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sexta-feira, 23 de março de 2018

Enfim, sobrevivi a mais um verão



Nesta semana, mais precisamente no começo da terça-feira (20/03), terminou o verão de 2017/2018 que, desta vez, foi bem chuvoso para nós em Mangaratiba.

Como não gosto do calor, só tenho a agradecer a São Pedro por ter esses dias amenos em que consegui suportar os últimos três meses, principalmente janeiro. Pois raramente tivemos dias muito quentes a ponto deste último verão poder ser considerado como uma estação assemelhada à primavera, conforme escrevi na última postagem de fevereiro (clique AQUI para ler).

Embora com uma frequência geralmente um pouco menor de precipitação do que em dezembro, janeiro e fevereiro, os vinte primeiros dias de março de 2018 não ficaram muito para trás, fazendo jus àquela música do eterno Tom Jobim (1927 — 1994). E, desde o começo da nova estação, a chuva ainda tem continuado de modo que, na data de ontem, fui trabalhar no Centro de Mangaratiba debaixo de um tremendo aguaceiro.

Para confirmar a minha percepção do que foi esse último verão, uma matéria no G1 sobre o tempo na capital estadual (situada bem próxima daqui) informa que foram ao todo 66 dias de chuva na Cidade Maravilhosa assim como a temperatura mais alta registrada teria sido no dia 18 de janeiro alcançando 39,6°C:

"O verão 2018 no Rio se despediu no início da tarde desta terça-feira (20) com números bem diferentes. Em nenhum dos 89 dias do verão tivemos temperatura de 40°C. A temperatura mais alta da estação foi registrada no dia 18 de janeiro: 39,6°C (...) Outra característica da estação foi a chuva. No total, tivemos 66 dias de chuva. No Rio, o mês de fevereiro teve apenas quatro dias sem chuva. Os temporais atingiram a cidade deixando mortos e outras centenas de pessoas desalojadas.O calor, no entanto, esteve 3 graus acima da média durante os dias do verão. Já as noites foram mais frescas: 2,3°C graus abaixo da média." (Extraído de https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/rio-nao-teve-temperatura-de-40c-no-verao-2018-outono-tera-chuva-nos-primeiros-dias.ghtml)

No entanto, é possível que venhamos a ter um resquício de verão em abril. Segundo a mesma reportagem, a previsão do tempo para a região da capital é de pouca precipitação no próximo mês e chuva acima da média em maio e junho, tendência que a região aqui da Costa Verde deve acompanhar geralmente com um pouco mais de umidade e um tiquinho a menos de calor.

Seja como for, prefiro um mês de abril quente do que um janeiro tórrido pois, no outono, já dá para dormir melhor sendo uma das épocas que mais curto. Principalmente quando o frio começa a chegar lá pela segunda metade de maio e começo de junho de modo que se torna para mim a melhor época do ano na qual posso curtir Mangaratiba e o próprio Rio de Janeiro.

Ótimo final de semana a todos!

OBS: Imagem acima extraída do portal EBC, conforme consta em http://www.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2015/03/outono-comeca-e-vai-ate-dia-21-de-junho

A virgindade vista nos tempos atuais com racionalidade



Há quem considere que, nos últimos vinte anos, a virgindade feminina voltou a ser valorizada na sociedade ocidental e muitos especulam que um dos motivos do comportamento possa ser a religião dentro de um novo contexto moral neoconservador. Tratar-se-ia da ideia de apenas fazer sexo só depois da realização formal do casamento, o que valeria tanto para mulheres quanto para homens, a ponto de se encontrar pessoas na faixa etária dos 30 anos que ainda são virgens, ou que já tenham transado mas se comprometeram consigo mesmas a ter novos relacionamentos sexuais somente quando entenderem que chegou o momento apropriado.

No entanto, tenho observado que o motivo da opção pela virgindade pode decorrer da própria liberdade sexual que hoje é melhor experimentada pela mulher das mais variadas formas, sem necessariamente estar relacionada a valores religiosos. E, apesar dos tabus ainda existentes quanto à sexualidade feminina, pode-se dizer que a mulher moderna está se tornando mais decisiva em conhecer o próprio corpo, ter a iniciativa de procurar o parceiro que ela deseja, fazer sexo quando e com quem ela quiser, não ter que se casar para ter um relacionamento sexual, assumir uma eventual homossexualidade ou bissexualidade, ter mais de um parceiro, assistir vídeos eróticos, adquirir brinquedos num sex shop, deixar fluir suas fantasias solitariamente ou num sexo não penetrativo e, simplesmente... não transar com ninguém até que ela queira.

Assim, longe de ser o estereótipo da mulher recatada e reprimida, podemos ter, na atualidade, uma profissional bem sucedida que curta amigos, baladas, viagens, porém decidiu se comprometer com si mesma em só transar com quem realmente sentir alguma coisa de verdade. Ou seja, é a figura da mulher que rejeita a ideia de transar simplesmente por transar ou para agradar o namorado/marido, podendo o comportamento ser adotado também por quem já teve uma ou várias relações sexuais.

Outra questão a ser discutida é sobre qual a idade ideal para alguém ter a sua primeira relação sexual dentro de um ponto de vista racional. E aí, levando em conta de que não existe uma idade certa para deixar de ser virgem, creio que tudo vai depender da maturidade emocional e psicológica da pessoa. E, neste sentido, embora do ponto de vista biológico o corpo humano já se encontre pronto para a sexualidade a partir dos 14 anos, em média tanto para homens quanto para mulheres, a adolescência não me parece ser o melhor momento.

Fato é que, no Brasil, justamente nos últimos 20 anos, a vivência sexual está se tornando cada vez mais precoce a ponto de 28,7% dos adolescentes aqui, entre 13 e 15 anos, iniciarem a vida sexual nesta faixa etária, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2012, realizada com estudantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). E, por mais informações que hoje os rapazes e moças recebam nas suas escolas sobre como se prevenir de uma gravidez precoce ou do contágio de uma DST, há pouca consciência quanto à questão afetiva que deve ser a "motivação natural" para duas pessoas terem um contato sexual e íntimo. É o que explica o ginecologista e especialista em sexualidade Marino Pravatto Júnior, citado numa revista feminina:

"A gravidez indesejada é uma dessas possíveis consequências. Doenças sexualmente transmissíveis, outras. Além disso, a motivação natural para a primeira relação sexual deve um encontro afetivo. Não falo em idealização, mas de afeição, de atração física, de ideias e de valores, movidas por um sentimento que leva até o ato sexual." (destaquei)

Por sua vez, para a psicóloga e especialista em sexualidade Tatiana Presser, também citada na matéria, também inexistiria uma idade certa para transar pela primeira vez. Porém, a terapeuta não aconselha que as mulheres se casem virgens:

"Acho que a mulher tem que ter maturidade para isso, então a adolescência não é o melhor momento. Também não acredito que seja saudável casar virgem. Digamos que você tem que ‘experimentar antes de comprar"

Certo é que essa visão dos terapeutas, mesmo liberal, vai se contrapor ao comportamento ainda predominante em que a adolescente considera importante perder a virgindade como uma necessidade de auto-afirmação entre suas colegas da escola ou da vizinhança. É algo que tem se desenvolvido no meio social sem que haja uma consciência acerca da própria vontade.

Finalmente, há que se escrever um pouco sobre o tema quase ignorado da virgindade masculina, mas que carece muito de ser repensada sem os valores de uma sociedade machista. Aliás, até a sua conceituação pode se tornar discutível porque os homens não têm hímen e o sexo não depende do ato penetrativo para acontecer, podendo a pessoa chegar ao orgasmo na companhia da outra de várias formas.

Entretanto, se para muitas jovens costuma ser constrangedor assumir diante das amigas que ainda é virgem, mais embaraçoso se torna para um rapaz quando atinge a idade de seus 19 ou 20 anos e não teve uma experiência sexual dentro dos padrões convencionais com alguém do sexo oposto. E como para livrar-se do rótulo de ser "virgem" gera uma incômoda ansiedade, muitos quando vão ter a primeira relação sexual acham que, naquele momento, precisam de uma ereção forte e deslumbrante a exemplo dos atores de vídeos pornográficos, o que acaba sendo mais um equívoco. Além do mais, por não haver tanta compensação moral na sociedade ao homem por permanecer mais tempo em sua condição de virgem é que a maioria dos rapazes não costuma desperdiçar a chance de conseguir a primeira experiência, mesmo sendo algo meramente oportunista sem amor.

Ora, da mesma maneira que com a mulher o ideal é ter sua relação sexual num contexto de afetividade, o mesmo não poderia valer para o homem? E, neste sentido, se o momento ocorre com a namorada, ao invés de ser uma profissional do sexo ou com uma mulher experiente com quem ele terá um encontro casual, a compreensão e o respeito deverão prevalecer ajudando a superar quaisquer dificuldades no relacionamento íntimo, quer seja de um ou de ambos, sem a necessidade de mentir para o outro dizendo haver transado várias vezes antes.




Quanto aos primeiros atos sexuais entre um homem e uma mulher, ainda mais quando um deles é virgem, talvez não devam ser invasivos. As primeiras experiências poderiam ser através de carícias mútuas, abrindo-se a oportunidade para um conhecer o corpo do outro na descoberta das diversas zonas erógenas, partilhando onde e como gostam de ser prazerosamente tocados. Sempre num contexto de afetividade e de intimidade de maneira que vale a pena a espera pelo momento ideal para o sexo assim como para a relação penetrativa.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Será que ainda tem gente acima da Lei?!




Enquanto alguns petistas comemoram triunfantemente que, com a decisão de hoje no STF, Lula não poderá ser preso até o final do julgamento do habeas corpus em curso na mais alta Corte do país, outras pessoas decepcionaram-se com o tratamento dado ao ex-presidente como se o mesmo não fosse um ser igual a todos os demais brasileiros.

Contrariando o entendimento firmado antes pelo Tribunal, de que réus condenados em segunda instância já poderiam ser presos, eis que os nossos ministros, por 7 votos a 4, excepcionalmente admitiram julgar o habeas corpus que tem por objetivo impedir a prisão de Lula antes do trânsito em julgado na sua ação criminal. Pois, como se sabe, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de segunda instância, havia o réu a 12 anos e 1 mês em regime fechado pela propina recebida da empreiteira OAS na forma de um apartamento triplex no Guarujá/SP. Propina essa que foi oriunda de um esquema de corrupção na Petrobras em que o dinheiro saiu de uma conta da empresa que abastecia o PT em troca de favorecimento em contratos com a estatal.

Além do Plenário do STF, por maioria, haver admitido julgar esse habeas corpus, eis que uma decisão do colegiado impediu a prisão de Lula até o dia 04/04. Isto porque, depois de transcorrido mais de quatro horas da sessão, como parte dos julgadores tinha compromissos e necessitava viajar, resolveu-se apreciar o mérito (a concessão ou não do habeas corpus) para depois da Páscoa. E então, devido ao adiamento, o advogado José Roberto Batochio, integrante da defesa do ex-presidente, oportunamente pediu a concessão de uma "liminar" (decisão provisória) a fim de evitar a prisão do cliente antes da conclusão desse julgamento. Por 6 votos a 5, a liminar foi concedida.

Ao saber do resultado, fiquei refletindo como que alguns políticos poderosos continuam acima da Lei neste país apesar da Lava Jato e de tantas prisões que vêm ocorrendo. Atualmente, o STF é o Tribunal que mais vem se comportando complacentemente com a impunidade no Brasil e, graças ao ministro Gilmar Mendes, vários bandidos da política e empresários inescrupulosos conseguiram escapar da prisão cautelar após haverem sido recolhidos pela Polícia Federal em cumprimento à ordem de um Juízo de instância inferior.

Apesar do habeas corpus do Lula não ter repercussão geral, pois se julgado procedente, terá efeito somente para o caso do ex-presidente, temo que a decisão irá beneficiar inúmeros outros réus na Lava Jato criando um perigoso precedente. E, neste caso, poderemos ver muitos criminosos hoje atrás das grades retornando à vida normal em sociedade até que os seus recursos sejam definitivamente julgados nas instâncias superiores da Justiça daqui sabe-se lá quantos anos.

Por outro lado, tento também ver o lado positivo do que poderá acontecer em relação às eleições. Pois se Lula, ao invés de ser preso após julgamento dos seus embargos declaratórios no TRF-4, continuar aguardando em liberdade a apreciação de todos os seus recursos, já não mais poderá apelar para a vitimização diante da opinião pública. Deste modo, ao invés do eleitor de mente sugestionável ficar a favor do ex-presidente no período de campanha política, terá melhores chances de conscientizar-se de que a verdadeira vítima ainda é a população brasileira, a qual continua sem acesso à saúde, à educação, a um meio de transporte digno, à segurança e à própria Justiça.

Votaram para impedir a prisão de Lula antes do dia 04 de abril os ministros Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello. Em favor de permitir, votaram ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Precisamos nos importar mais com os desafios da água!



Iniciou-se hoje em Brasília o Fórum Mundial da Água que é o maior evento do planeta sobre os recursos hídricos. É algo que reúne representantes de 175 países, dentre cientistas, governantes, parlamentares, juízes, pesquisadores e demais cidadãos interessados, sendo também uma grande oportunidade para acadêmicos, ativistas, formadores de opinião pública, professores governantes, legisladores e gestores do setor privados poderem se atualizar. 

Como se sabe, a água hoje em dia trata-se de uma importante temática tendo em vista os desafios das mudanças climáticas induzidas pelo ser humano, o rápido crescimento populacional e urbano, bem como a deterioração da qualidade da água. Cada vez mais tem aumentado a frequência e a intensidade dos furacões, deixando rastros de destruição como se tem visto em regiões dos EUA, Caribe, Filipinas e outros países mais. Tudo por causa das emissões excessivas e acumuladas de CO² que causam o efeito estufa.

Embora o Brasil esteja sendo o anfitrião desse Fórum (trata-se de sua oitava edição) e não soframos ainda com os grandes furacões, temos muito do que nos envergonhar considerando os recentes desastres ambientais ocorridos nesta década: o de Mariana (MG), em 2015, e o de Barcarena (PA), ocorrido há alguns dias atrás, no início deste mês de março. E uma das causas disso é que a fiscalização dos órgãos ambientais não tem sido satisfatória quanto aos empreendedores. Tanto é que hoje, durante a mesa de debates "Conectando Água e Clima", o professor da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion oportunamente questionou o motivo das grandes empresas "trabalharem de forma correta em seus países", e quando instaladas no Brasil, "não trabalharem corretamente", fazendo uma referência ao vazamento de depósitos da refinaria norueguesa Hydro, que contaminou rios no Pará.

Durante a sessão de abertura do evento, Michel Temer chegou a discursar. Na ocasião, o presidente informou que o seu governo trabalha em um projeto de lei cujo objetivo seria o de "modernizar" o marco regulatório do saneamento básico, mas não detalhou como seria a proposta e nem tão pouco informou quando pretende encaminhá-la ao Congresso Nacional.

Para o enfrentamento dos problemas relacionados á água, a UNESCO tem proposto soluções baseadas na natureza e que podem ter um papel importante na melhoria do abastecimento e na redução do impacto dos desastres naturais. O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, apresentado pela instituição, defende que reservatórios, canais de irrigação e estações de tratamento de água não sejam os únicos instrumentos de gestão hídrica à disposição. Para estes mesmos fins, é recomenda a chamada "infraestrutura verde", ou seja, soluções baseadas na natureza (SbN).

Em outras palavras as sugestões da UNESCO para ampliar a qualidade, quantidade e o acesso a água consistiriam na extensão da cobertura vegetal (para pastagens, zonas úmidas e floresta), a recomposição de solos, jardins suspensos e, principalmente, a proteção das bacias hidrográficas. E tal proposta relaciona-se com a política de incentivos a serviços ambientais a exemplo do que se vem buscando em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, tanto em ambientes rurais quanto urbanos. 

No relatório das Nações Unidas, um dos casos mencionados seria o da China em que o país asiático iniciou um projeto chamado "Cidade Esponja" com o intuito de melhorar a disponibilidade de água nos aglomerados urbanos. De acordo com o documento, trata-se de "reciclar 70% da água da chuva por meio de uma maior permeação do solo, por retenção e armazenamento, e pela purificação da água e restauração de zonas úmidas adjacentes", sendo que, até 2020, a previsão da Unesco é de que serão construídas 16 cidades-esponjas pelos chineses.

Com isso, podemos dizer que os debates no evento servirão para que a comunidade global possa repensar os seus paradigmas ecológicos em que as novas soluções precisam ser mais baseadas na natureza através das "infraestruturas verdes" que são subaproveitadas. E um dos exemplos aplicáveis desse novo conceito seria quanto à captação pluvial nas cidades. Ou seja, ao invés de coletarmos a água da chuva diretamente dos telhados, passaríamos a usar mais os chamados "telhados verdes", colocando plantas nos telhados, o que traria como benefício a redução das ilhas de calor nas áreas urbanas.

A programação do Fórum vai até sexta-feira (23/03) e a previsão é de cerca de 40 mil pessoas passem por Brasília. E, como já disse, cuida-se. portanto, de uma grande oportunidade para acadêmicos, ativistas, formadores de opinião, professores governantes, legisladores e gestores do setor privados poderem se atualizar

Vamos acompanhar!

sábado, 17 de março de 2018

Nossa participação na política precisa ser sempre medida



Muito se fala na importância do cidadão interessar-se mais pela política e dela participar por meio de suas opiniões, do comparecimento às urnas nos dias de votação, da sua presença em reuniões de interesse social, dentre outras oportunidades. Porém, não vejo ninguém promovendo reflexões acerca de qual deve ser a medida dessa participação.

Meu histórico de vida chega a ser o contrário da maioria das pessoas neste país pois confesso que tenho participado até demais da política com a qual mantenho um contato direto desde os meus tempos de movimento estudantil na cidade mineira de Juiz de Fora, antes da metade dos anos 90. Foi quando disputei uma chapa para o grêmio estudantil do colégio onde estudava e integrei os quadros da União Juizforana dos Estudantes Secundaristas (UJES) como diretor de imprensa da entidade.

Recordo que as minhas atividades não se restringiram apenas às causas estudantis. Além de haver montado dezenas de grêmios nas escolas com o intuito de organizar depois uma chapa para ganhar a UJES, acabei me metendo também nas atividades partidárias a ponto de começar a atuar na campanha de candidatos já no ano de 1994. Fui também numa manifestação em Brasília escondido da família, sendo ainda menor de idade. E até numa greve de motoristas de ônibus me meti em defesa da bandeira do passe livre.

Posso dizer que, naqueles tempos, se aprendi muita coisa com a experiência, deixei de lado outros aprendizados nas aulas dos dois últimos anos do então 2º grau, hoje chamado de ensino médio. E, apesar de ter passado no vestibular, poderia ter focado melhor nos estudos, o que deve ser a principal dedicação de todos os alunos. Quer seja na educação básica ou numa instituição de ensino superior.

Hoje não mudaria nada no meu passado porque considero tudo o quanto fiz um aprendizado. Porém, caso tivesse um filho de seus 17 anos (poderia tranquilamente ter pois sou quase um coroa com 41 anos), preferiria que ele focasse nos estudos, discutisse política mais dentro de casa, passasse nos primeiros lugares do ENEN e depois se esforçasse ao máximo para se formar em algum curso de graduação, para então virar um profissional de sucesso e quem sabe ser aprovado num excelente concurso público e ter estabilidade no trabalho com uma satisfatória remuneração.

Todavia, cada ser humano segue o rumo que o seu coração e suas vontades desejam ainda que nem sempre sejamos totalmente livres para escolhermos. Erramos e acertamos na nossa caminhada, sendo que nem sempre podemos evitar os tropeços por mais conscientes que estejamos. E, dificilmente, vamos parar de errar.

Por outro lado, entendo que algumas pessoas são aptas para se envolverem mais com política do que outras pois as suas ideias e ações contribuem para o melhoramento do coletivo. Visto que não podemos pensar só em nós mesmos, um pouco de dedicação precisamos ter a fim de tirar o Brasil desse lamaçal podre de corrupção. E aí homens e mulheres precisam em algum momento assumir posições, seja participando de algum conselho gestor na sua cidade, na direção de alguma ONG, sindicato ou associação, na ocupação de um cargo público de confiança e até se candidatando nas eleições.

É nessas horas que precisamos antes de mais nada conhecer a nós mesmos para então nos disponibilizarmos a receber alguma dose de poder. Devemos fazer uma sondagem ética, emocional e comportamental para que não venhamos a ser prejudiciais à marcha evolutiva da sociedade.

Ora, jamais podemos ignorar que os maiores assediadores da humanidade estiveram muitas das vezes dentro da política. A compulsão pelo poder, que é uma vaidade, faz com que alguém acabe cometendo crimes, negue direitos, persiga pessoas e faça as piores injustiças. Sem no esquecermos de que, junto com alguns acertos, podem ocorrer gravíssimos erros de difícil reparação que, por sua vez, se propagarão durante muitos anos e até décadas.

Penso que o ser humano maduro saberá auto-limitar a sua participação nas diversas áreas da política. Seja para não prejudicar a sociedade com decisões erradas, nem atrapalhar a sua carreira profissional e/ou afetar o convívio familiar. Aliás, quanto mais equilibrada for a atuação de alguém em termos de esforços, também mais sereno será o seu trabalho à frente da coisa pública.

Para finalizar, compartilho aqui um pouco das sinceras confissões feitas a mim por homens e mulheres que um dia já ocuparam cargos eletivos ou se tornaram ativistas de alguma causa. A grande maioria se decepcionou com o meio político e alguns mais conscientes tiveram uma desilusão consigo mesmos a ponto de reconhecerem que em nada conseguiram melhorar a vida da sociedade, tendo feito mais mal do que bem.

Que neste ano de eleições não nos falte sabedoria, seja para votarmos em alguém digno de confiança ou decidirmos sobre uma eventual candidatura a cargos públicos. Pois, afinal, trata-se de algo muito sério e da mais alta responsabilidade.

sexta-feira, 16 de março de 2018

A perda de um amigo



Na tarde desta sexta-feira (16/03), ao retornar da rua com Núbia, recebi uma triste notícias mas que já aguardava que não demorasse muito a acontecer. Assim que voltamos para casa, minha cunhada Sandra veio logo nos contar que o nosso gato Tigrão (foto) havia morrido pela manhã.

É a primeira vez que perco um animal por motivo de velhice, pois os outros bichos que tive geralmente sofreram algum acidente ou ficaram doentes. Ou então, foram doados para outra família cuidar deles.

No caso do Tigrão, esse gato tem uma longa história que começou há mais de 17 anos quando Núbia o encontrou numa caçamba de lixo em Niterói, cidade onde morava em 2001. Foi o que ela contou na postagem publicada em seu blogue dia 02/12 do ano passado:

"Achei esse gato ao lado de uma caçamba de lixo. Ele miava muito, tinha os olhinhos fechados e estava ainda com o umbigo. Levei Tigrão para a casa onde na época morava com meus pais e mais alguns gatos e um cachorro no bairro Fonseca, em Niterói, e fiquei cuidando dele. Dei banho e leite misturado com água com a ajuda do conta gotas." (Extraído de https://cantinhodanubia.wordpress.com/2017/12/02/vigesimo-oitavo-dia/)

Na época, a gente já namorava fazia uns dois anos. Por isso, o animal não veio morar comigo de imediato. Apenas passou uns dias numa casa que eu alugava em Amparo, distrito de Nova Friburgo. Aliás, isto ocorreu logo depois que ela achou o felino que ainda era um filhotinho.

Até que eu e Núbia nos casássemos em março de 2006, sua família mudou-se algumas vezes de residência dentro de Niterói, levando com eles o Tigrão que sempre se manteve apegado aos donos. Meu sogro, seu Francisco, faleceu em meados de 2002 e chegou a conviver com o gato por mais de um ano. Só depois, em 2011, é que a mãe de Núbia, dona Nelma, e a Sandra vieram para o bairro Kosmos, na região de Campo Grande, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. 

Nos tempos de moradia em Niterói, novamente o Tigrão quase morreu. Só que ao invés de ser triturado por um caminhão de lixo, o gato comeu algo envenenado. É o que Núbia também relatou no blogue dela ano passado:

"Certo dia, quando saí bem cedo para malhar na academia, encontrei Tigrão evacuando verde e tendo cólicas fortíssimas. Mandei minha irmã ligar para o veterinário dele, o qual chegou em vinte minutos vindo de um bairro longe. E, mostrando-se muito preocupado com  quadro, falou que era caso de envenenamento por chumbinho, sugerindo que rezassemos. Pois, segundo suas palavras, “só um milagre” salvaria o gato. Após três dias de internação, nossas orações para São Francisco foram ouvidas. Tigrão voltou para casa saudável e cheio de amor para dar. E eu com a conta da internação para pagar…"

Finalmente, no final de 2011, sendo Tigrão já um animal idoso, foi que ele chegou a Muriqui, sua última residência. Faltando menos de um ano para que eu e Núbia viéssemos para cá, dona Nelma e Sandra adiantaram-se na mudança após a curta passagem delas por Campo Grande. E, nesses seis anos e pouco, o bichano teve o período mais tranquilo de sua vida pois já nem ousava sair de dentro do quintal. Aliás, ele ficava quase sempre próximo à casa e costumava dormir na varanda da parte de trás. Pela manhã, afastava-se um pouco indo instintivamente para um local descampado a fim de apanhar sol.


Pouco antes de vir morar em Muriqui, na segunda metade de agosto de 2012, trouxe comigo a gata Sofia que já convivia comigo e com Núbia desde os tempos de Nova Friburgo, mais precisamente desde o Natal de 2007. No começo, Tigrão e ela se estranharam, rosnando um para o outro, tendo ele sido várias vezes atacado pela hostil nova moradora até que ambos se acostumaram.

Nos últimos meses, dava para notar que Tigrão estava mesmo perdendo as suas forças. Como um humano velhinho de seus noventa e tantos anos, ele ficava bem quietinho num canto qualquer escolhido, quase imóvel. Foi como minha esposa registrou em dezembro:

"Meu gato já não tem a mesma vitalidade da juventude. Não pula mais de lugares altos (nem baixos). Não corre e anda com as pernas trêmulas (...) Quando damos carninha, temos que picar em pedaços bem pequenininhos pois hoje ele não tem mais a mesma força para mastigar e já perdeu uma presa."

Nas últimas semanas, notamos um adoecimento normal da idade e já não estava fácil fazê-lo comer. Minha cunhada chegou a levar Tigrão a uma veterinária, a qual indicou um tratamento por meio de suplementos. Ela chegou a comprar umas vitaminas, mas Núbia achou melhor que suspendesse a medicação e deixasse o amigo partir naturalmente sem ficar prolongando o sofrimento dele.

Quando recebemos a notícia de sua passagem nesta sexta, não esperávamos que seria logo hoje, mas já sentíamos que o momento dele estava próximo e que não comemoraríamos outro Natal com Tigrão. Talvez só a Páscoa, os nossos aniversários em abril e uns acréscimos de meses, mas ele se foi. E, quando chegamos em casa, Sandra já o tinha enterrado.

De qualquer modo, considerei que a vida de Tigrão foi feliz. Pois, além de Núbia haver salvado o gato pelo menos duas vezes, ela lhe proporcionou afeto, abrigo e alimento. E eu, por mais de cinco anos e meio, tive a honra de sua companhia, em que ele se aproximava de mim estava no lado de fora da casa para contemplar a natureza do quintal. E ás vezes me chamava junto à porta dos fundos com seus insistentes miados quando queria comida ou simplesmente um pouco de atenção.

Agora descanse, Tigrão! E muito obrigado pelos anos de seu companheirismo.

Deputada defende que os mandatos dos parlamentares possam ser coletivos



Durante o mês de novembro do ano passado, foi apresentada pela deputada federal Renata Abreu (Pode-SP) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n.º 379/17, a qual, se aprovada, permitirá a existência de mandato coletivo para os cargos do Poder Legislativo (vereador, deputados estadual, distrital e federal e senador), conforme dispuser a Lei. Cuida-se, pois de acrescentar o parágrafo 12 ao artigo 14 da Carta Magna cuja redação defendida é a seguinte: 

"Os mandatos, no âmbito do Poder Legislativo poderão ser individuais ou coletivos, na forma da lei."

Em suma, podemos dizer que a proposta permite que vários componentes venham a compartilhar o mesmo mandato numa casa legislativa. E para melhor fundamentar a ideia, a parlamentar menciona na sua justificação uma experiência no município goiano de Alto Paraíso, cidade que é destino turístico (e de moradia) de muitos cidadãos "alternativos". Foi lá que cinco pessoas "assumiram" uma vaga de vereador na Câmara Municipal, tendo um dos participantes do grupo ficado como o representante legal e apareceu como candidato nas urnas, mas, na prática, dividiu as tarefas do cargo com os demais participantes:

"Trata-se de adotar experiência exitosa de Alto Paraíso de Goiás/GO, que busca superar a velha política. A atuação de um grupo em mandato coletivo fortalece a cidadania e reforça a atuação conjunta de entidades do Município goiano em busca de um bem comum por meio de atividades educativas, ambientais, culturais ou sociais."

Confesso que sou simpático à proposta da deputada que, como ela bem expôs no texto da proposição, "revela-se uma alternativa para reforçar a participação popular e expandir o conceito de representação política". Pois, de fato, vivemos há tempos uma grave crise de representação no país sendo um dos motivos, a meu ver, o enfraquecimento institucional dos nossos partidos políticos. 

Inegavelmente as nossas eleições são muito mais focadas na pessoa dos candidatos, os quais ganham visibilidade através de um trabalho de marketing pessoal antes e durante o período de campanha política. Logo, se for permitido o mandato coletivo, não só haverá mais participação da sociedade como também um maior controle e sensatez em relação às decisões tomadas.

Todavia, entendo que o melhor caminho continua sendo o do fortalecimento partidário através do fim das coligações, das "janelas" e da possibilidade de perda de mandato caso o parlamentar não cumpra com as determinações de sua legenda violando as normas estatutárias. Pois, infelizmente, quando elegemos vereadores, deputados ou senadores, perdemos o controle sobre as suas ações, os quais, com frequência, passam a tomar decisões políticas conforme os próprios interesses a ponto de muitos deles votarem até contra às orientações da bancada.

Certamente que a proposta da deputada não impede o desejado fortalecimento partidário. Aliás, em nada o altera visto que apenas permite às pessoas integrantes do mesmo mandato coletivo alternarem-se nos trabalhos ou desempenharem algumas tarefas conjuntamente. E, se refletirmos bem, a ideia pode dispensar ou reduzir a necessidade dos parlamentares nomearem esse bando de assessores que costumam ter nos seus respectivos gabinetes.

Seja como for, o assunto precisa ser bem debatido e explicado para a população. Inclusive quanto à remuneração dos integrantes do mandato coletivo que, em tal caso, entendo que precisará ser dividida entre todos os participantes igualmente, sem qualquer acréscimo para os cofres públicos. E aí teremos que ficar de olho nas leis que serão feitas. Principalmente nos municípios...

Atualmente, a proposição encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal, na qual tramita desde 27/11, e que irá estudar a sua admissibilidade. Caso aprovada, ainda será examinada por uma comissão especial criada exclusivamente para analisar o mérito da PEC, seguindo depois para votação em dois turnos no Plenário.

Vamos acompanhar!