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domingo, 31 de agosto de 2014

Continuo firme com Marina!




Meus amigos, estou muito feliz com a política! Pois como ambientalista não imaginava que estaríamos tão próximos de eleger um governo realmente preocupado com a sustentabilidade do planeta.

A cada pesquisa de opinião sinto-me surpreendido com os resultados sobre o desempenho de Marina Silva (PSB). Nesta última sexta-feira, dia 29/8, o Datafolha informou um empate técnico entre ela e a presidente Dilma, ambas com 34% (trinta e quatro por cento), enquanto que Aécio Neves (PSDB), o terceiro colocado, caiu para 15% (quinze por cento). Também, conforme os números do instituto, se o segundo turno fosse hoje, a sua vitória sobre a candidata do PT seria quase certa com uma significativa diferença.




No entanto, chamo a atenção para o fato de que ainda estamos diante de uma tendência bem recente e que requer tempo para vermos se consolidará (talvez uns 15 dias). Com a diferença que Marina abriu sobre Aécio, considero quase improvável que ela deixe de ir para o segundo turno faltando agora pouco mais de trinta dias para as eleições, sendo certo que o brasileiro não vê o PSDB como uma opção para os seus anseios. Porém, sempre é bom manter uma dose suficiente de prudência porque a turma da politicagem joga sujo e já está tentando prejudicar a boa imagem de nossa candidata.

Neste momento tão importante é que surgem boatos falsos, mentiras e demonizações. De um lado estão os setores ruralistas mais atrasados que não querem a eleição de Marina porque ganham com o desmatamento e, por isso, fazem a ela uma sistemática oposição. Juntamente com tal grupo, encontramos aquela gente fisiológica que está no poder há doze anos ou mais, precisando manter a todo custo a velha política. São naturalmente os petistas e grande parte do PMDB, partido este que, desde os anos 80 se fez presente nos diversos governos que se sucederam ao longo da redemocratização do país: Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma.

Há muitos argumentos que têm sido construídos contra Marina e um deles diz respeito à governabilidade, caso ela seja eleita. Só que tais boateiros de plantão se esquecem de que a candidata do PSB (e da Rede) tem como um de seus compromissos implantar a nova política tomando por base o diálogo. E aí chamo a atenção de todos para um evento de nossa história ocorrido há pouco mais de 20 anos, quando ocorreu o impeachment de Fernando Collor. Recordo que, com a deposição do presidente, seu vice Itamar Franco (1992-94) convocou todas as forças para compor com ele trabalhando pelo Brasil e buscando o "entendimento nacional". Naquele tempo, tanto o PFL de Antônio Carlos Magalhães quanto o PT de Lula foram convidados sendo que este e boa parte da esquerda se recusaram a participar. Aliás, não me sai da memória que o fato de Luiza Erundina ter aceitado um cargo na Administração Federal certamente contribuiu para a sua posterior migração rumo ao PSB no ano de 1998.

Pois bem. Vejo que, com Marina na Presidência, teremos um momento político semelhante ao que foi o governo Itamar em que todas as forças, inclusive as populares, terão uma oportunidade única de trabalharem juntas por um Brasil melhor. Será uma chance de ouro para os movimentos sociais, para as igrejas, os povos indígenas, os pequenos empreendedores, os estudantes, os grupos de combate à homofobia, as feministas e os ambientalistas. Basta que sejamos capazes de dialogar na defesa das teses que acreditamos, sabendo que as mudanças desejadas fazem parte de um longo processo histórico vindo a acontecer no momento devido.

Sendo assim, faço meu apelo aos pensadores mais progressistas da sociedade que permaneçam firmes com Marina, aprendendo a ser governo e não apenas oposição. Esta não é hora de abandonar o barco, mas de continuar contribuindo com propostas, sem jamais perder a consciência de que as conquistas sociais não serão feitas apenas elegendo alguém para o Palácio do Planalto e sim com nossas ideias ganhando força a cada dia nas ruas. Neste sentido, será muito melhor termos um governo sensível à voz da sociedade do que uma turma de oportunistas e manipuladores, os quais preferem não atender às reivindicações coletivas da maioria.

Vamos juntos com #Marina40 e marchemos unidos pelo Brasil! Afinal, a mudança deve sempre começar por nós.




OBS: Imagens acima oriundas do site de campanha de Marina Silva e compartilhadas na rede social do Facebook.

sábado, 23 de agosto de 2014

O Rio pode revolucionar os transportes públicos!




Hoje resolvi escrever um pouco sobre a mobilidade no meu estado do Rio de Janeiro com foco nos meios de locomoção de massa. Sou morador do interior fluminense e, pelo que tenho acompanhado, os incentivos na área de transportes têm ficado bem aquém das necessidades coletivas, apesar da lenta ampliação do Metrô nos últimos vinte anos e das recentes linhas do BRT com faixas exclusivas para os ônibus. Lamentavelmente, a grande herança recebida do período imperial, isto é, as ferrovias, andam esquecidas pelos governantes e deixando de conduzir mais passageiros, quer seja na região metropolitana ou nos demais municípios de planície.

Conforme tenho experimentado em meu cotidiano, o trem ainda é a melhor opção que disponho para chegar ao Centro da capital estadual mesmo tendo que tomar dois ônibus intermunicipais de Muriqui até à estação de Santa Cruz, Zona Oeste da Cidade Maravilhosa. Pois devido aos constantes congestionamentos nos cinquenta quilômetros de Avenida Brasil (e outros engarrafamentos piores caso eu vá pela Barra da Tijuca) é mais recomendável encarar cerca de oitenta a cem minutos viajando pela SuperVia rumo à Central do Brasil do que arriscar a perder várias horas de dia preso no trânsito.

Ora, se o transporte ferroviário voltasse a ser estendido ao menos até o município vizinho de Itaguaí, hoje uma cidade em acelerado crescimento econômico-populacional, os moradores de minha região seriam significativamente beneficiados. Isto porque, além do usuário poupar tempo e dinheiro com a passagem, ele ganharia mais qualidade de vida, sem nos esquecermos de que o meio ambiente ficaria menos castigado com a danosa poluição atmosférica.

Mas será que uma inovação dessas interessaria às empresas de ônibus como a Expresso Mangaratiba que opera diversas linhas em Santa Cruz, Campo Grande, Itaguaí, Nova Iguaçu, Caxias e no próprio município da Costa Verde que leva o seu nome?

E até que ponto os políticos eleitos com o voto do cidadão não estão comprometidos até o pescoço com esses tubarões do transporte rodoviário?

Pois bem. Esse é um ano eleitoral e muito lamento o fato do Rio não oferecer hoje candidaturas representativas ao Palácio da Guanabara que estejam verdadeiramente aliançadas com a solução do problema da falta de mobilidade, seja ela urbana e intermunicipal. O mesmo posso igualmente afirmar em relação à maioria dos principais postulantes a uma varga na Assembleia Legislativa, homens que ambicionam o poder mais pela defesa de interesses corporativos (senão mafiosos) deixando de lutar em favor da massacrada população carente.

Ocorre, meus leitores, que o Rio não é nenhum estado pobre pois o que esta unidade federativa arrecada de royalties do petróleo é muita grana. Trata-se de tanto dinheiro que, se considerarmos apenas o total desta receita durante o século XXI, já poderíamos nos consultar nos melhores hospitais, dirigir em excelentes estradas, ter as crianças estudando em estabelecimentos de ensino de primeiro mundo, usufruirmos de saneamento básico completo e andarmos num confortável transporte público de qualidade. Aliás, além de investimentos no Metrô, na SuperVia e nas Barcas (novas linhas aquaviárias para São Gonçalo e Duque de Caxias), daria para ser projetado um maravilhoso trem-bala entre Niterói e Campos dos Goytacazes capaz de atender a estratégicos municípios do litoral norte como Cabo Frio, Rio das Ostras e Macaé.

Talvez alguém diga que eu esteja delirando ao propor um trem de alta velocidade no estado, mas digo que essa seria uma ideia bem realista tendo em vista a continuidade do crescimento acelerado do norte-fluminense nos próximos anos até formar uma reconhecida metrópole. Logo, há que se planejar desde já o futuro, a exemplo do que fizeram os brilhantes engenheiros da época do Império, afim de buscarmos soluções duradouras, modernas e financeiramente sustentáveis. Algo que, se compararmos com o caro projeto do governo federal em ligar o Rio a São Paulo pelos trilhos (até hoje no papel), custaria menos em razão do relevo plano entre Niterói e Campos e também por causa da estrutura em parte já existente.

Um dos benefícios que um empreendimento assim poderia proporcionar seria o desenvolvimento do turismo no Rio de Janeiro. Pois, com apenas algumas dezenas de minutos, por exemplo, o passageiro viajaria de Niterói a Cabo Frio, tomaria seu banho de mar, almoçaria num restaurante e retornaria no mesmo dia. Inclusive o próprio trem iria se tornar uma atração para o visitante em que o passeio permitiria o desfrute das belas paisagens litorâneas juntamente com os serviços da mais alta tecnologia e a possibilidade de ser conduzido das barcas até a estação ferroviária com a ajuda de modernos aeromóveis (haveria uma linha partindo da Praça Arariboia) mais catamarãs partindo da Ilha do Governador para Niterói.

Enfim, sonhar é preciso e, se aprendermos a escolher conscientemente os governantes, as coisas desejadas poderão tomar corpo. Para tanto basta não repetirmos erros apoiando políticos tipo Garotinho, Pezão ou Crivella, os quais estão há anos no poder e nunca mudaram o Rio. E aí cabe ao cidadão decidir em outubro se quer coisas úteis e necessárias para o coletivo ou se prefere continuar sendo enganado com piscinões, obras de asfaltamento de má qualidade, estádios de futebol caríssimos, etc.

Em nossas mãos está o poder do voto e torço que, neste ano de 2014, o Rio forme uma verdadeira frente popular que revolucione não só os transportes como também a saúde, a educação, o saneamento básico, a segurança pública, a habitação e a preservação do meio ambiente. Viva o Rio!


OBS: Ilustração acima extraída da Agência Brasil de Notícias com atribuição de autoria a Tânia Rêgo, conforme consta em http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/09/supervia-estuda-melhoria-de-atendimento-a-passageiros-no-rio

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Vamos juntos com Marina!




Ainda tem muita campanha por aí, mas, repentinamente, com o surgimento da candidatura de Marina Silva (PSB), em substituição a de Eduardo Campos, a corrida presidencial ganhou um novo rumo, mostrando que o sonho de mudar o Brasil continua vivo. De acordo com a pesquisa do Datafolha publicada hoje (18/08), a primeira realizada depois da morte trágica de Campos, eis que a presidenta Dilma Rousseff (PT) aparece com 36% das intenções de voto, enquanto que a ex-senadora surpreendeu com 21%, seguida por Aécio Neves (PSDB) com 20%. Os outros candidatos não somaram mais do que 6%. Já os votos nulos juntamente com os indecisos caíram para 17%.

Interessante que, nesta simulação, Marina e Aécio foram colocados em empate técnico e devem disputar uma das vaga para o segundo turno. Ou seja, aquilo que antes vários militantes petistas diziam confiadamente, tagarelando que dessa vez não iria ocorrer, agora se tornou um evento quase certo, sendo que muito me chamou a atenção foi o fim da polarização entre o PT e o PSDB, coisa que vinha se repetindo há bastante tempo.

E seria bastante tempo mesmo! Pois o eleitor que tem um pingo de consciência já não estava aguentando mais ter que optar apenas pelas candidaturas desses dois partidos, os quais tanto decepcionaram a nação brasileira com seus escândalos de corrupção, mensalões, licitações fraudulentas, gastos excessivos com estádios de futebol e o abandono vergonhoso da saúde pública nos hospitais.

Por outro lado, a pesquisa mostrou o anseio mudança do brasileiro que não deseja voltar para trás, mas, sim, seguir em frente para tentar algo diferente. Segundo o Datafolha, num segundo turno entre Dilma e Marina, esta venceria com 47% dos votos, ficando a presidenta com 43%. Porém, se persistir a polarização entre PT e PSDB, Dilma teria 47% e Aécio 39%, dando à situação uma vitória bem folgada sobre a oposição.

Na opinião do cientista político César Maia, candidato a senador pelo DEM, a pesquisa mostra três resultados que contrariaram as expectativas de muitos. Um deles seria a estabilidade de Dilma, com seus 36%, e de Aécio com 20%. E também lhe chamou a atenção a melhoria da avaliação de Dilma e de seu governo (ótimo+bom 38% e ruim+péssimo 23%):

"A expectativa que se tinha era que, além da redução dos que não marcavam nenhum deles, Dilma cairia um pouco, assim como Aécio. A melhoria da avaliação de Dilma - sem nenhuma razão clara - é algo que as expectativas não projetavam (...) Sabe-se que sempre que um fato forte impacta a opinião pública, como o foi o trágico desaparecimento de Eduardo Campos, as curvas de tendência de formação de opinião pública são interrompidas. Nesse sentido, se pode explicar a sustentação de Dilma e Aécio no mesmo patamar. O que ainda requer uma análise mais cuidadosa é a melhoria acentuada da avaliação de Dilma, o que - contraditoriamente - aumenta a sua intenção de voto no segundo turno contra Aécio e diminui contra Marina. Afinal, as notícias - pelo menos as econômicas - nesta semana, foram ruins." (Ex-Blog do César Maia)

Em parte concordo com o César, a meu ver o mais bem preparado dentre os atuais candidatos ao Senado pelo seu conhecimento e experiência política. Porém, o que explica a preferência por Dilma num hipotético segundo turno com Aécio é o fato de que o eleitor de Marina, em via de regra, não se conformaria com o retrocesso, preferindo mais quatro anos de PT do que voltar para as garras do elitismo tucano. Pois qualquer um que tem um pouco de memória histórica e viveu nos anos 90 (a exceção dos cidadãos mais jovens), lembra-se perfeitamente de como o privatista FHC foi um padrasto para os aposentados e uma mãezona para os banqueiros, cumprindo com subserviência a agenda de Washington para a América Latina, mesmo às custas das altas taxas de desemprego daquele período.

Enfim, esta é a hora da decisão e não podemos deixar morrer o sonho de mudança de Eduardo Campos. Se desejamos construir um país melhor, precisamos apoiar Marina Silva, afim de que tenhamos uma nova política baseada na ética, no diálogo com a sociedade e no respeito com o meio ambiente. E que em nenhum momento nos falte coragem para inovar.


OBS: Imagem acima extraída do Blog da Marina.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O Brasil de luto pela morte de Eduardo




Ainda não estou acreditando no que aconteceu. Encontrava-me ontem no Facebook divulgando o texto anterior deste blogue e debatendo lá a respeito de outros assuntos com algumas pessoas quando começaram a aparecer as primeiras postagens falando sobre a morte de Eduardo Campos. Candidato à Presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), ele se mostrava como um dos mais promissores políticos do país com chances reais de deixar um legado histórico a exemplo do avô Miguel Arraes (1916 - 2005), falecido há nove anos também no dia 13/08.

Pode-se dizer que a notícia sobre o seu trágico acidente aéreo foi como uma inesperada bola de fogo que impactou a política brasileira, embaralhando as expectativas quanto às eleições deste ano e que obrigará o PSB a um rápido posicionamento sobre como ficará a chapa da Coligação Unidos pelo Brasil. Ou seja, um quadro que até então parecia parcialmente definido, com a expressiva liderança de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião, torna-se agora menos previsível, sendo certo que o grupo de apoiadores de Eduardo terá pouco tempo para chorar pela sua ausência pois a legislação eleitoral obriga que se apresente um novo registro de candidatura dentro de apenas dez dias.

Mas creio que esta semana ainda não seja o momento de se tomar todas as decisões necessárias pois não seria nada ético. A nação brasileira, que é a segunda maior democracia do mundo, encontra-se abalada com a notícia que recebemos. Afinal, segundo consta na nota oficial do PSB,

"Perdemos Eduardo Campos quando mais o Brasil precisava de seu patriotismo, seu desprendimento, seu destemor e sua competência. Não é só Pernambuco e sua gente que perdem seu líder; não é só o PSB que perde seu líder. É o Brasil que perde um jovem e promissor estadista. Estamos todos de luto."

Ainda é cedo para se levantar especulações imprudentes e maldosas tipo alguém sair afirmando por aí que Eduardo Campos tenha sido assassinado como aconteceu na época da morte de Ulysses Guimarães (1916 - 1992), também vítima de um outro acidente aéreo ocorrido justo por aqui no sul fluminense. Pois, se pensarmos refletidamente, nem Dilma e nem Aécio serão beneficiados com a saída de Campos da disputa presidencial tendo em vista a provável entrada da sua vice Marina Silva com maiores chances de votos. No entanto, é preciso que haja uma apurada investigação acerca do que causou a queda do avião, considerado um dos modelos mais seguros e modernos para se voar, mas que ceifou a vida de sete pessoas bem como o ferimento de mais seis, caindo sobre uma área residencial da cidade de Santos. Ou seja, muito mais gente poderia ter se machucado.

Eduardo Henrique Accioly Campos nasceu em Recife, dia 10 de agosto de 1965. Formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), seguiu a carreira política, tendo sido deputado estadual, secretário de Estado de Pernambuco, deputado federal, ministro de Estado, governador de Pernambuco reeleito por consagradora maioria e presidente do PSB. Falecido na data de ontem, deixa prematuramente aos 49 anos uma esposa e cinco filhos, sendo o caçula, Miguel, nascido dia 28 de janeiro do corrente ano.


OBS: Foto acima extraída da página do Partido Socialista Brasileiro na internet, conforme consta em http://www.psb40.org.br/not_det.asp?det=5727

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A valorização profissional dos advogados





Nesta segunda semana de agosto, comemorou-se o dia do advogado segunda-feira (11/08), ocasião em que a OAB costuma promover diversos eventos, confraternizações, palestras e atos públicos em prol de nossa categoria profissional. E, como há tempos tem ocorrido, os representantes da Ordem não cessam de protestar contra os honorários irrisórios que são estabelecidos pelos magistrados nas ações judiciais.

Nem todos os leigos sabem, mas os advogados têm direito a receber um "valor extra" chamado de honorários de sucumbência quando os seus clientes tornam-se vencedores na maioria dos litígios. Trata-se, pois, de uma verba que deve ser paga pela parte contrária e que nada tem a ver com os honorários referentes à contratação dos seus serviços. É o que diz o artigo 22 caput da Lei Federal n.º 8.906/94, mais conhecida como o Estatuto da Advocacia:

"A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência."

Assim, como a Justiça brasileira costuma fixar importâncias em favor dos advogados que chegam a ser aviltantes, a OAB instituiu uma campanha de âmbito nacional pela valorização dos honorários sucumbenciais. É o que tem incentivado o Dr. Marcus Vinicius Furtado Coêlho, presidente nacional da Ordem:

"Os advogados não podem e não devem, jamais, submeter-se a honorários irrisórios, de valores aviltantes. Advogado valorizado, cidadão respeitado, esse é o slogan da campanha em defesa das prerrogativas. O advogado representa os anseios do cidadão, representa a sociedade brasileira. Com esse intuito, criamos a Campanha Nacional pela Dignidade dos Honorários."

Dessa maneira, a OAB tem convocado os advogados a abraçarem de corpo e alma a iniciativa ilustrando suas petições nos processos com o selo da campanha, colando adesivos nos seus carros e interagindo nas redes sociais da internet como Facebook e Twitter. Já a Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas da seccional da Ordem no Rio de Janeiro, a CDAP, há tempos passou a oferecer apoio aos advogados quanto ao aviltamento dos honorários sucumbenciais fixados pelo Poder Judiciário. As reclamações dos profissionais fluminenses sobre honorários baixos, uma vez encaminhadas pessoalmente na sala 310, corredor D do Fórum Central (da capital), ou pelo e-mail cdap@oabrj.org.br , podem motivar até o ingresso da OAB nos autos do processo onde ocorreu a violação.

Como advogado e cidadão, apoio todas essas iniciativas e as considero sempre válidas. No entanto, faço as minhas ponderações a respeito da crise que enfrenta hoje a advocacia no Brasil como profissão liberal, infelizmente considerada já por alguns em vias de extinção. Pois quer a OAB tenha êxito ou não na sua honrada campanha, sabemos que, em regra, os honorários sucumbenciais não podem constituir a principal fonte de renda de um causídico, visto tratar-se de um mero complemento dos ganhos.

Ora, é fato que, quando um advogado abraça qualquer causa, é impossível prever se ele terá êxito ou não. Ou seja, como se trata de um acontecimento futuro e incerto, não dá para termos total certeza se o cliente sairá vencedor, se desistirá da demanda no meio do processo, se falecerá no dia seguinte, se fará algum acordo, bem como se a parte contrária terá recursos para pagar ou ainda se haverá a tal da "sucumbência recíproca", hipótese compensatória em que cada demandante deverá remunerar o seu respectivo patrono. Por outro lado, a demora de um processo poderá ser longa, ultrapassando até mais do que uma década, bem como a execução da sentença nunca terminar. Logo, ainda que o juiz fixe valores proporcionais ao tempo de duração da ação, acho difícil a sucumbência tornar-se 100% satisfatória.

Deste modo, vejo que o caminho da valorização profissional dos advogados deve se passar com maior urgência pela relação com o cliente a fim de que a sucumbência seja apenas algo extra. Por isso, as ações mais corretas seria adotarmos a tabela da OAB como uma referência quanto à remuneração pelos serviços prestados e nos recusarmos a celebrar os chamados "contratos de risco", hipóteses em que o pagamento só é feito ao final do processo e condicionado ao ganho de algum bem ou dinheiro pelo cliente. Negar a realização de audiências ou diligências para empregas e escritórios jurídicos que querem pagar quantias ínfimas (há casos de advogados recebendo menos de cem reais) seria outra atitude de grande efeito nesse momento tão difícil que atravessamos.

É sabido que, nos últimos anos, com a proliferação das faculdades de Direito, o mercado teve uma enxurrada de bacharéis formados em ciências jurídicas entre os quais muitos não exercem a advocacia e outros tantos nem ao menos conseguem ser aprovados no exame da Ordem. Diversas instituições andam mercantilizando o ensino superior e poucas preparam de fato o aluno para se valorizar como um futuro profissional qualificado. Aliás, nem seria exagerado dizer que já no estágio os estudantes chegam a ser tratados como office-boys de luxo afim de se enquadrarem mais facilmente numa vida de exploração econômica pelo futuro patrão considerando que diversos advogados acabam se empregando na iniciativa privada.

Acredito que toda essa luta pela valorização da advocacia (os honorários sucumbenciais seriam apenas um capítulo da novela) poderá ser bem longa. Porém, jamais haverá sucesso se o discurso da OAB não se voltar também para a conduta dos profissionais nela inscritos afim de que estes tomem consciência: (i) da importância do serviço que prestam; (ii) do tempo em que permaneceram cursando a faculdade; (iii) dos gastos com a aquisição de livros; (iv) dos recursos de informática que precisam na atualidade em razão do processo eletrônico; (v) das caras e sufocantes vestimentas num país de clima quente; (vi) das inúmeras privações que suportam no cotidiano; (vii) da impossibilidade de gozar férias quando bem entendem; e (viii) da árdua dedicação que um processo judicial impõe para quem trabalha com seriedade em que a responsabilidade do causídico é enorme mesmo se tratando de obrigação de meio e nunca de resultado.

Fora isso, considero que cada advogado pode desde já se esforçar diligentemente por cumprir o seu papel consciente, voltando a cobrar pelas consultas e dizendo um sonoro não para aquelas propostas de trabalho capazes de afrontar a profissão. Inclusive em relação aos mais jovens que estão iniciando agora na carreira e ainda desconhecem as frustrantes amarguras do nosso trabalho, devendo eles ser advertidos para não acabarem vitimados pela ansiedade que todos temos por nos estabilizarmos economicamente.

Termino assim meu texto parabenizando a todos colegas, ainda que com dois dias de atraso, e desejando que todas as ações em prol da dignidade da advocacia possam evoluir cada vez mais afim de que o exercício de nossa linda profissão no Brasil volte a ser em todos aspectos viável e atrativo. Vamos em frente!


OBS: A ilustração acima trata-se do selo da Campanha Nacional pela Dignidade dos Honorários promovida pela OAB, totalmente disponível para reprodução e divulgação, conforme consta em http://www.oab.org.br/campanha/honorarios-dignos/

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Os cuidadores domésticos familiares




No dia 15 do mês passado, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados discutiu um tema importantíssimo (e pouco comentado pela nossa sociedade) quando o grupo decidiu tratar da situação das mulheres cuidadoras.

Conforme verificado no debate, ainda vigora o paradigma patriarcal de que cabe à mulher cuidar gratuitamente de idosos e doentes. Ou seja, quando o pai ou a mãe torna-se incapacitado por razões de saúde, por exemplo, quem geralmente assume quase todos os cuidados com a pessoa enferma costuma ser uma das filhas, sem que os demais irmãos se comprometam responsavelmente.

Além disso, o Estado pouco presta algum auxilio, por meio de políticas públicas, a quem, corajosamente, propõe atuar como um cuidador doméstico. São casos em que, não raras vezes, o indivíduo precisa parar de trabalhar e fica sem nenhuma renda. Sua vida/agenda passa a se desenvolver em função do assistido, acompanhando o idoso a uma rotina de consultas e exames médicos, efetuando compras de remédios em farmácias e auxiliando-o nas necessidades diárias mais básicas como a alimentação, a higiene corporal ou a locomoção.

Às vezes, os cuidadores sofrem sérios prejuízos psicológicos, suportando julgamentos maldosos feitos por uma sociedade que não sabe ainda valorizar o trabalho deles. Há ignorantes que os acuse de "incapazes", "preguiçosos", "malandros" e "aproveitadores de velhinhos", mas esquecem que a dedicação a um idoso ou doente crônico importa também em diversas restrições ao lazer, privações no convívio social, incompreensões no relacionamento afetivo com o cônjuge/namorado, indisponibilidade para viajar, etc.

Certamente que o preenchimento dessa lacuna em nosso país será tarefa para a próxima legislatura quando os deputados eleitos este ano tomarem posse de seus respectivos mandatos em 2015. Assim, caberá à nova Câmara pensar em soluções de amparo ao cuidador, nos âmbitos da sua saúde psicológica, do convívio social e da geração de renda.

Acredito que, junto com a família, o Estado tem também o seu papel de assistência de modo que as políticas poderiam incluir abrigos humanizados, com locais de tratamento/ocupação diária e transporte do assistido a partir de sua casa, assim como a redução de jornadas laborais comuns de quem seja cuidador. Até mesmo a criação de um benefício social para os cuidadores poderia ser estudado para os casos mais extremos que exigem uma atenção exclusiva.

Por fim, há que se pensar na capacitação mesmo de quem seja um cuidador doméstico e, em determinadas situações de patologias raras, o governo ainda pagar um profissional para auxiliar a família. Afinal, tanto o assistido quanto as pessoas que convivem com ele têm o direito de serem cuidadas e de dispor de serviços de alta qualidade, recebendo um tratamento digno de todos.


OBS: Ilustração acima extraída de http://1.bp.blogspot.com/_ZKi1Vzhxjr4/TVJo0uv6evI/AAAAAAAAE2Q/M4Najnh5mtA/s1600/CUIDADORES1.jpg

domingo, 10 de agosto de 2014

O direito de conviver com o pai




Finalmente chegou o segundo domingo de agosto! Sei que se trata de uma data com um apelo bem comercial, mas reconheço o seu devido valor para as famílias e, principalmente, para as crianças.

Perdi meu pai aos sete anos de idade. Foi uma experiência super dolorosa, jamais poderei negar, mas pelo menos posso dizer que o tive presente em vários momentos importantes durante um breve período de minha vida. No entanto, quantos meninos e meninas não passarão esse dia sem a companhia de um pai?!

De uns anos para cá, muito tem se discutido no Direito brasileiro sobre as questões relativas à negação do afeto. Seriam os casos de pais que abandonam o filho, independente de fornecerem a ajuda material (pensionamento), escolha que poderá causar prejuízos irreversíveis no desenvolvimento da personalidade da criança.

Pode-se afirmar que, com a Constituição de 1988, a família deixou de ser um fim em si mesmo passando a ser lugar de realização existencial dos seus membros. Neste contexto, a relação paterno-filial passou a ser definida não apenas pela origem biológica da pessoa, mas também, e principalmente, pela afetividade desenvolvida entre o pai e o filho.

Assim, considerando que a convivência familiar assegura a integridade física, moral e psicológica da criança, na medida em que permite que o desenvolvimento de sua personalidade se dê de forma saudável, certamente que a falta da figura paterna pode desestruturar os filhos, tirando-lhes o rumo da vida, expondo-os a se tornarem pessoas inseguras e infelizes. E, embora o abandono afetivo desponte com mais frequência quando ocorre a dissolução da sociedade conjugal, sabe-se que a negação do afeto pode ocorrer também nas vezes quando existe a co-habitação entre o filho e seu genitor em que este pouco dispensa carinho ou atenção ao menor.

Apesar de boa parte da doutrina jurídica e da jurisprudência dos nossos tribunais estarem reconhecendo o direito à indenização por dano moral para os casos de abandono afetivo na filiação, sabemos que se trata de uma situação verdadeiramente irreparável. Isto porque mesmo que a pessoa supere o passado e a ferida feche, restará uma cicatriz para toda a vida.

Felizmente a informação tem se divulgado muito em nossos dias graças à internet, aos programas de TV e às concepções humanitárias que vão se consolidando. Com isso, penso que os pais do presente podem prevenir futuros traumas na vida de seus filhos procurando estabelecer um relacionamento capaz de incluir afeto. Estar com a criança não só neste domingo, mas também passar mais tempo com ela em outras vezes, inventar passeios, dialogar e procurar acompanhar um pouco mais do seu cotidiano seriam condutas dignas para muitos homens separados de suas esposas ou que procriaram fora do casamento. Atitudes que podem fazer grande diferença e precisam ser incentivadas pelas mães, assim como por toda a família, tendo em vista que o foco deve ser sempre o bem-estar do menor.

Um feliz dia dos pais para todos!


OBS: A foto cima foi tirada no meu aniversário de 5 anos, dia 12/04/1981, quando eu estava abraçado pelo meu pai que deveria estar com seus 34 anos. Nascido no Rio de Janeiro, em 13/11/1946, Francisco Carlos Ancora da Luz era engenheiro mecânico e trabalhava na Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro (CEG-Rio), na época de seu falecimento em setembro de 1983. Deixou apenas eu de filho.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Um papo com a galera jovem




Já não sou tão jovem embora ainda não esteja velho. Com meus 38 anos, poderia muito bem ser pai de um filho adolescente. Ou, quem sabe, ter já um netinho para carregar no colo, na hipótese de ter "começado cedo". Mas também poderia estar até hoje vivendo como um "canguru" na casa da mamãe e dependendo essencialmente do apoio financeiro familiar.

Ora, se hoje eu fosse pai de um jovem de 17 anos, próximo a ingressar numa universidade, não nego que procuraria ajudá-lo com todas as minhas possibilidades quanto aos estudos afim de que o rapaz fosse bem sucedido naquilo que viesse a escolher. Se ele me pedisse para sugerir qual curso fazer, responderia que deveria se dedicar ao que de fato esteja vocacionado. Porém, não deixaria de indicar a carreira de médico como sendo talvez a mais satisfatória do ponto de vista financeiro.

Sinceramente, acho difícil, senão impossível, um médico ficar sem trabalho no Brasil. Do Oiapoque ao Chuí, toda cidade necessita de alguém para tratar de seus doentes havendo, na atualidade, uma relação de apenas dois profissionais para cada grupo de mil habitantes no país todo. E, dependendo do lugar, ainda mais sendo um município interiorano das regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste, a carência chega a ser muito maior.

E se esse meu filho imaginário resolvesse fazer Direito igual ao pai? Bem, neste caso, após passar pelo choque da notícia, eu o aconselharia a não cair na asneira de advogar. Diria para o rapaz iniciar a sua preparação para concursos desde o primeiro período da faculdade, quer seja resolvendo questões de provas anteriores ou mesmo tentando a aprovação para algo de nível técnico enquanto permanecesse nos bancos da universidade. E aí, quando finalmente estivesse formado, sugeriria que pensasse em coisas melhores como os cargos de analista, defensor público, promotoria, magistratura, procurador de estado, delegado ou tabelião.

Outro conselho profissional que daria ao meu filho para depois de diplomado, independente do curso por ele escolhido, seria cursar uma pós-graduação. Pois, como se sabe, o "canudo" hoje em dia muito mal garante um estágio nas empresas, o que, por outro lado, não deixa de ser uma oportunidade. Ainda mais se o jovem profissional entra numa firma boa com perspectivas de crescimento. Entretanto, se a pessoa não continuar estudando, existe o fundado risco de ela nunca deixar de ser explorada nos anos seguintes como mais uma mão-de-obra qualificada contratada. Seu talento pode ser reconhecido ali, mas não fora da companhia de modo que, se o empregado resolve pedir demissão, ou vier a ser dispensado, com muita dificuldade vai arrumar coisa melhor em outra empresa. Já com uma pós ou um mestrado nas mãos, as chances de sucesso se ampliam.

Além do curso universitário, faria o garoto aprender uma profissão de base desde a adolescência pois acho que o trabalho antes da maioridade pode contribuir decisivamente para o jovem enfrentar melhor os desafios do amanhã assim como costuma ajudar o serviço militar. Como um pai não conhece o dia de amanhã, jamais tendo como prever se o filho será bem sucedido nas suas escolhas, ou ainda se a situação do país continuará favorável como foi nos últimos dez anos, vale a pena a pessoa saber algo sobre cozinha, panificação, construção civil, pintura, costura, corte de cabelo, mecânica, condução de veículos, compra e venda de imóveis, trabalho em escritório, ou qualquer outra atividade útil para suprir necessidades.

Finalmente, buscaria transmitir ao jovem conselhos diversos para a vida ligados à ética, espiritualidade, relacionamentos afetivos, uso disciplinado do dinheiro e política. Diria pro rapaz procurar uma boa moça para casar e que fosse capaz de somar com ele em quase todos os aspectos. Recomendaria que não se privassem de ter vida sexual regular no tempo de duração do namoro e tomando as precauções necessárias quanto à gravidez, mas esperassem para "juntar as escovas de dentes" no momento em que estivessem profissionalmente estáveis. Pois enquanto estamos estudando na faculdade, bem como nos firmando no trabalho, é bom não se sobrecarregar com aquelas preocupações ligadas à casa, família, despesas do lar, prestações ou com qualquer compromisso que desvie a atenção dos livros.

Muito mais eu poderia escrever aqui sobre que conselhos dar a quem seja vinte anos mais moço que eu, inclusive quanto a fazer uma poupança, contribuir para a previdência (porque os anos passam), ler devocionalmente a Bíblia, falar a verdade, honrar compromissos, respeitar incondicionalmente o outro, não deixar a religião em excesso atrapalhar, lembrar-se da prática da justiça social, etc. Só que, se eu resolver falar de tudo, o artigo acaba ficando indigesto. Logo, deixo todas essas questões em aberto para um eventual debate de trocas de ideias que possa ocorrer.

Obrigado a todos pela visita ao blogue!


OBS: A ilustração acima trata-se do quadro Juventude e tempo, uma obra do artista inglês John William Godward (1861-1922), feita no início do século XX. Foi extraído do acervo virtual da Wikipédia, conforme consta em de http://it.wikipedia.org/wiki/Giovinezza#mediaviewer/File:Youth_and_Time_1901.jpg

domingo, 3 de agosto de 2014

Deputado quer fixar salário mínimo para advogados empregados




Tramita na Câmara Federal o Projeto de Lei n.º 6689/13 de autoria do pedetista André Figueiredo (foto) que tem por objetivo estabelecer salário mínimo para advogados da iniciativa privada. De acordo com a proposta, os valores serão fixados de acordo com o tempo de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a jornada semanal de trabalho a ser executada.

Atualmente, a Lei Federal n.º 8.906/94 apenas determina que o salário mínimo profissional do advogado seja definido a partir de decisão da Justiça Trabalhista, salvo se ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho como muitas vezes tem ocorrido entre os sindicatos e os escritórios jurídicos. Mas pela proposta, os empregadores deverão observar as seguintes importâncias para a hipótese de uma jornada semanal de 20 horas:

- R$ 2.500,00 para advogados com até um ano de inscrição na OAB;
- R$ 3.100,00 para advogados com um a dois anos de inscrição;
- R$ 3.700,00 para advogados com dois a quatro anos de inscrição;
- R$ 4.500,00 para advogados com mais de quatro anos de inscrição.

Além disso, o PL prevê um acréscimo de 30%, em caso de dedicação exclusiva, bem como reajustes anuais todo dia 11 de agosto de acordo com a variação acumulada do INPC, o qual é o indicador oficial para orientar os reajustes de salários dos trabalhadores.

Sinceramente, embora a proposta apresente em si a plausível ideia de valorização dos serviços advocatícios, é preciso que haja condições econômicas no país capazes de propiciar a elevação dos salários dos profissionais empregados pelas empresas ou escritórios jurídicos. Ou seja, trata-se de algo que não se faz somente por meio de leis pois requer uma análise do mercado de mão-de-obra qualificada no país, além da possibilidade do empregador pagar pelas importâncias pretendidas pelo legislador.

Ora, o fato é que muitos escritórios e empresas menores acabariam deixando de oferecer vagas a advogados e optando pela contratação de serviços diretamente com o profissional liberal autônomo em que os honorários ficariam abaixo da tabela da OAB. Também cresceriam as sociedades de advogados em que se tornaria mais interessante associar-se a um colega do que um escritório jurídico simplesmente pagar por salários que, em muitos casos, poderão superar a renda dos próprios sócios.

Por outro lado, embora na opinião do parlamentar a medida possa favorecer recém-formados que "vivenciam situações de precarização do trabalho", há que se levar em conta um provável preterimento em relação ao profissional mais antigo inscrito há mais de quatro anos na OAB. Em outras palavras, tal pessoa simplesmente poderá ficar fora do mercado de mão-de-obra qualificada porque o seu salário obrigatoriamente custará 80% mais caro do que um iniciante.

Enfim, estamos diante de uma proposta que precisa ser suficientemente pensada e discutida entre os advogados. Talvez os critérios para a definição dos valores precisem ser revistos conforme bem comentou o internauta Rubens Ramos na própria notícia divulgada pela Agência Câmara. E, a meu ver, bastaria o legislador fixar um mínimo nacional equivalente a três salários mínimos hoje, sem prejuízo de haver a celebração de acordo ou de convenção coletiva de trabalho nas regiões do país, no sentido de se ajustar as importâncias à realidade de cada lugar.


OBS: Imagem acima extraída do portal da Câmara dos Deputados em http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/472204-PROJETO-FIXA-SALARIO-MINIMO-PARA-ADVOGADO-DA-INICIATIVA-PRIVADA.html?utm_campaign=boletim&utm_source=agencia&utm_medium=email

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

No lado selvagem da ilha




Nesta semana, dias 30 e 31 de julho, finalmente realizei meu antigo sonho de percorrer o lado da Ilha Grande votado para o mar aberto. Trata-se de um significativo trecho de praias, rios, morros e florestas ainda pouco conhecido pela maioria dos turistas que partem rumo à agitada vila do Abraão.

Posso dizer que esta foi a quarta ocasião em que estive na ilha, sendo o segundo passeio desde que vim morar em Muriqui. Em minha última visita, outubro de 2013, subi o Pico do Papagaio com seus 980 metros, conforme relatado no artigo De volta à Ilha Grande publicado aqui no blogue. Mas desta vez, conformei-me com altitudes menores e percursos mais leves, embora o trajeto de volta feito ontem tenha sido bem longo com, aproximadamente, vinte quilômetros entre a localidade da Parnaioca e o Abraão.

A ideia de voltar esta quarta-feira à Ilha Grande surgiu repentinamente em minha cabeça pela manhã de 30/07. Seria mais um dia da fatigante rotina de um advogado e micro-empreendedor individual (hoje mais vendedor de sorvetes do que causídico) que, embora não tenha patrão, possui seus diversos compromissos tanto laborais como familiares. Nem sempre é possível dispor de tempo para fazer aquilo se deseja em situações como a minha pois, se tenho uma audiência marcada, por exemplo, preciso comparecer ao Fórum antes do horário previsto ou do contrário meu cliente perde sua ação e sou responsabilizado. Também se tenho que me manifestar num processo, devo entregar a petição dentro do prazo previsto na lei sob pena de não sofrer danos na demanda, os quais podem ser fatais para o êxito da causa.

Assim, logo que a ideia do novo passeio veio na minha mente, entrei no Google e digitei as palavras "barcas para o Provetá", o qual é a segunda vila mais populosa de Ilha Grande. E foi aí que cheguei a uma página com esclarecedoras dicas contendo o título Como chegar – Provetá e Aventureiro – Horários dos barcos. Segundo a informação, a qual está corretíssima, são dois mestres que fazem a travessia marítima em dias alternados e num deles, no Miss Angra, constava um número de telefone fixo para o qual liguei. Fui então atendido pela esposa do barqueiro, sra. Maiara, a qual não só me deu algumas dicas como sugeriu que, quando chegasse ao Provetá, ficasse hospedado numa das suítes na casa de sua mãe, dona Magna, onde pagaria o acessível preço de R$ 50,00 a diária.

Deveriam ser apenas umas nove e pouco da manhã quando telefonei e como não tinha tempo a perder, tratei de arrumar logo a mochila com o que julguei ser essencial e parti para a rodovia Rio-Santos afim de tomar um ônibus rumo a Conceição de Jacareí. De lá peguei mais uma condução terrestre para Angra dos Reis, cidade de onde saem as embarcações em direção ao Provetá, Praia Vermelha, Araçatiba, Longa e outros povoados distantes do Abraão para os quais não há linhas de transporte daqui de Mangaratiba. E consegui chegar na sede do município vizinho antes das 14 horas, horário convencional de partida dos barcos.

Mas se vocês pensam que eu fui direto para o Provetá, estão enganados. Resolvi ir só até Araçatiba para fazer dali uma leve caminhada de mais ou menos uma hora até o meu local de destino naquele dia. E como desembarquei na ilha ainda antes das quatro da tarde, consegui chegar tranquilamente ao Provetá com o dia claro e lanchar numa padaria em frente à igreja do povoado afim de recarregar as energias.

Desde a primeira vez que tinha ido à Ilha Grande, em janeiro de 1999, o pessoal do Abraão comentou comigo sobre como seria o Provetá. Segundo se dizia, tratava-se de uma vila comandada por um radical pastor da Assembleia de Deus em que as pessoas não seriam nada simpáticas aos turistas e que o local dividia-se em duas áreas onde frequentavam respectivamente os crentes e a galera do "mundo": o "céu" e o "inferno". Pelas orientações da galera, melhor seria ficar hospedado no "inferno".

Quinze anos depois de ter ouvido tal informação, pude constatar que as coisas no Provetá não seriam bem daquele jeito. De fato, todo o crescimento da vila desenvolveu-se em torno da congregação da Assembleia de Deus não sendo muito diferente da maioria das cidades brasileiras interioranas em que a igreja matriz católica geralmente fica numa praça para onde converge toda a vida social do lugar. E, no Provetá, a maioria da população é de assembleianos. Os que não são membros da igreja geralmente seriam "desviados".

Talvez por causa da acentuada religiosidade do local a vida cultural não seja muito agitada no Provetá, mas, por outro lado, o turista pode desfrutar da tranquilidade do ambiente, da quase ausência de bares e da beleza natural dessa parte da ilha voltada para o mar aberto. A praia é relativamente pequena e há muitas embarcações pois os seus moradores vivem basicamente da pesca. A qualidade de vida das pessoas pareceu-me satisfatória pois não encontrei ninguém em situação de penúria material e a Prefeitura de Angra mantém atendimento médico diário no posto de saúde do lugar. Além disso, a vila possui luz elétrica, linhas telefônicas e acesso à internet sendo que meu único problema foi encontrar algum orelhão que efetuasse chamadas a cobrar para poder mandar um alô pra minha esposa que havia ficado em casa. Porém, graças à ajuda oferecida por um dos habitantes de lá, o sr. Mauro, usei o seu celular ligando para o meu aparelho que tinha deixado com Núbia.

Seguindo as orientações da Maiara, procurei pelo sr. Levi, um outro mestre que faz a linha marítima do Provetá até à praia do Aventureiro. Precisei levantar da cama ainda de madrugada para sair às seis da manhã do píer. Quando cheguei lá, o sol nem tinha nascido ainda mas já havia umas poucas pessoas aguardando pelo barqueiro, entre os quais um jovem casal de turistas (o marido alemão e a mulher brasileira).

A viagem de barco do Provetá até o Aventureiro é bonita. Durante a travessia lá é possível avistar até a Ponta do Joatinga, em Paraty, que é o final da costa fluminense fazendo já divisa com o município de Ubatuba, no estado de São Paulo. Nesse trecho, a água é bem limpa e, no dia, o mar estava calmo. Contudo, fazia frio e até começar a andar pela praia do Aventureiro não dispensei o uso do casaco e nem minha calça de moletom. Principalmente por causa da sensação térmica na viagem.

Permaneci por mais de duas horas na praia do Aventureiro antes de pegar um outro barco até à Parnaioca. O Aventureiro trata-se de um pequeno povoado de pescadores onde não creio que haja mais do que cem habitantes. Há alguns locais de camping em que a diária custa uns R$ 20,00 por cabeça. Sem ter comido nada quando saí do Provetá, tive a sorte de ser convidado para tomar o "café da manhã dos caiçaras" na residência de uma família do povoado. Ou seja, um delicioso tutu temperado com farinha. Show de bola!

Considero a praia do Aventureiro relativamente pequena. Juntamente com a praia do Dengo, ambas devem ter uma extensão de mais ou menos um quilômetro até o um perigoso costão, inicio dos limites da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul (REBPS). Esta, por se tratar de uma unidade de conservação da natureza totalmente fechada para visitação turística, obriga o caminhante a concluir de barco o trajeto entre o Aventureiro e a Parnaioca.

Além do nutritivo café da manhã, dei sorte de encontrar um barqueiro que cobrou o razoável preço de 30,00 para fazer a travessia já que ele estava levando um grupo de turistas para conhecer a Parnaioca pois do contrário eu poderia acabar desembolsando uns R$ 100,00 ou mais por uma viagem exclusiva (nem sempre as coisas ficam mais baratas na baixa temporada). E foi mais um passeio lindo em que contemplei de longe as extensas praias do Sul e do Leste onde somente são permitidas as atividades de pesquisa ou de educação ambiental com expressa autorização do Instituto Estadual do Ambiente - INEA.

A Reserva da Praia do Sul é constituída por montanhas, floresta de Mata Atlântica, planícies, restingas, dezenas de córregos, duas lagoas, cinco praias, manguezais, costões rochosos, uma fauna bem diversificada, além de um rico patrimônio histórico representado por sítios arqueológicos de antigos habitantes da região, conhecidos como "fabricantes de machados da Ilha Grande" e ruínas de sítios e fazendas do Brasil Colônia. Foi criada pelo Decreto Estadual n° 4.972, de 2 de dezembro de 1981, na época do governador Chagas Freitas. Porém, com a Lei Estadual nº 6.793, publicada em maio do corrente ano, foi alterado o limite desta unidade de conservação, com a redução de 2,7% da área original, especificamente a povoação do Aventureiro, que passou a integrar a porção terrestre da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro recentemente criada. Atualmente a RBEPS possui aproximadamente 3.500 hectares.

Tendo chegado na Parnaioca, precisei de um bote para ir do barco até à praia porque ali felizmente não existe cais. Já deveria ser em torno de dez e pouco da manhã e não pude acompanhar o grupo na visita que fizeram à cachoeira que existe ali perto. Despedi-me das pessoas, calcei meu par de tênis e logo comecei a andar na extensa trilha de quase oito quilômetros que leva até à vila de Dois Rios por dentro da floresta.

Em geral, gasta-se umas três horas para realizar o percurso entre a Parnaioca e Dois Rios. Como se trata de uma trilha, é preciso ter uma dose de atenção com as pedras e raízes ao longo do trajeto. Alguns pontos encontram-se obstruídos com árvores que foram derrubadas pela ação da natureza, o que exige paciência do ecoturista, sendo certo que não há bifurcações tornando praticamente mínimo o risco de uma pessoa se perder.

Apesar das pequenas dificuldades encontradas e da pressa em chegar, foi uma travessia bem relaxante. Um mergulho no verde! Em muitos trechos dava para escutar o barulho das ondas do mar mesmo com a floresta cobrindo quase toda a visão do oceano. Também pude ouvir o som de alguns pássaros e dos macacos bugios, bem como perceber a presença de outros animais silvestres. Devido à fartura de rios, sendo todos eles limpos, fui bebendo água pelo caminho.

Por volta de uma da tarde já estava em Dois Rios onde almocei. Fazia mais de uma década que eu havia estado lá onde considero o povoado mais aconchegante de toda a Ilha Grande (pena que não há pousadas nem locais de camping ali). Almocei com simplicidade pagando R$ 30,00 por um prato feito de arroz com feijão, salada, ovo e mais dois sucos de latinha, que, numa hora de fome, acaba virando verdadeiro banquete. E como já tinha me alimentado com o tutu dos pescadores no Aventureiro, não precisei repetir.

De uns doze anos para cá, algumas coisas mudaram em Dois Rios que, no passado, foi a sede de um presídio de segurança máxima implodido pelo governador Brizola no seu segundo mandato (primeira metade da década de 1990). Aproveitando o espaço do antigo Instituto Penal Cândido Mendes, a UERJ inaugurou em 2009 o atual Museu do Cárcere, o qual funciona de terça-feira a domingo, das dez da manhã até às quatro da tarde. Só que, como eu estava com pressa, preferi deixar a visita para uma outra oportunidade em que pretendo voltar com mais tempo à Parnaioca e Dois Rios para desfrutar melhor do local.

Rapidamente concluí os doze quilômetros de caminhada de Dois Rios até à Vila do Abraão, o que suponho ter durado aproximadamente duas horas. E como já estava cansado, ansioso para chegar em casa, estar com Núbia e resolver problemas nesta sexta-feira, bem como preferia evitar o frio da noite, não fiquei esperando pela barca que parte no final do dia para Mangaratiba. Resolvi então utilizar um transporte alternativo até Conceição de Jacareí de onde tomei um ônibus que me deixou numas das entradas de Muriqui.

Apesar de ter sido tudo muito rápido, valeu a pena curtir essa aventura. Mesmo quando somos profissionais liberais e/ou pequenos empreendedores que trabalha por conta própria, é preciso aproveitar pequenas oportunidades de passeio. Ainda mais quando a nossa agenda anda com algumas imprevisibilidades próprias da atividade econômica que desenvolvemos (em locais turísticos como Muriqui o comércio funciona mais nos fins de semana). É nestas horas que devemos criar o nosso momento de lazer.


OBS: Foto acima pertencente ao acervo da Reserva Estadual Biológica da Praia do Sul conforme extraído do portal do INEA na internet em http://www.inea.rj.gov.br/Portal/Agendas/BIODIVERSIDADEEAREASPROTEGIDAS/UnidadesdeConservacao/INEA_008602