Neste segundo domingo do mês de maio, em que estou atarefado para tentar adiantar tarefas do trabalho (mesmo sendo um dia de folga e de reuniões familiares), não posso deixar de separar um tempinho e parabenizar todas as mães pela data de hoje bem como também às minhas.
Ora, falei no plural porque, além da minha mãe biológica Myrian (foto acima), posso, ao mesmo tempo, ter uma segunda, uma terceira e até outras mães, considerando a importância das mulheres que participaram da nossa criação, nos educando para a vida.
Recordando o meu passado, eis que vivi junto com minha mãe até um pouco mais dos meus oito anos e meio. Foi quando fui morar ,em 1985, com o meu avô paterno Sylvio que, na época, era um jovem idoso de seus 67 anos. Ele era casado em segunda núpcias com Diva e ambos residiam na cidade mineira de Juiz de Fora, juntamente com a dona Rita, mãe da Diva.
Apesar da mudança da guarda, minha mãe biológica continuou sendo a minha mãe e Diva tornou-se para mim uma segunda mãe embora, na época, não a chamasse assim. Inclusive, na época, ouvia-se dizer com maior frequência que "mãe é só uma", o que, hoje em dia, está se tornando um conceito cada vez mais ultrapassado. Inclusive quanto à paternidade também.
Foram muitos os anos que vivi em Juiz de Fora durante dois momentos distintos, sendo que, em 1988, retornei ao Rio de Janeiro, cidade onde havia nascido, onde tornei a morar por quatro anos e meio. Lá, no arborizado bairro do Grajaú, cheguei a ficar uns tempos na casa de ambas as avós. Mais com a avó paterna Darcília e apenas meio ano com a avó materna Marisa (e com minha mãe Myrian também) sendo que foi, salvo engano em 1989, que perdi a bisavó Maria de Nazaré.
Todavia, tive esse convívio com as avós (e essa bisa do lado materno) desde a mais tenra infância. Até porque meus sete primeiros anos de vida foram no tal bairro Grajaú. Desde então, já passava muitos finais de semana com a avó paterna e, vez ou outra, vinha com ela para sua casa de veraneio cá em Muriqui a fim de curtir uns dias de férias ou feriado.
Quando fui morar sozinho, o que durou aproximadamente uma década (até me casar com Núbia), eis que, num determinado momento, fui buscando uma nova aproximação com minha mãe. Isto se deu por volta de 2005, no ano seguinte após a minha formatura, quando iniciei a profissão de advogado. Tinha 29 anos e estava participando de um trabalho de grupo numa igreja com base no livro do Augusto Cury chamado 12 Semanas para Mudar uma Vida. E, a partir daí, comecei a estar mais com ela nas minhas idas ao Rio de Janeiro.
Com a saída de Nova Friburgo e vinda para Mangaratiba em 2012, estando já casado com Núbia, ganhei uma outra mãe, que é a dona Nelma. Ela, na verdade, é a minha sogra, mas posso, com liberdade, chamá-la de minha "mãe preta", sem nenhum tipo de racismo. Até porque quando a cor da pele de alguém é apenas uma caracterização física da pessoa, inexiste a figura do preconceito e acho uma besteira e tanto essa coisa do politicamente correto.
Atualmente, já não tenho mais nenhuma das avós vivas. O último parente vivo da linha direta ascendente nascido na primeira metade do século XX é o meu avô paterno de seus 85 anos e que reside em San José, capital da Costa Rica, país da América Central. Minha mãe encontra-se morando em Brasília desde 2015 e só a vejo quando vou até lá fazer ou quando ela vem ao Rio de Janeiro por motivo e visita familiar.
Diva ainda vive e está muito bem com suas nove décadas de vida sendo que costumamos nos falar pelo telefone. E, há quase uns três anos atrás, estive com ela numa breve visita a Juiz de Fora, no mês de julho de 2015.
Para terminar, posso simbolizar em Maria de Nazaré, mãe de Jesus, a mulher que seria a minha sétima mãe. Embora eu não seja um homem religioso e nem siga o catolicismo, tenho na Bíblia um livro de inspiradoras leituras de modo que guardo para mim aquele trecho do Evangelho de João quando Cristo, estando na cruz, fala ao seu discípulo e diz: "Eis aí a tua Mãe" (Jo 19:26).
Assim sendo, penso que esse ensino extraído das Escrituras Sagradas do cristianismo vem nos ensinar sobre a ideia do alargamento da maternidade cujo conceito precisa ser sempre amplo e ligado à relação de cuidado que as pessoas precisam estabelecer entre si. Tanto é que, em meio à agonia do Gólgota, o tal discípulo que Jesus amava, teria trazido Maria para a sua casa recebendo-a como mãe (verso 27), independentemente da questão biológica.
Pois é, meus amigos. Hoje como comentei na postagem de um amigo no Facebook, "ainda bem que podemos ter muitas mães". E, sem reduzir a honra a quem me deu a luz, posso dar um pouco do meu carinho e respeito às mulheres que a Vida pôs em meu caminho de um modo bem especial.
Ótima semana a todos!