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quinta-feira, 5 de abril de 2018

Que possamos compreender a prisão de Lula com maturidade e coerência!



Nesta quinta-feira (05/04), o juiz federal Sérgio Moro determinou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o qual foi condenado em duas instâncias da Justiça no caso do triplex em Guarujá (SP). Sua pena de 12 anos e 1 mês de prisão foi definida pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), devendo iniciar-se em regime fechado. E, de acordo com a determinação do magistrado, o réu tem até às 17 horas desta sexta-feira (06/04) para apresentar-se voluntariamente à sede da Polícia Federal em Curitiba.

No entanto, tão logo o terminou a sessão do STF que negou a ordem no habeas corpus de Lula, o mundo político não tem parado de comentar acerca da decisão. E, dentre as opiniões ditas hoje pelos nossos parlamentares acerca da prisão do Lula, chamaram a minha atenção as palavras ditas pelo senador Álvaro Dias (Pode-PR) e também pelo deputado Alex Manente (PPS-SP), ambos líderes de suas respectivas bancadas. Porém, gostei mais ainda das lúcidas colocações de um político que veio da esquerda fluminense que é o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), o qual já foi ministro do ex-presidente condenado assim como também o foi em outra pasta a sua colega de partido, a Marina Silva. Coerentemente, o parlamentar afirmou:

"São momentos indesejáveis que se somam: o momento da corrupção que fez tanto mal à população brasileira e esse outro momento de ver um líder de tantas lutas ser recolhido à prisão. O Lula não é exclusivamente um ex-presidente. É um símbolo da luta contra a ditadura pela anistia, pela democracia de um modo geral. Mas, exatamente com base nos postulados democráticos, ele recebe uma pena de reclusão."

Fato é que vivemos um grandioso momento de transformações planetárias em que diversos líderes estão sendo processados no mundo por corrupção. Além do ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, tivemos não faz muito tempo o caso da prisão do ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, pertencente ao Partido Socialista (PS) de lá. O ex-premiê português ocupou o posto entre 2005 e 2011 e teve a sua prisão preventiva decretada em novembro de 2014, mas acabou libertado em setembro do ano passado para aguardar em casa enquanto não vai a julgamento.

Além desses nomes, podemos citar também Ehud Olmert de Israel, Otto Pérez Molina da Guatemala e Silvio Berlusconi da Itália. 

Ora, independentemente das ideologias desses políticos, todos respondem indistintamente por seus atos. Logo, fico a pensar por que no Brasil as coisas teriam que ser diferentes como andam falando alguns esquerdopatas que não têm um pingo de auto-crítica?

Que Lula responda pelos seus ato como todo e qualquer indivíduo. E que a opinião pública possa compreender a necessidade de termos leis maus duras no Brasil para punir os atos de corrupção. Afinal, ninguém está acima da Lei.

Ótima noite a todos!

Estamos deixando de ser o país da impunidade!



Como já está bem tarde e pela manhã tenho compromissos, não vou poder escrever muito sobre o julgamento histórico do habeas corpus impetrado pela defesa do do ex-presidente Lula perante o Supremo Tribunal Federal (STF), cujos ministros, por maioria de votos (6 a 5), denegaram a ordem mantendo o entendimento que os mesmos tinham adotado em 2016.

Mais do que justa foi a decisão tomada quanto a esse caso em que a longa sessão só se encerrou no começo da madrugada desta quinta-feira (05/04) com o voto de desempate da presidente da Côrte, ministra Cármen Lúcia. 

Com o resultado, torço que o fantasma da volta da impunidade tão cedo não torne a assombrar o país e todos os réus recebam tratamento igual do Judiciário brasileiro após serem condenados em segunda instância pelos seus crimes. Afinal, mesmo que os elementos não possam ser considerados definitivamente culpados antes do trânsito em julgado, por que motivo vamos impedir a prisão de tais seres potencialmente nocivos para a sociedade quando toda a discussão probatória acerca dos fatos já se encerrou?!

Finalmente espero que os apoiadores do ex-presidente Lula, em especial os que integram a militância do PT, respeitem o acórdão do Supremo e não saiam pelas ruas praticando atos de baderna, conforme costumam fazer vandalizando prédios públicos e agências bancárias. Pois, como bem aprendi na faculdade, decisões judiciais são para serem cumpridas. 

Ótima quinta-feira a todos!

OBS: Créditos autorais da foto acima atribuídos a José Cruz/Agência Brasil, conforme extraído de http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-04/maioria-do-stf-nega-habeas-corpus-preventivo-lula

terça-feira, 3 de abril de 2018

Acidentes que são frutos da estupidez humana



Percorrendo as notícias recentemente publicadas na internet, acabo de ler uma matéria sobre a morte de um homem de 45 anos, na cidade espanhola de Arcos de la Frontera, o qual teria sido golpeado várias vezes por um touro durante o evento chamado "Festa do Touro de Aleluia". Esta trata-se de uma tradição que se repete por lá todos os sábados de Páscoa desde 1784, não muito diferente de como era a nossa extinta "Farra do Boi" no litoral do estado de Santa Catarina.

Sempre que divulgam notícias sobre ferimentos ou mortes de pessoas envolvidas em eventos como as touradas ou essas festas de rua, há quem diga que foi "bem feito" para a vítima porque a mesma teria provocado o animal desrespeitando os seus direitos. Outros que são defensores de tradições assim julgam ter havido uma fatalidade limitando-se, no máximo, a responsabilizar os seus organizadores.

Sinceramente, tenho pena tanto do animal quando das vítimas humanas (e de seus familiares). O touro, por ser provocado e agir agressivamente por instinto, jamais terá culpa por haver chifrado alguém nessas condições. E de modo algum acho que o bicho deva ser sacrificado por tal motivo.

Por sua vez, os seres humanos que se arriscam nessas "brincadeiras" costumam ser pessoas ignorantes que não têm a compreensão de respeito pelo animal e nem o sentimento de preservação da própria vida. Talvez queiram perpetuar um pouco das emoções que os seus antepassados tinham num ambiente campestre durante as caçadas aos bois mais selvagens. Porém, pelo que me parece, não estariam sabendo dar novos significados aos costumes históricos.

A meu ver, o Supremo Tribunal Federal agiu bem quando decidiu proibir a prática da Farra do Boi no território catarinense durante o julgamento de uma ação civil pública movida no final do século passado (Recurso Extraordinário número 153.531-8/SC; RT 753/101). Segundo a interpretação do STF, o evento foi considerado intrinsecamente cruel e, por isso, poderia ser qualificado como atividade criminosa.

Graças ao tal julgamento, notou-se uma diminuição gradual na quantidade de festas similares. No entanto, os farristas, contrariando a decisão da Justiça, organizaram-se e tentaram reverter a situação em seu favor de modo que, no ano de 2000, um projeto de lei estadual tentou legalizar em Santa Catarina a "Farra do Boi" em mangueirões, com a alegação de que os eventos passariam a ser realizados sem maus-tratos aos animais. Porém, apesar da sua aprovação pela Assembleia Legislativa de lá, a proposição recebeu o devido veto pelo então governador Esperidião Amin, o qual reconheceu a sua inconstitucionalidade. Só que ainda assim, quem garante que até hoje não ocorrem algumas farras clandestinas em ambientes privados?

No meu entender, todos os eventos que utilizam animais para divertimento, inclusive os rodeios e as apresentações em circos, deveriam ser definitivamente abolidos. Pois basta a exposição do bicho num espetáculo que já lhe causa uma situação de desconforto e estresse. E essa abolição deve se dar independentemente da conduta caracterizar ou não algum dos ilícitos previstos na Lei Federal nº 9.605/98, a exemplo do artigo 32 da norma que criminaliza os atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Espero que um dia a humanidade possa progredir e a cultura, que não é algo rígido, acompanhe tal evolução. Pois chega de vermos novos acidentes relacionados a essas brincadeiras se repetindo.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O clamor da ministra pela serenidade

Nesta segunda-feira (02/04), a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), gravou um pronunciamento de 3 minutos e 18 segundos no qual defendeu o "fortalecimento da democracia", afirmando sobre a necessidade de "se respeitar opiniões diferentes" e pediu "serenidade" a fim de que diferenças ideológicas não resultem em "desordem social". 


Embora a sua assessoria não haja informado qual a motivação do comunicado da ministra ao país, pode-se perfeitamente presumir que tudo o que Carmen Lúcia disse tem a ver com o polêmico julgamento do habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cujo desfecho, por certo, não poderá agradar a uma nação hoje dividida.



De qualquer modo, vale a pena refletirmos sobre o que disse a presidente da mais alta Corte de Justiça deste país pois, afinal, os dias não têm sido lá muito favoráveis para o cultivo da tolerância depois que as redes sociais de internet promoveram a bipolarização da sociedade pela radicalização do debate. 



Com a palavra, a nossa excelentíssima ministra:



A democracia brasileira é fruto da luta de muitos. E fora da democracia não há respeito ao direito nem esperança de justiça e ética.



Vivemos tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições.



Por isso mesmo, este é um tempo em que se há de pedir serenidade.



Serenidade para que as diferenças ideológicas não sejam fonte de desordem social.



Serenidade para se romper com o quadro de violência. Violência não é justiça. Violência é vingança e incivilidade.



Serenidade há de se pedir para que as pessoas possam expor suas ideias e posições, de forma legítima e pacífica.



Somos um povo, formamos uma nação. O fortalecimento da democracia brasileira depende da coesão cívica para a convivência tranquila de todos. Há que serem respeitadas opiniões diferentes.



Problemas resolvem-se com racionalidade, competência, equilíbrio e respeito aos direitos. Superam-se dificuldades fortalecendo-se os valores morais, sociais e jurídicos. Problemas resolvem-se garantindo-se a observância da Constituição, papel fundamental e conferido ao Poder Judiciário, que o vem cumprindo com rigor.



Gerações de brasileiros ajudaram a construir uma sociedade, que se pretende livre, justa e solidária. Nela não podem persistir agravos e insultos contra pessoas e instituições pela só circunstância de se terem ideias e práticas próprias. Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais. A liberdade democrática há de ser exercida sempre com respeito ao outro.



A efetividade dos direitos conquistados pelos cidadãos brasileiros exige garantia de liberdade para exposição de ideias e posições plurais, algumas mesmo contrárias. Repito: há que se respeitar opiniões diferentes. O sentimento de brasilidade deve sobrepor-se a ressentimentos ou interesses que não sejam aqueles do bem comum a todos os brasileiros.



A República brasileira é construção dos seus cidadãos.



A pátria merece respeito. O Brasil é cada cidadão a ser honrado em seus direitos, garantindo-se a integridade das instituições, responsável por assegurá-los.


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Marcelo Camargo/Arquivo/Agência  Brasil, conforme extraído de http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-04/em-pronunciamento-na-tv-carmen-lucia-destacara-tempos-de-intolerancia-no

O respeito pelo nome social nos órgãos públicos



Acabei de ler no porta de notícias G1 que a Justiça Eleitoral irá abrir prazo entre 03/04 e 09/05 para transexuais e travestis registrarem nome social no título de eleitor e no caderno de votação das Eleições 2018, atualizando assim a identidade de gênero no Cadastro Eleitoral.

Considero dignificante que seja dado tratamento nominal às pessoas transexuais e travestis em todos os órgãos públicos, inclusive nas prefeituras das cidades brasileiras, abrangendo quaisquer registros relativos a serviços públicos prestados no âmbito da Administração Direta e Indireta.

Acredito que, através dessa medida, a Justiça Eleitoral estará contribuindo para diminuir a discriminação da qual travestis e transexuais são vítimas diariamente, atendendo às reivindicações dos movimentos LGBT. Pois ao aceitar o "nome social" o TSE está mostrando não ignora a identidade de gênero dos eleitores, conforme ocorreu em sessão administrativa realizada no dia 1º de março deste ano:

"No último dia 22, o tribunal decidiu também que transexuais e travestis podem solicitar a emissão de título de eleitor com seu nome social, acompanhado do nome civil. O presidente do TSE, ministro Luiz Fux, afirmou que 'é papel da Justiça Eleitoral zelar pelo respeito às diferenças e atuar para que o exercício da cidadania se dê livre de embaraços e preconceitos'. Para ele, os novos avanços preenchem uma lacuna da Justiça especializada em relação à prática social." - Extraído de https://g1.globo.com/politica/noticia/prazo-para-transexuais-e-travestis-registrarem-nome-social-no-titulo-de-eleitor-vai-de-3-de-abril-e-9-de-maio.ghtml

Entendo que precisamos ter respeito ao pluralismo de ideias, culturas e etnias bem como às diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. Deste modo, deve ser sempre assegurado às pessoas transexuais e travestis o direito ao nome social. Mediante a indicação do interessado, o tratamento nominal deverá constar em todos os documentos, fichas, formulários e crachás, sendo que os servidores públicos deverão tratá-la pelo nome indicado. E isso deve valer também para os pacientes internados nos hospitais e usuários de todas as unidades de saúde.

Quanto às escolas, defendo idêntica solução para os alunos que forem transexuais e travestis. E, embora nem sempre seja fácil diagnosticar qual a orientação sexual do adolescente, entendo que se trata da liberdade da pessoa, o que deve ser respeitado pelo estabelecimento de ensino, pela família e pela sociedade em geral.

Sejamos solidários com todas as minorias, lutando contra a homofobia, a transfobia e qualquer outro tipo de preconceito ou discriminação.

Ótima segunda-feira a todos!

domingo, 1 de abril de 2018

O fim da breve dieta de um ariano



Nunca segui os horóscopos. Aliás, sou cético demais para acreditar nisso. Porém, como essa tradição herdada lá da antiga Mesopotâmia faz parte da nossa cultura até os dias hoje, havendo até faculdades de Astrologia, fica complicado alguém desconhecer qual é o seu signo. 

No meu caso, sou considerado um "ariano" pois nasci no dia 12/04. Cuida-se do primeiro signo astrológico do zodíaco, situado entre Peixes e Touro, sendo, pois, associado à constelação que leva o seu nome. Seu símbolo é um carneiro e alcança os nascidos entre 21 de março e 20 de abril.

Pois bem. Como sabemos, é comum as pessoas iniciarem suas respectivas dietas logo no começo de janeiro, após as extravagâncias cometidas entre o natal e o Reveillon. Graças ao clima quente que costuma fazer no tórrido verão carioca, pode-se dizer que a época ajuda bastante no cultivo de novos hábitos que, por sua vez, auxiliarão na perda de peso.

Uma vez iniciada a dieta lá pelos dias 02 ou 03 de janeiro, o brasileiro razoavelmente persistente consegue mantê-la até à chegada do frio por pelo menos uns quatro meses, havendo apenas algumas interrupções em que as pessoas "metem o pé na jaca", como se diz por aqui. Uma delas seria no Carnaval, porém o ato de sambar contribui para queimar as colorias compensando os excessos de churrasco e de bebida. Já a outra época desfavorável corresponde à Semana Santa, mais precisamente ao Domingo de Páscoa devido ao habitual consumo dos ovos de chocolate.

Todavia, tudo se complica para um ariano quando chega o mês de abril. Pois além dos deliciosos ovos de chocolate deixados pelo coelhinho, temos também a comemoração dos nossos aniversários de modo que sempre ingerimos umas fatias de bolo e provamos uns outros doces mais.

No meu caso então, além da Páscoa e do meu natalício, tenho ainda os aniversários de minha mãe Myrian, nascida em 04/04 e da esposa Núbia que todos os anos completa a sua translação ao redor do Sol em 26/04. Ela é uma "toura" no zodíaco, porém nasceu no mesmo mês que eu cuja data cai no calendário exatamente duas semanas depois, coincidindo com o mesmo dia da semana.

Para adocicar ainda mais a situação, eis que a minha mulher resolveu fazer uns cursos sobre ovos de chocolate e bombom. Conforme a mesma expôs dia 25/02 em seu blogue (clique AQUI para ler), Núbia teve então a primeira aula sobre ovo de Páscoa de colher:

"Aprendemos a fazer o ovo, alguns truques para conservar o chocolate e vários recheios. Desde o mais barato até os mais caros e requintados. Dos ovos que fizemos, o que achei mais fofinho foi o meu. E também os que foram feitos pelas garotas que era igual ao meu. (rsrsrs) O nosso ovo era de Nutella e chocolate branco, enfeitado com confetes mais um coelhinho com sabor limão (feito também por mim). Meu marido e minha irmã Sandra adoraram!"

Nesta Páscoa de 2018, estou tendo a oportunidade de degustar os ovos recheados feitos por minha esposa que são a mais pura tentação. O doce ficou uma loucura! Desde a madrugada de sábado para domingo até agora já comi dois desses ovos enfeitados com confete.


Amanhã vou ver se fecho a boca e me seguro até o próximo final de semana quando pretendo estar visitando minha mãe em Brasília e lá celebrar o aniversário com antecipação. Porém, quando retornar da viagem, acabarei rememorando na outra quinta-feita visto que, desta vez, Núbia não irá me acompanhar no passeio. Logo, haverá um parabéns extra.

Apesar de estar chegando aos 42 anos com menos de 90 quilos e não ser considerado gordo, tendo em vista que tenho 1 metro e 90 centímetros, sinto que preciso me cuidar. Estando há quase dois anos em atividades sedentárias, meu peso subiu de menos de 76 kg em julho/2016 para uns 88 kg atualmente sem haver exagerado nos doces. Simplesmente meu erro está sendo em manter os dois pratos cheios que devoro no almoço sem estar fazendo exercícios regulares como antes em que chegava a caminhar quase diariamente uns 4 a 6 quilômetros na praia.

Com a chegada do frio, outras guloseimas virão. Daqui uns dois meses e meio, começarão as festas juninas e, juntamente, teremos as barracas na praça vendendo bolinho de milho, maçã do amor, canjica, cocada (as daqui de Muriqui são deliciosas), pé de moleque, cuscuz, paçoca e muito mais. 

Que o respeito à vida ressuscite entre nós!



Na data de ontem (31/03), considerado pela cristandade como sendo o tradicional "Sábado de Aleluia", um assassinato bárbaro abalou Mangaratiba e o Estado do Rio de Janeiro logo pela manhã. A pequena Brenda Valentina Alves Oliveira Aleixo, de apenas 2 anos e meio, tornou-se mais uma vítima da violência do crime organizado que assola o Rio de Janeiro e vários outros estados do país. Conforme informou o portal de notícias G1, colocando novamente a cidade nas páginas policiais nacionais,

"A criança morreu após ser baleada no início da manhã deste sábado (31) perto do Morro do Chapéu, em Conceição de Jacareí, distrito de Mangaratiba, na Região Metropolitana do Rio. O pai teria desavenças com o tráfico da região. Quem teria disparado contra ela foi um dos dois homens envolvidos com tráfico de drogas que entraram na residência dos pais da menina. Por enquanto, apenas um desses bandidos foi identificado: Leonardo dos Santos Minas. O pai de Brenda contou à Polícia que estava saindo para trabalhar com a filha quando foi abordado pela dupla de traficantes. Ele teria entrado no carro e arrancado, mas o veículo foi alvejado por vários disparos, e um deles atingiu a filha dele, que estava no banco traseiro. Disse, ainda, suspeitar que os criminosos estavam tentando atingi-lo, visto que há dois dias havia se desentendido com um homem, conhecido como Chuck, também envolvido com o tráfico de drogas. Os pais encontraram equipe do 33º BPM (Angra dos Reis), que a levaram para um posto de saúde no município. Brenda foi transferida para o Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, onde morreu por volta das 11h." (Extraído de  https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/menina-e-morta-em-assalto-em-mangaratiba-no-rj.ghtml)

Quem me acompanha nas redes sociais, sabe que não costumo comentar sensacionalisticamente sobre crimes. Aliás, acho deprimente falar sobre essas mazelas da sociedade de modo que, em geral, escrevo mais sobre política, temas filosóficos, questões jurídicas e comportamentos. Porém, desta vez, eis que a violência passou dos limites pois está mudando a realidade de uma pacata localidade do litoral sul fluminense que, não sei se por erro ou acerto do repórter do G1, foi noticiada como sendo já um município integrante da caótica Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Fato é que os bandidos já não estão mais respeitando ninguém. Andam armados com fuzis, controlam estratégicas áreas do território onde vivem as populações carentes e, covardemente, atiram para matar pouco se  importando se as balas atingirão crianças, mulheres grávidas, idosos ou bebês. Os delitos podem ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite sendo que às vezes os disparos são feitos até próximos de uma unidade policial.

A reflexão que levanto aqui é que o respeito à vida parece haver morrido dentro da nossa sociedade visto que os homicídios estão se banalizando a ponto de muitos nem mais se importarem com as notícias acerca do assassinato de alguém. E, quando pouco sabemos aceca da vítima, sendo geralmente um adulto que morreu, surge logo a desculpa psicológica de que o executado talvez fosse mais um envolvido com o tráfico de drogas. Ainda mais sendo jovem, negro e morador dos bairros de periferia.

Entretanto, o que dizer quando a vítima é uma criança inocente e que nada tem a ver com o comércio ilícito de entorpecentes? Considero hediondo sabermos que um marginal foi capaz de abrir fogo contra o veículo onde o pai estava com a filha de dois anos e meio pouco se importando com as consequências de seus atos em relação à menor. Que monstruosidade foi essa que ocorreu aqui em Mangaratiba!

Neste domingo considerado "santo" pela cristandade, no qual se comemora o episódio bíblico da ressurreição de Jesus, significando a vitória da vida sobre a morte, sinto o quanto precisamos trazer de volta valores há muito tempo esquecido pela nossa sociedade. E um deles seria justamente o respeito pela vida do nosso semelhante já que a todo momento ocorrem entre nós homicídios, lesões corporais graves, acidentes de trânsito e de trabalho perigosíssimos sem que haja nenhum esforço coletivo para revertermos tal realidade. Muitos hoje vão para um culto religioso de devoção a Cristo, porém não são capazes de agir dentro de seu pequeno universo para que as mudanças no meio social comecem a ocorrer.

Para finalizar, reproduzo aqui o texto da postagem feita por um morador atuante do Município no sítio de relacionamentos Facebook que comentou sobre o caso. Suas palavras nos fazem pensar mais profundamente sobre o ocorrido possibilitando que nos identifiquemos com a tragédia sofrida por uma família que foi violentada já que o mesmo poderia ter atingido a filha de qualquer outro pai que também tem o seu direito a viver:

"Hoje eu saí com minha filha mais velha. Ela assistiu a aula na faculdade comigo e almoçamos juntos. Passamos na loja de chocolate para comprar o presente deste domingo. Voltamos pra casa brincando e conversando. Trouxemos presentes para a vovó e para a filha mais nova e mamãe. Ao chegar, a pequenina dá um grito de PAPAI! Vamos passar o dia de páscoa juntos. Mas, uma família não terá este prazer. Jacareí está menos bonita. Aliás, a praia mais bonita de Mangaratiba está lá (minha opinião). Não está nada bem! Não adianta tentar sufocar o grito de uma população que não está acostumada a tal violência. Perdemos um bebê. Nossa! Uma linda bebê. Qual sua culpa? Ela só ia brincar e se divertir. Me perdoem. Impossível ficar calado e aceitar que as coisas estão acalmando. Mangaratiba não está preparada para tanta violência. Nós não queremos nos preparar para essa violência. Nos recusamos a aceitar isso. Os discursos bonitos de quem é culpado eu dispenso. Nenhum argumento supera a perda de uma criança. A noite acaba aqui. Hoje não há o que comemorar." (Robertinho Castilho em https://www.facebook.com/RobertinhoCastilho01/photos/a.275380822830843.1073741829.275377879497804/560970794271843/?type=3&theater)

Que Brenda descanse em paz. E que a sociedade indignando-se contra a violência posicione-se junto com as suas autoridades policiais a fim de que o crime organizado seja definitivamente erradicado em Mangaratiba, no Rio de Janeiro e em todo Brasil. Ressuscitemos o respeito pela vida! E que as tragédias ocorridas com ela e com outras crianças recentemente baleadas pelo crime organizado levem Mangaratiba e o Rio de Janeiro a reagir contra tanta barbárie que tem se instalado no nosso ambiente.


Boa semana a todos!

OBS: Créditos da primeira imagem atribuídos a Robertinho Castilho, Facebook, sendo a foto acima da menina Branda reproduzida pelo G1 a partir do mesmo sítio de relacionamentos na internet.