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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

O sindicalismo brasileiro há uns 100 anos atrás



Por esses dias, eu estava refletindo sobre como era o movimento sindical brasileiro do início do século XX e fiz um breve comparativo com a atual realidade que foi se configurando a partir da década de 90. Então me veio à memória uma minissérie brasileira exibida pela Rede Globo em maio de 1984 chamada Anarquistas, Graças a Deus, a qual foi ao ar quando eu tinha apenas 8 anos de idade.

Escrita pelo cineasta Walter George Durst, a trama foi uma adaptação do romance autobiográfico de Zélia Gattai, escrito em 1979. Tal obra traz reminiscências do país nos anos 10 e 20 do século XX juntamente com histórias da infância da autora, a qual nasceu numa família de imigrantes italianos que se estabeleceu num reduto anarquista que havia na cidade de São Paulo.

Confesso que, na época da minissérie, eu pouco me interessei pelo que a TV nos mostrou. Porém, anos mais tarde, quando já era um estudante secundarista (ensino médio), comecei a entender como se desenvolveu o movimento operário nas primeiras décadas da República brasileira, o qual foi muito intenso em São Paulo e nos estados do Sul, graças a dois fatores importantes: a industrialização e a imigração italiana. Principalmente por causa da influência européia uma vez que a mão-de-obra importada já havia conquistado alguns direitos no país de origem ainda não reconhecidos no Brasil.

Fato é que, há um século atrás, as condições de trabalho aqui eram péssimas. Os salários eram baixíssimos, a jornada laboral chegava a ser de até 16 horas diárias, além da exploração de mulheres e de crianças. Aliás, esse trecho do livro citado revela um pouco das dificuldades vividas pelas famílias operárias:

"Os temores de dona Angelina tinham uma explicação: sempre levara uma vida de apertos; casara-se muito jovem, quase uma criança, apenas completara quinze anos e o noivo dezoito. O salário do inexperiente marido, empregado na oficina de seu pai, na Rua Barão de Itapetininga  (oficina de consertos de bicicletas, armas de fogo, máquinas de costura etc., não era suficiente para o sustento da casa. Embora contra a vontade ele permitiu que sua mulher, após o casamento, continuasse na fábrica de tecidos, no Brás, onde trabalhava desde a idade de nove anos, ajudando nas despesas do lar paterno. Mesmo assim, com os dois parcos ordenados, levavam vida de sacrifícios. Com os dois reduzidos salários viviam três pessoas, pois tia Dina, irmã mais nova de papai, passaria a morar com os recém-casados. Órfã de mãe desde pequena, Dina aprendera a ter responsabilidades, esperta como ela só, cozinhando e cuidando da casa."

Ora, foi nesse contexto que surgiram no Brasil as primeiras greves juntamente com comícios e passeatas de rua, as quais buscavam atrair a simpatia da população para as reivindicações trabalhistas. Nos anos 10, em São Paulo, os manifestantes organizavam longas marchas vindas de bairros distantes da cidade até à Praça da Sé, no Centro, ou ao Largo da Concórdia, no Brás, contando com o apoio de todas as categorias profissionais. Calcula-se que, em 1920, para um número de 500.000 operários no país, havia cerca de mil sindicatos.

Para reprimir esse notável espírito de luta e de organização dos trabalhadores, os governantes tratavam os movimentos sociais como "questão de polícia", de modo que a greve chegou a ser criminalizada. Líderes sindicais eram presos e muitos foram expulsos do país. Inclusive a legislação vigente previa essa possibilidade que hoje a Constituição de 1988 de modo algum permitiria.

Pode-se dizer que, na década de 30, os trabalhadores alcançaram importantes vitórias com o governo de Getúlio Vargas, o qual criou o Ministério do Trabalho e regulamentou, por decreto, a sindicalização das classes patronais e operárias, as quais passaram a ter caráter paraestatal. Surgiram também, nesse importante momento histórico, as leis trabalhistas e os institutos de previdência social. 

Verdade é que, nos últimos 30 anos, o sindicalismo brasileiro não mais demonstrou tanta força como nos tempos no anarcossindicalismo. Tivemos no ano passado uma reforma trabalhista que suprimiu vários direitos conquistados, porém não houve uma mobilização no país capaz de se opor influentemente aos retrocessos engendrados por Michel Temer.

Como explicar esse enfraquecimento do movimento sindical em plena democracia? Afinal, o que foi que aconteceu com os trabalhadores brasileiros?

Ora, é inegável que, nas últimas décadas, ainda no final do século XX, desapareceu a figura do antigo operário de fábrica, sendo certo que as unidades industriais, devido ao uso cada vez maior da tecnologia, têm necessitado menos de mão-de-obra. E essa relação inversamente proporcional, por gerar desemprego em massa, fez com que o sindicalismo se esvaziasse em face do risco de demissão. Em outras palavras, se o trabalhador se sente insatisfeito com o salário que recebe, há muitos por aí aguardando ser contratados pelas empresas.

Todavia, não foi só isso que aconteceu! Pois também houve um distanciamento dos sindicatos dos trabalhadores de maneira que a contribuição obrigatória, a qual até março de 2017 era descontada de todos os representados de uma categoria (mesmo sem estarem filiados ao órgão de classe), gerou uma acomodação de muitos dirigentes sindicais. Isto porque, ao invés de prestarem um bom serviço para ganharem mais associados, essas instituições simplesmente poderiam se manter com a arrecadação do tributo anualmente recolhido.

Talvez o fim do chamado "imposto sindical" tenha sido o único ponto verdadeiramente positivo da reforma trabalhista de Temer e creio que as adversidades políticas previstas nos próximos anos acabarão favorecendo a luta dos trabalhadores. Aliás, como se sabe, os bons desafios fazem bem a todos e aí vejo que, mesmo com a eleição do direitista Jair Bolsonaro, os movimentos dos sociais poderão novamente se fortalecer no país devido à necessidade de enfrentamento de uma pauta conservadora.

Não podemos esquecer que muitas das coisas que hoje temos na vida, a exemplo da saúde de nossos corpos, só passamos a valorizar quando as perdemos. E, neste sentido, a consciência da retirada de direitos fará com que o trabalhador outra vez se posicione e vá às ruas lutar pela sua dignidade e sobrevivência. Nem que seja através de um grande movimento de desempregados!

Mesmo que ninguém tome banho por duas vezes no mesmo rio, como bem disse o filósofo Heráclito de Éfeso, penso que as sementes plantadas há cem anos atrás pelo anarcossindicalismo não morreram. Pois a essência de toda aquela luta (os ideias libertários) sempre há de reviver diante de qualquer opressão que se levantar.

Ótima segunda-feira a todos! 

OBS: A foto acima refere-se à greve de 1917, movimento este que paralisou São Paulo durante um mês.

domingo, 25 de novembro de 2018

Nas últimas semanas da Primavera



Esse está sendo o último final de semana de novembro e resta menos de um mês para o verãozão chegar. 

Felizmente ainda não está fazendo aquele calorão que tanto detesto e as chuvas, que são típicas da estação, ajudam a temperar o ambiente. Porém, basta o sol "sair" que o calor surge vigorante de modo que, nessas horas, o melhor a se fazer é nos adaptarmos a ele ao invés de "remarmos contra a maré".

É claro que primavera não é verão. Trata-se de um período de transição com dias que podem ser bem quentes e outros em que a temperatura cai surpreendentemente. Pois até no penúltimo mês do ano podemos ter uns momentos em que seja preciso colocar um agasalho leve ou puxar uma mantinha de noite.

Por esses dias, tenho dormido com o ventilador ligado e, às vezes, coloco-o para girar no exaustor. Meus banhos costumam ser mornos, mas tem ocasiões em que prefiro água fria. Principalmente se for no chuveirão que tenho no lado de fora da casa.

Na manhã de hoje, curtindo uns momentos de calor por volta das 11 hs (do horário de verão), eu e Núbia não perdemos a chance de entrar no bendito chuveirão. Aproveitamos que a meteorologia errou e fomos pegar um solzinho no quintal mesmo morando a apenas três quadras da praia.



Para quem não se deu conta ainda, o ano de 2018 voou de modo que daqui a exatos 30 dias estaremos comemorando o Natal. Este, ao contrário das tradições culturais que herdamos do Hemisfério Norte, é para nós brasileiros uma época bem quente em que a neve fica apenas restrita ao imaginário das crianças assim como o lendário Papai Noel...

Ótima semana a todos e, quer faça chuva ou sol, calor ou frio, vamos vivendo com intensidade cada momento porque o tempo passa e não volta atrás.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Novo prefeito de Mangaratiba, Alan Bombeiro, tomou posse nesta terça



Mangaratiba, cidade de 40 mil habitantes do litoral sul-fluminense onde moro desde 2012, foi um dos quase vinte municípios brasileiros que teve uma eleição suplementar para prefeito no dia 28/10 do corrente ano. Tal data coincidiu com o segundo turno das eleições gerais do país e os novos governantes locais cumprirão um mandato tampão que irá até 31/12/2020.

No nosso caso, a chapa vencedora foi a da coligação "MANGARATIBA PRECISA MUDAR", formada pelos partidos PSDB e Solidariedade, cujos candidatos a prefeito e vice-prefeito foram, respectivamente, Alan Bombeiro e Chicão da Ilha. A vitória foi bem expressiva com 16.354 votos, sendo que, no dia 14/11 (quarta-feira passada) rolou a diplomação dos eleitos celebrada no Fórum da Comarca. 

Já cerimônia de posse ocorreu na manhã de hoje (20/11) e foi no Centro de Cultura Contemporânea que corresponde ao prédio do antigo Clube Náutico dos Mangarás, em frente à sede da Câmara Municipal. O início da solenidade estava marcado para às 10 horas da manhã e contou com a presença de cinco dos treze vereadores da cidade mais centenas de pessoas, além de vários convidados especiais vindos de outros municípios. E o lugar se tornou pequeno para reunir tanta gente esperançosa por mudanças na política local.




Alan Bombeiro, cujo nome real é Alan Campos da Costa, é casado, sendo bombeiro militar reformado, tem 42 anos e foi vereador na legislatura passada (2013/2016), tendo alcançado o terceiro lugar nas eleições para prefeito em 2016. Porém, como houve a cassação do registro de candidatura pelo TSE do então governante Aarão de Moura Brito Neto, gerando uma dupla vacância no Poder Executivo, Mangaratiba precisou passar por um pleito suplementar como houve no dia 28/10.

Certamente que essa presença tão expressiva de pessoas comparecendo à posse do novo prefeito reflete o anseio de uma população carente por justiça, trabalho, dignidade, respeito, além de serviços públicos eficientes. E, durante a posse, um dos assuntos do discurso de Alan foi o fim do "estrelismo" dentro da Administração Municipal, motivo pelo qual o novo mandatário apresentou-se vestido com uma camisa comum de trabalho dos funcionários da Prefeitura com os dizeres "servidor público".


Amanhã começa então um novo governo numa cidade politicamente instável pela qual já vi passar cinco outros prefeitos desde que vim morar aqui. E, independentemente de ser filiado ao partido do novo governante e haver feito campanha para o mesmo nas duas últimas eleições, desejo que ele tenha sucesso nas suas realizações para o bem do nosso Município.

Ótimo final de terça-feira a todos!

domingo, 18 de novembro de 2018

Prestigiando um grande evento musical aqui em Mangaratiba



Não é todo fim de semana que uma cidade de seus 40 mil habitantes recebe um evento como o que eu e Núbia assistimos na data de ontem (17/11) no Centro de Mangaratiba. Pois, pela primeira vez, recebemos aqui no Município a tradicional Orquestra Sinfônica Brasileira, a qual alegrou a nossa noite, promovendo uma overdose de cultura em nosso meio.

Saímos de casa no final da tarde e fomos caminhando até à rodovia Governador Mário Covas (Rio-Santos) a fim de pegar a condução para não nos atrasarmos já que os transportes de Muriqui para a sede do Município não costumam funcionar adequadamente. Ainda mais num feriadão como esse com os balneários lotados de turistas. Por isso, tem momentos que prefiro andar cerca de um quilômetro até à estrada para pegar o ônibus do que ficar indefinidamente aguardando o coletivo no ponto.

Chegando ao Centro, como ainda faltava uma hora para o evento, deu tempo de curtirmos mais uma versão do Beco Livre que, dessa vez, não estava rolando nas proximidades do Museu Municipal, ao lado do encantador Beco da Poesia. Porém, as barracas foram todas armadas na Praça Robert Simões já que, em razão da apresentação da orquestra, o movimento de pessoas iria convergir para o palco armado em frente.






O concerto estava marcado para às 19:30 hs. Só que, como as coisas no Brasil não costumam começar no horário exato, a apresentação acabou rolando um pouco mais tarde e foi precedida por uma banda de fanfarra dos alunos de uma escola municipal.

Pode-se dizer que o comparecimento da população foi maciça e, como escreveu um amigo no seu Facebook, essa presença do público "ratifica que Mangaratiba também tem fome de diversão, cultura e arte". Inclusive, conforme outro internauta bem postou nas redes sociais, tendo o seu comentário reproduzido na edição de hoje do portal Notícias de Itacuruçá,

"Nunca, em toda a história do município, Mangaratiba acolheu um evento musical dessa magnitude. Do clássico ao erudito, flertando com a MPB e incluindo o talento dos compositores locais, fomos brindados com um concerto musical digno dos maiores Teatros Municipais de qualquer cidade do mundo. Nunca vi um público tão grande, nem nos antigos e tradicionais carnavais, quanto o dessa noite memorável. Muito obrigado Cida Angelo pelo seu hercúleo empenho em se colocar como interlocutora e intermediária entre a OSB e o nosso município. O concerto e o seu nome entraram para a história de Mangaratiba. Mais uma vez muito obrigado em nome de todos os músicos e equipe técnica envolvidos e em nome de cada pessoa que esteve presente, de Itacuruçá, Muriqui, Praia do Saco e centro. P. S. Lamentei profundamente a não execução da música Mangaratiba, de autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. No mais, uma noite brilhante! Quem não veio, pode se arrepender, porque perdeu o maior espetáculo musical de todos os tempos!"(Luciano Hefner)

Concordo plenamente com as palavras acima. Pois realmente foi um grande evento para a cidade e que poderá ficar registrado na História tal como foi, por exemplo, o MANGARATIBA JAZZ & BLUES FESTIVAL, ocorrido há pouco mais de três anos na praia de Muriqui acerca do qual escrevi na postagem de 22/10/2015 (clique AQUI para ler). Só que, naquela ocasião, choveu intensamente durante os três dias de apresentação do evento enquanto que, na data de ontem, São Pedro resolveu nos dar uma ajuda.

Certamente que, se a cidade oferecer mais vezes oportunidades como essa para o público poder apreciar obras musicais como as de Beethoven, Tchaikovsky, Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe, Ari Barroso, Tom Jobim, dentre outros, poderemos atrair para a região um turismo de qualidade com um comportamento bem diferente daquilo que assistimos todos os verões nos nossos mais frequentados balneários. E aí, como a praia do Centro não recebe os bagunceiros da alta temporada (talvez por ser pequena e imprópria para o banho), o ambiente social ali se torna mais agradável para um visitante educado poder desfrutar.




Com o novo prefeito, Alan Bombeiro (PSDB), assumindo o comando da cidade a partir do dia 20/11 (próxima terça-feira), creio que teremos uma oportunidade de desenvolver o turismo em Mangaratiba, desde que governo e sociedade cooperem esforçadamente nesse sentido. Inclusive no que se refere à realização das propostas de campanha eleitoral para a cultura, as quais considero excelentes:

"Promover eventos culturais que resgatem a tradição local, segundo o calendário anual ordinário de festejos cíclicos, como Festas Juninas, Folia de Reis, Dia da Consciência Negra, além de participar da criação de um calendário próprio anual, de acordo com a identidade do município, junto às demais secretarias.

Propor parcerias com eventos artísticos e culturais de iniciativa popular e incentivá-los, como o Beco Livre, o Dia da Consciência Negra na Marambaia, o Coro de Coreto, Ocupa Coreto e tantos outros gratuitos para a população.

Restaurar prédios culturais sob a administração da Fundação Mário Peixoto, assim como desapropriar outros de comprovado valor histórico para a criação da Escola de Música e Dança Municipal, da Casa do Artesão, dos Cines Jannuzzi, Itacuruçá e Mic-Mec e do Café-Teatro Mangaratiba.

Criar um centro cultural ou lona em cada distrito que não possuir um, respeitando suas identidades, em prédios que abriguem pequeno palco técnico para shows musicais, peças teatrais, salas de exposição, assim como aulas frequentes de diversas linguagens artísticas.

Modernizar a biblioteca pública existente no Centro de Mangaratiba, revitalizar as de cada distrito e criar uma nos que não possuem em parceria com a Secretaria de Educação e de Ciência e Tecnologia, oferecendo novas mídias, acesso à internet e vasto acervo bibliográfico e iconográfico.

Ajustar o Centro Ferroviário de Cultura de Itacuruçá, na antiga estação de trem, para que também funcione como Arquivo Histórico-Cultural de Mangaratiba, que terá a função de guardar fotos e documentos relativos à arte e à cultura do município, assim como promover exposições deste material.

Restaurar o Beco da Poesia do Centro de Mangaratiba e criar outros nos distritos, tornando locais de utilização obscura em iluminados e de utilização cultural, assim como grafitar com desenhos gigantes de artistas locais espaços públicos, tornando-os mais belos.

Promover a criação virtual do Museu da Pessoa de Mangaratiba com depoimentos gravados e fotos da história dos moradores, o que, paralelamente, eternizará a história da cidade através da oralidade dos habitantes da terra, a cargo do Arquivo Histórico-Cultural de Mangaratiba.

Restaurar o Parque das Ruínas do Saco de Mangaratiba e criar o Parque das Ruínas do Sahy, Implantando a fiscalização sistêmica com auxílio da Guarda Municipal para a sua efetiva preservação e visitação turística, incluindo também os demais pontos históricos da antiga Estrada Imperial do Centro de Mangaratiba até a Serra do Piloto.

Reativar e promover a antiga Fábrica de Banana, comprovado bem patrimonial do município e estimular o resgate e a produção artesanal de outros produtos com identidade local.

Acolher e administrar a Orquestra Municipal de Mangaratiba.

Reeditar, em parceria com a Secretaria de Comunicação Social, o jornal Mangaratiba & Cultura, com artigos sobre arte, cultura e identidade, além de reportagens divulgando a programação artística e cultural bimestral do município.

Revitalizar as estantes de livros para empréstimo espalhadas pelos distritos e mantê-las sempre arrumadas e atualizadas.

Difundir e tornar itinerante a Nossa Feira de Mangaratiba, um dia em cada distrito, com shows musicais, barracas padronizadas de produtos agrícolas orgânicos e de produção caseira, artesanato local, lanches e antiguidades.

Revitalizar eventos artísticos e culturais mensais de gestões anteriores de grande aceitação e apelo popular, como o Cachaça Poética, Praião (exibição de filmes infantis ao ar livre nas praias de Mangaratiba), Sambão nas Ruínas, Concertos Eruditos ao Piano, Natal na Praça, entre outros."

Na expectativa de dias melhores, embora com os dois pés no chão e consciente que as mudanças não acontecem do dia para noite, desejo a todos uma excelente semana, torcendo sempre pelo melhor para a cidade onde vivemos.


Viva Mangaratiba!

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Que a nossa República possa reencontrar-se



Hoje, dia 15/11/2018, feriado nacional em homenagem à Proclamação da República, é mais uma data que serve para a nossa reflexão.

O Brasil acabou de passar por uma eleição e esse evento não completou nem um mês, sendo que muita gente ainda está no embalo da escolha do capitão da reserva Jair Messias Bolsonaro para presidir essa República relativamente jovem de seus 129 anos. E, apesar de estar chegando o Natal, pode-se dizer que a grande maioria dos brasileiros continua ligada na política sem aderir ao clima de festa.

Bolsonaro não foi o meu candidato, porém agora é o presidente eleito de todos nós. Sua vitória nas urnas foi incontestável e reflete o anseio do brasileiro por uma mudança radical na política. Tanto é que vários deputados, senadores e governadores foram eleitos por influência dessa decisão coletiva.

Assim, vive-se no momento, um aguardo das escolhas do novo presidente quanto aos futuros nomes de seu governo dando sinais do rumo ideológico traçado, sem que venhamos a ter grandes mudanças quanto à política econômica. Aliás, o nosso próximo chanceler, o embaixador Ernesto Araújo, possivelmente fará com que o Brasil venha a ter um alinhamento maior com os Estados Unidos.

Entretanto, antes mesmo do presidente eleito assumir, vários fatos estão ocorrendo em função dos futuros acontecimentos. Um deles foi a recente saída de Cuba do programa "Mais Médicos" iniciado na era PT para ampliar o atendimento dos profissionais de Medicina no Brasil importando mão-de-obra. Ontem, o governo do país caribenho disse que tomou tal decisão devido às "declarações ameaçadoras e depreciativas" de Jair Bolsonaro, o que veio a ser rebatido por ele no Twitter e numa entrevista concedida em Brasília:

"Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou"

Além disso, há uma preocupação sobre como Bolsonaro pretende lidar com as universidades, com a defesa do meio ambiente e a proteção das relações trabalhistas. E, nestes dois casos, felizmente ele resolveu não extinguir as duas respectivas pastas que seriam o MMA e o MTE. Só que de qualquer modo, a política deverá mudar muito assim quando a nova gestão se iniciar.

Seja como for, trata-se de um governo de direita legitimado pela participação popular que se expressou tanto pelo voto quanto pelas manifestações de apoio nas ruas/redes sociais. Posso não concordar com as ideias de Bolsonaro, mas reconheço que estamos vivendo agora a expectativa de uma mudança na vida republicana do país com possíveis reformas conservadoras que jamais poderão sair do campo democrático graças à Constituição de 1988, além da composição dos Poderes Legislativo e Judiciário.

Daqui um ano, quando estivermos completando 130 anos de República, espero que as coisas estejam caminhando para melhor nesse país E que sempre possa prevalecer um equilibrado bom senso nas decisões tomadas pelo futuro governo visto ser é algo indispensável para a paz social. 

Ótimo final de feriado a todos!

Caminhos diferentes



Retomando algo que há tempos eu não fazia aqui no blogue, visto que, de uns tempos para cá, passei mais tempo comentando sobre política, resolvi destra vez compor algo que tem a ver com questões éticas e utilizar um pouco do conhecimento teológico que acabei aprendendo de maneira amadora.

Uma das mensagens bíblicas que tem estado no meu coração ultimamente é aquela narrativa sobre um "particular" ocorrido entre o patriarca Abraão (ainda com o nome de Abrão) e o seu sobrinho Ló, os quais eram pecuaristas nômades na antiga Canaã. É algo que considero bem interessante!

Segundo as Escrituras, os pastores de ambos os líderes não estavam se entendendo mais a ponto de tio e sobrinho precisarem de separar. Então Abraão, sendo um homem sábio e cheio de fé, tendo também aprendido a não mais construir a vida se aproveitando de certas facilidades oferecidas e buscar soluções corretas mesmo diante das dificuldades, preferiu não escolher para que lado iria morar. Então, os dois parentes subiram a um alto monte, observaram a paisagem lá de cima e Ló resolveu ir para onde havia uma planície fértil que seria aparentemente mais adequada para ele ficar rico criando gado. Já Abraão não se incomodou em tentar a sorte numa região mais árida.

"Subiu, pois, Abrão do Egito para o lado do sul, ele e sua mulher, e tudo o que tinha, e com ele Ló. E era Abrão muito rico em gado, em prata e em ouro. E fez as suas jornadas do sul até Betel, até ao lugar onde a princípio estivera a sua tenda, entre Betel e Ai; Até ao lugar do altar que outrora ali tinha feito; e Abrão invocou ali o nome do Senhor. E também Ló, que ia com Abrão, tinha rebanhos, gado e tendas. E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos; porque os seus bens eram muitos; de maneira que não podiam habitar juntos. E houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló; e os cananeus e os perizeus habitavam então na terra. E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda. E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor." (Gênesis 13:1-13)

Para quem conhece a narrativa e os capítulos seguintes do livro de Gênesis, sabe quais os resultados colhidos por cada um personagem e qual deles acabou sendo mais feliz. Pois Ló, no fim das contas, veio a perder os bens na trágica destruição da cidade de Sodoma, onde fixou a sua residência, ao passo que Abraão sustentou-se com dignidade e abundância de recursos por todos os dias de sua peregrinação em Canaã.

Nesse mesmo sentido, um outro texto bíblico que de certo modo completa a reflexão seria um dos ensinos de Jesus presente no Sermão da Montanha e que se repete no Evangelho de Lucas num outro contexto de parábolas. É quando Jesus usa a metáfora das duas estradas e das duas portas:

"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." (Mateus 7:13-14)

Sem precisar fazer terrorismo religioso em cima disso, gosto muito desse ensino do mestre pois muitas das vezes o homem ambiciona a qualquer custo a fama, o poder e as riquezas, mas acaba se perdendo. Com isso, ele perde a paz interior, a alegria de viver, os amigos verdadeiros, a integridade, a liberdade dentre outros bens imateriais que podemos considerar como eternos.

Tendo eu postado essa semana acerca dessa mensagem nas redes sociais, recebi um comentário de uma lúcida professora no meu perfil no Facebook que achei bem interessante, o qual passo a reproduzir adiante:

"Fácil chegar onde se quer, abrindo-se mão de valores e princípios éticos. Não é fácil manter a coerência humana, diante de um mundo onde a sua maioria sonha com os "ter" e não com o "ser" na sua vida. Abrir mão da porta larga significará se ver preterido e as portas sempre estreitas ou mesmo inexistentes ou fechadas. Poucos assumem uma postura de radicalidade no mundo fenomênico. A grandeza pessoal em persistir na caminhada mais difícil é uma opção, cujo preço não é pequeno. Contudo, tem sua compensação, o crescimento pessoal da humanidade e espiritualidade, ganha uma leveza subjetiva que se traduzirá na difícil condução de qq [qualquer] que seja o fardo da vida." (Gloria Nunes)

Sem dúvida, ela teve um ótimo acerto nas colocações feitas. Eu, além de concordar, considero que tal compensação é incomparavelmente melhor do que ter momentâneas satisfações num presente perecível. Porém, lamentavelmente a maioria da humanidade não tem ainda essa consciência e a própria passagem bíblica em tela muitas das vezes continua sendo usada nas igrejas mais como mais uma coação psicológica em prol de um proselitismo religioso ao invés de promover o crescimento pessoal. Pois poucos entendem ou querem entender o significado dela.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Breves observações sobre a entrevista do juiz Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça de Bolsonaro



Assisti pelo Jornal Nacional e gostei muito da entrevista de hoje do Dr. Sérgio Moro à imprensa (clique AQUI para ler). Pois, como pude atentamente observar, ele expôs algumas ideias sensatas que, pelo visto, divergem das coisas polêmicas que futuro chefe diz. O juiz federal, convidado para ser ministro do presidente eleito disse que:

- é contra tratar movimentos sociais como "terroristas";

- vai adotar "modelo Lava Jato" no combate ao crime organizado;

- respeita as minorias sociais;

- irá atuar no convencimento do presidente eleito, o que deve tornar Bolsonaro mais moderado nas decisões que vier a tomar;

- entende pela preservação dos princípios de solidariedade quanto à fronteira com a Venezuela (o Brasil não vão construir um muro em Roraima);

- considera que a flexibilização sobre posse de armas não poderá ser excessiva;

- demonstrou reservas quanto ao confronto com o crime organizado, embora isso seja uma possibilidade na qual vai ser preciso discutir!

Enfim, trata-se de uma visão sensata e espero que ele seja uma boa influência nesse futuro governo que vem me inspirando tanta preocupação. Principalmente por causa do alarmante discurso do governador eleito do Rio de Janeiro, o ex-juiz federal Wilson Witzel, que pretende "abater" criminosos armados por meio de atiradores contratados.

Além disso, Sergio Moro disse que dará atenção especial para elucidar os assassinatos da ex-vereadora do Rio, Marielle Franco (PSOL), e do seu motorista Anderson Gomes, declarando o caso precisa ser solucionado. Ou seja, demonstrou compromisso em investigar a morte de uma integrante da esquerda.

Seja como for, vamos acompanhar o desenrolar dos fatos. E, embora Bolsonaro ainda não tenha tomado posse, precisamos estar atentos a tudo o que ele e integrantes de sua equipe falam. 

Ótima noite, meus amigos!