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domingo, 30 de setembro de 2018

Bendita seja esta primavera!




Chegamos hoje ao fim de setembro e o clima de Primavera já tomou conta do ambiente local com temperaturas mais quentes, embora ainda suportáveis se comparadas com as do verão.

Sendo este o segundo domingo da estação, passamos o dia ficando por aqui mesmo. Isto é, cuidando da casa, fazendo umas compras no mercado (e na farmácia), bem como descansando para mais uma semana que promete ser muito agitada até as eleições de 07/10.

Setembro foi turbulento. Em Mangaratiba, cidade onde moro, iniciamos o mês sem prefeito, visto que, dia 31/08, a Justiça havia determinado a prisão de três ex-presidentes da Câmara Municipal em que um deles respondia interinamente pelo Executivo, após a dupla vacância ocorrida no final de junho. Sob uma ordem judicial, o Legislativo local precisou escolher um novo presidente do órgão que, por sua vez, passou a exercer temporariamente a função de administrar a cidade até que as nossas eleições suplementares ocorram em 28/10 para um mandato tampão até o final de 2020.

Já em âmbito nacional, o episódio mais marcante teria sido a facada que o candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL), levou na barriga, conforme havia comentado na postagem de 06/09 (clique AQUI para ler). Houve, na época, uma comoção que fez com que o presidenciável ganhasse alguns pontos percentuais nas pesquisas de opinião, atingindo 28% até estabilizar-se aí. Porém, como não demorou muito para que a onda emocional passasse, logo a sociedade civil se organizou em amplos movimentos contrários como o "#EleNão", o qual é liderado por várias mulheres.

Assim, no sábado passado (29/09), tivemos inúmeras manifestações pelo país em quase todos os estados. Inclusive no Centro da cidade do Rio de Janeiro, em que pude receber fotos enviadas por uma amiga via WhatsApp de nome Deise, as quais mostraram a região da histórica Cinelândia lotada, o que foi confirmado depois pelos jornais por mim assistidos, estimando-se não menos do que 200 mil pessoas (acesse AQUI uma das postagens sobre o movimento de ontem).





É certo que também houve atos a favor do candidato do PSL, como uma manifestação na Praia de Copacabana, bairro da Zona Sul do Rio. Só que lá compareceu um número bem menor de apoiadores se comparado com a Cinelândia. Um fiasco perto do que é mostrado nas redes sociais da internet.


Amanhã saberemos pelas próximas pesquisas de opinião a serem divulgadas qual o tamanho do impacto no eleitorado desse florido final de semana que tivemos. E considero muito importante a ocorrência desses eventos de rua porque servirão para descredibilizar as notícias falsas que Bolsonaro poderá espalhar quando vier a perder o pleito devido à enorme rejeição que tem. Principalmente por parte das mulheres.

Assim sendo, podemos celebrar a esmagadora vitória da democracia ocorrida na data de ontem, em que ficou inquestionavelmente evidenciado que a maior parte da população brasileira não quer saber de racismo, homofobia, misoginia e nem incitação à violência. Consequentemente, todos terão que aceitar os resultados das urnas. 

Quanto a mim e a Núbia, vamos vivendo um momento cada vez em nossa luta do cotidiano. Tentamos sempre apreciar esse quintal abençoado daqui de cada, reparando as flores que vão nascendo como este pé de manacá a seguir exibido, o qual trata de uma planta de bela aparência e odor muito agradável.




Para outubro, continuaremos firmes e fortes nas campanhas dos nossos candidatos, torcendo para que tanto o Brasil quanto o Estado do Rio de Janeiro e o Município de Mangaratiba façam boas escolhas no exercício do voto popular.

Ótima semana a todos e viva a Primavera brasileira!

sábado, 29 de setembro de 2018

As eleições presidenciais de outubro e o risco de uma nova ruptura no país



Há quase 89 anos atrás, em 01/03/1930, ocorria a décima-primeira eleição presidencial direta da ainda jovem República brasileira, quando os cidadãos dos vinte estados da época e do Distrito Federal (com sede no Rio de Janeiro) tiveram que escolher entre o candidato do governo, o paulista Julio Prestes (PRP), e o maior nome da oposição, Getúlio Vargas (AL).

Para quem não sabe, a chamada "República Velha" vigorou entre os anos de 1889 a 1930 sendo que, conforme a Constituição de 1891, o pleito presidencial ocorria em data distinta do que vem sendo atualmente. E, por um longo período, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM) acordavam entre si para se revezarem na Presidência da República, de modo que os seus interesses se preservassem. Tais entendimentos fizeram com que o regime fosse apelidado do "república do café com leite", numa referência aos principais produtos da economia de cada um dos dois estados brasileiros, tratando-se de algo que vinha funcionando harmonicamente até que houve uma quebra de alianças em 1930.

Assim, com a decisão do então presidente paulista Washington Luís em apoiar um sucessor do PRP, ao invés de um mineiro, eis que o governador de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, resolveu ceder a sua candidatura a presidente em favor do gaúcho Getúlio Vargas. Formou-se então com os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba a Aliança Liberal (AL), em que Vargas e o paraibano João Pessoa foram, respectivamente, indicados como candidatos a presidente e vice-presidente.

Importante esclarecer que, na época, o voto não era secreto e existia uma grande influência dos "coronéis" (pessoas influentes das oligarquias que detinham o Poder Executivo municipal, e principalmente, o poder militar da região). Com isso, costumava ser muito comum a fraude eleitoral e, não raramente, os eleitores eram obrigados a votar num determinado candidato apoiado pelo coronel local, de modo que os resultados corretos da disputa tornavam-se, com frequência, indeterminados.

Não custa lembrar que o Brasil de 1930 era uma nação de ainda 37.400.000 habitantes dos quais apenas 2.525.000 eram eleitores, tendo comparecido às urnas 1.900.256 cidadãos (1.838.335 votos nominais), o que representou 5% da população. Julio Prestes obteve 1.091.709 (59,39%) dos sufrágios enquanto Vargas alcançou 742.794 (40,41%), tendo os restantes se distribuído entre nulos, brancos e o terceiro colocado, que foi o comunista Minervino de Oliveira pela legenda do Bloco Operário e Camponês (BOC).

Entretanto, não houve uma aceitação do resultado! Pois surgiu um movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, culminando com o golpe de Estado que depôs o presidente da república Washington Luís, em 24 de outubro de 1930, e impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes. Foi o fim da República Velha.

Pois bem. Feito esse breve resumo da História brasileira, assunto que muitos depois poderão se aprofundar pesquisando em livros e na internet, passo então a refletir sobre o problema atual das eleições presidenciais de 2018, as quais muito me preocupam.

De acordo com os números da pesquisa Datafolha de 29/09 sobre as intensões de votos para presidente, com base em levantamentos feitos entre os dias 26 a 28/09 pelo instituto, Jair Bolsonaro (PSL) ainda se manteve na liderança com os mesmos 28% do resultado anterior, sendo seguido por Fernando Haddad (PT) que já alcançou surpreendentes 22%, isolando-se na segunda colocação. E, em terceiro, temos Ciro Gomes (PDT) com 11% que está empatado tecnicamente com o candidato Geraldo Alckmin (PSDB), o qual tem 10%. Já os demais números seriam estes: Marina Silva (Rede) 5%; João Amoêdo (Novo) 3%; Henrique Meirelles (MDB) 2%; Alvaro Dias (Podemos) 2%; Cabo Daciolo (Patriota) 1%; Vera Lúcia (PSTU) 1%; Guilherme Boulos (PSOL) 1%; João Goulart Filho (PPL) 0%; Eymael (DC) 0%; Branco/nulos 10%; não sabe/não respondeu 5%.


Entretanto, embora figurando em primeiro lugar nas pesquisas, as simulações sobre o segundo turno mostram que Bolsonaro perde de qualquer um dos principais concorrentes, quer seja Haddad, Ciro Gomes ou Alckmin. O motivo da derrota seria a alta rejeição angariada pelo presidenciável em suas repudiáveis falas contra mulheres, negros, indígenas, homossexuais e minorias em geral. Tanto é que já surgiu um forte movimento entre o eleitorado feminino chamado "#ELENÃO" e que tem crescido surpreendentemente. Aliás, hoje mesmo estão acontecendo diversas manifestações pelo país contra o político, sendo uma delas na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro.

Ocorre que, em entrevista concedida a José Luiz Datena, da Band, o candidato do PSL afirmou que não vai aceitar o resultado da eleição se ele não for o vencedor, dizendo que: "Pelo que eu vejo nas ruas, não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição". Em réplica, o jornalista ainda indagou se esse posicionamento não seria antidemocrático, pelo que recebeu a seguinte resposta:

"Não. É um sistema eleitoral que não existe em nenhum lugar do mundo. Eu apresentei um antídoto para isso. A senhora Raquel Dodge [procuradora-geral da República] questionou. O argumento dela, Datena, é que a impressão dos votos comprometeria a segurança das eleições. Pelo amor de Deus. Inclusive estava acertado que em 5% das seções teríamos impressão do voto"

Em outras palavras, Bolsonaro já está criando um clima de desconfiança quanto ao processo eleitoral estando já ciente de que não sairá vencedor, havendo antecipado o seu discurso a respeito de uma eventual "fraude", caso o PT ganhe mais uma vez as eleições presidenciais:

"Só na fraude. Lamentavelmente não temos como auditar as eleições. Não existe outra maneira que não seja na fraude. Quando Lula ia para a rua era hostilizado. Não existe essa história. Será que o Lula preso vai transferir a mesma quantidade de votos para Haddad que transferiu para Dilma?"

Além do mais, Bolsonaro também argumentou que não aceita as pesquisas eleitorais: 

"Não acredito em pesquisas. O que vejo nas ruas e como me tratam em aeroporto e como me tratam os outros não pode estar acontecendo. Não vejo eleitor de Marina, de outros candidatos. Lançaram uma campanha #ELENAO. Vocês vão votar em quem?"

Analisando os fatos, vejo um enorme risco para a democracia brasileira esse inconformismo de Bolsonaro e de seus apoiadores os quais, como sabemos, são muitos, mesmo não representando a maioria da possa população e nem os mais pobres. Pois, verdade seja dita, ele tem a seu favor um apoio que é de fato consolidado, tratando-se de uma massa formada por pessoas que acreditam piamente numa vitória já em primeiro turno, ignorando as pesquisas de opinião e as matérias divulgadas pelos jornais sérios desse país.

Ora, esse sentimento enganoso de que Bolsonaro irá vencer no primeiro turno decorre das percepções equivocadas que as redes sociais causam. Isto, aliás, virou hoje um grande mal para a democracia no mundo todo depois que muitos trocaram a TV e os jornais pela internet, tornando-se pessoas desinformadas, totalmente vulneráveis aos boatos espalhados pelos aplicativos de aparelhos celulares e ainda adeptas de teorias conspiratórias.

É fato que a rede social mais acessada do mundo, o Facebook, significou uma mudança drástica no modo de viver da segunda década do século XXI. E aí um dos efeitos que se tem na atualidade seria a intensificação do pensamento coletivo devido à facilidade de encontrarmos pessoas nos sites de relacionamento que pensam iguais a nós em determinados assuntos divulgados nos meios virtuais, o que acaba encorajando certas atitudes e intensificando a manifestação de opiniões.

Ora, a maneira como o referido site filtra o conteúdo que chega até os usuários faz com que estes acabem vivendo dentro de uma espécie de "bolha". Senão vejamos o que explica Lincoln Mirabelli Gomes em seu excelente artigo que versa sobre o assunto:

"Assim como o Google, Youtube e quase todas as outras redes sociais da atualidade, no Facebook o conteúdo que chega até o usuário passa por um algoritmo, que filtra o conteúdo bruto de acordo com certas preferências do usuário.
O algoritmo é extremamente complexo, contando com mais de 100.000 variáveis e fatores, entre eles proximidade do usuário com a fonte da publicação, número de curtidas, tipo de conteúdo e até horário de postagem.
Com isso, das cerca de 1500 publicações que um usuário teria acesso normalmente, apenas 20% desse montante chega ao destino. Apesar do motivo ser o de evitar uma enxurrada de conteúdo chegando ao usuário, esse “filtro” acaba gerando algumas consequências muito ruins, pois muitos usuários não sabem ou não percebem que essa “filtragem” acontece.
Como temos a tendência de se engajar mais em publicações que concordam com o que pensamos, o Facebook vai passar a mostrar mais daquilo que você gosta e menos daquilo que você não gosta — e não concorda também, passando uma sensação equivocada da realidade.
Um dos problemas observados desse efeito, que interfere diretamente no trabalho de um jornalista, é que dentro dessas bolhas sociais é muito mais fácil se espalhar as chamadas “Fake News”. Num ambiente em que predomina aqueles conteúdos e posições em que você acredita, a “guarda” fica mais baixa e acabamos acreditando mais facilmente nas coisas. Mesmo as vezes sendo uma notícia claramente falsa." - Extraído de https://medium.com/observat%C3%B3rio-de-m%C3%ADdia/uma-nova-fronteira-o-facebook-e-a-bolha-social-5986ff5bd89e

Será que, após a inevitável derrota do candidato do PSL, não será fácil para os seus seguidores espalharem boatos acerca de uma suposta fraude na votação eletrônica e as pessoas tomarem isso como sendo verdade absoluta?

Assim sendo, no caso do PT ganhar as eleições, não descarto a hipótese de que Bolsonaro poderá prosseguir com o seu intencional inconformismo, contribuindo para desencadear um movimento revolucionário no país que, semelhantemente com o que houve em 1930, causou a queda da primeira República. Ou seja, seria o prato cheio para termos um verdadeiro golpe de Estado, assassinando a Constituição Federal de 1988, cujas consequências seriam imprevisíveis para as conquistas alcançadas na área social e para as liberdades individuais.

Certamente que o ambiente de polarização na política brasileira é o que muito contribui para o aumento na divisão da nossa sociedade com sérios riscos para o regime democrático atual. Pois o fato do PT estar em segundo lugar nas pesquisas e com chances reais de ganhar as eleições instiga ainda mais os grupos de direita popular que surgiram nos últimos anos em apoio a Bolsonaro, acreditando tais militantes que o candidato irá por fim à corrupção e mudar o Brasil.

Todavia, se tivermos um presidenciável moderado disputando o segundo turno da eleição contra Bolsonaro, a exemplo de Geraldo Alckmin, poderemos evitar o aumento das tensões políticas no país. Isto porque um presidente de centro teria as chances de conciliar melhor os interesses do que um radical de direita ou um líder de esquerda cuja vice, Manuela d'Ávila, foi indicada pelo PCdoB para compor a chapa com o PT.

Felizmente, ainda nos restam oito dias pela frente e parte das horas de um final de semana como este, o qual considero decisivo para, quem sabe, ocorrer uma virada heroica até 07/10. Pois, segundo a otimista explicação do sociólogo Antonio Lavareda, presidente do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), "se Alckmin crescer 3% ou 4% até segunda-feira, ele pega impulso e consegue chegar ao segundo turno. O final de semana é fundamental. É quando há troca de informação nos grupos sociais".

Nunca é demais lembrar que, na reta final de outras eleições, houve movimentos importantes nesta etapa. Em 2014, Aécio Neves (PSDB) teve variação positiva de 10 pontos. Já em 2010, Marina Silva (então no PV) cresceu 6 pontos. E, em 2006, o próprio Alckmin disputando contra Lula, cresceu 8%. Logo, ainda tenho minhas esperanças de que o PSDB consiga chegar lá para evitarmos uma tragédia histórica na política brasileira, sendo que considero o candidato tucano uma opção muito melhor para estabilizar o Brasil do que Ciro Gomes.


Coragem, meus amigos, e vamos todos vestir a camisa do 45 no dia 07 de outubro. E para quem está indeciso ainda há tempo para se definir, sendo que os eleitores de Fernando Haddad podem muito bem refletir sobre a importância de mudarem para uma opção mais light, trocando o PT pelo PSDB. O Brasil é Geraldo!

OBS: A primeira foto ilustrativa do artigo retrata Getúlio Vargas, com outros líderes da Revolução de 1930, no município paulista de Itararé, logo após a derrubada de Washington Luís.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

No meio de um grande mar



Estava lendo hoje no portal de notícias do G1 sobre a incrível aventura de um rapaz indonésio de 19 anos que sobreviveu 49 dias à deriva no Oceano Pacífico, navegando em uma cabana de pesca flutuante, até ser resgatado por uma navio de bandeira panamenha. Segundo a matéria, o jovem "tinha apenas alguns dias de suprimentos e sobreviveu pegando peixes, queimando madeira de sua cabana para cozinhá-los, e sugando água do mar de suas roupas para tentar reduzir a ingestão de sal".

Não foi a primeira notícia sobre pessoas que tiveram a sorte de percorrer tantas milhas náuticas com tão pouca estrutura em suas embarcações. Por exemplo, já houve alguns casos de pescadores perdidos da costa africana que conseguiram chegar até o Nordeste brasileiro, cruzando o Atlântico.

Certo é que as travessias marítima sempre povoaram a nossa imaginação fértil e tem a ver com o surgimento do Brasil, quando as naus de Pedro Álvares Cabral chegaram na Bahia em abril de 1500. E olha que as caravelas eram embarcações bem simples se comparadas com as atuais.

Como se sabe, a Bíblia fala das façanhas do profeta Jonas e da viagem do apóstolo Paulo quando era prisioneiro dos romanos, a qual terminou num naufrágio na ilha de Malta. E quem é que não se lembra das histórias de Simbá, o marujo? Ou ainda da mítica viagem de Odisseus ao retornar à ilha de Ítaca, quando veio a sofrer a fúria e as paixões das terríveis criaturas marinhas?

No caso da Bíblia, como uma representação do caos e da morte, o mar tornou-se também figura comum para os homens maus e as poderosas nações pagãs inimigas de Israel - o "bramido dos grandes povos" (Isaías 17:12). E, sem dúvida, percepções comuns acabaram se tornando comuns a outras culturas, servindo, em última análise, de metáfora quanto ao enfrentamento das nossas dificuldades.

Penso que, de todos os "mares" do mundo, o mais difícil de navegar seja o próprio inconsciente humano onde residem os medos, as inquietações, os traumas, as carências e os sonhos. Temos nesse ambiente psíquico tanto a paz quanto a bonança e o desejo que, diante de uma tormenta, algo repentinamente ocorra para tranquilizar as ondas e os ventos.

Ótima tarde a todos!


OBS: A imagem acima trata-se de uma reprodução extraída do Facebook cujos créditos autorais são atribuídos ao Consulado da Indonésia em Osaka.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Um inverno que termina com cara de inverno



Não posso dizer que o inverno de 2018 tenha sido rigoroso, mas também não foi atípico pois, diferentemente dos anos anteriores, manteve-se dentro da normalidade. Ou como era antigamente...

Assim, se setembro de 2017 foi intragavelmente quente e seco, em que só choveu por aqui no primeiro e no último dia do mês a ponto de faltar água na cidade, eis que, neste ano, está sendo bem diferente. No final da tarde desta terça-feira (18/09), peguei um tororó quando saí do Tribunal de Justiça, no Rio, de modo que acabei precisando me abrigar na estação das barcas, na Praça XV, antes de prosseguir até o terminal do VLT. Por conta do temporal, acabei iniciando a minha viagem de volta para casa só depois das 17 horas.



Felizmente, para o meu conforto, venho dormindo quase todos os dias de cobertor além da manta. Raras foram as noites em que senti calor no final desta estação. Aliás, houve dias tanto de agosto quanto de setembro em que fez frio.

Apesar de ainda não ser primavera, noto a presença de algumas flores aparecendo no quintal e no jardim de casa, as quais não perco a chance de fotografar. Pois, com o aumento da luminosidade, o cenário da natureza tende a se transformar ficando mais colorido e vívido.


Daqui umas semanas, certamente estarei já reclamando do tempo quente quando precisar vestir uma roupa social bem como ligar o ventilador de teto para dormir. Porém, haverá sempre algumas compensações no calor e não vejo a hora de vestir uma bermuda, tomar um gostoso banho de rio e ver as plantas cheias de flores, sendo que, no comecinho da nova estação, o ambiente ainda costuma ficar agradável.

Ótima quarta-feira a todos e que venha a Primavera!

domingo, 16 de setembro de 2018

Um erro comum dos governantes



Mesmo com as atenções do internauta brasileiro voltadas para as eleições, eis que, pelos jornais daqui, já repercutiu o mal estar causado entre o presidente da França, Emmanuel Macron, e um jovem desempregado de 25 anos, ocorrido nos jardins do Palácio do Eliseu. Conforme li no portal de notícias do G1, este teria sido o diálogo:

"'Tenho 25 anos, enviei vários currículos e cartas de motivação, mas não deu em nada', disse o homem, que estava de visita ao Palácio do Eliseu no sábado, por ocasião das chamadas jornadas de patrimônio, ao presidente francês.

'O senhor gostaria de trabalhar em que setor', perguntou Macron. 'Horticultura', disse o desempregado.

Macron sugeriu a ele trocar de área. 'Se o senhor estiver disposto e motivado, na hotelaria, nos cafés e restaurantes, na construção civil: não há um lugar onde vou onde não me dizem que estão procurando pessoas. Nenhum! Hotéis, cafés, restaurantes: eu atravesso a rua, consigo um para o senhor!', afirmou o presidente, que apontou com um gesto para as ruas ao redor.

'Pessoalmente, isso não é um problema para mim. Mas eu entrego meu currículo, e eles jamais me ligam', retornou o homem.

Macron insistiu: 'Passe por uma rua cheia de cafés e restaurantes em Montparnasse. Francamente, tenho certeza de que um em cada dois está recrutando neste momento'.

'Compreendo, obrigado', respondeu o desempregado, enquanto Macron lhe apertava a mão." - Extraído de https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/09/16/e-so-atravessar-a-rua-para-achar-emprego-diz-macron-a-desempregado.ghtml

Sou fã do presidente francês, um dos melhores políticos da nossa atualidade decadente, mesmo estando hoje com sua popularidade em baixa. Porém, creio que faltou a ele uma dose de sensibilidade para com o problema alheio, o que acaba se tornando um mal da grande maioria dos governantes quando chegam ao poder. 

Não discordo da sugestão para que o rapaz experimentasse mudar de ramo e tomasse iniciativas de ir à luta não se acomodando. Afinal, não existe atividade profissional que se eternize e muitas das vezes precisamos aceitar que não dá para fazermos a mesma coisa a vida inteira. Ainda mais quando somos jovens.

Entretanto, notei que Macron, em momento algum, foi capaz de atentar para a necessidade de capacitação dos trabalhadores para o enfrentamento da realidade dinâmica da economia atual e do oferecimento de condições para que o desempregado possa romper a sua situação de dependência. Pois, mesmo que a França venha a adotar políticas públicas quanto a isso, o que não duvido, deve-se tentar compreender a dificuldade do outro.

Atravessando o mundo por um momento bem crítico, e que se torna ainda mais grave em países periféricos da economia global, entendo que os governantes precisam ter uma nova postura. Deveriam sair da defensiva quando questionados pela população, passando a se colocar no lugar do outro, ou do contrário tornam-se indiferentes à realidade na qual se inserem, o que acaba sendo o caminho para o fracasso.

Apesar do ocorrido, continuo sendo um fã de Macron. Vejo-o como um líder de um enorme potencial para equilibrar a política nos dias atuais. Tanto é que teve uma vitória surpreendente nas urnas, em maio de 2017, com 65,8% dos votos, derrotando a direitista Marine Le Pen no 2º turno das eleições presidenciais francesas. Só que agora necessita tomar bastante cuidado para não se tornar impopular.

OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Charles Platiau/Reuters.

Fascistas mostrando a cara



Neste final de semana, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais de internet foi o ataque cibernético feito por hackers no sábado (15/09) a um grupo no sítio de relacionamentos Facebook chamado chamado #Elenão, o qual representa o movimento de mulheres contrárias ao candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL).

Embora, neste domingo (16), o grupo tenha sido reativado e o controle retornado para as administradoras originais, o episódio mostrou o quanto a liberdade de expressão das pessoas encontra-se em risco diante da conduta autoritária dos simpatizantes do candidato. Trata-se de algo que comprova o risco que corre a nossa democracia, conforme bem colocou a candidata da Rede Sustentabilidade, Marina Silva:

"Quero hipotecar meu apoio às mulheres que se articularam e criaram esse grande movimento na internet chamado #Elenão que foi violentamente hackeado por uma visão política autoritária que não respeita a liberdade de expressão, não respeita a liberdade de organização e articulação (...) Em 2014 eu fui vítima desse tipo de ataque cibernético e isso está ganhando uma proporção inaceitável no Brasil e no mundo. Estamos diante de uma situação semelhante a que aconteceu nos Estados Unidos. Setores autoritários antidemocrático querendo influenciar as eleições. Esse tipo de atitude tem resquícios na ditadura (...) Os processos autoritários venham de onde vier, sejam contra quem for, devem ser sempre repudiados. Que as instituições tomem providências"

Antes de hackeado, a página contava com mais de 2 milhões de participantes, sendo que o Grupo Especializado de Repressão aos Crimes por Meios Eletrônicos, da Polícia Civil da Bahia, já investiga os fatos. 

Aguardaremos as investigações!

Para evitar um segundo turno entre PT e Bolsonaro, alguém poderia renunciar à candidatura!



Na mais recente pesquisa de intenção de votos para presidente da República do instituto Datafolha, divulgada na última sexta-feira (14/09), o candidato do PT, Fernando Haddad, saltou de 9% para 13%, vindo a empatar com Ciro Gomes (PDT), o qual também soma a mesma quantidade de pontos percentuais. É o que consta no gráfico acima elaborado pelo portal de notícias G1.

Tal resultado, considerando o crescimento do petista, indica a possibilidade de termos um segundo turno disputado entre o PT e o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, o qual chegou a 26%. E, se considerarmos que a chapa de Haddad, diferentemente das eleições vitoriosas dos dois mandatários anteriores, é composta por uma vice-presidente indicada pelo radical PCdoB, isto significa que o pleito ficará polarizado entre direita e esquerda.

Ainda hoje eu estava lendo nas redes sociais o texto A INVASÃO DOS BÁRBAROS ..., de autoria do meu amigo Dib Curi, morador da cidade serrana de Nova Friburgo, no qual o autor muito bem se expressou a respeito disso nos seguintes termos:

"Amigos. As pessoas acharem que podem menosprezar e insultar alguém só porque a pessoa pensa diferente é o fim dos tempos. Acho uma lástima o Brasil correr o risco de ficar entre Bolsonaro e o PT no segundo turno, reforçando ainda mais o quadro de ódio, rancor e intolerância que já dura dois anos e está exaurindo à todos. Estou bastante chateado com estes dois grupos, não por pensarem como pensam - é legítimo - mas porque são raivosos, arrogantes, convictos e inflexíveis. Creio que este nível de polarização política vai esgarçar ainda mais o frágil tecido sócio-político brasileiro, rasgando-o ao meio. Por mim, escolheríamos um terceiro candidato que, na minha opinião, poderia ser Marina, Ciro ou quem você quiser, mesmo com todos os problemas que o candidato tenha, pelo menos, não contribuirá para atolar o Brasil na ingovernabilidade, tal a divisão preconceituosa entre estes dois grupos. Imaginem vocês um segundo turno entre estes dois candidatos? Seus correligionários vão decidir no tapa e na injúria? E depois como um destes dois vai governar (para os seus) tendo quase 50% da população contra ele e com tamanha rejeição? Como vai conseguir aprovar leis no Congresso? Ficaremos paralisados mais QUATRO anos? No mais, vejo muito mais ódio, intolerância e preconceito no eleitor do Bolsonaro, mas vejo muito menosprezo metido a besta e sem nenhuma auto-crítica póstuma no eleitor do PT. Por mim a gente superava este momento e elegíamos um terceiro candidato além desta loucura e barbárie, só para podermos retornar à estabilidade, à paz e à civilidade, o que já seria uma grande coisa. Perdoem-me os amigos de ambos os lados, mas eu precisava dizer isto. Sou da Paz, sempre. Abraço do Dib" (Extraído do Facebook)

Inegável é que essa intolerância social só tende a crescer no próximo mês com a presença dos dois partidos disputando o segundo turno do pleito presidencial e mostrará uma divisão do Brasil ainda maior do que o resultado de 2014. E, sem dúvida, a apertada vitória de Dilma Rousseff sobre o senador Aécio Neves tornou-se fator de instabilidade para o seu governo até que houve o impeachment em 2016.

Atualmente, entretanto, a situação política do Brasil encontra-se ainda mais grave do que a de quatro anos atrás. Pois, devido ao nível elevado de intolerância, coisa que não vivíamos desde a época da ditadura, o inconformismo será tão grande da parte do lado perdedor de modo que muitos dos seguidores de Bolsonaro poderão sair às ruas pedindo uma intervenção militar. Inclusive porque as simulações apontam a derrota do candidato do PSL com os principais concorrentes no aguardado segundo turno devido á sua rejeição.

Mais do que nunca é preciso que uma candidatura moderada de centro seja fortalecida pelo eleitor consciente. E, neste sentido, eu vejo no Geraldo Alckmin e na Marina Silva ótimas opções. Admitiria até como terceira opção, num segundo turno, vir a apoiar Ciro contra Bolsonaro, o qual seria uma esquerda mais aceitável do que o PT e, portanto, com menos riscos de ele querer transformar o Brasil numa segunda Venezuela. 

De qualquer modo, entendo que, devido à queda de Marina de 16% em 22/08 para 8% no dia 14/09, ela poderia pensar em abrir mão de sua candidatura e negociar um apoio a Geraldo Alckmin. Pois, sem dúvida, daria uma excelente ministra do meio ambiente num eventual governo tucano tornando-se um ponto de equilíbrio com relação à atrasada bancada ruralista do centrão que hoje integra a coligação.

Vamos aguardar a próxima pesquisa de opinião e esperar que o eleitor brasileiro faça as pazes com o bom senso há muito tempo perdido, afastando-se da intolerância. E, quanto a isto, vale a pena assistirmos aqui a entrevista dada à GLOBONEWS pelo rabino e escritor Nilton Bonder que a seguir compartilho diretamente do YouTube.


Ótima semana a todos!