: 47,6% em junho, 50,6% em julho e 51,9% em agosto. Mais importante do que subir ou descer algumas posições no ranking é perceber que Lula voltou a ultrapassar os 50% de avaliação positiva já na reta final do mandato.


O contraste com a Argentina também merece atenção. Javier Milei, presidente desde dezembro de 2023 e igualmente distante da chamada “lua de mel” inicial, aparece com 35,1% de imagem positiva e 62,8% negativa.


É claro que nenhuma pesquisa isolada oferece um retrato definitivo da opinião pública, e percentuais obtidos em países diferentes devem ser comparados com cautela. Também é preciso reconhecer o desempenho excepcional de Nayib Bukele, que governa El Salvador desde 2019 e permanece no topo do levantamento.


Ainda assim, quando acrescentamos ao ranking o tempo de exercício do poder e o tamanho dos países governados, surge uma leitura interessante: entre os presidentes das grandes democracias latino-americanas que já acumulam um período significativo de governo, Claudia Sheinbaum e Lula demonstram hoje uma capacidade expressiva de preservar — e, no caso brasileiro, recentemente ampliar — apoio popular.


Mais do que olhar simplesmente quem está em primeiro, quinto ou décimo quinto lugar, vale perguntar: quanto apoio um governante consegue conservar depois que a expectativa da eleição dá lugar à experiência concreta de governar?


Talvez esse seja o dado mais interessante deste ranking.

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