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domingo, 26 de novembro de 2017

Esposa de blogueiro, blogueira é...



Tenho incentivado minha esposa a escrever e, há três semanas, ela começou a editar um blogue no Wordpress chamado Cantinho da Núbia. 

Felizmente, ela tem gostado de se comunicar com o público e acredito que esteja fazendo bem à sua mente.

Até o momento, já são mais de vinte postagens por ela publicadas e falando sobre temas variados. Às vezes, os textos levam um toque de humor. Bem interessantes!

Geralmente Núbia escreve junto comigo. Eu digito e ela vai ditando enquanto trocamos ideias sobre a construção dos textos. Porém, procuro respeitar o seu estilo de se expressar.

Das mensagens dela que mais gosto são: Segundo dia (sobre os sete pecados capitais); Sexto dia (a respeito da nossa leitura bíblica diária); Décimo dia (fala da própria inspiração dela para escrever); Décimo primeiro dia (seu relato de coragem quando foi a uma consulta médica no Rio); Décimo quinto dia (a respeito do seu gosto pelo futebol); e Vigésimo primeiro dia (lembranças de um cartão de aniversário que ganhou no trabalho em 1994). Já as outras são também muito boas. Sou eu que não me identifico tanto com os assuntos a exemplo da postagem sobre bolsas.

Bem, se a minha propaganda valeu a pena, faça uma visita e confira! Basta clicar ou copiar o link abaixo:


Boa leitura, meus amigos! Depois digam o que acharam.

Tenham todos uma excelente semana!

Churrasco com os amigos da CPFG em Itaboraí




Neste último sábado (25/11), houve mais um encontro dos amigos da Confraria dos Pensadores Fora da Gaiola e que ocorreu aqui no Estado Rio de Janeiro. Mais precisamente na cidade de Visconde de Itaboraí, no Bairro Manilha, onde fica a casa da confrade Aline Cleo Vieira (ver foto abaixo).




Tivemos a oportunidade de estar pessoalmente com alguns amigos que, em anos anteriores, chegaram na escrever no blogue da Confraria, como os participantes Eduardo Medeiros, Edson Moura Santos (o Noreda), Elidia Rosa, Mariani Lima e Donizete Vieira, o qual veio acompanhado da esposa Marta. E estes dois eu tive o prazer de recepcioná-los no aeroporto Santos Dumont tão logo passaram pelo portão de desembarque.



Compareceram também outros colegas que conhecemos mais tarde, sendo que uns vieram pelo Facebook e outros foram apresentados no WhatsApp, como a irmã do Edu, Shirlene Medeiros e o marido Márcio, mais o Edson Viana Pinto com a esposa Cristiane, a Elaine Rodrigues (que veio ao churrasco junto com a mãe) e a própria anfitriã Aline. Também vieram algumas crianças.


Almoçamos um delicioso churrasco feito pelo nosso amigo Edinho Viana (quarta foto a seguir). Estava uma delícia! Eu mesmo que procuro evitar o consumo excessivo de carne não resisti e caí de boca (no frango e no filé bovino). E bebi bastante mate para ajudar na digestão.






O encontro terminou de noite. Tínhamos programado um amigo oculto que, originalmente, tinha por objetivo presentear o sorteado com algum livro de nossa biblioteca particular. Porém, acabamos compartilhando livremente as obras uns com os outros, sendo que eu havia levado para lá o Mestre dos mestres, de Augusto Cury, e trazido para casa 1968: O ano que não terminou, do jornalista Zuenir Ventura.



 


Finalmente cantamos parabéns para Marta, esposa do Donizete, que estava aniversariando. O bolo de chocolate estava nota 10! Bem do jeito que eu gosto.




Saí de lá de carona com o Márcio e acabei dormindo na residência do Edu, no bairro carioca de Campo Grande que é o lugar mais próximo daqui de Mangaratiba, município onde moro, pois já não encontraria ônibus em Itaguaí que me trouxesse até Muriqui, devido ao avançar das horas. Por isso, tomei café da manhã lá com dois casais bem simpáticos.


Mas se vocês pensam que vim de muito longe para curtir esse encontro, estão enganados. Pois eis que os confrades Edson Moura, Donizete Vieira e Elidia Rosa viajaram de outros estados. Por exemplo, o Edson saiu de São Paulo, enquanto o Doni de Campinas. Já a Elidia veio de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

Hoje mesmo, Doni e a esposa estão retornando para Campinas depois de terem passeado brevemente pela Cidade Maravilhosa. Já a Elidia e o Edson (que veio também prestar concurso para o TRE do Rio neste domingo), voltam amanhã.



Espero que, por mais vezes, essa galera se reencontre. E, apesar de não ter sido a primeira ocasião em que as pessoas do grupo estiveram juntas, visto que a última foi na casa do Edinho Viana em Realengo, bairro do Rio (clique AQUI para ler), talvez esse churrasco de Itaboraí tenha sido umas das mais representativas oportunidades de nos vermos presencialmente.


OBS: Texto original postado hoje mesmo por mim no blogue da Confraria dos Pensadores Fora da Gaiola, tendo sido reeditado aqui com modificações e num outro estilo de letra.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O feriado de 20/11 deveria ser nacional!



Hoje, aqui no Rio de Janeiro, é comemorado o Dia da Consciência Negra, sendo considerado para nós, fluminenses, um feriado estadual por corresponder à data do aniversário da morte do personagem histórico Zumbi dos Palmares (1655 — 1695) . Trata-se de algo que foi instituído pela Lei Estadual n.º 4.007, de 11 de novembro de 2002, sancionada pela nossa primeira governadora mulher (e negra), Sra. Benedita da Silva.

Recordo que, na época, tão logo foi assinada essa lei, houve minorias conservadoras dentro da sociedade do RJ que resolveram reagir infrutiferamente, havendo quem ingressasse até com uma representação por inconstitucionalidade, a qual veio a ser julgada improcedente dois anos depois. E, embora tivessem pessoas que insistiam em não reconhecer o novo feriado, muitos acabaram se conformando com a nova realidade.

Quinze anos depois, esse feriado é um grande sucesso em todo o Rio de Janeiro, podendo ser considerado um dos mais festivos e interessantes de se ver graças às apresentações que são feitas pelos diversos grupos de cultura afro existentes nas nossas cidades, a exemplo do que pude assistir no último sábado (19/11), quando visitei o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, situado no município de Rio Claro, vizinho a Mangaratiba (ler depois a postagem anterior sobre essa experiência).


Entretanto, na cidade onde moro, no litoral sul-fluminense, há um evento importantíssimo da cultura afro que ocorre anualmente na data de 20/11 no Quilombo da Ilha da Marambaia, uma belíssima região que faz parte do Distrito de Itacuruçá. Encontra-se dentro de uma área militar controlada pela Marinha cujo acesso é restrito guardando uma longa História para ser conhecida. E, embora eu ainda não tenha conseguido estar numa das festas típicas dessa comunidade tradicional ali existente, pude visitar a localidade há dois anos, como já compartilhei aqui na postagem Visitando a Ilha da Marambaia, de 23/07/2015.

Com uma riqueza cultural tão vasta, creio que o Brasil só teria a ganhar em termos de turismo e entretenimento, caso o Congresso Nacional transforme esta data num feriado válido para todo o país. Inclusive porque a nossa população negra já teve até à época do Presidente Getúlio Vargas o Dia da Abolição da Escravatura, comemorado em 13 de Maio, por ocasião da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel (1888).

Sem querer entrar na questão sobre qual a data que melhor representa o negro, pois não tenho dúvidas de que seja o 20 de Novembro, deixo, portanto, minha sugestão aos nossos deputados e senadores a fim de que não somente honrem o nome do último líder da resistência à escravidão à frente do Quilombo dos Palmares, mas também façam desse dia uma oportuna ocasião para a valorização da cultura afro e o combate ao racismo, instituindo ao mesmo tempo a Semana Nacional da Consciência Negra.

Sem precisar tanto do governo, a sociedade civil está de parabéns por fazer do feriado de hoje uma data quase tão viva quanto o Ano Novo, o Natal, o Carnaval e a Páscoa, superando em seus festejos tanto Tiradentes quanto a Independência.


OBS: A primeira imagem acima refere-se à pintura de Antônio Parreiras, artista niteroiense que viveu de 1860 até 1937. Já a segunda foi uma foto que tirei no passeio feito sábado (18/11) no Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos.

domingo, 19 de novembro de 2017

Mergulhando na História



Passei preciosas horas da manhã e da tarde de ontem (18/11) no Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, situado em Rio Claro/RJ, um município vizinho a Mangaratiba. Fui lá junto com os integrantes da ONG Vida Longa e Saudável, dos quais quatro estão comigo na foto acima. 

Saímos por volta das nove horas da Pousada Canaã, no bairro mangaratibense da Praia do Saco, e fizemos a pé, tanto na ida como na volta, o percurso de, aproximadamente, dois quilômetros da antiga Estrada de São João Marcos (chamada também de Estrada Imperial), entre a rodovia RJ-149 e a sede do parque onde ficam as ruínas de uma antiga cidade destruída por causa da criação de um grande lago. Trata-se da Represa de Ribeirão das Lages, construída nos anos 40 do século XX para a produção de energia elétrica e o abastecimento hídrico da cidade do Rio de Janeiro.



São João Marcos já foi uma importante cidade que, em seu apogeu, no final do século XIX, graças às riquezas do ciclo do café, chegou a ter uma população com cerca de 20.000 habitantes, tendo apresentado uma estrutura urbana de razoável expressão pra época. Isto é, teve uma Prefeitura, uma cadeia pública, um hospital, uma Igreja Matriz, escolas, teatro, cemitério, clubes associativos e esportivos. E, mesmo depois do seu despovoamento e desnecessária destruição das casas, ainda restaram as ruínas de uma época que não volta mais, sendo hoje a área explorada turisticamente dentro de um parque aberto para visitação pelo público.



Ao chegarmos no parque, conhecemos todas essas ruínas ali próximas como os restos da Igreja Matriz e da casa do capitão-mor (cargo da época colonial que correspondia ao oficial militar responsável pelo comando das tropas de Ordenança em cada cidade), conforme consta nas duas fotos anteriores. Fomos também ao Centro de Memória onde há vários objetos antigos utilizados nos séculos anteriores, assim como uma maquete da cidade e informativos sobre a História de São João Marcos.





Na oportunidade, assistimos a uma apresentação da cultura afro por ocasião da Semana da Consciência Negra, o que permitiu que prestigiássemos um importante evento que estava acontecendo ali com o intuito de valorizar a população negra cuja contribuição para a História deste país é inegável. Aliás, creio que o Rio de Janeiro foi muito feliz ao criar o feriado estadual de 20/11, no qual se homenageia o personagem histórico Zumbi dos Palmares, sendo também uma data muito importante para o combate ao racismo e a luta pela igualdade entre todos os brasileiros independentemente da cor da pele.



Diga-se de passagem que tudo aquilo que teve São João Marcos, bem como Mangaratiba e tantas outras cidades brasileiras com mais de 129 anos, deve-se essencialmente ao trabalho do negro. Pois foi a mão-de-obra escrava que edificou todas aquelas construções, as quais pude ver presencialmente. Desde a Estrada Imperial, com seus muros de pedra, até as ruínas dessas casas que restaram na antiga localidade.



Enfim, foi um passeio muito agradável e instrutivo. Um lugar que vale a pena conhecer!


OBS: O Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, situado no KM 20 da Rodovia RJ 149 (Rio Claro – Mangaratiba) fica aberto de quarta à sexta-feira das 10hs às 16hs, sendo que, aos sábados e domingos, o seu funcionamento vai das 9hs às 17hs. A entrada é gratuita. Maiores informações pelo telefone: (55-21) 2233-3690 e e-mail CONTATO@SAOJOAOMARCOS.COM.BR 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Repensando a República



Comecei a manhã de hoje escutando um áudio no WhatsApp de Alexandre Garcia, conhecido jornalista e apresentador da TV Globo, o qual, estando no gozo de suas férias em Lisboa, enviou uma mensagem para um programa de mídia com reflexões sobre o evento histórico comemorado hoje no nosso país — a Proclamação da República. Em sua fala, ele tocou nos seguintes pontos dentre outros:

—> a longevidade do governo de D. Pedro II ("parlamentarista" e "democrático") bem como as capacidades intelectuais/culturais do monarca;

—> a expulsão do imperador no dia seguinte à Proclamação da República, pois sua permanência no Brasil ameaçaria o estabelecimento do novo regime imposto por uma minoria já que, na época, o monarca era "amado pelo povo";

—> o motivo fútil que teria levado o Marechal Deodoro da Fonseca, um amigo do rei e monarquista, a liderar o movimento de Proclamação da República em 15/11/1889 para evitar a ascensão política do seu rival na disputa pelo afeto de uma amante, conforme teria sido insuflado por Benjamin Constant. Ou seja, para que Gastar da Silveira Martins não protagonizasse o movimento em seu lugar, foi que o marechal aquiesceu em assinar o Decreto instituidor do governo provisório republicano;

—> a escolha popular no plebiscito (1993) pela manutenção da República ao invés da restauração da Monarquia;

—> os contrastes entre o último rei brasileiro e os governantes republicanos.

Embora o ilustre comentarista político da maior rede de TV do país tenha sido, a meu ver, parcial na análise dos fatos, a sua crítica trouxe à tona muitas verdades.

É certo que nenhum dos dois governos imperiais foram maravilhosos e estavam bem distantes do nosso ideal democrático pois, embora se tratassem uma monarquia parlamentar, o rei se utilizou várias vezes do chamado "poder moderador" com a finalidade de intervir na política. E isto, embora trouxesse certa estabilidade ao Estado brasileiro, não deixava  de ser um resquício do velho regime absolutista ainda que tivéssemos em nosso país a Constituição de 1824, a qual fora outorgada por D. Pedro I, pai do rei deposto em 1889.

Acrescente-se a isso o quanto o Brasil do século XIX era aristocrata pois o governo beneficiava uma poderosa elite agrária e, por isso, o finado Império agiu com tanta complacência com relação à escravidão negra, a qual perdurou até o ano anterior à Proclamação da República. E sem nos esquecermos da oficialização do catolicismo em que a liberdade religiosa era restrita quanto aos outros credos.

Entretanto, apesar dos aspectos negativos da monarquia bem como do fato da forma de governo republicana, em via de regra, estar mais próxima da democracia, pondero sobre os equívocos da via escolhida pelos positivistas do final do século retrasado quando depuseram com o poder das armas D. Pedro II. Isto porque o movimento de 1889, mesmo com a participação de intelectuais civis, contou mesmo foi com o apoio dos militares.


Creio que, se a monarquia não tivesse terminado naquele jeito, provavelmente ela acabaria caindo em algum momento do século XX. Provavelmente por volta da década de 1930, quando o fascismo havia se tornado uma febre mundial como uma alternativa capitalista ao socialismo. E, caso a nossa realeza sobrevivesse até os dias de hoje, dificilmente seria algo "amado pelo povo".

De qualquer modo, não podemos ignorar que a História é construída por erros e acertos cometidos pelos homens, servindo ambos de aprendizado para as futuras gerações. Por isso, a maneira bruta como a monarquia foi encerrada (assim como o governo democrático de João Goulart em 1964) precisa ser constantemente repensada para não falharmos novamente.

Em minha postagem anterior, Política degenerada, publicada três dias atrás, escrevi que, embora contrário a uma intervenção militar, "compreendo plenamente a indignação e o sentimento de impotência dos compatriotas que assistem a tantas manobras sujas cometidas por aqueles que, formalmente, estão a nos representar no Congresso Nacional". E, neste sentido, pondero que, se a população continuar renunciando tacitamente ao seu protagonismo político, jamais ela irá construir o país que deseja.

Deste modo, ao invés de uma intervenção militar, proponho uma intervenção popular! Pois, se for para colocar um ponto final nesse regime corrupto travestido de democracia, o qual tanto envenena a nossa República, então que façamos uma revolução democrática nos moldes do golpe de 1930, capaz de criar um sistema político transparente e decretando a imediata perda de mandato dos atuais legisladores/governantes.

Todavia, não se conspira contra algo já estabelecido sem antes criar um sólido projeto de Estado capaz de substituir vantajosamente o atual. E, caso um dia o povo brasileiro venha a mudar a Constituição de 1988, ou emendá-la por uma via revolucionária, que organizemos primeiramente uma instituição partidária com tal finalidade a exemplo do que foi a Aliança Liberal, criada em agosto de 1929 para disputar as eleições através da candidatura de Getúlio Vargas e João Pessoa. Na época, a AL teve, dentre as suas bandeiras, o voto secreto, a independência do Judiciário, a anistia para os tenentes envolvidos nas diversas rebeliões ao longo dos anos 1920, a proteção à exportação do café e inúmeras reformas sociais.


Para os nossos dias, as propostas que melhor contemplam nos anseios gerais da população brasileira seriam: a inelegibilidade dos políticos corruptos por no mínimo trinta anos com penas mais duras para os seus crimes; um sistema de governo capaz de permitir a queda de um governante e/ou a dissolução de um parlamento com base numa patente insatisfação popular (é insano presidentes com altos índices de rejeição na sociedade permanecerem no poder a exemplo de Dilma e Temer); uma gestão mais eficiente nos serviços públicos de educação, saúde e segurança; e uma Polícia que tenha todas as condições possíveis para combater eficazmente o crime organizado.

Isso que estou colocando no parágrafo anterior seria somente uma breve minuta do que precisa ser debatido pela nossa população a fim de que um novo projeto de Brasil possa ser desenhado e, dentro de um planejamento estratégico, tenhamos um país reformado até o bicentenário da nossa emancipação política em 2022.

Na expectativa de que somos capazes de construir uma República satisfatoriamente renovada, desejo a todos um excelente final de feriado.


OBS: A primeira ilustração acima refere-se ao quadro Proclamação da República do artista Henrique Bernardelli. Já a segunda imagem corresponde à pintura óleo sobre tela de Benedito Calixto também sobre o mesmo episódio da nossa História.

domingo, 12 de novembro de 2017

Política degenerada



Conforme comentei no Facebook por esses dias, a política brasileira está doente e sofrendo de um maligno câncer com metástase no CTI de um hospital do SUS. 

O que mais vemos são parlamentares legislando em causa própria e impondo à nação um regime de completa imoralidade, o qual lesa direitos básicos do cidadão como a saúde, a educação, os serviços de segurança pública, de saneamento básico, de conservação das rodovias, etc. 

Não adianta o Supremo decidir algo contrário aos interesses dessa casta de malandros que os deputados logo criam um jeitinho para permanecerem impunes, concorrerem a novos pleitos estando inelegíveis e fazerem do cargo um habeas corpus. Um dos exemplos mais recentes que tivemos na semana passada foi a articulação de um Projeto de Lei Complementar de n.º 431/2017, de autoria do ruralista Nelson Marquezelli (PTB-SP), para derrubar com regime de urgência a decisão do STF sobre aplicação da Lei da Ficha Limpa (ler a postagem do Na espera do Supremo "modular" a decisão sobre a Lei da Ficha Limpa de 04/10). E, ao ser questionado sobre o assunto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda na sexta-feira (10/11) defendeu a proposta nos seguintes termos conforme publicado pelo portal de notícias G1:

"Se está certo ou errado é outra discussão. Ele [projeto], de forma nenhuma, mexe na Ficha Limpa. A legislação brasileira, do ponto de vista de muitos, nunca retroagiu para prejudicar. Então, é essa dúvida que está colocada." - Extraído de https://g1.globo.com/politica/noticia/deputados-articulam-aprovacao-de-projeto-para-derrubar-decisao-do-stf-sobre-aplicacao-da-ficha-limpa.ghtml 

Na data de ontem, li outra matéria mais completa no G1 onde os nossos representantes em Brasília já estariam articulando outras ações que podem comprometer as investigações de combate à corrupção, as quais tiveram início logo após o presidente Michel Temer conseguir barrar as denúncias contra ele na Câmara (clique AQUI para ler). Por exemplo, os deputados já se movimentam pra discutir o projeto que altera a lei do abuso de autoridade em que, segundo a avaliação do Ministério Público, alguns artigos da proposta ameaçam a independência dos promotores e procuradores, podendo dificultar importantes investigações como as da Operação Lava Jato (ler matéria Maia determina criação de comissão para analisar projeto de abuso de autoridade, publicada dia 27/10 no G1).

Há também um outro projeto em curso na Câmara, o qual pretende proibir que pessoas que estejam presas façam acordo de "delação premiada". E, juntamente com o Legislativo, o Executivo vem tramando contra o combate à corrupção como na recente troca no comando da Polícia Federal, vista com desconfiança até mesmo dentro da corporação.

Ainda sou contra uma intervenção militar, mas compreendo plenamente a indignação e o sentimento de impotência dos compatriotas que assistem a tantas manobras sujas cometidas por aqueles que, formalmente, estão a nos representar no Congresso Nacional. E, infelizmente, não posso deixar de reconhecer que esse sistema político chegou a um ponto em que ele não irá mais se reformar sendo isso motivo de sobra para deixarmos de assistir passivamente aos fatos voltando logo às ruas com as nossas panelas.

Penso que chegou o momento da sociedade reagir contra a corrupção e se manifestar em relação às manobras de retrocesso promovidas no Congresso, como no citado caso da Lei da Ficha Limpa, a qual foi originada de um projeto de iniciativa popular. Pois, se nos calarmos, os excelentíssimos senhores deputados e senadores farão tudo o que estiverem ao alcance deles para perpetuarem a impunidade no nosso país.

Vamos acordar, Brasil! 

O gigante não pode novamente adormecer em seu berço esplêndido!!!


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Marcelo Camargo/Agência  Brasil, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-07/temer-parabeniza-rodrigo-maia-pela-eleicao-para-presidencia-na-camara

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Aécio é uma desonra para o PSDB e para a política!




Sou um simples filiado filiado ao PSDB, mas não estou nada satisfeito com a permanência do senador Aécio Neves na presidência nacional do partido.

Na data de hoje (09/11), Aécio destituiu do comando interino do PSDB, o senador Tasso Jereissat, contribuindo negativamente para uma desunião na legenda e afastando mais ainda o eleitor hoje decepcionado com os rumos da nossa política.

Há cinco dias atrás, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu o artigo Hora de decidir, publicado no jornal Estadão, ele foi muito feliz ao escrever que, na atualidade, "com a mídia social em constante evolução, um fio desencapado pode reavivar velhos rancores e esperanças". E lembrou que o PSDB não deixará de pagar "por ter dado a mão ao governo Temer e de tê-la chamuscada por inquéritos".

Fato é que hoje Aécio se torna um porta-voz do lado fisiológico e inerte do partido. Ele virou a representação daqueles políticos que insistem em continuar fazendo parte do falido governo Temer porque não querem perder os benefícios imediatos a exemplo dos cargos em ministérios.

Comentando sobre a sua saída da presidência interina do PSDB, Tasso criticou duramente Aécio pelas suas posições, afirmando o seguinte:

"Tenho dito, vocês sabem, que ele não está pensando no coletivo do partido há muito tempo, desde quando ele está agarrado a essa presidência, e sabendo que ele ficando na presidência não traria vantagem para o partido nesse momento. E se ele estivesse pensando no coletivo do partido, isso não estaria acontecendo hoje. Nem essa crise estaria acontecendo hoje."

Infelizmente, os tucanos sensatos e que não dependem de cargos no governo Temer ainda não tiveram força suficiente para expulsar Aécio do partido. Porém, no dia 09 de dezembro, quando o PSDB fará a sua convenção nacional para eleger um novo presidente, espero que os delegados coloquem em seu lugar um homem (ou uma mulher) com legitimidade moral para poder representar melhor a agremiação. Alguém que não esteja envolvido em escândalos, inspire confiança e seja capaz de agregar ao invés de dividir.

Que haja uma renovação tucana para 2018!