Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
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domingo, 10 de julho de 2011
Lutando contra a ansiedade
"Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso de sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?" (Evangelho de Mateus 6.25-30; ARA)
No mais longo discurso de Jesus registrado na Bíblia, o Sermão da Montanha, é abordado o tema da ansiedade, o que, até hoje, é um problema bem atual e tem sido diagnosticado cada vez mais na sociedade, onde muitas pessoas estão vivendo no limite da resistência emocional, cansadas e extremamente irritadas.
Neste final de semana, após ter participado de mais um encontro do grupo Celebrando a Recuperação, na Igreja Batista da Serra, refleti sobre a relação muito próxima que existe entre o medo e o comportamento ansioso desenvolvido por nós. Ou melhor, sobre o medo ser causa da ansiedade.
Na citação bíblica acima, Jesus orienta seus ouvintes a não viverem ansiosos quanto às coisas relacionadas ao sustento diário e às vestimentas, o que tinha a ver com as mais comuns preocupações do homem da Palestina em sua época.
No entanto, se analisarmos cuidadosamente este trecho do discurso de Cristo, compreenderemos que as preocupações com a comida e o vestuário são resultado mesmo do medo. Isto é, do medo de não ter amanhã nada para comer, beber e cobrir o corpo...
Ao que me parece, este tipo mais comum de ansiedade, que não chega a ser tão patológico quanto outros casos mais graves, faz parte do drama de muita gente dos nossos dias. Tanto aqueles humildades pescadores do Mar da Galiléia, quanto o homem moderno com seus automóveis e casas cheias de produtos tecnológicos, têm em comum o desperdício inútil de energia com as necessidades e os compromissos do dia seguinte, ao invés de depositarem sua confiança na Divina Providência. Indagar se vou conseguir passar num concurso, ou, se terei dinheiro para pagar a prestação da Caixa Econômica Federal que vencerá no próximo mês, no fundo é a mesma aflição quanto ao êxito da próxima pescaria nas águas do Tiberíades.
Interessante é que, no seu discurso, Jesus nos leva a duvidar do comportamento ansioso que desenvolvemos dentro da nossa mente problemática. Ali, o Mestre fala sobre o sustento das aves, a beleza dos lírios do campo, e nos faz pensar sobre a inutilidade de se cultivar preocupações: "Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso de sua vida?" (verso 27)
É inútil mesmo viver com ansiedade! Não ganhamos nenhum minuto a mais na nossa existência. Só perdemos tempo!
Certamente que há outros medos além da preocupação com o sustento pessoal ou o cumprimento de obrigações, os quais o Sermão da Montanha não chegou a tratar especificamente. Uns sentem medo de ficar só. Outros de serem desmascarados por uma falta cometida no passado. E ainda existem casos de pessoas que criam dentro de si as mais absurdas fobias a ponto de não saírem mais de casa temendo que possam ser assaltadas, sofrer acidentes, passar por um aborrecimento, etc.
Mas como superar isto? Existem soluções?
Penso que, nos casos mais graves, onde a ansiedade chega a nos paralisar, sempre é importante procurar a ajuda de um profissional como o psicólogo, afim de que possamos identificar as causas do transtorno. E a pessoa que busca um tipo de ajuda dessas é de fato bem corajosa porque está disposta a se descobrirem, encarem seus medos, aceitarem a si mesmas e assumir as responsabilidades pela própria vida. E estas coisas têm a ver com um tipo de descoberta que apenas o próprio paciente pode fazer para poder se posicionar, visto que as sessões de terapia só vão ajudar no processo de tomada de consciência.
Outrossim, entendo que é muito mais difícil enfrentarmos os nossos problemas sem Deus. No conhecidíssimo Salmo 23, o poeta assim manifesta a sua fé:
"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte; não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam" (verso 4; ARA).
Em outra passagem, o autor bíblico escreve aos seus destinatários que eles devem lançar sobre Deus toda a ansiedade deles, "porque ele tem cuidado de vós" (1Pe 5.7; ARA).
Já o apóstolo Paulo, na carta dirigida à igreja de Filipos, recomenda a oração como uma prática saudável para lidarmos com a ansiedade, mediante a apresentação de pedidos, com gratidão:
"Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus" (Fp 4.6-7; ARA)
Como se vê, a fé pode contribuir em muito para que possamos levar uma vida saudável. Entregar a Deus os nossos problemas e crer nos cuidados que o Pai Eterno tem para conosco certamente proporcionará uma excelente qualidade na sua existência.
Tenha uma ótima semana, colocando-a nas mãos de Deus.
OBS: A ilustração acima trata-se do célebre quadro "Sermão da Montanha" do pintor dinamarquês Carl Heinrich Bloch (1834-1890), o qual refere-se ao longo discurso de Jesus que se encontra nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus. Durante sua vida, Carl chegou a ser contratado para produzir vinte e três pinturas para a Capela do Palácio de Frederiksborg, em que várias cenas sobre a vida de Cristo tornaram-se populares ilustrações. Segundo informações encontradas na Wikipédia, os originais, pintados entre 1865 e 1879, ainda estão no Palácio de Frederiksborg. Os retábulos podem ser encontradas em Holbaek, Odense, Ugerloese e Copenhague, na Dinamarca, bem como Loederup, Hoerup e Landskrona, na Suécia.
sábado, 2 de julho de 2011
Por que nós temos medo?
“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”. (Platão)
Mais difícil do que alguém dizer quais são os seus temores é tentar responder (ou entender) por que sente medo. Contudo, pode-se propor também a seguinte indagação:
Será que o nosso medo é algo real ou se trata de mais uma desculpa para permanecermos na situação na qual nos encontramos?
A frase do filósofo grego Platão (séculos V e IV a.E.C.), citada acima, fala sobre o “medo da luz”. E, quanto a isto, no Evangelho de João, há uma interessante passagem que diz o seguinte:
“O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.” (Jo 3.19-21; ARA)
Creio que este é o inevitável julgamento que a vida nos impõe: admitirmos para nós mesmos qual a exata natureza de nossas ações, deixando de lado o auto-engano (aproximar-se da “luz”). E, inegavelmente que tal clareamento vai produzir em nós uma transformação em essência. Isto porque o confronto com quem realmente somos mostra onde se encontram as fragilidade de cada um, aquelas feridas ainda não cicatrizadas e que estão bem lá no banco de dados da memória, mas que nós ainda recusamos a tratar.
Pode-se dizer que, neste sentido, a palavra transformação (trans-formação) significa ir além de uma forma (ou de uma fôrma). E para tanto é preciso estar disposto a não ser mais o mesmo sujeito travado, preso no seu comportamento vicioso e que não se importa com os maus hábitos e as compulsões.
“A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3.3; ARA)
Comparar a transformação da essência de nossas vidas com um “novo nascimento” traduz-se para mim como uma metáfora formidável quanto ao processo de mudança, o qual poderá ser tão impactante quanto um parto na vida de um bebê, capaz de provocar-lhe o choro característico em decorrência da entrada do ar nos seus pulmões. Porém, é uma condição necessária para vermos o “Reino de Deus” na nossa vida e assim desfrutarmos, aqui mesmo na Terra, uma experiência autêntica lidando melhor com o nosso eu.
Outrossim, o processo de transformação requer tempo através de um contínuo esforço pessoal afim de superarmos os nossos maus hábitos, os sentimentos doentios e os relacionamentos disfuncionais. Assim, se alguém sofre de compulsão alimentar, por exemplo, não vai ser de uma hora para outra que a pessoa tomará consciência de que o seu vício pode decorrer de uma tentativa errada de suprir carências emocionais e mais ainda sobre como ela vai aprender a lidar com as suas necessidades afetivas causadoras da sua compulsão.
Cabe aí um parênteses. Devemos compreender que cada um tem o seu próprio momento para o despertamento da consciência. Logo, é impossível a estipulação de um prazo para A, B ou C, bem como um indivíduo conseguir mudar o outro, fato que deve servir de impedimento para julgarmos o nosso semelhante conforme as experiências do próprio aprendizado.
Entretanto, é muito melhor quando podemos encarar o nosso drama com o apoio das outras pessoas sem gerar uma co-dependência patológica. E daí a importância de se procurar um grupo ou até mesmo um profissional durante a nossa caminhada. Então, fazer parte de uma comunidade realmente interessada em desenvolver a espiritualidade, sem alimentar ilusões ou fugas emocionais, pode contribuir em muito através de um ambiente amoroso e de compreensão mútua onde se torne possível compartilhar com segurança as nossas fraquezas recebendo do irmão o devido encorajamento.
Deve-se ressaltar que um grupo de apoio não se confunde com as falidas instituições religiosas. O espaço de uma igreja pode até servir para que pessoas comecem a se encontrar com um propósito verdadeiro de espiritualidade assim como o local das nossas casas e as reuniões do AA. E o ambiente necessário para que cada um possa falar de si mesmo em nada tem a ver com os “cultos” e “missas” que são celebrados por aí.
Finalmente, algo que não pode deixar de ser trabalhado em nossos corações é a confiança em Deus. Junto com o esforço pessoal, torna-se fundamental colocar a fé em ação, pedindo força ao Poder Superior pela via da oração sincera. Pois é o Eterno quem nos capacita a vencer todos os desafios que surgem pela frente.
“O SENHOR é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas e nem te atemorizes.” (Deuteronômio 31.8; ARA)
Portanto, não tenha medo. Descubra as reais motivações do seu temor e enfrente-as decisivamente!
OBS: A ilustração acima refere-se à obra de Maria Yakunchikova, "Fear" ("Medo"), feita entre os anos de 1893-1895.
Mais difícil do que alguém dizer quais são os seus temores é tentar responder (ou entender) por que sente medo. Contudo, pode-se propor também a seguinte indagação:
Será que o nosso medo é algo real ou se trata de mais uma desculpa para permanecermos na situação na qual nos encontramos?
A frase do filósofo grego Platão (séculos V e IV a.E.C.), citada acima, fala sobre o “medo da luz”. E, quanto a isto, no Evangelho de João, há uma interessante passagem que diz o seguinte:
“O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.” (Jo 3.19-21; ARA)
Creio que este é o inevitável julgamento que a vida nos impõe: admitirmos para nós mesmos qual a exata natureza de nossas ações, deixando de lado o auto-engano (aproximar-se da “luz”). E, inegavelmente que tal clareamento vai produzir em nós uma transformação em essência. Isto porque o confronto com quem realmente somos mostra onde se encontram as fragilidade de cada um, aquelas feridas ainda não cicatrizadas e que estão bem lá no banco de dados da memória, mas que nós ainda recusamos a tratar.
Pode-se dizer que, neste sentido, a palavra transformação (trans-formação) significa ir além de uma forma (ou de uma fôrma). E para tanto é preciso estar disposto a não ser mais o mesmo sujeito travado, preso no seu comportamento vicioso e que não se importa com os maus hábitos e as compulsões.
“A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3.3; ARA)
Comparar a transformação da essência de nossas vidas com um “novo nascimento” traduz-se para mim como uma metáfora formidável quanto ao processo de mudança, o qual poderá ser tão impactante quanto um parto na vida de um bebê, capaz de provocar-lhe o choro característico em decorrência da entrada do ar nos seus pulmões. Porém, é uma condição necessária para vermos o “Reino de Deus” na nossa vida e assim desfrutarmos, aqui mesmo na Terra, uma experiência autêntica lidando melhor com o nosso eu.
Outrossim, o processo de transformação requer tempo através de um contínuo esforço pessoal afim de superarmos os nossos maus hábitos, os sentimentos doentios e os relacionamentos disfuncionais. Assim, se alguém sofre de compulsão alimentar, por exemplo, não vai ser de uma hora para outra que a pessoa tomará consciência de que o seu vício pode decorrer de uma tentativa errada de suprir carências emocionais e mais ainda sobre como ela vai aprender a lidar com as suas necessidades afetivas causadoras da sua compulsão.
Cabe aí um parênteses. Devemos compreender que cada um tem o seu próprio momento para o despertamento da consciência. Logo, é impossível a estipulação de um prazo para A, B ou C, bem como um indivíduo conseguir mudar o outro, fato que deve servir de impedimento para julgarmos o nosso semelhante conforme as experiências do próprio aprendizado.
Entretanto, é muito melhor quando podemos encarar o nosso drama com o apoio das outras pessoas sem gerar uma co-dependência patológica. E daí a importância de se procurar um grupo ou até mesmo um profissional durante a nossa caminhada. Então, fazer parte de uma comunidade realmente interessada em desenvolver a espiritualidade, sem alimentar ilusões ou fugas emocionais, pode contribuir em muito através de um ambiente amoroso e de compreensão mútua onde se torne possível compartilhar com segurança as nossas fraquezas recebendo do irmão o devido encorajamento.
Deve-se ressaltar que um grupo de apoio não se confunde com as falidas instituições religiosas. O espaço de uma igreja pode até servir para que pessoas comecem a se encontrar com um propósito verdadeiro de espiritualidade assim como o local das nossas casas e as reuniões do AA. E o ambiente necessário para que cada um possa falar de si mesmo em nada tem a ver com os “cultos” e “missas” que são celebrados por aí.
Finalmente, algo que não pode deixar de ser trabalhado em nossos corações é a confiança em Deus. Junto com o esforço pessoal, torna-se fundamental colocar a fé em ação, pedindo força ao Poder Superior pela via da oração sincera. Pois é o Eterno quem nos capacita a vencer todos os desafios que surgem pela frente.
“O SENHOR é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas e nem te atemorizes.” (Deuteronômio 31.8; ARA)
Portanto, não tenha medo. Descubra as reais motivações do seu temor e enfrente-as decisivamente!
OBS: A ilustração acima refere-se à obra de Maria Yakunchikova, "Fear" ("Medo"), feita entre os anos de 1893-1895.
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