Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Cancelei todos os meus cartões de crédito!
Gente! Hoje fiz algo importantíssimo para a minha liberdade financeira:
Cancelei todos os meus cartões de crédito!
Cheguei à conclusão de que o cartão atrasa nossas vidas. Sempre faço o pagamento total, mas, na prática, acabo gastando mais do que planejo. E isto ocorre não apenas com quem é consumidor compulsivo! Senão vejamos.
Se vou ao mercado com o cartão na carteira e pretendo comprar uma lata de óleo, um desinfetante e um quilo de arroz, acabo levando também danoninho, chocolates, pão doce e outras guloseimas.
Se tô na rua andando com cartão, almoço em restaurante ao invés de vir pra casa, fazendo também um lanchinho aqui e outro ali.
Conclusão. Sendo titular de cartões, minha despesa passa a ter grande potencial de superar a receita e eu fechar em déficit. Isto sem falar que o cartão contribui para a concentração de riquezas nas mãos de poucos (dos banqueiros).
A cada compra que fiz com o cartão, o comerciante pagou uma taxa pra administradora que também é empresa do grupo financeiro. Ao invés do dinheiro circular mais dentro do mercado e entre empresas de menor porte, parte do capital fica nas mãos dos financistas. Assim, enquanto tive cartão, eu estava era promovendo o contrário daquilo que prego que é a distribuição de renda.
De agora em diante, se tenho dinheiro, compro. Se não, fica pra uma outra oportunidade.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Perdido no Parque da Tijuca
Conforme a imprensa andou noticiando e muitos espalharam pelas redes sociais, fiquei perdido três dias e duas noites neste último final de semana (23 a 25 de junho).
Gente! Minha imprudência foi enorme, mas mesmos os erros cometidos são cheios de significado.
Se eu disser que, nas minhas caminhadas anteriores jamais tive alguma dificuldade, estaria mentindo. Pois, desde 99, morando em Nova Friburgo, em que comecei a fazer minhas aventuras, ocorreram situações quando fiquei desorientado. Só que, quando não chegava ao meu destino, conseguia voltar por onde vim ou sair em outro lugar. O pior acontecimento teria sido em junho de 2001, quando eu e Núbia tentamos ir de Castália até Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu em que, tendo percorrido 2/3 da trilha, chegamos a uma antiga fazenda e não acertamos mais o caminho pois tinha várias picadas de caçadores. Aí anoiteceu e foram justamente dois caçadores que nos resgataram e nos trouxeram para a casa da família deles.
A maioria das vezes eu me dava bem! Fazia caminhadas de 6 horas sem problemas, o que me encheu de auto-confiança. Morando aqui no Rio desde meados de dezembro, fiquei ansioso por querer conhecer profundamente o território da cidade e, principalmente, esta área onde estou morando na Zona Norte. Minha compulsão por estar em novos lugares ficou a mil. De lá pra cá, fiz vários passeios e caminhadas.
Como antes eu tinha conhecido a pé uma boa parte do nosso estado e da Serra do Mar, pensei que o Parque da Tijuca fosse só um pequeno jardim. Brincadeira de Mickey Mouse pra quem se achava um grande trilheiro que já tinha andado praticamente Friburgo inteiro mais boa parte dos municípios de Cachoeiras de Macacu, Teresópolis, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Macaé e Trajano de Morais. Só que passear no meio rural é muito diferente de um parque ecológico! Principalmente porque as vias de acesso são menores e não há moradores.
Bem, mas quando eu olhava os morros da janela de casa, cada dia dava aquela vontade de ir daqui do Grajaú (bairro onde moro) até a sede do Parque da Tijuca, situada no Alto da Boa Vista, bem como descobrir um roteiro até à praia por dentro do mato. Aí soube que pessoas já faziam o roteiro, geralmente vindo do Alto da Boa Vista pra cá e outros até um lugar em Jacarepaguá chamado de Represa do Cigano. Passeios que nem são recomendados pelo parque porque fogem do circuito turístico. Porém, não quis esperar a oportunidade de pintar um passeio. Eu mesmo resolvi arriscar sozinho assim como já fazia lá em Nova Friburgo e nunca tive problemas.
Pois é. Dizer que antes disso Deus não me mandou um aviso, estaria mentindo. Quando foi no dia 3/5, saí à tardinha de casa e tinha chegado até o alto do Morro do Elefante. Não achei a trilha, o sol começou a se por, senti um certo desespero e quase me perdi. Naquele dia, consegui acertar o caminho de volta e cheguei em casa de noite, grato por não ter passado a noite ali e estar vivo.
Mas vocês acham que eu aprendi a lição naquele dia? Coisa nenhuma!
Não demorou muito pra que a minha mente justificasse que o fato de não ter achado a trilha pro outro lado do Morro do Elefante teria sido o fato de escurecer. Na manhã deste último sábado, após ter sido cancelado um evento do qual o pessoal da minha ONG participaria, resolvi então caminhar. Não avisei ninguém pra onde iria, nem levei celular, mochila, alimentos, lanterna, facão ou barra de acampamento. Simplesmente resolvi ir até o alto do Morro do Elefante e, se identificasse o caminho para o outro lado, desceria por ele. Aí, quando cheguei lá em cima, encontrei o Luiz Albuquerque vindo com seu grupo do Alto da Boa Vista pra cá. Perguntei-o se a trilha estava “limpa”, o que, no linguajar do meio rural significa “roçado”. Então, com a presença deles, senti-me super auto-confiante.
Continuei o caminho, descendo embalado e acreditando que, à tardinha, estaria na sede do parque talvez antes das 15 hs. Só que, quando cheguei num bananal é que comecei a me embananar. Fui descendo por uns vales e vi que não chegava a lugar nenhum. Retornei e não achei o caminho de volta, pelo que precisei passar a noite ali, ficando pouco acima do bananal, perto de, salvo engano, uns taquaruçus.
Só aquela noite foi num terrível teste de resistência pra mim. Sem ter me alimentado naquele dia (tomei apenas o café da manhã), dormi com estômago vazio e enfrentando o frio gelado da serra, tendo que deitar ao relento pela primeira vez na vida fora de uma barraca. Sofri uns ataques de mosquito, só que o pior mesmo foi o frio. Sabia que, sem comida, a pessoa sobrevive por dias e água tem bastante por ali. Ainda assim fiquei preocupado em não conseguir sair dali ou não ser achado.
Imaginei que minha morte seria por motivo de hipotermia e que estaria deixando este mundo de uma maneira tão sem razão. Algo bem diferente do que fizeram Jesus, Gandhi, Martin Luther King ou o nosso Chico Mendes. Meu corpo poderia ficar por lá, minha família nunca saber, ser aberto um processo de declaração de ausência até a Justiça permitir a abertura do inventário. O documento de identidade de minha mulher e o cartão da Unimed dela estavam comigo assim como a chave de um cofre onde ficam os remédios controlados dela que eu dou todas as noites pra Núbia tomar. O único conforto que tinha era o fato da ter vindo de Mangaratiba ficar conosco, o que não deixaria minha esposa sozinha dentro de casa.
Passando o aperto da primeira noite, fui procurar o caminho de volta ali pelo bananal e não consegui encontrar. Distanciei-me e fui sair num outro vale onde também fiquei andando desorientado sem encontrar alguma trilha que me levasse pra qualquer saída. As horas passaram e acabei ficando outra noite na mata que pareceu muito mais longa e fria do que a primeira. Principalmente porque ventava e meu corpo estava com menos energia do que no dia anterior. Por ser inverno, não tinha muito alimento disponível na floresta. Cheguei a comer um pouco de cana-do-brejo, folhas de assa-peixe, de bananeira e até larva, sabendo que são coisas comestíveis.
Segunda-feira, tomei a decisão de descer por um caminho a princípio aplainado entre dois morros que descia em direção ao barulho de uma estrada (a Grajaú-Jacarepaguá). Prossegui, atravessei um trecho cheio de plantas espinhosas e depois continuei andando por dentro de um rio que, por um longo percurso, parecia ser tranquilo. Tinha a esperança de que não encontrasse cachoeiras pelo caminho e fosse sair numa ponte da tal estrada onde eu subiria até o asfalto pra tomar o ônibus. Só que, infelizmente, depois de tanto andar, cheguei até o alto de um enorme precipício de onde despenca uma imensa queda d'água. Eu tava exausto para retornar e meus pés já machucados por causa do roçar do tênis no calcanhar. Achei melhor pegar um pouco de sol e descansar.
Meu corpo já doía devido ao ácido láctico. Eu estava profundamente arrependido com o que fiz, tomando providências quanto à minha possível morte de modo que raspei o código de segurança do cartão de crédito, cortei-o em dois e enterrei para o caso de alguém encontrar o corpo, não fazer compras indevidas e provocar danos à herança. Pensei muito no bem estar das pessoas que eu deixaria tipo Núbia e minha mãe.
Orei muito a Deus e pedi pelas pessoas. Achei que aquela seria mesmo a minha hora e que ainda poderia sofrer por dias até, finalmente, morrer com uma parada cardíaca porque tenho boa saúde. Disse a Deus que amo minha esposa e que, mesmo sem ela ouvir fisicamente esta mensagem, Ele a transmitisse. E, certamente, entristeci-me por estar deixando a vida tão prematuramente.
Entretanto, ainda naquela tarde, a alegria voltou ao meu coração. Ouvi uma voz na mata e respondi para ver se não era alguma alucinação (quando estive perdido várias vezes imaginava estar ouvindo alguém mas devia ser som de bicho). Então, quando recebi resposta e a mensagem para permanecer onde estava, percebi que realmente estava sendo resgatado.
Não sabia exatamente como aquilo estava acontecendo, se alguém teria escutado meus gritos de socorro na mata, e considerava bem remota a possibilidade de ter ocorrido o que de fato aconteceu: minha família ter espalhado na internet o meu desaparecimento e o Luiz Albuquerque visto a informação pelo Facebook a ponto de responder que me viu no alto do Morro do Elefante. E foi justamente isto que houve, mas que também poderia não ter acontecido. E, neste caso teria eu permanecido lá até os urubus comerem meu cadáver.
Bem receptiva, a equipe de socorro cumprimentou-me, trouxe alimento, fez curativo nos meus calcanhares e me guiou dali até uma das saídas do parque na represa dos ciganos. Eles tinham começado a busca no começo da tarde, viram os locais onde eu tinha dormido e improvisaram uma trilha para me tirarem daquele buraco. Eu pedi muitas desculpas pelo transtorno causado já que viaturas e agentes públicos foram deslocados para me salvarem, porém ninguém ali ficou me julgando mau pelos erros cometidos.
Cerca de uma hora depois, sendo já noite, cheguei até à ambulância do Corpo de Bombeiros onde, após a médica examinar e ver que nada havia de grave, ainda assim sugeriu que eu fosse ao hospital. Concordei e fui conduzido ao Lourenço Jorge, unidade municipal de saúde. Ali, dormir numa maca e num lotado corredor com luzes acesas e uns pacientes alcoolizados perturbando o tempo todo, acabou se tornando um verdadeiro hotel cinco estrelas para quem tinha passado duas noites frias no mato sobre o chão frio da serra.
Depois desta experiência, estou buscando reavaliar a maneira como tenho conduzido meus caminhos. Pedi a Deus uma nova chance de viver e Ele, na Sua grande misericórdia, me concedeu. Estou me sentindo um pouco como o profeta Jonas quando ficou três dias na boca de um peixe e também me cuido para deixar de ser estúpido como orei Ezequias que, depois de receber o livramento divino, quis orgulhosamente exibir-se diante da embaixada dos babilônicos.
“Andaram errantes pelo deserto,
por ermos caminhos,
sem achar cidade em que habitassem.
Famintos e sedentos,
desfalecia neles a alma.
Então, na sua angústia,
clamaram ao SENHOR,
e ele os livrou das suas tribulações.
Conduziu-os pelo caminho direito,
para que fossem á cidade em que habitassem.
Rendam graças ao SENHOR por sua bondade
e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!
Pois dessedentou a alma sequiosa
e fartou de bens a alma faminta.”
(Salmo 107.4-9; ARA)
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Aceitem aquilo que sou!
Não sou o melhor e nem o pior homem.
Também não me enquadro nos padrões da sociedade.
Vivo minha vida errante buscando ser feliz.
Gostaria de ser sábio, mas acabo agindo como insensato.
Agradar eu quero, porém não consigo.
Defendo causas que penso serem boas.
Poucos me compreendem.
A moral da sociedade é demasiadamente injusta.
Também tenho meus vícios e egoísmos.
Passo por problemas, tento sair deles e muitas vezes eu me emburaco ainda mais.
Só que a crueldade de algumas pessoas é pesada nessas horas.
Elas me excluem de suas vidas como se eu fosse um monstro nojento!?
Qual monstro não se revela em cada um de nós quando, sem podermos cortar na própria carne, preferimos afastar o outro na vã tentativa de esquecer quem realmente somos?!
Pois somos pedaços de um todo e, juntos, formamos uma coletividade humana complexa com grande diversidade.
Por mais fora dos padrões que esteja, penso ainda haver algo de positivo em mim.
Coisas minhas podem não prestar, mas teria eu me tornado um ramo infrutífero da árvore que precisa ser podado e lançado ao fogo?!
Porém digo que até os galhos infrutíferos têm sua serventia como combustível ou adubo para a terra.
Porque com fertilizante o solo da árvore se fortalece e até com o fogo a floresta é renovada.
Também não me enquadro nos padrões da sociedade.
Vivo minha vida errante buscando ser feliz.
Gostaria de ser sábio, mas acabo agindo como insensato.
Agradar eu quero, porém não consigo.
Defendo causas que penso serem boas.
Poucos me compreendem.
A moral da sociedade é demasiadamente injusta.
Também tenho meus vícios e egoísmos.
Passo por problemas, tento sair deles e muitas vezes eu me emburaco ainda mais.
Só que a crueldade de algumas pessoas é pesada nessas horas.
Elas me excluem de suas vidas como se eu fosse um monstro nojento!?
Qual monstro não se revela em cada um de nós quando, sem podermos cortar na própria carne, preferimos afastar o outro na vã tentativa de esquecer quem realmente somos?!
Pois somos pedaços de um todo e, juntos, formamos uma coletividade humana complexa com grande diversidade.
Por mais fora dos padrões que esteja, penso ainda haver algo de positivo em mim.
Coisas minhas podem não prestar, mas teria eu me tornado um ramo infrutífero da árvore que precisa ser podado e lançado ao fogo?!
Porém digo que até os galhos infrutíferos têm sua serventia como combustível ou adubo para a terra.
Porque com fertilizante o solo da árvore se fortalece e até com o fogo a floresta é renovada.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
A insensibilidade de Evo Morales quanto à economia verde
Em sua fala na manhã de hoje(21/06), o presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou a economia verde proposta pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), considerando-a como um "novo colonialismo para submeter os povos e os governos anti-capitalistas". Acrescentou ele que a proposta "coloniza e privatiza a biodiversidade a serviço de poucos. Verticaliza os recursos naturais e transforma a natureza em uma mercadoria".Segundo o Pnuma, a economia verde (IEV, ou GEI-Green Economy Initiative, em inglês) é aquela que resulta em melhoria do bem-estar humano e da igualdade social ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica. Sua sustentação estaria em três pilares: ser pouco intensiva em emissões de CO², eficiência no uso dos recursos naturais e buscar a inclusão social.
Evidentemente que, por se tratar de um conceito novo, cria-se um amplo debate sobre o que vem a ser esta economia verde. Principalmente porque os países ainda se encontram dependentes de processos ambientalmente degradantes e socialmente injustos para atender às demandas de mercado. E isto envolve todos. Até os Estados que se consideram "socialistas".
Lamentavelmente, o discurso do presidente boliviano, que durou 14 minutos (nove além do permitido), padeceu de inegável demagogia. Disse ele que "os países do norte se enriquecem em meio a uma orgia depredadora e obrigam aos países do sul a ser seus guardas florestais pobres". Como solução apontou a estatização de bens e serviços prestados pelo Estado, assim dizendo:
"Os serviços básicos jamais podem ser privatizados. É obrigação do Estado".
Verdade é que Evo Morales apenas defendeu a irresponsável política de nacionalização praticada pelo seu governo contra companhias estrangeiras que atuam em território boliviano. Neste último 1º de maio, foi a vez da empresa espanhola REE da sua participação no transporte de energia boliviana. E, durante o governo Lula, até a nossa PETROBRÁS sofreu restrições e irresponsáveis expropriações.
Acontece que tais discursos não se sustentam pela lógica. Empresas estatais podem ser tão poluidoras quanto qualquer outra companhia privada, seja de capital nacional ou internacional. A causa do problema estaria na maneira de usar os recursos naturais bem como na falta de participação democrática dos trabalhadores e ambientalistas na gestão da empresa.
Será que num país de regime totalitário, ou que altera significativamente a sua Constituição a ponto de permitirem que seus governantes perpetuem-se indefinidamente no poder, os dirigentes estarão mesmos preocupados em preservar o meio ambiente?
Que garantia tem o cidadão de um país se a estatal acaba se tornando, na prática, mais um cabide de empregos em que os cargos são preenchidos com a livre nomeação do presidente sem atentar para as necessidades sociais?
Ao atacar a economia verde, Evo Morales acabou jogando em favor do esvaziamento do debate ao invés de contribuir positivamente com a sua visão para que o conceito venha a ser interpretado em favor dos países pobres. Sua postura reivindica mais o direito das nações subdesenvolvidas em continuarem poluindo apresentando como justificativa aquele velho papo de que, por longos anos, o terceiro mundo foi explorado por suas antigas metrópoles e massacrado pelos interesses "imperialistas" dos Estados Unidos.
Menos incoerente pareceu-me o presidente equatoriano Rafael Correa. Ele atacou o consumo dos países ricos e a ausência de seus governantes na cimeira, sendo que foi bem feliz quando criticou o documento final da Rio+20 por não contemplar a criação de uma declaração universal do direito da natureza, como defendia o Equador:
"Pela nossa iniciativa, teríamos um tribunal internacional que obrigasse todos a cumprir os direitos da natureza. Seria uma enorme mudança para o bem-estar do planeta".
Com tais palavras, Correa mostrou-se mais aberto que o seu colega esquerdista boliviano, atuando de maneira mais proativa na construção daquilo que chamou de "nova forma de poder", afastando-se um pouco dos vícios do caudilhismo latino-americano.
OBS: A foto ilustrativa deste artigo foi extraída do site da Agência Brasil em http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-06-21/evo-morales-condena-conceito-de-economia-verde-e-aconselha-paises-estatizarem-recursos-naturais
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
A Rio+20 e a fábula do beija-flor
Estamos aí em uma outra etapa da Rio+20 e que será decisiva para a conferência com a presença dos chefes de Estado. Meu desejo é que este encontro não termine em "pizza" como têm sido todos os anteriores em que os presidentes e primeiros ministros dos países nada decidem de concreto para salvarem o nosso planeta.
Por isso, nós que somos ambientalistas (ou pessoas que têm consciência ambiental) precisamos reivindicar, protestar e também agir com fé no enfrentamento de um problema que parece tão difícil.
Que sejamos fortes e não desistamos de lutar, lembrando do clássico exemplo do beija-flor que tentou apagar o incêndio, conforme a fábula utilizada na campanha Ação pela Cidadania do saudoso sociólogo Herbert José de Sousa, o Betinho (1935-1997).
Um forte abraço pra todos vocês!
OBS: A ilustração acima foi extraída da página oficial da conferência Rio+20 em http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Precisamos aprender a reciclar vidas!

Esta semana, depois do frustrante passeio de domingo (ver o artigo Prefeitura do Rio dá informações desatualizadas ao turista e fecha a Casa de Banho de D. João aos domingos), passeei em dois outros lugares da cidade. Nenhum deles por motivo de lazer. A caminhada que eu tinha pra manhã de ontem (14/06), acabou sendo cancelada.
Um dos passeios foi na conferência Rio+20, dia 13/06. Por sugestão de um amigo no Facebook, eu me inscrevi numa mesa sobre sustentabilidade e as comunidades pacificadas do Rio de Janeiro que contou com a presença dos secretários estaduais de meio ambiente e de segurança pública, senhores Carlos Minc e José Mariano Beltrame.
Andando pelo Parque dos Atletas, área próxima ao Riocentro, onde também estão ocorrendo os eventos da conferência, notei a presença de uma exposição bem interessante por ali. Trata-se de uma usina de reciclagem montada pela indústria petroquímica produtora de resinas termoplásticas, Braskem, a qual se aliou à Centrel, marca especializada em engenharia ambiental, para transformar resíduos plásticos em peças de mobília feitas a partir de "madeira plástica". Lá os resíduos plásticos são transformados em bancos, lixeiras e floreiras, permitindo que o público presente possa acompanhar de perto o processo de confecção das peças.
Entretanto, não estive apenas transitando pela Rio+20. Houve um dia em que precisei prestar assistência a uma pessoa que foi encaminhada ao Instituto Municipal Phillippe Pinel.
Considerado como um dos maiores hospitais de referência na área de saúde mental, o Pinel atende grande parte da cidade do Rio de Janeiro, desde a Tijuca, na Zona Norte, até o Vidigal, na Zona Sul. Suas atividades incluem tanto as internações psiquiátricas como também o atendimento a alcoólatras e pessoas que fazem o seu tratamento morando em sua casa, além de dispor de uma emergência funcionando 24 horas.
Pode-se dizer que as pessoas internadas num hospital desses ainda são consideradas como sendo o lixo da sociedade. Muitos estão ali esquecidos pela família e sem receber o apoio de pelo menos um parente próximo, apesar do longo período de visitas. Porém, observei gente que não é do mesmo sangue que os internos fazendo um trabalho voluntário ali. Vi também um local de terapia ocupacional onde é possível produzir trabalhos artísticos com papel e tinta.Atualmente, no Rio de Janeiro, qualquer internação nos hospitais públicos e conveniados da região entre a Tijuca e o Vidigal é decidida no Pinel. E, em conformidade com o contexto da reforma psiquiátrica, ali a abordagem é bem interessante dispondo de formas alternativas de atendimento substitutivas ao manicômio.
"A proposta traz uma significativa mudança de abordagem. No lugar de um só médico, equipes. Em vez de atendimento exclusivamente individual, grupos. Ao invés de hierarquia de posições, horizontalização (...) A RIPP é formada por vários profissionais, como psicólogos, psiquiátricas e assistentes sociais, que recebem os pacientes para encontros terapêuticos em grupo. A filosofia do trabalho é a de que cada paciente tem sua história e os sintomas que o levaram ao hospital psiquiátrico precisam ser analisados sob um amplo ponto de vista antes de serem caracterizados como sintomas de doença mental."
(extraído de http://www.sms.rio.rj.gov.br/pinel/media/pinel_ripp.htm)
Confesso que estou de acordo com esta visão de trabalho. Sei o quanto é difícil para uma família lidar com alguém com problemas psiquiátricos, mas não vejo outro jeito. A meu ver, a internação só deve ocorrer em casos bem extremos quando a vida e a integridade física estão mesmo em rico. Tanto da sociedade quanto do paciente. Assim como o lixo que a sociedade sempre descartou na natureza é trabalhado para tornar-se uma interessante mobília de nossas casas, acredito que as pessoas com transtornos psíquicos também podem fazer parte do nosso meio ambiente através de um processo de convivência verdadeiramente inclusivo.
OBS: As imagens desse artigo foram extraídas respectivamente de http://www.ecycle.com.br/component/content/article/37-tecnologia-a-favor/894-usina-de-reciclagem-sera-instalada-durante-a-rio20.html e http://www.insight.psicologia.ufrj.br/visualizarPortifolio.asp?idPortifolio=9 .
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Como fazer de sua esposa a mulher virtuosa de Provérbios 31?
Nesta última sexta-feira (08/06), quando eu estava na feira do bairro comprando legumes, um vendedor de bananas comentou algo até preconceituoso. Disse ele mais ou menos assim:"Fruta quanto mais preta, mais gostosa fica. Eu estava casado com uma mulher branca que só me 'roubava' (talvez o fizesse gastar). Separei-me dela, casei-me com uma 'preta' trabalhadeira e agora estou só progredindo financeiramente"
Tirando de lado o aspecto étnico-racial e o excesso de machismo, será que existiria pelo menos um pingo de razão em suas palavras?
Penso que, se levarmos em conta o poema alfabético que consta entre os versos 10 a 31 do último capítulo do livro bíblico de Provérbios, o qual fala da mulher de valor (eficiente e virtuosa), talvez seja importante a escolha de uma boa esposa para que o casamento dê certo.
A mulher virtuosa da época da Bíblia, no sentido literal, seria a perfeita dona-de-casa. Porém, se fizermos uma interpretação mais profunda do texto, veremos que a mensagem aplica-se a todos os cônjuges responsáveis que cooperam diligentemente na administração do lar. E isto sem dúvida que inclui tanto as esposas que trabalham fora de casa como os maridos também.
De acordo com Provérbios, podemos afirmar que estas seriam algumas das características da “mulher virtuosa”: torna-se digna de confiança do cônjuge; é trabalhadeira; otimiza o tempo; não age de maneira perdulária com os recursos; pratica a caridade com os pobres; previne-se quanto às dificuldades; consegue desfrutar das melhores coisas pelo seu talento em utilizar os bens; não envergonha o cônjuge pela sua conduta; enfrenta a vida com fé; cultiva sabedoria e bondade; e cria relacionamentos amáveis com a família.
Certamente que o autor estabeleceu um padrão a ser seguido ou alcançado pelas esposas porque não existe mulheres (e nem homens) perfeitas. Todos somos pessoas com falhas e cometemos os mais reincidentes erros, assim como ninguém é totalmente reprovável em sua conduta e possui qualidades a serem reconhecidas. Só que o fato de sermos todos gente fora de um padrão ideal jamais pode servir como desculpa para acomodações.
Por outro lado, o texto de Provérbios serve como um alerta para os homens ainda solteiros que ainda estão em busca de um relacionamento afetivo (a beleza não é tudo), mas que muitas das vezes desconhecem o cotidiano da vida de casado. Pois quando termina a lua de mel e marido e esposa vão travar juntos a batalha da vida, inúmeros são os desentendimentos que surgem por causa da gestão de uma coisa chamada dinheiro. E aí penso que todas as colocações feitas pelo escritor bíblico precisam também ser observadas pelo marido quanto à sua conduta já que a esposa não tem como suportar sozinha todas as dificuldades e encargos da família.
Verdade seja dita que muitos homens deixam de assumir os próprios erros e preferem colocar toda a culpa na esposa pelo seu insucesso. Assim fez o nosso ancestral mítico Adão, desde que o mundo é mundo, quando resolveu atribuir a Eva a responsabilidade por suas escolhas quando confrontado por Deus estando ainda no jardim. Entretanto, o Criador da mulher não aceitou aquela resposta como válida e deixou bem claro que as consequências negativas a serem enfrentadas daí por diante seriam por causa da decisão tomada pelo varão (Gn 3.17a):"E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa"
Creio que o homem pode habilidosamente atuar para que a sua mulher desenvolva-se eticamente tornando-se mais próxima do ideal bíblico descrito em Provérbios. Porém a resposta seria que ele deve antes mudar a si mesmo e reconsiderar o seu comportamento. Pois cada um deve buscar a própria transformação de caráter e o divórcio não pode se tornar algo tão banalizado a ponto de qualquer dificuldade tornar-se motivo para duas pessoas se separarem. Antes é preciso ter persistência e refletir o tempo inteiro, praticando o amor.
Neste sentido, vale a pena citar um importante trecho da carta do apóstolo Paulo à igreja em Éfeso:
“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, sem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Efésios 5.25-27; ARA)
Ao invés do marido só exigir que sua esposa seja uma mulher perfeita, deve ele se tornar um doador assim como faz Cristo dentro da teologia do cristianismo. Nós homens precisamos deixar de ser meros receptores, sairmos da acomodação cotidiana e nos tornarmos pessoas amorosas para com a esposa e toda a família. Pois só com uma atitude proativa que eficientemente contribuiremos para melhorar os relacionamentos com os quais nos achamos envolvidos.
Que Deus nos dê força e luz!
OBS: A primeira imagem acima, Good Housekeeping refere-se á capa de um dos vários periódicos que circularam nos Estados Unidos do início do século XX exaltando a economia doméstica. Tal periódico seria da edição de agosto de 1908. A revista foi fundada em maio de 1885 por Clark W. Bryan. Quanto à segunda ilustração, trata-se de uma retratação encontrada no mural de uma igreja na Etiópia de autor desconhecido.
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