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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

E assim vou me despedindo do Natal e do recesso forense



Esse período de passagem de ano, mesmo sem festa, por conta da pandemia, parece que correu bem rápido. Metaforicamente falando seria como a areia entre os dedos. Pelo menos assim foi para mim e confesso que, no meu caso específico, quase não deu para descansar como gostaria.


Não sou lá tão tradicionalista e nem me considero um seguidor religioso de qualquer segmento cristão, porém procuro ver algum significado nas tradições dos homens, devendo ser lembrado que, na presente data (06/01), comemora-se a chamada Epifania que é uma festa cristã, geralmente observada pelos católicos que comemoram o batismo de Cristo e também o episódio da visita dos magos do Oriente, supostamente tidos como reis.


Fato é que o Natal deveria ser celebrado (e vivenciado) por mais tempo pela sociedade. E, apesar das restrições da COVID-19, poderíamos fazer desses momentos oportunidades de reflexão, o que, certamente, contribui para a nossa edificação pessoal.


Por coincidência, o "Dia de Reis" coincide justo com o término do recesso forense que, na prática, acaba sendo o auge das férias para a maioria de nós advogados, muito embora nos beneficiemos, em quase todos os processos, da suspensão de prazos até 20/01, conforme previsto no artigo 220 do Código de Processo Civil:


Art. 220. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive.

§ 1º Ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei, os juízes, os membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública e os auxiliares da Justiça exercerão suas atribuições durante o período previsto no caput .

§ 2º Durante a suspensão do prazo, não se realizarão audiências nem sessões de julgamento.


Houve uma época em que muitos advogados e a sociedade criticavam o recesso forense devido à morosidade da Justiça, reclamando muitas das vezes que os juízes já gozavam 60 dias de férias... Entretanto, quando houve uma tentativa de restringir a aplicação desse período, com a permissão do funcionamento das serventias e a realização de audiências em dias úteis, não somente os funcionários do Judiciário reclamaram como os próprios advogados, os quais perceberam o quanto era importante estar com a família durante esses dias e poder descansar no final do ano já que os prazos das ações não nos permitem parar prolongadamente em outros períodos.


Na atualidade, observa-se que a aceleração da vida moderna é que vem sendo questionada e acho que o momento pede que nos voltemos para a comemoração das datas dessa época de modo que passar a festejar novamente o Dia de Reis seria bem interessante. 


Todavia, em meu caso, como peguei algumas ações eleitorais, não nego o quanto fiquei assoberbado nesses últimos dias. Principalmente depois que a semana começou, em 04/01, e tive que cuidar dessas causas na mesma medida em que fui procurado por algumas pessoas querendo soluções para novos casos. E acabei atendendo apenas um que me trouxe uma demanda que não seria eleitoral.


Já na passagem de ano anterior (2019/2020), lembro que foi bem pior. Sendo então advogado de um sindicato de servidores públicos, passei vários dias atuando junto ao Plantão Judiciário. E foram momentos bem mais aflitos porque a esposa ficou internada num hospital até poucos dias antes do final de ano. E, na verdade, passamos o Natal de 2019 num quarto da CEMERU de Itaguaí.


A partir de amanhã (07/01), a Justiça volta a funcionar, embora com a referida suspensão de prazos. Já estou entregando minhas petições nos processos eleitorais e pretendo ir logo dar andamento a uma ação popular que estou movendo em face do prefeito, do Município e da empresa responsável pela coleta de lixo porque a situação está insuportável aqui em Mangaratiba, como vem sendo amplamente noticiado com frequência nos jornais.


Em todo caso, pretendo ir dosando as minhas atividades até que tudo se reinicie a pleno vapor, depois de 20 de janeiro, priorizando o que for de mais importante. E para mim, o melhor descanso sempre foi a ausência de preocupações ou a neutralização destas.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Quando as tardes de domingo eram curtidas em família...



Lendo essa postagem a seguir citada, certamente muitos devem se sentir nostálgicos, sendo que eu fico a refletir sobre o lado bom de uma época que, por pouco, não vivi, da qual pessoas da geração dos meus pais, talvez, nem sempre se lembrem como de fato era. 


Todavia, fico a pensar sobre como deveriam ser gostosos os almoços familiares de domingo das famílias comuns nos subúrbios do Rio de Janeiro, com a matriarca (juntamente com as filhas e noras) preparando aquele delicioso frango na cozinha regado a uma Coca-Cola servida num recipiente de vidro retornável.


E o que dizer da contagiante alegria da criançada quando os primos se encontravam na casa dos avós?! 


Certamente era uma época de reuniões familiares quando as pessoas costumavam estar juntas mais vezes durante o ano: pais, filhos, irmãos, netos, noras, genros, tios, sobrinhos e primos. Uma gente nem sempre feliz, porém menos deprimida que as atuais gerações. 


Na verdade, tratavam-se de famílias de trabalhadores saboreando a simplicidade de um lar numa época sem a violência descontrolada dos dias de hoje e que ainda não havia conhecido a desaculturação alienante da mídia e do marketing religioso. Nem tão pouco se emburrecido com a internet até então não experimentada por mais de 99% da população mundial. 


Era um tempo de um pouco mais leitura (para os que sabiam ler), da costumeira audição do rádio, da frequência às missas pela manhã (ou no final do dia), da torcida amorosa pela seleção brasileira e de respeito pelos mais velhos. Uma época que, talvez, tenha sido um dos melhores momentos do Brasil, quando a nação era orgulhosa de si mesma...


Nesses tempos de pandemia, acredito que o momento por nós vivido, em que nem as reuniões de Natal foram aconselhadas, os velhos encontros familiares bem que poderão entrar na agenda de muitos quando começarmos a ser vacinados. E, desse modo, quem sabe voltaremos a resgatar as coisas boas da vida que lá atrás perdemos?!


Segue o texto para saborearmos um pouquinho neste cair da tarde:


SAUDOSAS TARDES DE DOMINGO

No devagar, divaguei... vaguei,

No tempo voltei.

A idade de garoto trazendo saudosas lembranças.

Dias de domingo no sabor da casa simples de subúrbio.

Tom de família a cinco em harmonia.

No tempo? Salto aos anos cinquenta para sessenta.

A mesa branca sob o parreiral em sol,

No piso em terra de folhas secas varridas.

A bicicleta, aro 26, a espera das bebidas a comprar com cascos em troca.

As bebidas de domingo compunham o ritual.

Para o pai a cerveja Antártica,

Para a mãe a soda limonada,

Guaraná, Crush ou Grapette para os filhos nos bancos a sentar.

Em tarde de domingo o almoço é jantarado, já que o acordar tarde se faz.

No centro da mesa o galo de minha cria.

Meu prêmio? Saborear a coxa.

O cardápio passava também por macarronada, lagarto recheado acompanhado de batatas coradas - que eu chamava de batata marrom - ou bife à milanesa, sempre acompanhados do feijão com arroz.

O paladar era garantido por minha mãe.

O cantar dos pássaros do viveiro e das gaiolas, regavam de paz o momento.

Naquele tempo, não existia "crime ambiental".

Na sobremesa, doce de cajá verde das frutas que o vento, em dia anterior, sobre o quintal lançou.

Se tarde chuvosa, o jantarado na sala se faz,

A mesa escura chipandelle no piso em tacos encerados, entre as paredes de barras em grafitê.

Na TV Emerson, sem cor, "Teatrinho Troll" e "Espectáculos Tonelux" a assistir.

No descanso do jantarado, o futebol.

Com vizinhos a compartilhar na sala e na janela: "Os televizinhos".

Afinal, houve tempo em que a televisão da casa foi a única da rua.

A "pelada de rua" com a garotada, era também atração e os pés descalços a pisar sobre os paralelepipedos não intimidavam a turma.

Alguém bate palmas ao portão!

Pedir para telefonar pra ambulância do SANDU era habitual aos domingos.

Afinal, fora o aparelho do armazém do Nelson, aquele era único nas redondezas.

À noite, o programa preferido era o "Teatro de comédia da Imperatriz das Sedas", que de comédia só tinha o nome.

Se o tempo bom, os garotos e garotas se reuniam na rua para o "Pique Bandeira".

Saudosas lembranças de tempos vividos,

Retalhos de memória viva que saltam a se fazer representar, na alegria a apreciar, como peça do teatro da TV.

Tempos vividos impossíveis de voltar, que os jovens hoje não conseguem imaginar.

Coisas que os subúrbios do Rio, na evolução dos tempos, não tem mais a ofertar.

(Texto e postagem de Otacílio Menezes em 05/10/2020)


OBS: Texto e imagem extraídos da página GuarAntiga no sítio de relacionamentos Facebook, conforme consta em https://www.facebook.com/Guarantiga/photos/a.545554662142531/3677688468929119/ 

sábado, 2 de janeiro de 2021

Memórias de um escritor quase esquecido num Rio que passou...

 



Houve uma época em que havia mais cultura no Rio de Janeiro, antes que as subculturas do funk e do evangelicalismo dominassem a cidade, como foi ocorrendo visivelmente nas últimas três décadas.


Pesquisando sobre personalidades que fariam aniversário neste segundo dia do mês de janeiro, caso estivessem ainda entre nós, descobri que, há exatos 166 anos, nascia em Lençóis o militar, jornalista, cronista, humorista e dramaturgo Urbano Duarte de Oliveira (1855 — 10 de fevereiro de 1902), um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras (Cadeira número 12). 


Urbano fez parte do grupo boêmio de Olavo Bilac e, durante mais de 20 anos, colaborou em órgãos da imprensa da época, como a Gazeta Literária, O Paiz, Correio do Povo (com Alcindo Guanabara, Artur Azevedo e Alfredo Madureira), Gazetinha e Jornal do Commercio, tendo se destacado como um dos maiores cronistas humorísticos na imprensa do Rio de Janeiro e também no teatro, deixando-nos, entre outras, as seguintes obras:


- O anjo da vingança, drama, com Artur Azevedo (1882);

- A princesa Trebizon, ópera burlesca em 3 atos, tradução de parceria com Azevedo Coutinho e música de Offenbach (1883);

- O escravocrata, drama em 3 atos, com Artur Azevedo (1884);

- Os gatunos, comédia em 1 ato (1884);

- Humorismo, reunião de crônicas, com o pseudônimo J. Guerra (1895).


Infelizmente, a maior parte de seus artigos publicados em revistas e jornais não foram reunidos em livros, o que acaba sendo uma grande perda para a cultura literária, a qual os poucos hoje ainda apreciam.


Apesar de tudo, ainda acredito que a digitalização dos antigos jornais e revistas que circulavam nos séculos passados poderão servir de fonte para pesquisas quando a humanidade renascer dessa terrível Idade das Trevas Tecnológica que atravessamos desde a criação da TV. Só espero que não demoremos muito.


Feliz 2021 a todos!


OBS: Informações obtidas na Wikipédia e imagem extraída do portal da Academia Brasileira de Letras, em https://www.academia.org.br/academicos/urbano-duarte

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Começando 2021 e a terceira década do século XXI...



Pois é, meus amigos. Hoje, dia 01/01/2021, inicia-se não só mais um ano como também uma década, com os seus 3.652 dias, considerando neste cálculo que 2024 e 2028 serão bissextos.


Mas o que pensar a respeito de um período tão longo?! Será que ainda estaremos vivos até 31/12/2030?!


Confesso que, mesmo se estivesse hoje com 80, 90 ou 100 anos de idade, não deixaria de planejar a minha próxima década de vida, ainda que fosse a última e não a completasse. Pois, como nunca conhecemos o nosso amanhã, devemos ter sempre um plano "B" nas mangas. Até porque existem umas poucas pessoas sobre a face da Terra que vivem mais do que 110 anos, não é mesmo?


Fato é que precisamos ser ao mesmo tempo previdentes, sem deixarmos de viver com intensidade o nosso momento como se fosse o último. E, em se tratando de pessoas jovens (ou de meia idade como já seria hoje para mim), em tese temos é muito chão pela frente, sendo que, no meu caso, faltam 21 anos, quatro meses e doze dias para poder me aposentar e ter uma pequena renda extra do INSS para ajudar nas futuras despesas pessoais durante o começo da minha terceira idade em 2041.


Todavia, não chegaremos a lugar algum nas nossas vidas, sem tomarmos as atitudes necessárias. Seja quanto às metas projetadas para 2030, 2025, 2022, ou ainda durante o curso do corrente ano.


Meditando acerca dos conselhos dos sábios, lembrei-me dessa interessante passagem bíblica que se acha no capítulo nono do livro de Eclesiastes:


"Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma." (Ec 9:7-10; ACF)


Certamente que, neste em em outros conselhos, o "pregador" (termo como o autor da obra de refere a si mesmo) inspira atitudes que trazem resultados práticos para a vida como um todo a exemplo de contentar-nos com as conquistas presente, agirmos com integridade, curtirmos a vida em família com a esposa e aproveitarmos decisivamente as oportunidades para realizar os nossos projetos pessoais.


Deste modo, não restam dúvidas de que precisamos agir com foco, vontade e disposição a fim de que os objetivos sejam alcançados, o que ajuda a explicar o significado do fazer "conforme as tuas forças". E aí caberá sempre o uso equilibrado do discernimento acerca do momento, uma vez que "há tempo para todo o propósito debaixo do céu" (Ec 3:1).


Finalmente, ressalto sobre a importância de sermos sempre solidários em nossa caminhada, por mais que vivamos num mundo individualista e ingrato. Pois, em nossa semeadura, precisamos também investir em pessoas a nossa volta, o que significa também compartilhar um pouco dos nossos recursos, em certa medida, com o próximo.


"Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra. Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará. Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará. Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas" (Ec 11:1-6)


Portanto, meus leitores, desejo a todos um feliz 2021 e que tenhamos atitudes sábias para sermos bem sucedidos na nossa caminhada de vida.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O presente de Natal do Ministério da Economia às brasileiras e brasileiros



No apagar das luzes, através da Portaria n.º 424, de 29 de dezembro de 2020, publicada na página 43, da seção 1, da edição n.º 249, do Diário Oficial da União (DOU), da última quarta-feira (30/12/2020), o Ministério da Economia determinou que o benefício da pensão por morte só será vitalício para cônjuges ou companheiros com mais de 45 anos de idade. Ou seja, um a mais do que é exigido atualmente. 


Tal medida, que entra em vigor a partir de 01/01/2021, também acrescenta um ano nos demais limites de tempo para recebimento da pensão. Isto é, para óbitos ocorridos a partir de janeiro de 2021, o tempo de recebimento será de acordo com as seguintes faixas etárias: 


- se tiver menos de 22 anos de idade, a pensão será paga por três anos; 

- se tiver entre 22 e 27 anos de idade, a pensão será paga por seis anos; 

- se tiver entre 28 e 30 anos de idade, a pensão será paga por 10 anos; 

- se tiver entre 31 e 41 anos de idade, a pensão será paga por 15 anos; 

- se tiver entre 42 e 44 anos de idade, a pensão será paga por 20 anos;

- se tiver 45 anos ou mais, a pensão então será vitalícia. 


Ocorre que, embora a atual legislação previdenciária, que criou essas condições para a concessão da pensão por morte tenha, de modo questionável, previsto que as idades possam ser alteradas por ato ministerial, desde que a expectativa de sobrevida da população brasileira ao nascer aumentasse pelo menos um ano inteiro, eis que a justificativa do ato do governo não se plicaria num momento em que a pandemia por COVID-19 fez com que a expectativa de vida ao nascer dos brasileiros diminuísse pela primeira vez desde 1940, conforme os dados do IBGE informados numa matéria da IG. Segundo a postagem, pelo levantamento do instituto, a longevidade no país sofreu uma queda de dois anos. 


Embora, em 2015, a esperança de vida do brasileiro ao nascer tenha sido de 75,5 anos e, no ano de 2019, esta expectativa atingiu 76,6 anos, é patente que houve uma impactante alteração no ano de 2020 de maneira que as estimativas para o futuro próximo indicam que a pandemia vai reverter a tendência observada nas últimas décadas. 


Portanto, além da falta de um correto embasamento fático para justificar o aumento da idade para a concessão da pensão por morte, eis que o órgão do governo federal tomou a sua decisão sem que o censo fosse realizado em 2020, além de que foi um grave erro o legislador permitir que um ato administrativo altere os requisitos exigidos para fins de concessão de benefício previdenciário. 


Sendo assim, estou encaminhando uma representação ao Ministério Público Federal, através da Ouvidoria do órgão (manifestação n.º 20200210511), solicitando o encaminhamento urgente para a Procuradoria competente com atuação na área previdenciária, para evitar que milhares de brasileiras e brasileiros que perderem o cônjuge/companheiro(a) sejam prejudicados por medidas desumanas. Ainda mais num momento tão ruim que hoje atravessamos hoje por conta dessa pandemia.


Que essa Portaria seja invalidada!

Era bonito de se ver, mas nada educativo...



Estava vendo essa foto acima na página do Arquivo Nacional, no sítio de relacionamentos Facebook, referente ao fim de ano em 1969, num dos piores momentos da ditadura militar, e me recordei dos meus tempos de menino.


Nasci quase sete anos depois desse Reveillon, vindo ao mundo mais precisamente em abril de 1976. Porém, desde quando passei a me entender por gente, cheguei a pegar as chuvas de papel picado até a década de 80, quando ainda era criança e me tornei um adolescente já na redemocratização do país. 


Ora, lembro muito bem que, tanto na véspera do Ano Novo quanto em outras comemorações festivas, inclusive nos dias dos jogos da seleção brasileira no Mundial, o nosso povo ainda brincava desse jeito de modo que seria hipocrisia dizer que não gostava da farra. Aliás, confesso que, com meus nove anos de idade, morando no décimo quarto andar de um apartamento na Avenida Rio Branco de Juiz de Fora (MG), na casa de meu saudoso avô paterno, curtia muito jogar as tiras de jornal velho lá de cima e vê-las caindo lentamente conforme o mover do vento...


Contudo, por mais que isso fosse bonito de se ver e se tornasse uma distração para a criançada, não era algo educativo sendo que os varredores, certamente, sofriam no dia seguinte quando tinham que limpar todo esse lixo que ficava depositado nas vias públicas com o risco de entupir os bueiros das cidades. Aliás, o funcionário do edifício onde eu morava precisava depois subir na marquise, que ficava sobre a portaria do prédio (e de um antigo cinema de rua), para então catar toda aquela papelada acumulada que os residentes das várias unidades habitacionais lançavam de suas janelas nbos momentos de euforia.


Felizmente, evoluímos um pouco neste aspecto de maneira que determinados acontecimentos ficaram apenas no nosso álbum de fotografias, tornando-se hoje uma novidade para as gerações mais jovens nascidas da década de 90 para cá. Porém, mesmo tendo o povo abolido o costume de fazer a tradicional chuva de papel picado na passagem de ano, muitas pessoas no Brasil ainda não sabem (ou não querem) descartar o lixo corretamente, esteja o serviço de coleta domiciliar funcionando bem ou precariamente...


Em todo caso, espero que, amanhã, sejamos mais cuidadosos com o ambiente onde vivemos e que, num futuro próximo, algo semelhante ocorra com a desnecessária pirotecnia que nos causa poluição sonora durante essa época, a qual pouco aprecio. Pois, embora a queima de fogos ainda seja muito apreciada nos nossos dias, trata-se de outra estupidez humana que afeta prejudicialmente o sossego dos idosos, dos bebês, das pessoas autistas, dos enfermos e dos animais.


Mudemos nossos hábitos! 


Aproveito para desejar meus votos de boas festas a todos.


OBS: A imagem cima mostra a chuva de papel picado nas ruas do Rio de Janeiro (acredito que na Avenida Rio Branco da Cidade Maravilhosa), em comemoração ao Reveillon, em 31 de dezembro de 1969, sendo a imagem pertencente ao Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã, código BR_RJANRIO_PH_0_FOT_01812_0113, conforme foi extraído por mim na presente data de https://www.facebook.com/arquivonacionalbrasil/photos/a.646412452119303/3593432810750571 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Nota zero pro Neymar!



Num momento tão delicado em que as autoridades de saúde determinam o isolamento social para controle da doença, evitando-se assim a infecção e o óbito de milhares de pessoas que possam vir a ser contaminadas com o novo coronavírus, o renomado jogador de futebol Neymar da Silva Santos Júnior tem agido em total contrariedade a essas orientações. Pois, segundo uma matéria da CNN, o atleta internacional, na sua mansão situada aqui em Mangaratiba, está promovendo uma a festa, com duração prevista para cinco dias, para cerca de 500 convidados:


“O jogador Neymar promove desde o sábado (26) uma festa para cerca de 500 convidados em uma mansão em Mangaratiba, na Região da Costa Verde do Rio de Janeiro. A CNN confirmou que, apesar das orientações para o isolamento social, a festança terá duração de cinco dias, com programação de shows de vários artistas e só terminará dia 1° de janeiro. A repercussão da festa na cidade está gerando grande insatisfação de moradores, que estão se pronunciando nas redes sociais. Um funcionário do condomínio contou que o evento está movimentando o local com entrada e saída de pessoas o tempo todo” – https://www.cnnbrasil.com.br/esporte/2020/12/27/neymar-faz-festanca-de-5-dias-e-gera-insatisfacao-de-moradores-de-mangaratiba


Pior do que isso é saber que, conforme divulgado também pela imprensa, o Poder Público não pretende fazer nada para impedir tal evento, apesar de um agente do governo do governo municipal, não identificado pela reportagem, reconhecer que há uma nítida contrariedade às normas sanitárias:


“Em nota, a prefeitura de Mangaratiba afirmou que “não foi oficialmente notificada da festa e que um evento para 500 pessoas deveria, ao menos, ter sido avisado aos órgãos responsáveis do município.” Uma fonte do governo de Mangaratiba listou erros que acontecem diante da atitude do jogador Neymar em promover uma festança em meio à pandemia. “Não há como legislar em um evento particular, mas se o Neymar faz uma festa aqui (Mangaratiba), ele está ferindo seriamente princípios sanitários, os decretos em vigor e as recomendações da prefeitura para se realizar festas em residências com apenas pequenos núcleos familiares. A população está insatisfeita com a festa e com a repercussão envolvendo o nome da cidade. O evento é um desrespeito sanitário, absurdo total”, explicou a fonte” (matéria citada)


Acontece que não se trata de um evento para umas poucas dezenas de pessoas o que, ainda assim, seria desaconselhável no contexto da pandemia. Porém, a matéria jornalística faz menção a um número de 500 (quinhentos) convidados, o que, por certo, deve atrair o interesse público não somente do Município de Mangaratiba como também do Estado do Rio de Janeiro e quiçá até mesmo da União Federal.


Deste modo, a fim de se evitar a propagação do novo coronavírus pelo país (e no mundo), tendo em vista a flagrante omissão da Prefeitura de Mangaratiba e dos demais entes da federação brasileira, entendo pela necessidade de adoção das medidas necessárias, através do Plantão Judiciário, por meio de ação civil pública a ser movida pelo Ministério Público, para interromper a referida festa do conhecido jogador de futebol.


Ademais, existe implícito aí o caráter exemplar já que o atleta, além de ser pessoa pública, é um jogador internacional de alta posição financeira e de destaque no mundo do esporte. Logo, se nenhuma medida for tomada contra tal violação, muitos cidadãos comuns, inclusive moradores e veranistas de Mangaratiba, vão se sentir justificados quando forem promover as suas respectivas festas particulares nas suas casas em meio à pandemia.



Sabe-se que eventos sociais privados com aglomerações têm sido potenciais propagadores da COVID-19 neste país, tornando-se algo extremamente preocupante para a saúde coletiva. Até mesmo porque o contágio segue circulando e ainda não é o momento de se relaxar com as precauções de distanciamento social de maneira que as pessoas não deveriam realizar encontros e confraternizações, tanto em locais públicos quanto privados.


Certamente que, se não fosse por causa da pandemia, a princípio nada impediria que o jogador celebrasse sua festa de final de ano com centenas de convidados, desde que não perturbasse o sossego das pessoas. Porém, no contexto da COVID-19, em que um vírus letal pode ser facilmente transmitido (e a população brasileira ainda não alcançou a chamada “imunidade de rebanho”), é totalmente absurdo promover um evento com mais de cem pessoas. Sobretudo numa época em que a CBF e os clubes de futebol mantiveram a restrição de torcedores nos estádios…


Portanto, uma vez que a Prefeitura de Mangaratiba já declarou que não vai fazer nada, torna-se necessário que o Ministério Público adote as medias necessárias a fim de fazer cessar com ordem judicial a festa do arromba promovida pelo jogador e sejam tomadas as providências cabíveis contra as omissões cometidas pelo Poder Público Municipal.


Vergonhosamente, graças ao Neymar e ao (des)governo Alan Bombeiro, qual não vem fazendo a regular coleta do lixo e deixou os funcionários da Prefeitura sem o pagamento em dia, Mangaratiba parece ter virado tema de notícia quase diário nos noticiários nacionais. Porém, espero que todo esse momento adverso tenha um desfecho positivo e sirva para a correção de graves problemas que andam ocorrendo por aqui, sendo fundamental a população local também tomar uma atitude coerente.


Ótimo final de terça-feira a todos!


OBS: Primeira foto extraída de https://paginazero.com.br/2020/10/08/neymar-segue-como-duvida-para-jogo-contra-bolivia-e-tite-adianta-possivel-substituto/ sendo a segunda imagem uma reprodução do YouTube, conforme divulgado pelo Extra em https://extra.globo.com/famosos/neymar-constroi-anexo-para-parcas-boate-subterranea-em-mangaratiba-apos-reclamacoes-de-vizinhos-24629449.html