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domingo, 16 de setembro de 2018

Fascistas mostrando a cara



Neste final de semana, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais de internet foi o ataque cibernético feito por hackers no sábado (15/09) a um grupo no sítio de relacionamentos Facebook chamado chamado #Elenão, o qual representa o movimento de mulheres contrárias ao candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL).

Embora, neste domingo (16), o grupo tenha sido reativado e o controle retornado para as administradoras originais, o episódio mostrou o quanto a liberdade de expressão das pessoas encontra-se em risco diante da conduta autoritária dos simpatizantes do candidato. Trata-se de algo que comprova o risco que corre a nossa democracia, conforme bem colocou a candidata da Rede Sustentabilidade, Marina Silva:

"Quero hipotecar meu apoio às mulheres que se articularam e criaram esse grande movimento na internet chamado #Elenão que foi violentamente hackeado por uma visão política autoritária que não respeita a liberdade de expressão, não respeita a liberdade de organização e articulação (...) Em 2014 eu fui vítima desse tipo de ataque cibernético e isso está ganhando uma proporção inaceitável no Brasil e no mundo. Estamos diante de uma situação semelhante a que aconteceu nos Estados Unidos. Setores autoritários antidemocrático querendo influenciar as eleições. Esse tipo de atitude tem resquícios na ditadura (...) Os processos autoritários venham de onde vier, sejam contra quem for, devem ser sempre repudiados. Que as instituições tomem providências"

Antes de hackeado, a página contava com mais de 2 milhões de participantes, sendo que o Grupo Especializado de Repressão aos Crimes por Meios Eletrônicos, da Polícia Civil da Bahia, já investiga os fatos. 

Aguardaremos as investigações!

Para evitar um segundo turno entre PT e Bolsonaro, alguém poderia renunciar à candidatura!



Na mais recente pesquisa de intenção de votos para presidente da República do instituto Datafolha, divulgada na última sexta-feira (14/09), o candidato do PT, Fernando Haddad, saltou de 9% para 13%, vindo a empatar com Ciro Gomes (PDT), o qual também soma a mesma quantidade de pontos percentuais. É o que consta no gráfico acima elaborado pelo portal de notícias G1.

Tal resultado, considerando o crescimento do petista, indica a possibilidade de termos um segundo turno disputado entre o PT e o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, o qual chegou a 26%. E, se considerarmos que a chapa de Haddad, diferentemente das eleições vitoriosas dos dois mandatários anteriores, é composta por uma vice-presidente indicada pelo radical PCdoB, isto significa que o pleito ficará polarizado entre direita e esquerda.

Ainda hoje eu estava lendo nas redes sociais o texto A INVASÃO DOS BÁRBAROS ..., de autoria do meu amigo Dib Curi, morador da cidade serrana de Nova Friburgo, no qual o autor muito bem se expressou a respeito disso nos seguintes termos:

"Amigos. As pessoas acharem que podem menosprezar e insultar alguém só porque a pessoa pensa diferente é o fim dos tempos. Acho uma lástima o Brasil correr o risco de ficar entre Bolsonaro e o PT no segundo turno, reforçando ainda mais o quadro de ódio, rancor e intolerância que já dura dois anos e está exaurindo à todos. Estou bastante chateado com estes dois grupos, não por pensarem como pensam - é legítimo - mas porque são raivosos, arrogantes, convictos e inflexíveis. Creio que este nível de polarização política vai esgarçar ainda mais o frágil tecido sócio-político brasileiro, rasgando-o ao meio. Por mim, escolheríamos um terceiro candidato que, na minha opinião, poderia ser Marina, Ciro ou quem você quiser, mesmo com todos os problemas que o candidato tenha, pelo menos, não contribuirá para atolar o Brasil na ingovernabilidade, tal a divisão preconceituosa entre estes dois grupos. Imaginem vocês um segundo turno entre estes dois candidatos? Seus correligionários vão decidir no tapa e na injúria? E depois como um destes dois vai governar (para os seus) tendo quase 50% da população contra ele e com tamanha rejeição? Como vai conseguir aprovar leis no Congresso? Ficaremos paralisados mais QUATRO anos? No mais, vejo muito mais ódio, intolerância e preconceito no eleitor do Bolsonaro, mas vejo muito menosprezo metido a besta e sem nenhuma auto-crítica póstuma no eleitor do PT. Por mim a gente superava este momento e elegíamos um terceiro candidato além desta loucura e barbárie, só para podermos retornar à estabilidade, à paz e à civilidade, o que já seria uma grande coisa. Perdoem-me os amigos de ambos os lados, mas eu precisava dizer isto. Sou da Paz, sempre. Abraço do Dib" (Extraído do Facebook)

Inegável é que essa intolerância social só tende a crescer no próximo mês com a presença dos dois partidos disputando o segundo turno do pleito presidencial e mostrará uma divisão do Brasil ainda maior do que o resultado de 2014. E, sem dúvida, a apertada vitória de Dilma Rousseff sobre o senador Aécio Neves tornou-se fator de instabilidade para o seu governo até que houve o impeachment em 2016.

Atualmente, entretanto, a situação política do Brasil encontra-se ainda mais grave do que a de quatro anos atrás. Pois, devido ao nível elevado de intolerância, coisa que não vivíamos desde a época da ditadura, o inconformismo será tão grande da parte do lado perdedor de modo que muitos dos seguidores de Bolsonaro poderão sair às ruas pedindo uma intervenção militar. Inclusive porque as simulações apontam a derrota do candidato do PSL com os principais concorrentes no aguardado segundo turno devido á sua rejeição.

Mais do que nunca é preciso que uma candidatura moderada de centro seja fortalecida pelo eleitor consciente. E, neste sentido, eu vejo no Geraldo Alckmin e na Marina Silva ótimas opções. Admitiria até como terceira opção, num segundo turno, vir a apoiar Ciro contra Bolsonaro, o qual seria uma esquerda mais aceitável do que o PT e, portanto, com menos riscos de ele querer transformar o Brasil numa segunda Venezuela. 

De qualquer modo, entendo que, devido à queda de Marina de 16% em 22/08 para 8% no dia 14/09, ela poderia pensar em abrir mão de sua candidatura e negociar um apoio a Geraldo Alckmin. Pois, sem dúvida, daria uma excelente ministra do meio ambiente num eventual governo tucano tornando-se um ponto de equilíbrio com relação à atrasada bancada ruralista do centrão que hoje integra a coligação.

Vamos aguardar a próxima pesquisa de opinião e esperar que o eleitor brasileiro faça as pazes com o bom senso há muito tempo perdido, afastando-se da intolerância. E, quanto a isto, vale a pena assistirmos aqui a entrevista dada à GLOBONEWS pelo rabino e escritor Nilton Bonder que a seguir compartilho diretamente do YouTube.


Ótima semana a todos!

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

É preciso respeitar a democracia!



Desde o final da ditadura militar, nunca a política brasileira esteve tão tensa quanto agora em que a violência está visivelmente se manifestando faltando 31 dias para as eleições.

Pouco mais de seis meses da caravana de Lula no Paraná ter sido atingida por três tiros (leia AQUI a postagem correspondente no blogue), eis que, na tarde de hoje (06/09), o candidato do PSL a Presidente, Jair Bolsonaro, foi alvo de uma facada durante a sua campanha pelo Centro da cidade mineira de Juiz de Fora.

Conforme noticiado pelos jornais, eis que, ao sofrer o golpe, Bolsonaro foi socorrido e levado à Santa Casa de Misericórdia da cidade. E, segundo o hospital informou, o paciente deu entrada na emergência por volta de 15:40 hs, com "uma lesão por material perfurocortante na região do abdômen".

Pouco depois, sabe-se que o candidato passou por uma cirurgia que terminou por volta das 19:40 hs com a condução posterior à UTI da Santa Casa. Seu estado de saúde é considerado estável e deve passar a noite no hospital, recuperando-se das três lesões no intestino delgado já tratadas.

O suspeito, identificado pela Polícia pelo nome de Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, foi preso em flagrante. E, segundo o comandante do 2º Batalhão da PM de Juiz de Fora, o tenente-coronel Marco Antônio Rodrigues de Oliveira, o agressor "alegou que tentou ferir o candidato Jair Bolsonaro por ter divergências de ideias e pensamentos com ele (...) Falou que [foi] uma questão pessoal dele. Depois não manifestou mais nada". Porém, no boletim de ocorrência do ataque ocorrido nesta quinta, consta que Adelio afirmou, em conversa com policiais após sua prisão, que esfaqueou o candidato do PSL "a mando de Deus".

O que se sabe acerca do suspeito é que o mesmo é formado em pedagogia, foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014 e tem passagem na Polícia em 2013 por lesão corporal. E, pelo que afirmou ao portal de notícias G1 o marido de uma sobrinha de Adelio, ele era uma pessoa "distante da família" e com uma conduta violenta:

"Já sabia que um dia ia acontecer qualquer coisa, ele já 'pegou faca' pra irmã dele. A família humilde, pobre, não tem ninguém pra internar, aconteceu isso. Eu acho que é de tanto ler a Bíblia. Acho que ele lia a Bíblia de trás pra frente, de frente pra trás. Não é normal, não."

No seu perfil no Facebook, Adelio priorizava publicações de cunho político e social, na maior parte em tom de crítica. Entre os 13 candidatos concorrendo à Presidência da República, Bolsonaro era o alvo mais comum das postagens, muito embora o suspeito preferisse direcionar mais os seus ataques à Maçonaria.

Após o episódio, várias lideranças políticas manifestaram-se lamentando o fato. Inclusive a própria Executiva Nacional do PSOL divulgou uma nota de repúdio, considerando que a agressão sofrida por Bolsonaro "configura um grave atentado à normalidade democrática e ao processo eleitoral".

"Nosso partido tem denunciado a escalada de violência e intolerância que contaminou o ambiente político nos últimos anos. Por isso, não podemos nos calar diante deste fato grave. Repudiamos esse ataque contra o candidato do PSL e esperamos das autoridades as medidas cabíveis contra seu autor."

Também os presidenciáveis deixaram registradas nas redes sociais as suas manifestações contrárias ao ataque. Inclusive o candidato do meu partido, Geraldo Alckmin, escreveu que a política deve ser feita "com diálogo e convencimento, jamais com ódio", considerando "deplorável" qualquer ato de violência.


Espero não só que Jair Bolsonaro possa sair recuperado do hospital como também tenhamos momentos de paz nestas eleições. Pois, afinal, há que se respeitar a nossa democracia de modo que qualquer agressão física a candidatos, seja de que bandeira for, precisa ser de plano repudiada pelas pessoas de bem.

Decidido o caso sobre a candidatura do Bolsonaro




Finalmente, na manhã desta quinta-feira (06/09), o TSE julgou o requerimento sobre o registro de candidatura a presidente da República do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, o qual havia sido objeto de um questionamento que fiz à Justiça Eleitoral em 15/08 pelo fato do deputado ser réu numa ação penal perante o STF (clique AQUI para ler a postagem correspondente). 

Como já esperava, após haver lido no processo o parecer da Procuradoria Geral Eleitoral e também algumas entrevistas de ministros do STF à imprensa, comecei a considerar mínimas as chances de aceitação da minha notícia de inelegibilidade. Porém, continuei convencido da tese de que réus em processos criminais na Justiça não podem ser candidatos a um tão elevado cargo já que, pelo regramento constitucional, o Presidente da República precisa ser afastado de suas funções para responder a uma ação penal. 

Por unanimidade, durante um julgamento que não durou nem dez minutos, o Tribunal não conheceu da notícia de inelegibilidade e nem de uma impugnação fora do prazo que fora apresentada por outro advogado, tendo os magistrados acompanhado o relator, min. Og Fernandes. Segundo ele, os requisitos previstos na Lei das Eleições (Lei Federal nº 9.504/1997) foram todos preenchidos, bem como as condições de elegibilidade previstas no artigo 14 da Constituição Federal:

"O preenchimento das condições de elegibilidade previstas na Constituição Federal e a não verificação da incidência de quaisquer das causas de inelegibilidade, deve se reconhecer no caso a aptidão do candidato para participar das eleições de 2018"

Mesmo unânime a decisão, o ministro Luiz Edson Fachin destacou que juntará ao processo o seu voto escrito no qual faz uma análise sobre a incidência do artigo 86 da Constituição Federal, cujo texto é este: 

"admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade".

Já a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, também afirmou que fará a posterior juntada de seu voto fazendo referência à natureza da discussão, que é a condição do candidato ser réu em ação que tramita no STF. Segundo ela, trata-se de "uma questão de Direito interessante que se resolve à luz da Constituição Federal".

O requerimento de Bolsonaro foi o último dos 13 registros de candidatura a presidente da República julgados pelo TSE dos quais 12 chegaram a ser aprovados (o pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido negado). Votaram com o Relator os Ministros Luis Felipe Salomão, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, Luís Roberto Barroso, Luiz Edson Fachin e Rosa Weber (Presidente).

Assim que os dois votos estiverem disponíveis, pretendo compartilhar os posicionamentos dos ministros com comentários aqui no blogue. Não tentarei recorrer da decisão e respeito a decisão da Justiça. O número do processo no TSE é o 0600866-23.2018.6.00.0000.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Uma tragédia para a cultura e para a história do Brasil



Ainda estamos todos perplexos com o incêndio de grandes proporções que devastou o prédio e o acervo do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista ocorrido no domingo (02/09). Eu estava ainda com minha família em Brasília quando recebi as primeiras mensagens acerca do fato pelo WhatsApp.

Conforme noticiado pela imprensa, o fogo começou por volta das 19h30 do domingo e só foi controlado no fim da madrugada da segunda-feira (03/09). Porém, pequenos focos de incêndio ainda seguiram queimando partes das instalações da instituição, a qual completou o seu bicentenário neste ano.


Como se sabe, o prédio do museu já foi residência de um rei (D. João VI) e de dois imperadores (D. Pedro I e D. Pedro II). A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída, dos quais se incluem fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte, os quais viraram cinzas.





Conheço esse museu desde os tempos de infância, em que meus pais e professores da escola me levaram algumas para visitar o local. Também continuei frequentando o espaço durante a adolescência e a última vez em que estive lá foi no primeiro semestre de 2012 na companhia da esposa Núbia e da minha tia Giseli.

De certo modo, o museu representa uma parte daquilo que vivemos e que se foi junto com a História brasileira. Já não teremos como apresentar o local aos nossos filhos, netos e bisnetos que não o conheceram. E, caso o governo venha a restaurar o prédio, com observância de todos os detalhes do estilo antigo da casa, o que teremos ali será somente um espaço cultural ou, quem sabe, um novo museu, mas nunca o antigo cujo acervo pereceu nas chamas. Aliás, foi o que bem escreveu uma prima minha, professora e ex-diretora da da Escola de Belas Artes da UFRJ, em seu perfil no Facebook:

"O museu acabou...ouço e vejo autoridades prometendo reconstruí-lo, mas um museu só é museu por seu acervo. O acervo é que dá a identidade do museu e as coleções deste acervo precioso de nosso Museu Nacional foram transformadas em cinzas.... Concordo com Paulo Herkenhoff quando nos diz que museu sem acervo é Espaço Cultural, logo, não adianta prometer restaurar, pois já está desaparecido." (Ângela Ancora da Luz)

Uma das perdas registradas foi o fóssil de nome "Luzia" e que durou cerca de 11.500 anos no ambiente natural até ser encontrado em solo mineiro. Porém, esse grandioso achado da arqueologia, que trouxe novas luzes quanto aos habitantes primitivos da América do Sul, não sobreviveu ao descaso dos nossos governantes tendo em vista a patente omissão da União Federal no destino de recursos para a adequada manutenção do museu.

domingo, 2 de setembro de 2018

A beleza da vida que resiste na secura do Planalto Central



Como havia informado anteriormente, vim passar o final de semana com a família aqui em Brasília/DF e cheguei justamente numa das épocas mais secas do ano que é o fim do período de inverno.

Muitas pessoas não gostam do Planalto Central nestes dias pois, devido à escassez de chuvas, o clima lhes parece desagradável, com uma forte radiação solar durante o dia, além de uma grande oscilação térmica que supera os 20ºC. E, por sua vez, a natureza também se ressente visto que algumas árvores perdem as folhas enquanto o Cerrado arde em chamas.


Certo que a paisagem curtida neste sábado (01/09), caminhando próximo ao Lago Paranoá, chega a ser uma exceção quanto ao restante de Brasília. Porém, dava para sentir um pouco os efeitos da seca sobre as plantas ao mesmo tempo em que a beleza se mostra embrionariamente na natureza tentando resistir e se recriar para uma próxima estação que lhe é mais favorável - a Primavera.

Um paralelo que podemos fazer entre esses episódios naturais e a nossa vida é que a nossa beleza como pessoas se verifica nas dificuldades enfrentadas. Pois é nos períodos de privação, de perdas, sofrimento e adversidades que o nosso caráter irá se revelar assim como a nossa coragem, determinação, fidelidade entre outros valores que só enobrecem a existência humana.

Fato é que no inverno também há flores. E, mesmo não sendo muitas por enquanto, elas nos ensinam que o inverno seco e hostil não durará para sempre e será passageiro tal como os nossos problemas na vida.


Assim sendo, a mensagem que deixo a todos vocês é que não percam as esperanças quanto à chegada de uma fase primaveril em suas vidas. Lutem, resistam e prossigam firmemente para o alcance de suas metas, jamais deixando de sonhar.

Tenham todos um excelente domingo e vamos em frente.

sábado, 1 de setembro de 2018

Sobre a impugnação do registro de candidatura de Lula e a notícia de inelegibilidade do Bolsonaro




Iniciamos as primeiras horas do mês de setembro com uma grande vitória da moralidade que foi o indeferimento do registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme o placar de 6 votos a 1 na sessão extraordinária iniciada na tarde do dia 31 de agosto. Esta só terminou neste sábado (01/09), pouco depois da meia noite, com o posicionamento da presidente da Côrte, ministra Rosa Weber. 

O ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, votou pela rejeição da candidatura de Lula à Presidência, tendo sido acompanhado pelos eminentes julgadores Mussi, Og Fernandes e Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira e Rosa Weber. Porém, o min. Fachin acabou sendo o único a divergir e votou por uma autorização provisória da candidatura do político.

Como é público e notório,  Lula foi condenado em 2ª instância e está preso em Curitiba, sendo certo que a Justiça Eleitoral não é instância revisora do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre/RS. Porém, como cabe ao TSE decidir, ordinária e originariamente, sobre as candidaturas a Presidente da República, aplicando a Lei da Ficha Limpa, eis que algumas questões de Direito Penal e outras de Direito Internacional precisaram incidentalmente ser enfrentadas, tendo em vista o que havia decidido o Comitê da ONU em favor do ex-presidente. 

Assim, conforme o Tribunal determinou, após a rejeição da candidatura, o nome de Lula terá que ser a retirado da urna eletrônica. E, por sua vez, ele também ficou proibido de fazer campanha como candidato, inclusive na propaganda de rádio e TV, a qual já começou. Logo, mesmo que venha a apelar para o Supremo Tribunal Federal (STF), é bem possível que a ordem do TSE se mantenha durante todo o período de campanha visto que o recurso extraordinário não gera efeito suspensivo.

De acordo com a ministra Rosa Weber, cabe agora à coligação que apoia Lula requerer a substituição do candidato, no prazo de 10 dias, na forma do artigo 13 da Lei Federal n.º 9504/1997 que assim diz:

"Art. 13. É facultado ao partido ou coligação substituir candidato que for considerado inelegível, renunciar ou falecer após o termo final do prazo do registro ou, ainda, tiver seu registro indeferido ou cancelado.
§ 1o  A escolha do substituto far-se-á na forma estabelecida no estatuto do partido a que pertencer o substituído, e o registro deverá ser requerido até 10 (dez) dias contados do fato ou da notificação do partido da decisão judicial que deu origem à substituição.   (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009)
§ 2º Nas eleições majoritárias, se o candidato for de coligação, a substituição deverá fazer-se por decisão da maioria absoluta dos órgãos executivos de direção dos partidos coligados, podendo o substituto ser filiado a qualquer partido dela integrante, desde que o partido ao qual pertencia o substituído renuncie ao direito de preferência. 
§ 3o  Tanto nas eleições majoritárias como nas proporcionais, a substituição só se efetivará se o novo pedido for apresentado até 20 (vinte) dias antes do pleito, exceto em caso de falecimento de candidato, quando a substituição poderá ser efetivada após esse prazo.  (Redação dada pela Lei nº 12.891, de 2013)"

A meu ver, como disse no começo do texto e também expus nas redes sociais, através de um vídeo, foi uma grande vitória da moralidade essa decisão do TSE. E, na gravação, também comento brevemente a respeito da notícia de inelegibilidade do candidato Jair Bolsonaro que eu havia apresentado ao Tribunal, mas que não chegou a ser aceita pelo Ministério Público no seu Parecer cuja ementa a seguir transcrevo:

"Eleições 2018. Presidente da República. Registro de Candidatura. Notícia de Inelegibilidade. Candidato réu em ação penal perante o Supremo Tribunal Federal. Inelegibilidade não configurada. Ausência de previsão legal. Condições de elegibilidade atendidas. Inexistência de causas de inelegibilidade. 1. Por ausência de previsão legal, não constitui causa de inelegibilidade a circunstância do candidato ser réu em ação penal. 2. De um julgamento provisório sobre impedimentos dentro da linha sucessória da Presidência da República (ADPF 402) não decorre causa de inelegibilidade estabelecida pela Corte Constitucional. 3. Atendidas as condições de elegibilidade, e ausentes causas de inelegibilidade, deve ser deferido o registro da candidatura. Parecer pelo não reconhecimento da causa de inelegibilidade noticiada, e pelo deferimento do registro de candidatura." 

No entender do Ministério Público, a fonte da inelegibilidade não poderia ser decisão cautelar do Supremo Tribunal Federal na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 402, mas, sim o texto legal:

"Ao ver do Ministério Público Federal, no julgamento da medida cautelar não houve afirmação pelo Supremo Tribunal Federal de causa nova de inelegibilidade, como se apresenta ao noticiante. De um julgamento provisório sobre impedimentos dentro da linha sucessória da Presidência da República não decorre causa de inelegibilidade estabelecida pela Corte Constitucional. Não se pode prever o desate do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 402, mas ainda que nela se venha a assentar nova causa de inelegibilidade, a Lei das Eleições estabelece que 'As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalização do pedido de registro da candidatura, ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro que afastem a inelegibilidade'. (Lei nº 9.504/97. art. 11, §10)."

Seja qual for o entendimento da Justiça a ser adotado, acredito que a apreciação dessa matéria proporcionará maior segurança jurídica às eleições, sendo certo que questões de alta indagação não podem permanecer em aberto. E, se a condição de réu não for impedimento para alguém candidatar-se a Presidência da República, precisamos então saber como que alguém nessa condição irá assumir um cargo tão elevado.

De qualquer modo, fiquei contente com o indeferimento do registro de candidatura de Lula, o que mostrou a todo o país que ninguém está acima da Lei e esta deve servir para todos indistintamente.


Vamos continuar acompanhando e consideremos que, graças aos posicionamentos da Justiça Eleitoral (nos casos Lula e Bolsonaro), poderemos obter a desejada segurança jurídica nesse pleito a fim de que todas as controvérsias sejam afastadas e a disputa corra normalmente até à posse de quem vier a ser escolhido pelo povo.

Aproveito para desejar a todos um "feliz mês", tal como fazem costumeiramente os gregos, meus ancestrais pelo lado materno, dizendo: Kalo mina

Grande abraço, meus amigos!

OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Agência Brasil.